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Como é hábito às quintas-feiras falamos sobre saúde, sobre exercício físico e sobretudo mais que o Eduardo Schulz quiser aqui neste espaço. Boa tarde, Eduardo.

Olá Hugo, boa tarde.

Olá Eduardo, viva.

Olá João.

E que tema é que nos trazes hoje, Eduardo?

Ora bem, Hugo, eu hoje queria falar sobre a motivação para a prática de exercício físico, os mecanismos dessa motivação e aquilo que poderá de facto ser motivado, ou neste caso melhorado, para que nós vejamos o exercício físico com outros olhos e se calhar uns olhos mais motivados também. Isto porquê? Bom, em período de confinamento, as restrições são cada vez maiores e portanto não ajuda nada à motivação. Já fecharam clubes desportivos, já fecharam ginásios, já fecharam piscinas e agora recentemente, e confesso que sou da opinião que é incompreensível, fecharam zonas públicas como jardins, parques desportivos também, zonas pedonais, ciclovias. As restrições são várias e há aqui um apelo, na minha opinião também muito perigoso, ao sedentarismo. Isto porque não se vê ou não se está a ver o exercício físico como um aliado de saúde, está-se a ver como um problema quando poderia ser uma solução à saúde, lá está, e está-se a remeter as pessoas para casa e para o sedentarismo, que tem vindo a aumentar doenças como obesidade, diabetes, a doença cardiometabólica e também doenças do foro mental, porque tem vindo a ser precursor de depressão, de ansiedade, stress. O sedentarismo, como se vê, não ajuda em nada. E as pessoas, claro, estão cada vez menos motivadas a praticar exercício físico.

Então e como é que se dá a volta a isto?

De várias maneiras, mas aquilo que eu vou percebendo é que, infelizmente, as pessoas também veem no exercício físico um meio para um fim. Ou seja, a motivação não é intrínseca, é extrínseca, está fora dela própria e até do exercício. Veem, no fundo, como uma forma de obter uma recompensa, por exemplo, conquistando um objetivo, seja ele qual for, no caso, por exemplo, perda de peso, que é um dos mais comuns, ou como forma de evitar um desconforto, por exemplo, dor nas costas. Se eu praticar um certo exercício ou alguma metodologia, posso evitar dor nas costas, portanto, eu pratico. Se eu praticar de certa forma também, com alguma metodologia, eu consigo perder peso, sinto-me recompensado e pratico. As pessoas não veem no treino em si a própria fonte de prazer, a própria motivação.

Mas a ideia aqui, Eduardo, é desfrutar mais do momento da prática de exercício físico e não olhar apenas para a meta, para o fim?

Sim, João, no fundo é criar mecanismos para que essa motivação seja intrínseca à própria pessoa e intrínseca também àquilo que está a ser praticado, para que seja a própria atividade a fonte de prazer e aquilo que no fundo nos dá esse gosto e depois também essa vontade de praticar cada vez mais. E há várias formas que podemos de facto melhorar essa forma de encarar o exercício físico. Aliás, esta comparação do facto ser extrínseco também é transversal. Eu comparo isso com a vida quotidiana, por exemplo, nós temos naturalmente que ter uma remuneração, um salário mensal para ter uma vida minimamente confortável e digna. E para isso temos um trabalho, desempenhamos uma função, somos pagos por isso. Ora, se nós tivermos um trabalho que não gostamos nada de fazer e só pensamos na remuneração, eu acredito que os dias são muito mais tristes, muito mais pesados. Lá está, a motivação para ir trabalhar é muito menor. E com o treino é um bocado isso. Se nós não tivermos prazer na atividade em si e for só feita quase tipo comprimido para obter algo, acaba por ser muito menos prazeroso e muito menos motivante.

E criar uma rotina pode ajudar ou pelo contrário?

A rotina ajuda bastante, porque a regularidade com que nós fazemos certas coisas, no caso o treino, permite também tirar alguns benefícios até, eu vou dizer do ponto de vista químico. Ou seja, a regularidade ajuda a que nós, de forma mais sistemática, portanto mais vezes, consigamos libertar certas hormonas, no caso a serotonina e a noradrenalina, que estão associadas ao prazer e ao bem-estar. Essa regularidade pode ajudar-nos imenso nisso. Agora, a própria tarefa em si também pode ter aqui alguma forma de ser mais ou menos motivante. Ou seja, eu para obter uma estratégia nesse sentido, posso olhar para o exercício físico de forma que eu tenha algum prazer com aquilo que estou a fazer. Eu tenho que escolher uma atividade que eu goste de fazer efetivamente, mas que para além daquilo que é o meu gosto, que seja também adequada a mim, que seja de acordo com a minha condição física, com as minhas condicionantes e que eu possa, além de gostar, desempenhá-la com sucesso. Associar ao desempenho da tarefa uma experiência boa, uma experiência positiva e de sucesso, ajuda que nós nos sintamos mais motivados a querer repetir essa tarefa. Neste contexto, o que é que eu posso sugerir? Que agora no confinamento, as pessoas possam recorrer, e aqui apelo sempre a que recorram a uma fonte tão profissional quanto possível, e há muitos profissionais que online têm feito o seu trabalho, para que retirem de todas as ofertas que possam ter, aquela que realmente mais gostam e que se ajusta àquilo que podem realmente fazer.

Eduardo, eu recomendaria fazermos esta parte do exercício físico, fazermos isto sozinhos, como forma também um bocadinho de escape ou se estivermos em casa com familiares, juntar toda a gente e criar ali um momento de família. O que será melhor?

Ou até acompanhados online, não é?

Exatamente. Será melhor sozinho ou acompanhado, ou depende de pessoa para pessoa?

Exatamente, Hugo. Aqui é muito pessoal. Há quem se identifique muito com a prática sozinho e, portanto, fazê-lo como se faz um desporto individual, e há quem se identifique muito mais com a prática em grupo. Por isso é que nos ginásios há quem escolha o treino, por exemplo, musculação, o treino de força, que é feito mais vezes sozinho, e há quem goste muito mais de aulas de grupo e que se divirta muito mais com isso. É mesmo muito pessoal. O que importa, como eu disse há pouco, é que a pessoa associe à prática uma experiência realmente positiva. Agora, aquilo que eu posso recomendar também para que isso seja uma realidade, é que as pessoas partam de tarefas mais simples para tarefas mais complexas. Isto porque é perceptível que se eu fizer uma coisa simples, mas que eu consiga de fato desempenhar e me sinta confortável a poder evoluir, associo também a isso uma tarefa de sucesso e, portanto, mais facilmente eu me sentirei motivado intrinsecamente a voltar a repetir, sem ser preciso recorrer a algum tipo de automotivação e processos muito complexos de motivar para uma tarefa que no fundo se pode tornar muito prazerosa, que é o treino.

Acima de tudo, então, sentirmos bem com aquilo que estamos a fazer e com a forma como estamos a fazer e sentirmos recompensados. É isso que levamos do "Deixe-se desculpas" de hoje, não é, Eduardo?

É, recompensa é algo que é muito importante, como é óbvio. O evitar desconforto também será com certeza, mas a mensagem de hoje é mesmo que as pessoas consigam encontrar numa atividade um gosto, um prazer em desempenhá-la para que a motivação seja intrínseca e não dependente de algo externo, porque quando assim é, é muito mais falível e é muito mais difícil de manter regularidade.

Eduardo Schultz, muito obrigado. Foi mais uma edição do "Deixe-se desculpas". Bom fim de semana e quem nos está a ouvir, mexa-se, não é assim, Eduardo?

É, claro que sim. Mexa-se mais, sem desculpas e tantas vezes quanto antes possível. Bons treinos, um abraço e até para a semana.

Um abraço.

Um abraço.

Obrigado.

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