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Hoje, no Direto ao Assunto das manhãs 360, é nosso convidado o presidente da Região de Turismo do Algarve, João Fernandes. Bom dia, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite.
Olá, bom dia.
Muito bom dia. A época de férias está a começar. João Fernandes, apesar do contexto, já se nota que há turistas no Algarve?
Sim, há turistas no Algarve todo o ano. Obviamente que a realidade que vivemos é muito condicionadora de viagens, sobretudo internacionais, e portanto, apesar de essa presença ser assídua, ela não tem a mesma expressão como nos anos anteriores.
João Fernandes, são sobretudo portugueses esses turistas? Comparando, obviamente, com aquilo que é prática noutros anos, há mais portugueses do que havia?
Há mais portugueses do que havia.
Em termos de peso, obviamente.
Em termos de peso relativo, obviamente que têm mais expressão os turistas nacionais, porque é normal, em momentos de crise como a que acontece neste momento sanitário, que os mercados de proximidade, nomeadamente os portugueses e espanhóis, são aqueles que estão mais próximos e, portanto, que acorrem com maior facilidade. E assim acontece também no Algarve, desde o dia 1 de julho, da abertura das fronteiras com Espanha, que se tem visto um fluxo crescente de andaluzes, espanhóis, a virem para o Algarve. Mas eu devo lembrar que nós temos, neste momento, já ligações de aeroporto que estão a correr bem, a 63 cidades europeias, 17 países diferentes e, portanto, estamos também a ter procura internacional de países como a Suíça, a Suécia, o Reino Unido, a Polónia, a Noruega, o Luxemburgo, Itália, Irlanda, Holanda, França, também ligação pra Espanha, pra Barcelona, Dinamarca, Bélgica, Áustria, Alemanha. Portanto, alguns dos países que inclusive têm restrições pra Portugal, em termos de quarentena ou suposta fronteira fechada, como a Bélgica, Holanda ou o Reino Unido, ou a Dinamarca, a Áustria, têm ligações com o Algarve e estão a correr bem.
Estão a correr bem. Não sei se tem esses dados. Quer fazer a comparação de quantas ligações está a haver agora por dia ou por semana e quantas haveriam tradicionalmente na mesma época do ano, nos anos anteriores?
Olha, é muito difícil fazer essa comparação, porque tem havido um número que é crescente. Portanto, as companhias aéreas vão testando, no fundo, pra perceber se têm mercado, se há procura, e portanto, a evolução do número de rotas é crescente. Não é constante como em outros anos, em que obviamente também cresce à medida que se aproxima o pico da época balnear, mas desta feita essa evolução é muito menos constante. Aquilo que nós temos, como referi, são um número de ligações já bastante interessante em termos europeus. Esta é a primeira fase da retoma das ligações aéreas, é pra dentro da Europa, até porque sabemos que a Europa tem condicionamento para pessoas vindas de outras paragens, e é um exercício que é o possível neste momento. Mas também foi no Algarve que aconteceram alguns dos primeiros voos intra-europeus, nomeadamente do norte para o sul da Europa, e isso é um sinal de confiança na região.
Mas continuamos a ter países a colocar Portugal e até a região do Algarve com muitas limitações para as viagens. Ainda ontem, a Bélgica que colocou esta região na zona laranja, um alerta que pode dar mais preocupação a quem viaja a partir desta região. Temos também a situação do Reino Unido, que claramente é prejudicial para o turismo algarvio. Com todas estas situações, o Algarve pode resistir a nível económico com esta redução de turistas ao longo deste ano?
Bem, já agora um esclarecimento. A Bélgica tem três rotas para Bruxelas, neste momento. E o Reino Unido tem 32. Nós temos ligações a todas as regiões do Reino Unido. Agora, obviamente que estas indicações, que têm por base apenas um indicador que é de novos casos, e no caso do Algarve, como isto reporta a um tempo atrás, em que ainda tinha impacto o surto de Odeceixe, que entretanto foi debelado, a tendência natural é, para a próxima semana, e com a revisão do mapa da ECDC, que tem essa discriminação por regiões, que haja uma evolução positiva na apreciação da região, porque a região tem tido realmente um desempenho notável até, em termos de combate ao Covid. Só que sendo uma região com 450 mil habitantes, um pequeno surto tem um impacto significativo quando se vai contabilizar o número de novos doentes por 100 mil habitantes. É por essa razão que, reportando-se à avaliação que hoje se faz, a um período de transato, e havendo um desfasamento entre a avaliação e aquilo que foi o período da observação É natural que nas próximas semanas haja uma reversão desse processo, porque de lá para cá o Algarve tem tido muito menos casos.
Está confiante então no trabalho diplomático que o país está a fazer também junto desses países, mostrando esses dados, possam de alguma forma reverter essas situações ou essas decisões que são menos positivas.
Sim. Estamos confiantes de que o governo português tudo fará, como tem feito, para que haja também ao nível europeu, um conjunto de critérios mais lato e mais fidedigno sobre aquilo que é o retrato da nossa situação. Mas também que chame a atenção para que países que testam um quarto daquilo que nós testamos, um terço do que nós testamos, às vezes metade do que nós testamos, possam ter aqui uma relação com este indicador também, porque não faz qualquer sentido que países com praticamente a mesma população que nós, que testam um quarto, sejam avaliados na mesma proporção do que um país que testa quatro vezes mais. Matematicamente nem sequer faz sentido.
João Fernandes, olhando aqui para a região do Algarve, temos, como já referiu, um aumento de turistas nesta região nas últimas semanas, não os números de anos anteriores, mas mais turistas do que esperavam, mesmo para este ano de pandemia. Mas nas últimas semanas temos registado alguns problemas, principalmente com grupos de jovens. Várias situações a envolver a intervenção das autoridades durante a noite. Repetiram-se casos de intervenção policial junto a bares, intervenções para dispersar ajuntamentos e travar o consumo de álcool no espaço público. Isto é um cenário que se vai repetir durante todo o verão ou tem indicação que estes espaços noturnos possam reabrir e assim evitar este tipo de situações?
Eu não tenho essa indicação. Tenho, sim, essa esperança, porque acho que é muito mais razoável que possamos dispersar essa procura por vários espaços, por vários bares. Obviamente, tendo de partida as condições sanitárias exigíveis, porque isso também é uma condição sine qua non. Mas de qualquer forma, eu prefiro, naturalmente, que os jovens e não tão jovens que queiram beneficiar da animação noturna no Algarve, possam fazê-lo sem estar confinados em grandes concentrações em poucos espaços. E isso só é possível dispersando essa atenção por diferentes ofertas. Por outro lado, também temos que atender, porque nós estamos a falar de empresários, portanto, que são escrutináveis. Estamos a falar de trabalhadores qualificados para o efeito e de infraestruturas preparadas para receber. E, portanto, à semelhança do que acontece hoje com os restaurantes ou com outras estruturas, se atendermos àquilo que são regras de distanciamento social, de limpeza de equipamentos, de uso de equipamentos de proteção individual, nós podemos ter uma oferta mais segura se tivermos mais oferta.
O presidente da Região de Turismo do Algarve, João Fernandes, no direto ao assunto das manhãs 360. Muito obrigada por ter estado conosco na Rádio Observador.
Eu é que agradeço. Bom dia.
Muito obrigada. Um bom dia para si. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto