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Chegamos ao último dia de campanha eleitoral e nesta reta final os candidatos dão o tudo por tudo, num cenário ainda de grande imprevisibilidade. Henrique Gouveia e Melo parece ter concentrado os esforços nos militares e nas forças de segurança. Nadine Soares está a acompanhar a comitiva do almirante. Bom dia, Nadine. Esta concentração nos apelos aos militares e às forças de segurança é uma estratégia para tentar captar este eleitorado à última hora?

Sim, na reta final da campanha, além dos idosos, uma fatia do eleitorado que Gouveia e Melo até tem uma boa taxa de aceitação das ruas. Os mais idosos reconhecem, agradecem, sobretudo pela gestão das vacinas. O almirante começou a estender o discurso para outros eleitores, onde quer tentar angariar votos nesta fase, as forças de segurança, onde agradece muitas vezes o serviço que fazem ao país e em que promete, caso seja eleito presidente, ter atenção a este setor da sociedade. Centra também o discurso numa área que lhe é familiar, os militares. Dedica grande parte dos discursos à experiência militar para reforçar que está preparado para Belém e defende que o país falhou e deve muito aos antigos combatentes. Nesta reta final, Gouveia e Melo quer sobretudo conseguir angariar o maior número de votos possível e começou, por isso, a estender a mais fatias de eleitorado os discursos nos comícios que tem feito.

Nadine, esta campanha ficou marcada também por uma espécie de pacto de não agressão, não escrito, a André Ventura, mas as coisas mudaram nos últimos tempos, com ataques diretos dirigidos ao candidato apoiado pelo Chega.

Sim, se no início da campanha quase que tínhamos uma marcação a Marques Mendes, com críticas aos interesses privados, à falta de transparência, com as sondagens a favorecer António José Seguro e André Ventura, a estratégia continua pelas críticas, com Seguro, os discursos redondos e o candidato que não diz nada, que não acrescenta, que é apenas pose, são expressões utilizadas por almirante Gouveia e Melo. Mas agora vemos, sobretudo, o aumentar da crítica direta a André Ventura. Ontem assistimos, por exemplo, a um momento em que o almirante dizia estar mal-disposto quando soube que André Ventura tinha recebido um casaco militar de antigos combatentes numa ação de campanha e que tinha feito até um discurso com ele vestido. Gouveia e Melo indignado, falou em desrespeito, que André Ventura devia ter muito cuidado com a utilização destes símbolos, a dizer que nem o serviço obrigatório fez. E depois, mais tarde, num comício no Porto e com a ajuda também de um mandatário nacional, Rui Rio, falou ao eleitorado do Chega para dizer que André Ventura não quer ser realmente presidente, quer ser primeiro-ministro e que o partido até acabaria se André Ventura fosse eleito. O almirante, com a ajuda também de Rui Rio, a intensificar estas críticas na reta final da campanha.

Mas este despertar do almirante Gouveia e Melo para o eleitorado do Chega poderá ser tardio, Nadine? No início, quando Gouveia e Melo apresentou a sua candidatura, havia a ideia de que poderia captar uma parte do eleitorado do Chega. André Ventura chegou a admitir a hipótese de apoiar o almirante. Não será agora tarde demais virar-se para esse eleitorado que entretanto se fixou em torno da candidatura de André Ventura?

Gouveia e Melo começou, como dizia, pelas críticas a Marques Mendes e depois focou muito num ataque duplo a Marques Mendes, António José Seguro, e fez praticamente a campanha toda neste sentido, a atacar esses dois candidatos, como dizia Marques Mendes, pelas críticas aos interesses privados, e António José Seguro, que diz que é um candidato de pose, que não acrescenta, que apenas tem discursos redondos e que, por isso, é mais do mesmo. Acredito que através das sondagens com André Ventura a aparecer sempre favorecido, Gouveia e Melo tentou mais tarde virar esse discurso para André Ventura, a dizer que André Ventura não quer ser presidente e por isso, numa fase mais tardia, estas críticas a André Ventura podem ter alguma influência, visto que Gouveia e Melo começou a intensificar isto praticamente a dois dias do fim, por isso pode ter, sim, alguma influência nesse aspecto.

Nadine, já fizeste aqui a referência a Rui Rio. Ontem, além de Rui Rio, também Manuel Pizarro esteve presente. Olhando para estas duas semanas, Gouveia e Melo tem andado mais sozinho ou tem tido, de facto, suporte de figuras mais políticas que o vão também encaminhando nas mensagens e nos discursos.

Gouveia e Melo tem sempre a ajuda de jovens, há sempre uma juventude com ele, mas as figuras realmente são repetidas. Por exemplo, tivemos a presença de Isaltino Morais duas vezes, assim como Manuel Pizarro, que também discursou duas vezes nesta campanha, e Rui Rio, que além de o acompanhar várias vezes durante ações na rua, também discursou duas vezes. São caras repetidas. Sozinho não tem estado, mas realmente nota-se essa mobilização, nota-se que não há máquina partidária por detrás. E esse esforço de Gouveia e Melo por tentar fazer uma campanha mais completa, tendo em conta que não tem essa vantagem de ter um partido e toda uma juventude associada a ligações partidárias para ajudar o Gouveia e Melo na rua. Por isso tem contado com os apoiantes diretos, que manifestaram o apoio, como por exemplo, como dizia, Isaltino Morais e Manuel Pizarro, para compor esses comícios e essas ações de rua que tem feito durante esta campanha.

E Nadine, por onde é que vai andar o almirante neste último dia de campanha eleitoral?

Estamos a caminho de Lisboa. Vamos começar o último dia de campanha com uma visita ao Mercado de Benfica. Vai visitar ainda a AFIDA, uma instituição de solidariedade, e já da parte da tarde, depois do almoço, o almirante vai passar ainda pelo Museu Paula Rego. Vai também fazer uma viagem de comboio até o local do encerramento desta campanha, que será mais tarde numa festa comício no Pátio da Galé.

A acompanhar a campanha de Jorge Pinto está Mariana Marques Tiago. E Mariana, o final do dia de ontem foi um pouco caótico. Temos falado muito dos indecisos, também ainda há uma fatia do eleitorado indecisa, mas o próprio Jorge Pinto mostra alguma indecisão ou alguma hesitação nas mensagens que tem passado. Ele diz indiretamente aos eleitores para votarem em Seguro e depois, antes do comício de ontem, parece que voltou atrás e não confirmou aquilo que tinha afirmado num primeiro momento. Não estamos a conseguir o contacto com o Miguel.

Não estamos com problema qualquer na ligação, mas temos o Miguel Gato.

Então passamos para o Miguel Gato, que tem acompanhado Cotrim de Figueiredo. Bom dia, Miguel. Ontem o dia ficou marcado mais uma vez pelas alegações de abuso sexual contra João Cotrim de Figueiredo e tivemos a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, a participar num comício e a negar que a Iniciativa Liberal tivesse conhecimento, tivesse recebido alguma queixa ou denúncia nos últimos tempos.

Exatamente, Bruno. Bom dia. Essa declaração de Mariana Leitão surgiu e foi talvez a mais relevante da noite, uma vez que a presidente da Iniciativa Liberal ainda não tinha falado sobre o assunto publicamente. João Cotrim de Figueiredo já tinha dito que a presidente da IL lhe tinha ligado, já tinha falado com ela ao telefone em privado e que lhe tinha prestado apoio sobre todo este caso, mas realmente nunca tinha falado publicamente sobre o assunto. Inclusive, não subscreveu a carta das 30 mulheres que saíram em defesa de João Cotrim de Figueiredo.

E Miguel, essa ausência de declarações de Mariana Leitão estava a provocar algum incômodo na campanha de Cotrim de Figueiredo?

Na campanha de Cotrim de Figueiredo, não sei, mas entre os jornalistas obviamente que nós procurávamos uma resposta por parte da Iniciativa Liberal e não tivemos essa resposta. Para além do discurso onde Mariana Leitão esclareceu então que nunca houve nenhuma denúncia interna, formal ou informal, no partido, a verdade é que Mariana Leitão depois fugiu às questões dos jornalistas. Não quis falar conosco nem à entrada nem à saída e, portanto, também se nota que o tema é um tema sensível, em que o partido não se quer expor e naturalmente a presidente também faz o mesmo, mas é naturalmente e incontornavelmente um tema que está a marcar a campanha pela negativa para João Cotrim de Figueiredo. A ver vamos se vai ou não prejudicar o candidato em termos de votos.

Claro, mas percebemos claramente que marca estes dias e não há forma de não falar sobre o assunto, sendo que a estratégia da campanha passou também, como ouvimos ontem em vários momentos, por atacar o mensageiro.

Sim, João Cotrim de Figueiredo decidiu ontem deliberadamente e ele é que começou a declaração, ou seja, não foi após nenhuma pergunta dos jornalistas sobre o caso. Eu até posso confidenciar que obviamente que de manhã esse tema acabou por marcar a agenda, por causa do comunicado que saiu por parte da antiga assessora da Iniciativa Liberal, mas depois à tarde os jornalistas nem estavam a pensar em pegar nesse tema, ou seja, nem sequer ia ser a pergunta inicial, não ia ser de certeza sobre esse tema. E João Cotrim de Figueiredo decide fazer aquela declaração no início sobre o tema, pondo novamente o tema na agenda no início dos noticiários.

É verdade, Miguel, no final de uma visita a uma fábrica.

Sim, a uma fábrica em Santo Tirso e portanto foi João Cotrim de Figueiredo que de facto quis fazer aquela declaração e quis pôr o tema na agenda novamente, atacando os jornalistas, dizendo que nós estamos a falar disto há quatro dias, mas naturalmente que temos que cobrir os desenvolvimentos do caso. Não é que o caso não tenha desenvolvimentos e estejamos sempre a falar do mesmo, é porque realmente, como houve um comunicado por parte da pessoa que acusa o candidato de assédio sexual, naturalmente temos que questionar o candidato sobre isso. E depois as críticas à comunicação social. Mariana Leitão também fez no discurso que teve no jantar comício em Matosinhos. Disse que há uma certa informação que está a servir de desinformação sobre este tema e, portanto, a crítica também aqui aos jornalistas e à comunicação social a marcar não só a retórica de Cotrim de Figueiredo, como também da Iniciativa Liberal.

Miguel, achas que essas declarações de Cotrim de Figueiredo a atacar a comunicação social é um momento a quente, são declarações a quente, ou foi uma estratégia deliberada para nestes últimos dias centrar os ataques aos jornalistas, a quem passa a mensagem?

A impressão com que nós ficamos é que foi um ataque deliberado, precisamente porque foi João Cotrim de Figueiredo que decidiu fazer essa declaração e não foi, entre aspas, provocado por nenhum jornalista para voltar a falar.

Em resposta à questão dos jornalistas.

Exatamente. Por outro lado, podemos dizer também que o candidato estava muito irritado, tanto nas declarações como após essas declarações às televisões, à imprensa, às rádios e aos jornais. E portanto, aí nota-se que isto é um tema que está claramente a incomodar o candidato. Provavelmente que está receoso de que isto vá prejudicar a sua campanha e também a votação que vai ter no domingo. A ver vamos. A real sondagem é no domingo, como costumam dizer os candidatos. Portanto, a ver vamos como é que corre isto para João Cotrim de Figueiredo.

Miguel, muito rapidamente. O que estamos a ouvir é chuva, creio eu. Como é que vai ser hoje o dia de Cotrim de Figueiredo?

O dia vai ser chuvoso. Começa aqui na cidade de Guimarães, com uma visita ao mercado. Estava previsto para as 9h, mas naturalmente por causa do trânsito e das condições climatéricas, acabou por atrasar um bocadinho. Depois uma visita a uma fábrica também aqui em Guimarães à tarde e depois o dia termina com um jantar comício em Braga por volta das 20h.

Miguel Gato a enfrentar a intempérie, muita chuva. Mariana Marques Tiago tem acompanhado a campanha de Jorge Pinto. Isso falávamos de uns dias difíceis para Cotrim. Mariana, agora creio que sim, que já estás em linha. Mariana, Jorge Pinto também teve muitas dificuldades ontem a explicar o que queria dizer e o que disse realmente.

Agora sim, bom dia. É verdade, o dia de Jorge Pinto ontem foi um pouco caricato, podemos caracterizar assim, porque se de manhã começava a preparar o terreno para aquilo que seria um incentivo de apelo ao voto em António José Seguro, foi mesmo isso que deixou claro muito pouco tempo depois na arruada que aconteceu aqui no Porto. Jorge Pinto disse aos seus eleitores que está confortável com a ideia das pessoas votarem de forma consciente, que percebia perfeitamente as pessoas que, por terem medo dos candidatos que depois irão seguir para a segunda volta, votassem agora noutro candidato que não nele próprio. Portanto, foi claramente um abrir as portas para um voto em Seguro e uma normalização desta escolha, apontando até para o mais importante, que é um bom resultado para o país. Pouco tempo depois, seguiu uma carta para os militantes do LIVRE, precisamente a reiterar esta ideia, mas meia hora depois, antes do início do comício de fim do dia, Jorge Pinto voltou atrás. Acabou por se desdizer, no fundo. Disse que não estava a apelar ao voto em Seguro nem em outro candidato e que, na verdade, quer que votem nele. Inclusivamente, os jornalistas chegaram a confrontar Jorge Pinto com o facto de, na carta que foi enviada aos militantes, não haver um único apelo ao voto em Jorge Pinto, mas o candidato relativizou bastante isso e voltou a reiterar que quer que votem nele. O comício foi depois uma nova afirmação de tudo isto, com Rui Tavares a tentar fazer aqui um pouco de contenção de danos e Jorge Pinto, no final, a reiterar que é para votarem nele, que a candidatura certa é dele e até a usar aqui o caso da acusação de assédio de João Cotrim Figueiredo como instrumento de campanha, algo que disse que não queria fazer.

E Mariana, como é que Rui Tavares, o líder do LIVRE, tentou fazer essa contenção de danos?

Rui Tavares desdobrou-se em elogios relativamente a Jorge Pinto, como já seria de esperar, e depois disse claramente que respeitam os cálculos que os portugueses fazem, que os eleitores fazem, mas fez questão de vincar várias vezes que quem vota em Jorge Pinto está a votar na festa da República. Portanto, aceitando aqui esta questão de respeitamos a inteligência dos portugueses, respeitamos que antes do momento do voto façam as suas contas. No entanto, é em Jorge Pinto que devem votar e que ninguém tenha dúvidas disso.

Mariana, e neste último dia de campanha, por onde é que vai andar Jorge Pinto?

Depois do dia longo e intenso que foi o dia de ontem, hoje o último dia de campanha será bastante mais tranquilo. Jorge Pinto está a ir do Porto para Lisboa, onde depois vai ser recebido por alguns apoiantes e o foco principal está mesmo no último comício do dia, em Lisboa. Vamos ver o que é que Jorge Pinto tem guardado para nós até lá.

Vamos ver e vamos acompanhar aqui também numa emissão especial da Rádio Observador. Mariana Marques Tiago, Miguel Gato, Nadine Soares estiveram no último direto à campanha antes das eleições do próximo domingo.