Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E a dois dias das eleições, é tempo para um último episódio de ator secundário, uma conversa com quem trabalha de perto com os candidatos a Belém. Hoje temos uma atriz secundária. Conhecemos Irina Pampim, uma veterana em campanhas eleitorais e produtora da candidatura de Catarina Martins a Belém. Apesar da difícil tarefa de montar uma campanha assumidamente sem meios, Irina Pampim diz que as condições meteorológicas foram o maior desafio. Uma entrevista conduzida pelo jornalista Miguel Pereira dos Santos.
Tenho comigo Irina Pampim, a produtora da campanha eleitoral presidencial de Catarina Martins. Irina, esta não é a tua primeira campanha. De onde é que vens, essencialmente, e como é que entraste para a política?
Esta deve ser a minha 15ª ou 16ª campanha. Estava agora a pensar nisso. Eu fui apanhada na curva uma vez, em 2009. Chamaram-me para fazer um trabalho para o Bloco, em Aveiro. Estávamos numa altura em que tínhamos três atos eleitorais, europeias, autárquicas e legislativas, e eu acabei por fazer um bocadinho de todas as campanhas. Depois disso, o Bloco também precisava de uma produtora, dois mais dois são quatro, eu acabei na sede e fui ficando até ficar com a coordenação da produção e sair há uns anos.
E antes dessa primeira experiência em 2009, o que é que fazias?
Ficava muito chateada com injustiças. Na altura, eu dividia-me entre Castro Verde, Porto e Amadora. E existia, como deves saber, o programa PER, Especial de Realojamento. As barracas estavam a ser demolidas. Eu cresci com muita gente daqueles bairros e associava-me muito a essa luta pela habitação. Curiosamente, nunca conheci ninguém do Bloco nessa altura, mas depois vim a descobrir que tínhamos estado em muitos sítios juntos e depois aconteceu mais ou menos a mesma coisa com precariedade e sítios por onde passei e acabei por entrar, tinha de ser.
Mas fizeste produção em outras áreas que não eventos políticos?
Tinha nada a ver. Estava a fazer festivais, na altura, concertos.
Que festivais é que fizeste?
O Paredes de Coura, o Primavera Sound, das primeiras edições. Continuo a fazer, mas já não em produção, agora na área da sustentabilidade, porque entretanto também me formei nessa área. O Festival para Gente Sentada. Muitos.
E qual é a diferença entre produzir uma campanha eleitoral e pensando nesta dimensão das campanhas do Bloco, podemos dizer uma dimensão média, pequena, e um grande festival como alguns daqueles que elencaste?
Nós já fizemos coisas com muita gente e muito grandes, não sei se te admite. Mas às vezes tem toda a diferença, outras vezes não tem diferença nenhuma. Quer dizer, depende. Se nós tivermos condições para fazer comícios que têm muita gente, grandes palcos, muitas luzes, já fizemos coisas muito bonitas. De quando em quando, ter um desafio destes, que é cómico, darem-te €6 para fazer uma campanha, acaba por ser um desafio, mas eu acho que correu muitíssimo bem até agora.
Essa é a parte mais complicada, fazer render o orçamento quando ele é mais apertado?
Não, a parte mais complicada é a meteorologia. É mesmo.
Especialmente no inverno.
Sim, porque queremos fazer coisas de rua e torna-se muito mais difícil, que não tem piada fazer arruadas com chapéus-de-chuva, sem bandeiras, sem coisas especiais. E nós também temos um piquinho de showbiz, também gostamos de fazer coisas que alegrem a malta.
E corrige-me, tiveste algum tempo afastada ultimamente, mais do Bloco, e agora voltaste para esta campanha, não?
Não. Estive sempre com o Bloco de alguma forma. Tudo aquilo que é necessário eu fazer de vez em quando, faço, ou meto-me a dar opiniões, ou vou a reuniões, ou o que for. Mas é isso, também tenho outros caminhos, tenho outras coisas para fazer, abri empresa entretanto.
Por exemplo, falaste-me de uma produção ligada a uma celebração do Amílcar Cabral, em homenagem ao Amílcar Cabral, é verdade?
Foi um projeto que fizemos para a RTP África, com o ator Ângelo Torres. Fiz a produção desse, vou dizer, filme, documentário, não sei muito bem o que lhe chamar, mas foi agora no aniversário.
Dos 50 anos.
Sim, dos 50 anos dele. E antes disso, outras coisas para a RTP também.
O que é que gostas mais nessa área, de uma homenagem, mais celebração, e desta que é mais mãos no terreno, digamos, quais é que são as diferenças?
É muito diferente tu produzires coisas para televisão, ou para cinema, ou para teatro, e fazeres uma produção de uma campanha. Uma campanha tem muitos eixos e tens que estar a contar com coisas com as quais não contas. Isso é interessante também porque deixa-te espaço para inventar na hora e eu gosto disso. Por outro lado, também é interessante trabalhar com empresas, não com ONGs, mas com empresas e trazer uma visão política também para dentro dessas empresas. Acho que faço bem essa combinação.
Sim, uma última pergunta.
Agora é menos grata.
Desafiante, que é: pedia-te para explicar mais ou menos o que é um dia de uma produtora em campanha. Ou seja, não está na cabeça do candidato, está a pensar em tudo o que o candidato não deve estar preocupado, imagino eu. O que é que fazes quando acordas? Tens que acordar mais cedo, planear coisas, ligar a pessoas?
Eu tento fazer o máximo possível antes. Ou seja, uma semana antes de sairmos para a estrada, já toda a gente sabe onde é que vamos estar, a que horas, quem é que chega a que horas também, os fornecedores que vamos ter, o que é que vamos ter. Vamos tendo reuniões sempre para poder atualizar toda a gente, que queira participar também nessas reuniões sobre aquilo que vai acontecer. E sim, tipicamente acordo cedo. No caso, agora estou mesmo com a candidata, a acompanhar a candidata, o que significa que também os meus colegas que estão a fazer montagens, também saem cedo, não tão cedo como nós, porque ela vai fazer outras coisas antes. Mas é isso, falar com os restaurantes, falar com a imprensa, falar com os colegas a que horas é que vão chegar, aonde os camaradas querem ser esclarecidos sobre uma última coisa que acabou por não acontecer e ver se toda a gente tem bandeiras. Basicamente é isso.
Ok, obrigado, Irina Pampim.
Muito obrigada, e obrigada ao Observador.
Irina Pampim, a atriz secundária da campanha de Catarina Martins, numa entrevista conduzida pelo jornalista Miguel Pereira Santos.