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Está na hora de mais um E a Campeã É, aqui na Rádio Observador. Já sabe, todos os dias estamos sempre a par daquilo que se passa no Campeonato da Europa Feminino de Futebol, na Suíça, de 2025. Já estamos quase a entrar nas semifinais. Para isso, juntam-se a mim o Luís Pinto Coelho, o Pedro Henriques e o João Pinto para fazermos a antevisão desta primeira semifinal entre Inglaterra e Itália. Como é que estão, meus caros? Boa tarde, bem-vindos.
Boa tarde.
Boa tarde.
Vamos a isto. Temos Inglaterra e Itália, mais logo, a partir das 20h, obviamente, para acompanhar também nos espaços informativos da Rádio Observador. E amanhã vamos ter o escaldo desse jogo que vai dar a primeira finalista desta competição. Árbitra Ivana Martincic, de 39 anos, uma croata, e frente a frente temos a atual campeã da Europa com aquela que é a grande surpresa deste torneio. Começo por ti, João Pinto, o que esperas para mais logo? Qual é a tua aposta e o que destacas dessas duas equipas?
A minha aposta é Inglaterra. Acho que a sorte da Itália vai acabar hoje. Às vezes é engraçado uma pessoa olhar para as estatísticas e para alguns dados matemáticos. E a Itália esteve 45 minutos a ganhar à Bélgica, 19 minutos a ganhar a Portugal, quatro minutos a ganhar à Espanha e um minuto a ganhar à Noruega. E portanto, a coisa está a tender para zero.
Disseste isso por ordem, não é? Por ordem de vantagens.
Exatamente. A coisa está a tender para zero e acho que é hoje que acaba a sorte das italianas. Não por falta de mérito, mas mesmo porque vão encontrar uma adversária mais forte, que acaba o jogo contra a Suécia motivada, porque acabou por passar quando já ninguém o fazia crer. E portanto, acho que vai ser o dia de Inglaterra. É capaz de não se repetir a última meia final com uma vitória por 4 x 0, mas acho que vai ser mais equilibrado, mas no fim, acho que os três leões cheguem em frente.
Quem é que destacas dos plantéis e aqui principalmente do lado da Inglaterra, tendo em conta que para ti é a favorita?
Eu gostei muito da Bronze, até porque a Edite a destacou muito e realmente depois estive a rever alguns lances e a Bronze foi realmente uma jogadora fantástica. Mas depois há uma série de jogadoras que têm muita qualidade, a Russo lá na frente, a James, que parece que o jogo está sempre a começar para ela, fisicamente. A rapariga não para, a guarda-redes, parece que não vê em profundidade, mas ainda assim vê melhor que as outras todas. Mas a Inglaterra realmente tem estado um ou dois furos abaixo daquilo que se viu no último Europeu, mas ainda assim tem estado a um nível alto e provavelmente alto o suficiente para vir a ser a primeira finalista.
E estamos a falar de uma equipa que tem cinco campeãs da Europa por clubes, cinco jogadoras do Arsenal, o que também acaba por ajudar. Tem aqui uma espinha também interessante nesse sentido. Luís Pinto Coelho, olhando para aquilo que a Itália tem feito, quem é que destacas do lado italiano e se, de alguma forma, podemos esperar alguma surpresa hoje, na tua opinião, também tendo em conta aquele dado muito interessante que deu há pouco o João Pinto, de que a Itália tem estado cada vez menos tempo em vantagem em cada jogo.
Sim, eu acho que a Itália aqui parte como a equipa menos favorita, obviamente, mas é preciso ter em conta que esta Itália é uma equipa muito matreira, muito inteligente também a aproveitar as debilidades adversárias. Mas parece-me que claramente a Inglaterra é favorita. Mas se tivesse que destacar aqui duas jogadoras italianas, por exemplo, destacaria a capitã, a Cristiana Girelli, que sabe tudo de jogo e à mínima oportunidade faz o gol e pode ser uma jogadora decisiva. E a Arianna Caruso também me parece no meio-campo ser o motor da equipa. Dou favoritismo à Inglaterra, mas a Inglaterra tem que tentar entrar bem na partida, não pode levar a partida numa definição até à parte final, porque eu acho que a Itália é muito matreira, é experiente e tem jogadoras que podem decidir. Mas se tivesse que dar um favoritismo, também dava à Inglaterra. Mas atenção a esta Itália. Eu dou aqui um 60/40 para a Inglaterra, mas é um jogo que eu acho que vai ser bastante disputado.
60/40, mesmo assim, tem algum equilíbrio, apesar de ter essa vantagem. Acreditas que vai ser um jogo assim tão difícil para a Inglaterra?
Sim, porque estou curioso para ver como é que a Inglaterra reage fisicamente. Porque é uma equipa que teve um prolongamento no último jogo. Normalmente entra mal nas partidas e depois vai crescendo, mas isso também fisicamente deixa as suas marcas nesta fase da época. E isso pode ser crucial se a partida se arrastar um bocadinho, e a Itália é uma equipa organizada. Obviamente que eu acho que a Inglaterra tem mais qualidade individual e até coletiva também, mas um dia um bocadinho menos bom da Inglaterra contra uma Itália que pode surpreender, por isso o 60/40, porque eu acho que vai ser um jogo equilibrado.
Pedro Henriques, em primeiro lugar, há pouco quando disse o nome da árbitra, creio que lançaste aí um som.
Não, foi a croata.
Exatamente.
Era a croata.
Sim, queria perguntar-te se era um som de positividade ou de negatividade.
Nem uma coisa nem outra. Para já é positividade, porque ela é uma árbitra experiente. Só quando estavas a dizer
Estava com o microfone aberto e estava a dizer croata quando estava a falar do nome da Ivana Martinčić, que é a questão do croata. Relativamente ao jogo, de forma rápida, a grande questão é esta: eu também dou favoritismo à Inglaterra. Também acho que a Itália esticou até ao limite tudo aquilo que podia fazer, muito na raça, na atitude. O que é curioso é que a Inglaterra e Itália já se confrontaram em 32 jogos. Eu sei que o passado muitas vezes não entra aqui, mas às vezes é bom olharmos para esta estatística. São 11 jogos de vitórias para a Inglaterra, seis empates e 15 para a Itália. E o que não deixa de ser engraçado, que a última vez que se confrontaram foi num jogo amigável, em que a Inglaterra ganhou 5 a 1, em 27 de fevereiro de 24. Mas é curioso que nos Euros, e esses jogos são amigáveis, digamos que não contam. Contam sempre, mas não contam. Nos Euros, em quatro jogos, a Itália ganhou quatro vezes à Inglaterra, o que não deixa de ser curioso, porque é muito esta questão das equipas italianas, ou seja, quando é doer, quando é o mata-mata, vem ao de cima se calhar menos bola, mas mais atitude ou mais postura, ou se calhar mais latinidade do que por vezes vem ao de cima. Por isso é que têm alguma vantagem, está 54 gols de vantagem contra 48 da própria Inglaterra. E depois a Inglaterra vem do último jogo contra a França com um empate e com prolongamento. O desgaste da parte física também começa a doer, porque é uma competição curta em que as recuperações são importantes, enquanto que a Itália ganhou 2-1 à Noruega. Com esta questão de que Inglaterra marca nos quatro jogos que tem marcado. A Itália também, pelo menos um gol em cada um dos últimos jogos, mas realmente o crescente é superior, 3,25 contra 1,25, desta questão de vantagem, ou de possibilidade, ou de probabilidade de marcar mais gols. Acho que a Inglaterra é favorita, até por ser campeã da Europa, também está a puxar pelos golões nos momentos que são importantes e decisivos. Mas atenção que a Itália vem claramente a surpreender do melhor ou do pior, do menos bom contra Portugal e depois de um jogo bem conseguido até contra a Espanha, uma vitória impressiva contra a Bélgica, desta raça neste último jogo contra a Noruega. E portanto, não temos bem a certeza do que é que podemos se calhar esperar de uma Itália que pode ser uma surpresa, destacando aqui também da parte italiana a Girola, até número 10, joga lá bem à frente, próxima da área e de marcar gols, mas também a Alexia Putellas, que só tem três gols e é a melhor marcadora de Inglaterra e é uma jogadora também diferenciada, sendo que há muitas e outras boas jogadoras. Por isso o meu destaque, uma vez que tinhas perguntado qual era o destaque, tinhas contado em termos aqui do nosso último podcast que nós tínhamos abordado. Como da outra vez já dei destaque a guarda-redes, hoje daria destaque às duas jogadoras que jogam mais próximo do gol, a Alexia Putellas e a Girola, que podem ser relevantes e importantes, porque se trata da finalização e do gol que pode dar a dita vitória propriamente para uma coisa que é muito importante, que é a final.
Vamos ver então se o destaque mais logo vão ser os gols entre Inglaterra e Itália. Jogo marcado para às 20h e que obviamente amanhã faremos a análise aqui em mais um episódio de "E a Campeã é..." sendo que amanhã vamos ter também o Alemanha-Espanha às 20h. Ora vamos para as notas e para as campeãs. Começo por ti, João Pinto, quem é a tua campeã do dia e que nota é que dás?
Nota 16 para os dois treinadores, uma treinadora e um treinador das equipas que se vão defrontar hoje. De um lado, a Sarina Wiegman, a holandesa campeã, que creio que já fez o suficiente e é com ela que Inglaterra conta para mais uma final europeia. E para o Andrea Sonsini, não sei como é que se diz, que já fez muito bem o seu trabalho à frente da seleção italiana e já merece uma nota de grande destaque. Portanto, 16 para os dois, um para aquilo que ainda provavelmente vai fazer e o outro para aquilo que já fez.
Vamos ao Luís Pinto Coelho. Luís, nota e campeã.
Vou dar aqui um 17 à jogadora que eu acho que vai ser a MVP da partida, a Lucy Bronze, que eu gosto particularmente, já fez um grande jogo nos quartos-final e acho que hoje pode ser também crucial para a vitória da Inglaterra e é uma jogadora que eu gosto, por isso também junto aqui dois em um, 17 para a Lucy Bronze.
Pedro Henriques, terminamos contigo. Quem é a tua campeã do dia e que nota dás?
Fugindo aos destaques individuais, que foram dados aqui pelos meus colegas, vou exatamente para o jogo em si, porque temos agora dois dias seguidos de meias-finais. Está praticamente aquilo que será a grande final no domingo. E temos aqui, no meu ponto de vista, daquilo que eram os meus palpites com a França, só a Espanha realmente passou. Estava a contar com outros finalistas aqui ou outros semifinalistas, mas o facto é que há mérito que conseguiram passar, muito nos prolongamentos, muitos também nos pênaltis, na vitória da Itália em Bakú e eu dou destaque também a estas meias-finais. E embora toda a gente aponte, acho que todos nós estamos unânimes a apontar algum favoritismo de uma maneira geral em relação àquilo que possa ser a Espanha, serão duas grandes meias-finais, embora o Luís Pinto Coelho ontem tenha falado na possibilidade da Alemanha até poder ganhar à Espanha, mas sobre isso amanhã falaremos. Mas de qualquer maneira, para este jogo, especificamente Inglaterra e Itália, porque se pode haver aqui uma tendência ao favoritismo, há algumas dúvidas, e isso é bom. Ou seja, isto também é o crescimento do futebol feminino, os equilíbrios. Portanto, alguma dúvida, a possibilidade de, se calhar, o favorito sendo favorito pode não concretizar isso, como se viu nos quartos-final. Isso é bom, revela também crescimento e evolução do próprio futebol feminino e estamos agarrados aqui a dois jogos que se calhar há 10 ou 15 anos atrás, poucos ou nenhum de nós se calhar ligava e agora estamos ligados. Portanto, é o crescimento do futebol feminino, é esta meia-final, uma nota 16 para isso.
Ora bem e mais logo vamos estar todos agarrados à televisão a partir das 20h, relembro, para este jogo da primeira meia-final do Campeonato da Europa de Futebol Feminino, Inglaterra e Itália. Meus caros, amanhã estamos de volta para mais uma edição de "E a Campeã é..." Um abraço.