Joan Laporta pode não ser a pessoa mais discreta, mais prendada em termos institucionais ou mais sagaz na forma de criar soluções financeiras para combater o buraco financeiro que foi sendo cavado em Barcelona (e que mais tarde trará problemas complicados ainda de imaginar, acrescente-se) mas, entre o que possa ter de melhor ou pior, é alguém capaz de perceber contextos melhor do que ninguém. Por isso, e na antecâmara de uma semana com dois encontros grandes para uma equipa que somava por vitórias todos os jogos realizados até ao momento, o líder dos catalães fez questão de secundarizar para já a receção ao Real Madrid de José Mourinho no próximo domingo para se colocar a um nível Champions entre os melhores da Europa.

Com Vitinha em campo, ainda têm de comer muita papa para serem melhores: PSG vence City em mais uma ode ao futebol

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“Para mim, estas são as duas melhores equipas da Europa”, dizia Laporta antes do encontro. “Clássico? Não, agora o mais importante é o próximo jogo, o presente. Reparem, estamos perante a melhor partida que se pode jogar na Europa, com grandes jogadores e com dois grandes treinadores. Problemas com lesões? É o que costuma acontecer, não vale a pena falar e pensar-se em desculpas. Temos duas equipas com plantéis suficientemente bons para superar estes contratempos”, destacou de seguida, numa tentativa paralela de recolocar os blaugrana no topo do futebol europeu e passar ao lado da controvérsia no futebol em Espanha sobretudo nas últimas semanas, de novo com o caso Negreira a ser comentado diariamente.

Quaisquer que fossem os objetivos finais dessa intervenção de Laporta, aquilo que dizia fazia sentido. Mais: como os jornais espanhóis foram destacando esta terça-feira, o núcleo duro que constitui o cérebro de uma Roja campeã mundial iria estar em confronto, com o invicto Fabián Ruiz (que nunca perdeu uma partida por Espanha) de um lado e a dupla Rodri-Pedri do outro. No final, ganhou Vitinha. Bem secundado por João Neves no meio-campo, o português voltou a ser determinante com um golo que definiu o rumo final da partida e, mesmo não ganhando o prémio de MVP (que foi para Doué), mostrou que é um dos melhores médios da atualidade. Com fita para jogar, sem fita para celebrar, alheio a quaisquer fitas para ganhar.

Foi o Barcelona que começou melhor a partida, com o meio-campo a conseguir ganhar o autêntico duelo de gigantes esperado no Parque dos Príncipes. Pedri teve uma jogada de génio do meio-campo até à área para um remate que acabou prensado num defesa contrário, Anthony Gordon não conseguiu desviar ao segundo poste uma assistência de João Cancelo, Dani Olmo teve uma tentativa com perigo ao lado, Raphinha obrigou Safonov à primeira intervenção mais apertada da noite. No entanto, e apesar desse “embate” inicial que se tornou mais complicado perante a saída de Dembélé por lesão (entrou Ferran Torres), o PSG nunca deixou de estar ligado ao encontro, quase como aqueles pugilistas que vão dando o corpo às investidas iniciais do adversário sabendo que à mínima distração também podem marcar pontos ou mesmo chegar a um K.O.

Foi isso que aconteceu. Já depois de um momento fantástico na baliza de Joan Garcia, com três grandes defesas na mesma jogada a manter o nulo, Lamine Yamal arriscou onde não podia, João Neves voltou a dizer que pode ser tão ou mais importante do que quem marca ou assiste numa equipa e Doué inaugurou o marcador com um grande remate rasteiro de fora da área (38′). Fermín López ainda teve uma chance para fazer o empate antes do intervalo após surgir isolado 1×0 contra Safonov mas o guarda-redes russo ganhou o duelo antes de Marquinhos evitar a recarga, segurando o triunfo parcial antes do descanso. Ainda assim, o jogo nem a metade ia (literalmente). E havia mesmo muita história ainda por contar…

O Barcelona conseguiu chegar ao empate no início do segundo tempo, com Xavi Espart a aproveitar uma autêntica cratera que se abriu do lado esquerdo da defesa do PSG com o movimento de Lamine Yamal para subir à área contrária e fazer o 1-1 após assistência de Fermín López. Craques como Kvaratskhelia, Pedri, Marquinhos ou Raphinha foram entretanto substituídos por questões físicas ou mera gestão e, já com o seu patrão Rodri em campo, parecia que era o Barça a conseguir ter maior capacidade de gerir o jogo em busca de mais. Ao invés, foi o PSG que se agigantou. E a partida da jornada teve mais quatro golos em 20 minutos.

Lucas Hernández, que rendeu o lesionado Nuno Mendes na equipa inicial, aproveitou um canto de Doué da direita do ataque para subir mais alto na área e desviar de cabeça para o 2-1 (72′). Os parisienses estavam em festa, Lamine Yamal nunca o deixou de estar – e foi com mais uma grande jogada que restabeleceu o empate, jogando 1×1 até ficar quase sem ângulo na área antes de rematar de bico para surpreender Safonov (79′). Esse podia ter ficado com o momento do jogo, Vitinha fez questão de voltar a ficar com o momento do jogo: após um corte da defesa espanhola para fora da área, o internacional português ajeitou a bola e rematou colocado para o 3-2 sem hipóteses para Joan Garcia (81′). Agora sim, a partida parecia estar de vez encaminhada e teve o carimbo final de Fabián Ruíz, a encostar um cruzamento de Hakimi (86′).

[Annie consegue estar presente nos últimos anos do pai, que não vai viver tempo suficiente para conhecer a sua sentença no julgamento do homicídio de Humberto Delgado. Entretanto, também ela vai ficar gravemente doente. Já pode ouvir o último episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]