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Está no ar mais um Diário do Mundial da Rádio Observador. Já temos a primeira equipa finalista, a Espanha, que já tem bilhete para a final do Campeonato do Mundo. Hoje, Argentina e Inglaterra lutam pela próxima vaga. Vamos falar destes jogos com o jornalista Miguel Cordeiro. Olá, bom dia, Miguel.
Olá, Maria João.
O grande jogo que se esperava entre Espanha e França acabou por ser um domínio espanhol durante 90 minutos.
Podemos dizer isso. Foi mais posse de bola, mais oportunidades, mais controle, mais futebol dos espanhóis. A supermáquina atacante francesa não se viu nesse estádio de Dallas, e a esta hora ainda deve estar essa supermáquina no bolso dos espanhóis. A Espanha fez o jogo que queria. Nós podemos dizer isto. Naturalmente, sente-se que a Espanha conseguiu fazer o jogo que queria. A França esteve bem, mas dentro daquilo que é um jogo de futebol, não aquilo que se esperava desta seleção francesa. Ficamos todos a olhar pro relógio e a pensar que mais cedo ou mais tarde a França iria soltar-se, mas isso nunca aconteceu. Luis De La Fuente, o selecionador espanhol, tem dito que só se preocupa com o trabalho que a sua equipa tem de fazer e que quer os adversários preocupados com isso. E de fato secou por completo a seleção francesa. Acabou por vencer por 2 x 0 frente a uma seleção que podemos definir como os grandes candidatos deste mundial, não só pela expectativa antes da competição, mas também por aquilo que foram fazendo ao longo destas últimas semanas. O primeiro gol deste jogo surgiu cedo, grande penalidade. Aos 22 minutos marcou Oyarzabal. Esse gol, na altura, levou, certamente, a uma expectativa de que o jogo pudesse abrir, que a França começasse a carregar, começasse a soltar, que a Espanha talvez recuasse um pouco mais, mas não. O que aconteceu foi que a Espanha manteve o controle. E esse controle foi se mantendo ao longo dos minutos que o relógio foi passar. No segundo tempo, a Espanha marcou novamente por Pedro Porro. O gol foi aos 58 e assim ficou o resultado até o fim, 2 x 0. No final, nós temos mesmo de falar de um resultado justo. Podemos dizer, utilizando a tradicional expressão espanhola, que se ouviu também no estádio: "Foi um olé". Isto ouviu-se no estádio. E se calhar, talvez um assustador olé, que deixou aqui em sentido uma constelação de jogadores, de craques franceses. Assustador porque a Espanha fez parecer tudo isto fácil, banalizou a seleção francesa. É óbvio que a França cometeu aqui alguns erros, talvez não tenha entrado com o plano certo, mas é, de fato, um grande jogo da seleção espanhola. A França acaba por não criar grandes lances de ataque. A Espanha concretizou os que criou. A França não sai já do mundial, ainda tem o jogo de terceiro e quarto lugar, mas de fato era dia de feriado nacional em França e no final do jogo fica esse sentimento. Parece que os jogadores não estavam ligados ao jogo, não estavam ligados à corrente do jogo, à importância deste jogo. Acabam derrotados, muito desiludidos, isso sente-se também. Está fora a seleção francesa, fora da final, vai ter agora esse jogo de terceiro e quarto lugar.
Miguel, então e os protagonistas deste duelo, o que disseram no final do jogo?
Vamos começar pela França, até porque é onde temos declarações mais sumarentas, podemos dizer assim. Declarações também contraditórias. Didier Deschamps, selecionador francês, atacou o árbitro. Ele disse muita coisa, mas essencialmente ele questionou se o árbitro tinha qualidade para apitar uma meia-final de um mundial. É óbvio que ele assumiu a culpa, ele disse que a equipa não esteve no seu melhor, mas também tem esta frase em que questiona se o árbitro tem condições, tem qualidade para estar numa meia-final. O árbitro foi Ivan Barton, é de El Salvador. Acontece que também depois do jogo, há aqui declarações de um jogador, Ryan Cherki, é um dos avançados da seleção francesa, e ele disse, e cito: "Hoje perdemos por nossa causa. Não perdemos por causa do árbitro, não perdemos contra a Espanha, perdemos contra nós. A única equipa que era capaz de nos eliminar, éramos nós mesmos e foi isso que aconteceu". Esta é a visão de Cherki. Portanto, ele não só não alinha no discurso do selecionador, como também não reconhece, de certa forma, a vitória de Espanha. Fala em erros da própria seleção francesa. Entre os jogadores franceses, há também palavras do capitão, Kylian Mbappé. Diz ele: "Não jogamos o jogo que queríamos, nem tática, nem tecnicamente, nem ao nível geral que apresentamos. Quando não fazes o que tens de fazer numa meia-final de um mundial, não ganhas". Isto foi o que disse Kylian Mbappé. Há aqui uma curiosidade muito interessante. Foi a primeira vez que Kylian Mbappé foi eliminado dum mundial. Está a jogar o terceiro mundial. Em 2018, chegou à final e venceu. Em 2022, chegou à final e perdeu pra Argentina. Agora é a primeira vez na carreira que não vai estar na final de um mundial. Quanto aos espanhóis, essencialmente o que disse o selecionador De La Fuente falou no plano. Disse: "Tínhamos uma ideia e fomos fiéis a essa ideia". Falou no orgulho que tem na equipa, destacou que a Espanha tem esta melhor equipa na competição, disse que a França até pode ter os melhores jogadores, mas tiveram de lidar com a melhor equipa da competição. E foi também questionado sobre o que disse Deschamps sobre o árbitro. De La Fuente respondeu de forma muito simples Quando se perde, é natural procurar desculpas.
Espanha está na final. É já no próximo domingo, em New Jersey. Domingo, às 20h, vai ter relato em direto aqui na Rádio Observador. França vai jogar no sábado, no encontro que define a medalha de bronze. Miguel, vamos agora falar do jogo de hoje, o Argentina e Inglaterra.
É um jogaço. É mais um jogaço deste mundial e, de fato, já se fala aqui também em muito mais do que um jogo de futebol. Apesar do selecionador da Argentina, logo depois dos quartos de final, ter dito que não, que este é apenas um jogo de futebol, a verdade é que isto é um duelo histórico, dentro e fora do relvado. Há muita história no relvado, mas há muita história também fora. Há uma rivalidade que se intensificou desde a guerra nas Malvinas, nos anos 80, mas há também uma rivalidade dentro do relvado, também muito por causa do jogo mítico em 1986, em que Maradona marcou talvez os dois principais gols do século passado, dois gols que ainda hoje marcam a história do futebol: a mão de Deus e o gol do século. Aconteceu tudo nesse jogo frente à Inglaterra no Mundial de 1986, com muitas queixas, naturalmente, dos ingleses. Estas duas equipes já se defrontaram por 14 vezes na história. Destas 14, apenas cinco foram em competição e, neste caso, essas cinco em competição foram sempre em Mundial. Mas neste século, em jogos oficiais, neste século XXI, só se encontraram uma vez. Foi em 2002, foi no grupo F desse mundial, venceu a Inglaterra por 1 x 0. No global, entre amigáveis e jogos oficiais, temos estes 14 jogos, vantagem para a Inglaterra, seis vitórias, seis empates e apenas duas vitórias para a Argentina. Em jogos oficiais, é também a Inglaterra que tem vantagem. Em meias-finais, é a primeira vez que se encontram. Hoje, com história, sem história, a partir do momento em que o árbitro apitar, vamos ter certamente um grande jogo de futebol. Acontece no estádio de Atlanta. Argentina e Inglaterra é às 20h, no horário de Portugal continental.
Está feito mais um Diário do Mundial. Estamos de regresso amanhã.