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E junta-se a nós Eduardo Sousa para a última edição do "Deixe-se de Desculpas". Eduardo, antes de irmos à conversa, fica aqui a nota de que esta rubrica foi uma bela corrida, entre aspas. Eduardo, nas despedidas vamos fazer um balanço deste último quase, ou mais até, de ano e meio.

Olá Vicente, muito boa tarde. É verdade, hoje é a nossa última rubrica do "Deixe de Desculpas", é de facto a nossa despedida e confesso que fica aqui uma certa tristeza.

Uma lágrima no canto do olho.

Fica, em certa medida fica, Vicente, e vou-te dizer por quê. Porque, em parte, eu sinto que perde o exercício físico. Perde uma forma, no caso de um canal privilegiado como é o caso do Observador, de chegar a mais pessoas, no sentido de continuar a promover exercício físico, os bons hábitos de treino, fazê-lo com tanta regularidade quanto possível e retirar daí todos os benefícios que o exercício físico tem. E ao perder isso, numa fase tão importante como esta fase pandémica, em que as pessoas, de facto, estão emocionalmente mais fragilizadas, têm sido remetidas muitas vezes para o confinamento e para as suas casas e convidadas ao sedentarismo, porque os números estão a aumentar brutalmente, parecia-me importante manter aqui uma voz ativa, no sentido de motivar as pessoas a praticar exercício físico, a não se renderem ao sofá e fazê-lo, como disse há pouco, tantas vezes quanto possível, com critério, porque também é verdade que exercício físico é bom quando é bem feito. E no fundo foi sempre essa a nossa missão, passar aqui alguma informação às pessoas para que percebessem que, de facto, exercício físico é muito mais do que só mexer o corpo, é muito mais do que ter atenção à questão estética, no fundo promover saúde, tanto física como mental.

E também fazê-lo aqui de uma forma, Eduardo, e nós há pouco falávamos sobre isso, fazê-lo de uma forma científica, fazê-lo de uma forma informada e adaptada a cada um, sem que surjam, apesar disso tudo, riscos associados à prática de exercício. Fazê-lo de uma forma que seja sobretudo segura, mas também eficaz.

É verdade, Vicente. Essa foi uma preocupação minha ao longo deste praticamente ano e meio de emissão, que foi de certa forma fugir aos clichês do treino para o rabinho empinado, para a barriguinha com os abdominais marcados, para o corpo de verão. Foi no fundo dar informação para que as pessoas percebessem que exercício físico tem uma componente científica por trás, como é evidente, e portanto foi também minha intenção apresentar aqui alguns estudos, alguns dados científicos que ajudassem as pessoas também a esclarecer algumas dúvidas que possam ter com, às vezes, alguns mitos que se perpetuam na área do fitness, como por exemplo, se o treino cardiovascular é a melhor opção para perder gordurinha, se eu fizer muitos abdominais tiro a minha barriguinha e fico com a barriguinha mais tonificada. Enfim, pequenas coisas que normalmente se vão, como disse há pouco, perpetuando enquanto dúvidas e a nossa missão aqui foi trazer então ciência e evidência científica e ajudar a esclarecer e a dar informações fidedignas para que as pessoas pudessem, de alguma forma também, escolher aquilo que mais se adequa a cada um dos nossos ouvintes. Isto por quê? Porque a individualização do exercício físico é muito importante. Eu percebo que às vezes se negligencie, aliás, não percebo.

Isto porque cada pessoa é uma pessoa e cada corpo é um corpo, Eduardo.

É, precisamente. Eu quando falo muitas vezes em personalização, eu não estou a referir-me ao negócio de treino personalizado. Estou-me a referir à preocupação que tenho em que cada pessoa faça, de facto, aquilo que pode fazer. Neste sentido, é importante saber as suas condicionantes, a sua condição física, se porventura pode ou não pode fazer certos movimentos, se porventura é ou não adequado fazer certas metodologias. E foi um pouco isso que eu tentei trazer aqui para o nosso programa, para que as pessoas esclarecessem e que escolhessem, de facto, aquilo que poderá ser melhor fazerem nas suas rotinas de treino. E falámos aqui de muita coisa, por isso foi de alguma forma uma preocupação minha falar de exercício físico em vários espectros, nomeadamente o exercício físico clínico. Falámos muitas vezes aqui sobre treino específico, por exemplo, para doentes oncológicos. Falámos de exercício físico, por exemplo, para pessoas com doenças degenerativas, como o caso do Alzheimer, como o caso do Parkinson. Demos aqui estratégias para pessoas que tenham, por exemplo, osteoporose. Falámos também sobre estratégias para pessoas que, do ponto de vista cardiometabólico, nomeadamente com diabetes, podem de facto adotar algumas estratégias que ajudem em questões relacionadas com a tolerância à insulina e, porventura também, ver melhorados todos os índices de saúde que remetem para o diabetes. Enfim, demos aqui um panorama muito mais científico e muito mais clínico do que normalmente se ouve. E espero que tenha ficado também aos nossos ouvintes esse apontamento para que percebam que efetivamente o nosso corpo é uma máquina muito complexa e às vezes não basta ir à internet ver algumas opções, as tais famosas dicas que às vezes eu falava sobre isso, em que são tão redondas que podem caber em muita gente, mas também podem não caber em ninguém, porque a personalização é isso mesmo, é saber exatamente o que fazer com quem e nessas dicas generalistas, de facto, pode não acontecer e muitas vezes não acontece.

E muitas vezes são perigosas também, não é? Por isso também a importância de chamar a atenção para isso aqui no "Deixe de Desculpas", Eduardo.

Sim, é verdade. Nós falámos muito sobre isso. Falámos muito, por exemplo, numa necessidade e na tal avaliação de condição física inicial para aferir aquilo que seria a prática ideal, sendo que naturalmente que agora que as pessoas estão em casa, acedem à informação de forma muito rápida, basta um clique, tem muitas coisas, muitas opções a ter em conta e eu chamo a atenção para isso, para que saibam escolher a informação certa De preferência por um profissional, para que o exercício físico seja então bem feito.

Eduardo, olhando para este último ano e meio, alguma coisa que queiras destacar da tua relação com a rádio? Tornaste-te num comunicador, para além de um personal trainer.

Foi uma experiência, como te disse há pouco em off, muito gratificante e muito desafiante também. Eu não sou da área da comunicação. Foi um desafio também.

Ninguém diria.

Mas o desafio foi neste sentido: a rúbrica, como saberá, é muito curtinha, entre os cinco minutos, 10 minutos no máximo. E a minha preocupação seria sempre como é que neste período de tempo eu consigo ser cientificamente correto, esclarecedor, para que as pessoas que possam ouvir identifiquem aquilo que estão a ouvir com algumas palavras que porventura sejam percepcionadas de acordo com aquilo que eu esperaria, mas num curto espaço de tempo. É muito desafiante, porque às vezes bastava uma pergunta vossa aqui ou ali, que eu podia perder o raciocínio e acabava por ficar assim um bocado desgarrado aqui o tema. Enfim, às vezes aconteceu, certamente, outras vezes nem tanto, mas foi um desafio ótimo. Espero que os nossos ouvintes tenham gostado também. Há imensos podcasts que ficam disponíveis para que possam consultar. E naturalmente também fica aqui o meu contacto e a minha disponibilidade para alguma dúvida que surja e que queiram esclarecer, terei muito gosto nisso.

E para além do exercício físico, foi também um belíssimo exercício mental. Fica por aqui o "Deixe-se de Desculpas", o último episódio com o personal trainer Eduardo Schultz, que se juntou a nós todas as quintas neste último ano e meio, mais até do que um ano e meio. Eduardo, muito obrigado. Até uma próxima.

Obrigado também, Vicente. Um grande abraço a todos, à Rádio Observador, à pessoa do Ricardo Conceição, que me fez o convite que aceitei de bom grado, a ti, Vicente, ao João também e à Ana Filipa, que nos acompanhou em tantas sessões e que tanto nos ajudou na fase inicial. Um obrigado especial para ela também. Enfim, até breve e até lá bons treinos.

Até breve e bons treinos, Eduardo. Até à próxima.

Um abraço.