Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Deixe-se de desculpas todas as quartas na Rádio Observador com a personal trainer Joana Mota. Está conosco hoje, mas à distância. Olá, Joana, bem-vinda.

Olá. Tudo bem?

Tudo, ótimo. Vamos falar hoje de corrida. Sim, não, só para alguns? Que cuidados a ter? Das mil e uma resoluções de ano novo, esta pode ser uma delas: começar a correr. Até porque são cada vez mais os adeptos da corrida e vamos tentar perceber como nos devemos iniciar nesta prática. Também lembrando aqui, alguém dizia na rubrica anterior, na semana passada, que há o de leve, que há os maluquinhos das corridas. A corrida, Joana, pode ser um vício?

Não podemos dizer isso às pessoas. Cada um, sua pancada. Mas claramente pode ser um vício. Como nós já tínhamos falado, tudo que nos dá prazer, temos tendência a repetir e claramente que se pode tornar uma coisa viciante e ainda por cima saudável. Obviamente que é um vício, pode se tornar um vício, mas antes de ser um vício, tem que ser uma coisa saudável. E como tu falaste, e bem, não é uma coisa que possa ser pra toda a gente. Temos que ter sempre, acima de tudo, antes de nos prepararmos para uma corrida, ou se quisermos nos preparar para uma corrida, temos que perceber se o nosso corpo está apto para isso. Não é começarmos a correr de um dia para o outro, sem nos prepararmos, porque antes de se tornar um vício, não queremos que se torne algo lesivo para a nossa saúde.

Mas antes de falarmos das potenciais lesões, quais são os benefícios? Quais são os principais benefícios da corrida para a saúde? No fundo, o que acontece no nosso corpo durante a corrida e algum tempo com prática continuada?

Claro, tal como nós falamos na semana passada, os exercícios, a corrida, neste caso, é um excelente exercício aeróbio. Promove-nos o aporte de oxigênio às células, o que nos vai permitir manter a nossa saúde cardiovascular. Agora, a corrida tem muito mais para além da questão do bem-estar físico, porque acaba por ser também, para muitas pessoas, uma superação, é tentarem descobrir até onde conseguem ir. Basicamente, é por aí que ficamos.

Joana, e há aqui um lado também sobre a saúde mental que parece importante. Todos os praticantes falam dos benefícios a esse nível. Eu confesso que só consigo pensar naquela dor de burro.

Pronto, Vanessa, lá está. No teu caso, vamos esquecer, mas fora de brincadeiras, como eu estava a dizer à Judite, e bem, a questão da corrida, a parte da saúde mental passa um bocadinho. Eu acho que a corrida, relativamente aos outros exercícios, há muito tipo de exercícios aeróbios, mas a corrida tem aqui três fatores associados muito fortes. A questão do sucesso e da superação, como eu estava a falar. Por exemplo, pessoas que sejam muito competitivas. Suponhamos, vou correr 5 km, "mas isto estou-me bem, vou correr, amanhã vou tentar fazer seis. Semana que vem vou tentar fazer oito". E acaba por ser como uma competição com ele próprio. A questão da superação, de tentar fazer mais. Depois temos outra questão também-

Ficam logo de bom humor. As pessoas que conseguem superar-se ficam logo de bom humor e querem sempre mais e mais.

Sim, vais chegar à parte que eu ia dizer agora. Falamos na semana passada a questão das endorfinas, é isso mesmo, de ficarem bem-dispostas. Há pessoas que acabam de correr e que referem um nível de êxtase, uma satisfação mesmo quase deslocada, é engraçado, mas é verdade. E para além disso, ainda existe a questão também do fator social, o espírito grupal, porque há muita gente que, por exemplo, ao fim de semana, vocês já devem ter visto, há aqueles encontros de 10, 15, 20 pessoas que vão correr. Mesmo as empresas já começam a criar team buildings para que haja este tipo de momentos. E parecendo que não, a corrida tem este benefício, comparativamente com alguns outros exercícios, que é esta componente social associada. É muito grande e acaba por ser escape para muita gente, mesmo nesta questão que estávamos a falar de empresas. Estes encontros que são criados, depois vão para almoços, vão para momentos em que claramente se nota que há ali uma relação empresarial, laboral e de colegas, uma relação boa. E parecendo que não, isto a longo prazo, vai permitir uma maior produção no trabalho. Não temos dúvidas que se uma equipa está satisfeita, os resultados provavelmente vão ser melhores.

Joana, e como aconselhas que nos iniciemos na corrida? Em primeiro lugar, devemos fazer algum tipo de checkup médico para ver a nossa condição física e depois devemos começar por caminhadas, por pequenas corridas ali perto de casa, no caso de precisarmos de ajuda de alguém?

Muito bem, Bruno, gostei muito da questão do checkup médico. É muito importante. Das questões mais importantes, é mesmo essa. Acima de tudo, nós estamos a falar que o exercício é saúde. A corrida não é para toda a gente. Agora, se for um objetivo a longo prazo, ok. Primeiro que tudo, como nós já falamos, checkup, perceber como é que estamos em termos de saúde e depois procurar um profissional especializado.

Do checkup médico, depois como é que nos devemos iniciar?

Sim, desculpa. Se tiver o ok para começar Desculpem. O mais importante, acima de tudo, como eu estava a referir, é ter um acompanhamento específico. Muita gente passa o dia inteiro sentado, tem a musculatura enfraquecida, portanto, nós não podemos passar do zero a uma corrida, não é verdade? Se for um objetivo realmente a longo prazo, tem que procurar alguém que seja um profissional especializado na área e preparar o corpo para o que vai acontecer, porque a corrida não é algo fácil, cria muito estresse articular, e se o corpo não estiver preparado, a propensão de lesões é grande. Portanto, uma pessoa que passa o dia inteiro sentada ou que está com excesso de peso, não convém começar a correr. Por quê? Sem se preparar, por quê? A probabilidade de criar uma lesão ou de joelho ou tibiotársica é grande.

Mas esses são os maiores riscos para quem está a iniciar, são essas lesões físicas?

Sim, porque um corpo que não está preparado para uma determinada atividade, a probabilidade de se lesionar é grande.

E aí a Joana olha para as articulações, desculpe interromper, os joelhos.

É isso. Mais importante, como eu estava a referir, é: vamos fazer uma preparação física. A pessoa está parada. Obviamente, neste caso, eu vou falar do ginásio. É importantíssimo fazer um reforço muscular, preparar a musculatura para o que vai acontecer. Para quê? Para que as articulações não sejam supercarregadas. Agora, uma pessoa que está parada, como estávamos a falar, e a longo prazo, vai querer fazer uma corrida. O que nós podemos sugerir? Nós temos pardões maravilhosos. Temos passeios ótimos, temos um beira rio e beira mar maravilhoso. Podem começar por pequenas caminhadas. Semana a semana vão aumentando ligeiramente a distância. Agora, não podemos esquecer que é muito importante, por exemplo, o calçado, é muito importante que o piso seja plano e regular. E lá está, se ao fim de X tempo, estão a ver que estão a conseguir aumentar a distância, "ok, estou na altura, vou falar com quem de direito". Há muitos profissionais da área em toda e mais alguma plataforma, conseguem encontrar e pedem acompanhamento e aconselhamento. E se calhar, aquele objetivo que até parecia inalcançável, se calhar daqui a um ano, "epá, comecei por caminhadas pequeninas, corridinhas e se calhar até vou conseguir a longo prazo, começar a correr".

E há outro tipo de exercício que aconselhes para essas pessoas, que tenha mais ou menos o mesmo efeito que a corrida?

Mais ou menos o mesmo efeito é relativo. Ou seja, o efeito físico, o exercício é o melhor medicamento de todos, porque tu podes fazer exercício de toda e qualquer forma com benefícios cardiovasculares ou, neste caso, com treino aeróbio. Quem pratica ginásio, por exemplo, pode fazer um treino intervalado na elíptica, pode fazê-lo na bicicleta, pode fazer um treino em circuito com cargas, um treino de resistência muscular, por exemplo, com um circuito de vários exercícios em que a frequência cardíaca está elevada, exatamente o mesmo que estaria num treino de corrida. Aí até tem mais benefícios porque estamos a trabalhar a massa magra, mas isto falaremos mais à frente. Mas existem 1001 opções. Já dizia um colega, e bem, que não existem exercícios errados, existem maneiras erradas de os fazer. E tudo é possível desde que seja feito com qualidade e adequado à pessoa em causa, porque para mim pode ser servido de uma maneira e para ti de outra.

Joana, tenho duas perguntas. Pedia-te uma resposta rápida a estas duas. A primeira é: correr num tapete ou ao ar livre, tem diferenças nos benefícios para a saúde?

Claramente. Tapete tem uma coisa chamada força de cisalha, não interessa, mas para quem é da área percebe, não é de todo benéfico para muitas pessoas. Correr na rua: tens uma vista espetacular, tens vitamina D através do sol e ainda consegues ganhar um bronze se for no verão, por exemplo. Portanto, nada como andar ao ar livre, no caso que nós precisamos muito da natureza.

Para terminar, Joana, perguntava: há forma de fazermos corrida sem usar aquelas aplicações móveis que depois postamos nas redes sociais exibindo orgulhosamente a distância percorrida?

Eu acho que isso tem muito a ver com o ego. Porque orgulhosamente a distância percorrida, depende, eu sou olhar para aquilo e a mim não me disser nada.

A mim nunca me diz nada. Mas as pessoas que o põem têm muito orgulho naquilo.

Claro. Atenção, nada contra, porque quem tem orgulho no que faz é maravilhoso e é sinal que fez o que se propôs a fazer.

Joana, eu até já vi pessoas que fazem um determinado circuito para depois a linha fazer um determinado desenho.

Tão bonito.

Tu também conheces pessoas estranhas, de facto.

É verdade. Acontece. Muito bem, Joana Mota é a nossa personal trainer, está conosco todas as quartas-feiras com dicas de exercício físico no "Deixe-se de Desculpas". Joana, voltamos a falar de hoje a uma semana. Beijinhos e obrigado.

Beijinhos.

Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.