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Margarida, eu se pudesse punha Anna Wintour e Miranda Priestly lado a lado a comentar os Globos de Ouro e depois filmava tudo, claro.

Tinhas audiência, de certeza absoluta. Maria, as semanas de moda ainda vão a meio e há uma conclusão que podemos tirar já: o cinema casou-se definitivamente com a moda.

É verdade.

Pelo menos parece ser a tendência da estação. E não estamos só a falar de roupa, mas de marketing e estratégia de marca.

"Do Avesso", um podcast sobre moda com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva. Tiveste o Festival de Veneza que virou passarela, a Gucci que realizou um filme e ainda um outro filme a ser gravado durante o desfile da Dolce & Gabbana.

E foi o momento mais aplaudido pela plateia. Durante o desfile da Dolce & Gabbana, a Meryl Streep surgiu como Miranda Priestly, com o Nigel logo atrás dela, o seu famoso assistente, e uma catrefada de câmaras, umas atrás, outras à frente. Por quê? Porque estavam a filmar uma cena para o novo filme do "Diabo Veste Prada", em plena semana de moda. E adivinha em frente a quem é que se foram sentar.

Aquele dia histórico em que a editora da revista ficcional Runway se cruzou com a histórica editora da Vogue, Anna Wintour. É engraçado, porque no início, a Wintour parecia um pouco incomodada.

Não estava muito confortável.

É, não estava, até porque a Meryl Streep chegou, varreu aquilo tudo. Já estava tudo sentada, desviou todas as atenções, mas a verdade é que ela estava a par do que ia acontecer. Já sabia de tudo. Elas até se encontraram antes, portanto, tudo altamente preparado. Agora, sabes o que senti? É que há um preço a pagar sempre neste de charam tudo. Ou seja, há um risco da coleção ser relegada para segundo plano, o que neste caso até é pena, porque foi ótimo aquele encontro de lingerie, de pijamas, as sobreposições. Gostei muito daquilo. E sinto que este momento mediático, de alguma forma, acrescenta a história à marca, é verdade.

Mas retira o foco.

É, retira algum protagonismo. A roupa fica dividida no efeito de tudo isto.

É verdade. Não sabemos, em termos de marketing, se isto vai resultar bem pra marca ou não. Esperemos que sim, porque a coleção, como dizias, vale mesmo a pena. Curiosamente, a Miranda Priestly estava vestida com um trench coat de vinil da Dolce & Gabbana, mas isto fez-me lembrar que aqui há uns dias ficaste muito agitada com um look que também incluía um trench coat.

Eu nem sei se nós podemos chamar aquilo de trench coat, porque é uma parte de casaco. Acho que a tendência se resume em algo como crop trench, Margarida, que me deixa um pouco perturbada. Porque o conceito de crop já por si não costuma ser muito bom, mas crop trench, que basicamente é uma micro gabardine, consegue deixar-me o olho direito ou esquerdo atrofiado, ou os dois, não sabemos. Eu acho que ela já está por todo lado no pronto a vestir. No pré-desfile, eu acho que foi a Leila Moss.

Filha da Kate Moss.

Sim, que apareceu com uma peça assim, até parecia mesmo uma capa, aquilo era mesmo hipercurto.

Era tão descabido que eu nem percebi do que é que estavas a falar quando falaste. Tive que ir ver a imagem.

Eu percebi que tu não tinhas dado por nada, aliás, eu é que te obriguei a expor vista a este flagelo.

Olha, estou solidária contigo, não faz sentido nenhum.

Não vejo.

Sobretudo quando se pensa que este tipo de casaco foi desenhado por Thomas Burberry para o exército britânico, precisamente para proteger os soldados da chuva, um casaco num material super-resistente e um design muito prático. E de repente temos uma versão curta que não te protege nada.

Imagina os pobres soldados.

E além disso, parece o Papa numa versão very British. E se apanhas vento de frente, aquilo é tão curto que sobe, tapa-te o nariz e a boca, ficas sem respirar e ainda ficas todo molhado.

Coitado quando leva com o vento. É verdade.

Olha, mas pra compensar, também tínhamos gente muito bem vestida à porta do desfile da Burberry.

Eu acho que é mais do que bem vestida. Isso é que é o importante. É gente que tem pinta e identidade, que é algo que eu sinto que às vezes vai fazendo falta nestes grandes eventos, porque nós temos muitos influencers com o último grito das coleções, mas poucas figuras, como por exemplo, a nossa querida Joanna Lumley, a atriz do "Absolutamente Fabulosas". Ela continua fabulosa, estava ótima. Para mim é uma representante legítima do verdadeiro espírito britânico. E claro, o Elton John. Às tantas perguntaram-lhe ao lado de quem é que ele gostaria de ficar sentado. E ele disse só Paul Mescal. Eu percebo.

Eu também percebo.

Também era uma boa conversa pra ser filmada, gravada, partilhada. Nós até podíamos reproduzir aqui neste podcast.

Aliás, este desfile estava repleto de figuras que associamos à cultura, à identidade britânica e à cultura britânica. E o próprio desfile também puxou muito pelos Beatles, muito pelos festivais. Tinha aqui uma identidade britânica muito marcada, que foi algo muito falado pela nova diretora do British Fashion Council, em entrevistas que antecederam esta semana de moda. Aliás, a semana de moda de Londres este ano começou com isso. O slogan era "Novas coleções, novos códigos". E foi muito sublinhada esta ideia de cultura, e eu acho que isto foi um bocadinho transversal às semanas de modas seguintes.

Sim, porque há uma coisa que eu sinto: eles têm muito essa tradição, de facto, de ser incubadora de novos talentos. Mas vivemos também um tempo em termos de grandes nomes, de grandes casas da moda. Há tanta agitação neste entra e sai, nesta dança de cadeiras, em torno da estreia de novos designers, que quem não tem uma cartada destas pra apresentar nesta estação acaba por ficar à margem do buzz.

Sim, principalmente às vezes cartadas um bocadinho diferentes.

Mas nós de facto vivemos tempos em que a identidade é vital e é muito interessante a forma como depois cada marca está a gerir este seu processo.

Sim, aliás, esse lado, o cultural, identitário, é cada vez mais importante, sobretudo porque o mercado luxo está em baixa e precisa de argumentos maiores do que o aspecto estético para vender roupa.

Sim, não chega a roupa por si. Aliás, nós pensamos, por exemplo, no caso como a Gucci, que no segundo trimestre As vendas caíram 25%, já tinham caído 25% no primeiro trimestre. Não são números divertidos, sobretudo quando estamos a falar da ordem dos 1.46 mil milhões de euros.

Sim, não é só roupa.

Não é só roupa. Quando vemos os números, percebemos que raramente é só roupa.

O que também explica que a Gucci se tenha virado pro cinema, com um minifilme que podia ser exibido em qualquer festival de cinema, como no Festival de Cinema de Veneza, por exemplo, que esteve tão ligado à moda.

Pois podia.

Mas pra mim, a jogada de mestre foi o desfile ser, na verdade, a chegada dos convidados à première, que estavam todos vestidos com looks da nova coleção. Na verdade, parecia que estávamos a ver aquele desfile.

A reproduzirem aquela galeria que eles tinham lançado inicialmente.

Exatamente. Os looks que vimos em fotografia, vimos ao vivo.

Em três dimensões.

Não por modelos tradicionais, mas com pessoas importantes no mundo da moda e também no mundo da cultura.

Eu gostei da estratégia. Acho que, neste caso, a jogada é capaz de ajudar a coleção. Aliás, há ali um herói que volta à ribalta ou que tem tudo pra voltar à ribalta, que é o cinto monograma. Temos tanto este mercado da nostalgia e do vintage. Já fez muito sucesso em outros tempos e provavelmente vai fazer de novo. Sobre aqueles arquétipos da família Gucci recuperados pelo Demna, eu confesso, no início aquilo pareceu-me um pouco bizarro, porque nós, na verdade, também vivemos num tempo que se tem esforçado, e bem, para desmontar clichês.

Sim, parecia muito que estávamos a ver o filme da máfia.

E muito estereotipado. Os próprios tipos de pessoas, aquilo que devem ou não vestir. Mas a verdade é que quando os tempos se tornam incertos, nós, de uma forma mais ou menos consciente, acabamos por nos agarrar aos estereótipos. É como se voltássemos à casa de partida. Eu acho que ao mesmo tempo trouxe escapismo e exuberância, porque quando vemos aquelas senhoras com aqueles casacos de peles maravilhosos, não sabemos bem pra onde elas vão, mas queremos imaginar que há um sítio onde faz sentido elas existirem.

Espero que não vão fugir de nada. Fugir com aquilo não dá jeito.

Sim, os saltos também não ajudam. E depois, por outro lado, temos casos como a Prada, que o seu pragmatismo habitual, de uns quase uniformes de combate, pra nos prepararmos pra arregaçar as mangas. A cor também, há ali uma série de referências comuns.

Sóbrio, quase militar.

Sim, do gênero, vamos lá ver no que nos vamos meter e como é que nós vamos estar, se estamos preparados pra correr ou não, porque pode ser preciso estar de uma forma confortável, prática e funcional.

Exatamente. E na realidade, se tiveste outra razão também pra que a Gucci optasse por um filme e não por um desfile. Aliás, é uma razão bem mais prática. O próprio Demna revelou que disse à Kering que não poderia fazer o desfile da Gucci este ano porque precisava de uma espécie de transição. Ele tinha saído da Balenciaga há pouco tempo.

Uma espécie também de luto. Luto até prático.

Sim, se ele fizesse Gucci e Balenciaga, iam ser desfiles com dois meses de diferença. Ele disse que não era possível e, ao que parece, eles responderam que o primeiro desfile podia, sim, ser em fevereiro, mas que precisavam de algo pra setembro, porque as lojas precisam de produtos de novo. Resumindo e baralhando, é o que em bom português diria: "Olha, podes fazer como quiseres, mas tens que desenrascar qualquer coisa pra agora".

Pois, é o mercado, estúpidos. É o quê? Quem se desenrascou muito bem foi o Dario Vital. Eu acho que tu também gostaste, não é? Girona Versace, sobretudo na coleção masculina. Eu gostei muito. Das senhoras também, mas ali as referências masculinas estavam maravilhosas. Gostei das cores, dos estampados.

Muito anos 80, mas com um twist muito atual também.

É isso, o styling. A Bianca Jagger, claro, mais uma veterana a marcar o ritmo. Sabes quando tu tens saudades de algo que ainda não viveste?

É um sentimento difícil de explicar, mas que ele conseguiu criar.

Eu acho que ele conseguiu transmitir isso muito bem, porque há, de fato, ali uma coisa que tem um ar antigo, mas sem ser nostálgico e vintage. Não sei, ele conseguiu criar algo, de fato, novo. Eu acho que fez aquilo, imagina que o Gianni Versace, o fundador, teria feito muito provavelmente se ele tivesse passado estes últimos anos enfiado numa cápsula do tempo, a hibernar, muito bem conservado. Infelizmente, já não está entre nós. Mas imaginando este cenário, e acordava em 2025, outono, e eu acho que ele teria feito isto, por exemplo.

Esperemos que sim. E tinha muitas referências a Gianni Versace.

Tinha.

Foi, sem dúvida, uma coleção marcante, porque sobretudo o que eu acho importante aqui é que assinala uma enorme mudança no conceito de sensualidade que a marca nos tem apresentado.

É muito diferente.

A sensualidade de Donatella Versace é uma mulher com vestidos justos, estampados, muito drapeados.

Isto é outra coisa.

Isto é outra coisa, muito mais prática, mas ao mesmo tempo, muito sensual e com um carisma muito-

Sim, assertivo. Há ali uma grande assertividade.

É muito interessante. Por um lado, é muito interessante a mudança, por outro lado, parece que há aqui rumores de que a marca está com medo de perder vendas, por isso ser uma coisa tão diferente. E já há quem diga que pensam em retirar a Vitale do comando. É o que dizem as más línguas da moda.

Ai, Deus do céu. A temporada agora começou O que é certo é que a Donatella Versace não marcou presença no desfile. Como é que nós podemos ler isto? Não sei. Será que queria dar palco?

Esperemos que sim, porque eu quero acreditar que este é um renascimento para a marca e que as más línguas são só isso.

Eu até acho que a marca tem imenso potencial para ser daquelas queridinhas do vintage. De fazer assim um mega throwback para as novas gerações e aquilo que dantes era visto como uma marca, se calhar, excessivamente arrojada em certos campos, ser hoje reintroduzida. E o Vitale tem tudo para conseguir fazer isso.

Sim, eu acho que há aqui, de facto, um novo público que conseguem atingir. Aqui o grande segredo é perceber se as antigas clientes, o antigo público da Versace consegue acompanhar esta mudança. Eu acho que sim, porque não nos podemos esquecer que num desfile vemos sempre as coisas com um styling muito diferente do que aquele que vemos em loja. Portanto, há ali peças que provavelmente respondem às necessidades da consumidora Versace. Olha, quem eu gostei muito também foi o Louis Trotter na Bottega. A começar pelo convite.

Era ótimo.

O melhor desta estação. Basicamente, para quem não viu, era um origami que vinha numa caixinha.

Tudo dobradinho.

Tudo dobradinho, muito plano, em couro, e depois quando se puxava assim de um lado e do outro, formava uma carteira, que é a peça-chave da marca.

E para quem não pode comprar mesmo uma Bottega verdadeira de pele, pronto, tem ali um origami.

Tem para pôr qualquer coisinha dentro, que ela era tão furada que as coisas iriam cair. Mas foi uma ideia genial. Quem também teve uma ideia genial na semana de moda de Milão não estava na passarela.

A sério? Eu pensava que tu me ias dar uma tendência de fugir para a troca. Eu já te dei uma, mas tu não, tu vais dar uma ideia genial, é isso?

Vou, eu confesso que tendências para a troca, depois de um trench.

É difícil, eu compreendo que é difícil.

É muito difícil, não consigo ter isso.

Em termos de mau, mas sim. Mas pronto, em termos de bom, vamos a isso.

Em termos de bom, olha, gostava de referir aqui a Parfa, que é uma marca portuguesa.

Pois é, e nem toda a gente ainda sabe.

É verdade, há muita gente que não sabe, que é uma marca com uma enorme projeção internacional, mas é feita cá no nosso país e também é propriedade portuguesa e aproveitou as ruas de Milão durante a semana de moda para andar com um carrinho, que parecia um carrinho de gelados, a oferecer charms, que são aqueles medalhinhos, que se põem nas carteiras supercaras. Portanto, uma ironia à Parfa, que é uma marca de mass market, com os charms para as Louis Vuitton e para as Bottegas desta vida. Basicamente, as pessoas chegavam, faziam um follow na conta do Instagram da marca e recebiam um charm. Isto foi uma ideia de como se pode aproveitar a semana de moda sem estar dentro do calendário.

Sim, é mais. Ou seja, que há vida também para lá dos desfiles, e é possível ter aqui umas jogadas interessantes.

Olha, outra coisa muito interessante, e que nós nem sequer nos estávamos a lembrar, foi na semana de moda de Nova Iorque.

Mas depois de tudo o que nós vimos nas últimas duas semanas, isso já parece outra encarnação.

Foi noutra vida, mas não há como falar de Carolina Herrera em Madrid pela primeira vez. A marca saiu dos Estados Unidos.

Pois é. E acabou por ser se calhar, provavelmente, o mais falado. É estranho. Quer dizer, é estranho e não é. Eu depois que começo a pensar nisto com um pouco mais de seriedade, e de facto, mais uma vez, temos o quê? Cultura e identidade. Apesar de não haver ali nada de novo em termos de coleção, a marca consegue criar um acontecimento. Convida 1500 pessoas, mais os seus smartphones.

Na Praça Maior.

Na Praça Maior.

Em pleno coração madrilenho.

É verdade, sim, trouxe-os para o coração da capital espanhola e o Wes Gordon depois vai buscar referências tanto da velha Espanha como naquela decadência da Movida. E a verdade é que no outro dia toda a gente falava disso.

Toda a gente falava nisso.

E com fotos do desfile, que também é interessante. Ou seja, não foi só aquela coisa: "Estou na Plaza Maior no desfile".

Fotos do desfile, mas também muitas fotos dos looks. Aquilo teve assim um cheirinho também a passadeira vermelha.

Pois teve.

Olha, passadeira vermelha, que também tivemos nós aí em Lisboa esta semana. Tu estiveste a seguir os Globos e eu também. E devo-te dizer que achei muito interessante a Clara de Sousa ir com um vestido de um designer que não faz parte do calendário da semana de moda portuguesa, da semana de moda de Lisboa. Não é tão conhecido do público, mas é um designer que tem ganhado bastante relevância e que tem criado a marca aqui muito em cima dos looks de passadeira vermelha. E outra coisa que me deixou também bastante feliz foram os nomeados.

Da categoria de moda.

Da categoria de moda, que foram cinco nomes de pessoas absolutamente extraordinárias e que fazem um trabalho incrível.

Criadores mais recentes, que nós podemos chamar de jovens criadores, mas já não tanto ao mesmo tempo.

Sim, tirando ali Valentim Quaresma, que é mais de outra geração, mas os outros muito recentes e com cartas lá fora já dadas e que muitos portugueses não os conhecem.

Isto acaba por ser uma boa montra.

É uma ótima montra, porque muitas vezes queixamo-nos de que falta cultura de moda em Portugal e que um dos nossos problemas é os nossos designers não serem conhecidos. E um evento deste, mais massificado, eu acho que ajuda aqui bastante a criar esta cultura de moda. E já agora, parabéns à Constança Entrudo.

É verdade, parabéns para a Constança. E o próprio red carpet também pode ajudar isso, se tiveres criação nacional. E tiveste.

Tivemos aqui alguns looks.

Tiveste cada vez mais. Eu acho que houve aqui alguns tons dominantes. Também provavelmente muito fruto dos tempos que vivemos. Muito preto, muito branco, ali numa certa apelar paz, digamos assim. Também ali umas certas declinações do azul, azul-petróleo e o mais metalizado. No geral, alguma austeridade e discrição. Mas eu acho que nós já temos, de facto, coisas muito boas. Gente que se prepara para a coisa em bom e a sério e que dá também um lado mais profissionalizado ao momento. A Carolina Patrocínio, por exemplo, eu acho que ela está sempre ótima, mesmo que se goste mais ou menos dos looks.

Sempre arrojada.

Sim, e veste-se realmente, são looks para red carpet. Aquilo é tudo pensado para aquilo e de facto funciona. Ela teve dois momentos, o segundo, aliás, uma criação do seu stylist, o Gonçalo Melo, que também é interessante aqui esta relação de cumplicidade entre a estrela e o seu stylist, que aqui também funciona e depois se revela de uma forma muito concreta. Olha, gostei muito da Joana Ribeiro em Beirenne, uma marca nacional, é muito o seu estilo. O vestido era lindíssimo também.

Todo bordado.

Todo bordado, sim. E é uma forma também de percebermos como é possível introduzir este lado mais artesanal e não deixar de ter esse fio condutor da red carpet, esse glamour da passadeira vermelha. E gostei muito da Júlia Palha em Fluisca, naquele preto dama antiga. Achei que tinha tudo a ver com ela.

Ficou ali lindamente, assentava-lhe perfeito o vestido. Portanto, veio aqui buscar um bocadinho este lado do haute couture que os nossos designers têm.

Depois muito simples para cima. Ela não precisava, de facto, de mais nada.

E estava de preto, porque como ela própria disse, de branco ia para o casamento dela.

Sim, portanto, agora vai no preto. Acho que foi uma jogada interessante e óbvia.

E gostámos muito também de Isabela Valadaro, que curiosamente ia de branco.

Sim, mas a Isabela Valadaro eu acho que até pode usar aquele crop trench que eu falava há bocado que odeio, que eu acho que ela iria bem na mesma. E iria mudar-me de ideias. Estava ótima, simples, elegante. Depois o vestido tinha bolsos, Margarida, que é uma coisa que eu adoro nos vestidos, porque é superprático, permite guardar as mãos quando tu não sabes o que fazer com elas, é ótimo para as fotos, dá assim um ar mais descontraído.

Ou se calhar um batonzinho embrulhado.

Ela levava um batonzinho embrulhado para não sujar. Nós todas percebemos o que é esse drama e, portanto, uma decisão superinteligente.

Acho que temos que fazer um episódio só sobre bolsos, porque as histórias não faltam.

Não faltam. Há imensa coisa. Bolsos e sobre também o que levar para a red carpet, estes pequenos acessórios, porque às vezes é difícil saber nem sequer o que fazer.

Tu olhas e pensas: "Onde é que ficam os telemóveis?"

É o drama existencial. Exatamente. As pessoas pensam nisso.

Numa era de redes sociais, em que é preciso pôr várias fotografias. Há quem leve o namorado ou o acompanhante.

É o assistente. Normalmente é o refúgio mais imediato. Mas sim. Margarida, agora não temos tempo para isso. Temos que ir ver o que se passa em Paris e mais importante ainda, temos que ir arranjar-nos para a Moda Lisboa, que não é uma coisa que demora algum tempo. Portanto, até para a semana.

Até para a semana.