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O Euro feminino está a caminhar para o fim. Estamos quase nas meias-finais e é precisamente sobre as meias-finais e os últimos jogos dos quartos que vamos falar nesta edição, mais uma de "E a Campeã?". É a hora. Hoje, para isso, juntam-se a mim os especialistas Edite Fernandes, a jogadora com mais gols da história da nossa seleção, o Luís Pinto Coelho, olheiro, e também o Pedro Henriques, antigo árbitro internacional e árbitro da Rádio Observador. Tudo bem, meus caros?

Sim, senhor. Muito bem.

Pronto, certíssimo. Boa tarde. Boa tarde, Pedro Henriques. Boa tarde, Edite. Não está a Edite. Já vai estar brevemente. Vamos falar dos quartos de final.

Boa tarde.

Agora, sim. Vamos falar do Espanha x Suíça, também do França x Alemanha, e já agora vamos fazer aqui as nossas primeiras apostas para aquilo que vai acontecer nas meias-finais. Mas começamos pelos quartos. Edite Fernandes, Espanha 2, Suíça 0 e depois França 1, Alemanha 1, com pênaltis a darem a vitória à seleção alemã. Começamos por Espanha. 2 x 0 foi pouco para aquilo que Espanha produziu e depois, quanto ao França x Alemanha, pergunto se foi justa esta vitória da Alemanha nos pênaltis.

Primeiro, claramente, a Espanha dominou o jogo por completo. Teve muitas oportunidades para poder fazer mais gols, mas, por outro lado, estava uma Suíça motivada pelos seus adeptos, tentando empurrar a sua equipe. Mas, de fato, foi claramente uma Espanha dominadora, uma Bonmatí a subir de forma, a começar a entrar no carrossel. E acaba por ser um pouco mais justa a vitória por 2 x 0, mas ainda falhou dois pênaltis, e acaba por a Espanha vencer, e vencer justamente. Dominou o jogo por completo. Do outro lado, temos uma Alemanha x França, que foi um jogo também de loucos. Foi mais um jogo em que a Alemanha joga com menos uma jogadora, mas é uma Alemanha com uma mentalidade acima da média, uma mentalidade muito forte, fisicamente muito fortes. De fato, muito organizadas, muito combativas, uma defesa bem compacta. Embora tivesse algum favoritismo, eu desse pelo futebol em si, pela França, pela prática de um futebol mais bonito, mais de qualidade, mais técnico, eu adorei o fato da Alemanha se superar e depois ter uma guarda-redes em alta nesse jogo, a Katrin Berger, e depois tudo junto, a superação, o coletivo, não tendo um nome de grande destaque essa seleção, que podemos dizer que uma individualidade de qualidade técnica que enche as medidas, é claramente uma seleção poderosa no seu coletivo e defensivamente, e muito compacta. E depois é sempre muito pragmática, muito objetiva, muito intensa. E de fato, encheu-me as medidas esta Alemanha. Já me tinha gostado de ver no último jogo da fase de grupos, mas ainda assim, acho que acaba por ser nos pênaltis. Acaba por ser também um pouco mais de competência e acho que até foram quase todos bem marcados. E a Alemanha, nesse aspecto, é uma seleção muito fria também e acaba por sair vencedora.

Luís Pinto Coelho, olhando aqui primeiro para o jogo de Espanha, tivemos uma Suíça que conseguiu aguentar a primeira parte toda e até alguma parte do segundo tempo. O primeiro gol da Athenea só surge no minuto 66. A primeira pergunta para ti é: o que a Suíça fez, que agora as próximas adversárias de Espanha, nomeadamente a Alemanha, podem fazer também para contrariar a equipe espanhola? E depois também este jogo de superação da Alemanha. A jogar com 10 praticamente o jogo todo, conseguiu levar isso para os pênaltis.

Eu acho que a Alemanha ainda tem mais capacidade do que a Suíça para contrariar esta Espanha pela sua organização defensiva e a sua concentração, depois também o lado físico. A Suíça foi uma equipe organizada, faz um belo Europeu. Obviamente que depois o talento individual faz a diferença na Espanha. Tem muito volume ofensivo, sempre, muita qualidade na circulação, mas a Suíça deixou uma nota muito positiva e eu acho que esta Alemanha, como se provou contra a França, pode causar aqui alguns problemas à Espanha, porque é uma equipe muito organizada, muito pragmática e pode enervar um bocadinho a seleção espanhola. Relativamente ao França x Alemanha, a França desiludiu-me, porque em um jogo deste nível, com seleções muito próximas, estar a jogar em inferioridade numérica desde os 13 minutos é muito tempo, e a Alemanha ainda assim conseguiu se aguentar muito bem, sempre muito concentrada, muito organizada, e esperava um bocadinho mais da França. Acho que a França, com mais uma jogadora, tinha que fazer mais e tinha que ganhar o jogo nos 90 ou no prolongamento. Tinha que ganhar esse jogo, porque uma jogadora a mais durante tanto tempo deixa marcas e foi uma certa desilusão esta França.

Pedro Henriques, já não sei quais é que tinham sido as tuas apostas. Nem vale a pena. Pois, nem vale a pena. Vamos passar à frente. É melhor. Já se percebeu que tu no futebol feminino não és tão forte como no futebol masculino, mas vais ter aqui uma nova oportunidade com as meias-finais. Exatamente. Mas vamos olhar aqui primeiro para esta Espanha 2 x 0. Favoritismo, mas também tivemos aqui, é verdade que é preciso sublinhar isso, dois pênaltis falhados do lado de Espanha. Tivemos uma Suíça que muito lutou. O que esperas agora de Espanha para o resto da competição? E depois, quanto à Alemanha Consegue eliminar aqui uma favorita. E temos de falar desta guarda-redes, a Anne Katrin Berger, que faz uma grande exibição.

Sim, ela fez a sub de forma natural. Em três imagens já aparecia na internet, três momentos de voo a ir buscar a bola, que assinou inclusivamente a questão da linha de gol, para tentar perceber se eventualmente tinha passado ou não a linha de gol, que ficamos com essa ideia logo. Em relação à Espanha e à Alemanha, em primeiro lugar, a Espanha, no meu ponto de vista, é claramente a melhor seleção do momento. Basta ver que é o melhor ataque, 16 gols em quatro jogos, tem na Alexia Putellas a jogadora com mais assistências, quatro, tem na Esther González com quatro gols e na Putellas com três também o top das marcadoras e portanto, tem aqui um conjunto de registos, além daquilo que também está a praticar em termos desportísticos, que nos leva a crer, ou pelo menos a mim leva-me a crer, que é a favorita não só no jogo com a Alemanha, como é a favorita para ser campeã europeia. Algo que também será inédito, mas é bom relembrar que ganharam a Liga das Nações recentemente e são as atuais campeãs do mundo. Agora, relembro, a Espanha é número dois do ranking, a Alemanha é número três. E nós de repente esquecemos que vale o que vale, os rankings, já sabemos que por vezes isso não corresponde depois àquilo que é o futebol jogado no momento, mas a Alemanha é número três do ranking, está logo colocada a seguir da Espanha em nível FIFA, e portanto isso também diz muito do poderio. Eu diria que da Espanha saiu a raça, saiu a questão do pragmatismo, que disse aqui muito bem o Luís Pinto Coelho, e sobretudo esta questão da superação, porque não é normal fazeres meia hora numa primeira parte e depois mais 45 minutos e depois mais 30 minutos com menos uma, e de alguma maneira parecia que estavam a jogar 11 contra 11. Deixem-se sempre esta dúvida, que é sempre muito teórica, e se tivesse 11 contra 11, como é que seria? E portanto, vai ser um jogo duro, difícil. Se há alguém que pode também bater o pé a esta Espanha, que eu acho que não há ninguém que o faça, mas que possa bater o pé e criar muitas dificuldades. E depois isto são jogos praticamente em que um erro que tu cometes, uma jogadora que é expulsa, por acaso neste caso não resultou em relação à Alemanha, e é só relembrar como é que foi a expulsão, foi em modo Cucurella. Que é aquelas coisas que não dá para entender o que é que passa na cabeça de um jogador ou de uma jogadora para, e nas jogadoras como tem trança ainda é melhor, puxar o cabelo. O Cucurella eu percebo, que se puxa o cabelo, todos nós queremos puxar o cabelo ao Cucurella. Agora a jogadora alemã não faz sentido puxar o cabelo à sua adversária sem bola, sabendo que há vídeo-árbitro, que sem vídeo-árbitro estes lances passam todos, com vídeo-árbitro não faz sentido. E daí esta conta violenta acabar de ser trazida em cartão vermelho. O meu favoritismo vai para a Espanha, resumindo e concluindo, e em relação à Inglaterra e Itália, que possa já achar aqui a minha aposta, eu não acredito que a campeã europeia, a Inglaterra, quinta do ranking, que realmente para mim acabou por puxar os galões nesta última eliminatória, que para mim não era a favorita a passar. O que eu vejo na Itália é muita vontade, muita atitude, uma certa surpresa, mas honestamente, acho que a Itália está a dar tudo e chegou a um ponto que eu não acredito que vá mais além. E por isso, quando eu acredito, e se calhar é este que elas acreditam que se calhar tem feito a diferença. Eu apostaria na Inglaterra e na vitória no jogo de terça-feira, porque amanhã é o Inglaterra e Itália às 20h, depois na quarta-feira que é a Alemanha e a Espanha. Acredito que a Inglaterra está mais próxima da final, que será com a Espanha. Isto no meu entendimento, mas de qualquer maneira as minhas apostas nas últimas, nos quartos final não foi uma coisa muito esperta.

Vamos amanhã detalhar ainda mais este Inglaterra e Itália, o primeiro jogo das meias-finais, mas lá está, queria pedir-vos aqui uma apreciação um bocadinho mais geral daquilo que podemos esperar para estes jogos das meias-finais. Edite, quais é que são as tuas apostas para finalistas no dia 27 de julho?

Olha, eu concordo um pouco com o Pedro Henriques no sentido de que a Inglaterra, sendo campeã da Europa, e eu creio que leva algum favoritismo neste jogo em relação à Itália. Mas de qualquer das formas, já vimos de tudo neste Campeonato da Europa, já vimos as surpresas, já vimos esta surpreendente Itália bater-se com grandes seleções e surpreender se chegar às meias-finais. Não sei como é que poderá uma Inglaterra, depois daquele jogo todo, da intensidade, do esforço físico, dos penáltis em que elas estavam todas mortas. Não sei como é que fisicamente depois se vai apresentar também esta seleção inglesa, mas eu dou claramente o favoritismo à Inglaterra. Mas de qualquer das formas, cautela com esta Itália que pode surpreender com o seu pragmatismo e cinismo à semelhança daquilo que é o futebol italiano e a seleção masculina. Mas ainda assim, favoritismo para a Inglaterra chegar à final. Do outro lado, ainda tendo como a minha grande favorita e candidata a vencer este Campeonato da Europa, a seleção espanhola, Alemanha, cuidado com a Alemanha, porque é uma potência do futebol feminino. Nos últimos dois anos tem vindo a crescer bastante, tem vindo a estar já presente nestas fases finais novamente, a dificultar muito, a bater-se muito bem com as seleções teoricamente mais fortes. É uma seleção muito pragmática e eu tenho trauma de jogar contra a Alemanha, porque as piores derrotas que eu tive foi contra a Alemanha, portanto, aquilo parecem rolos compressores, é uma coisa frustrante. Muito intensas, muito organizadas ofensivamente, muito compactas nos duelos e no confronto e no contacto físico, quase sempre ganham. Portanto, alguma cautela com esta Alemanha, porque se eu disser aquilo que eu gostaria de ver uma Espanha na final, é isso que eu apostava. Não arrisco a dizer, porque uma seleção numa meia-final como a Alemanha, é sempre 50/50. Só se tiver, de facto, a seleção espanhola também nos continuar a apresentar um futebol de espetáculo, qualidade, o carrossel daquele meio-campo, que para mim é o melhor meio-campo do mundo. É uma semelhança do que é o meio-campo da base Barcelona masculina. Temos uma Bonmati de Xavi, uma Alexia de Iniesta e uma Patri de Busquets, portanto, um meio-campo extraordinário. E se aquilo funcionar, pode ser muito perigoso também para a Alemanha, mas não arrisco a dizer quem chega à final. Eu gostaria que fosse a Espanha, mas não arrisco.

Luís Pinto Coelho, muito rapidamente, tens aí alguma aposta quanto às meias-finais?

Sim, eu aposto na Inglaterra, embora não possam ter aquelas entradas de síndrome Portugal, de entrar mal nos jogos, porque se entrarem novamente mal, até pela questão física, o desgaste que tiveram no último jogo, pode ser fatal e a Itália é muito matreira nisso e pode explorar isso, mas aposto na Inglaterra. No Espanha-Alemanha, vou apostar na Alemanha. Vou um bocadinho mais para a surpresa, porque eu acho que a atitude competitiva e mental da Alemanha, depois de um jogo destes, ainda vai subir mais, de estar tanto tempo em inferioridade numérica e conseguir ultrapassar uma das favoritas. Acho que pode surpreender a Espanha, que vai ter aqui o verdadeiro teste, porque até agora apanhou a Suíça, que era um bocadinho abaixo do nível das outras seleções nestes quartos de final. Por isso, acho que a Alemanha pode surpreender a Espanha.

Ora vamos às notas de campeã e também às vossas escolhas. Começo por ti, Edith Fernandes, quem é a tua campeã do dia e que nota dás?

Olha, eu vou dar a campeã à Alemanha, principalmente pela forma como passa às meias-finais, pelo jogo que faz, pela superação no jogo e dou uma nota 17, mas também dou uma campeã à Ana-Kathrin Berger, porque de facto faz ali sete ou oito defesas extraordinárias. Manteve a sua equipa no jogo e depois faz aquela monumental. E dou nota 18 à Ana-Kathrin Berger também, porque de facto depois de 2017, a superação do cancro e depois de 2022, novamente o cancro a aparecer e agora apresentar-se numa qualidade. Esta guarda-redes, de facto, é para dar seguimento e ter olho nesta guarda-redes. Nota 18 para ela.

Luís Pinto Coelho, nota e campeã.

Eu vou dar notas às duas seleções que foram eliminadas, mas à Suíça um 15. Eu acho que sai de cabeça erguida deste Europeu. Deixou uma bela imagem, evolução também da sua seleção e até pela organização deste Campeonato da Europa, um 15. Mas depois dou um nove para a França, que eu acho que tinha que fazer mais, acho que tinha qualidade para isso e desiludiu-me bastante nesta meia-final. Esperava bastante mais da França, por isso um nove.

Pedro Henriques, campeã e nota.

Olha, vou fugir aqui um bocadinho e vou dizer o seguinte: para os pontapés de penalty. O que eu quero dizer com isto? Em primeiro lugar, que é o termo técnico que se chama pontapés de penalty. Portanto, toda a gente que chama grandes penalidades e castigos máximos, estão a dizer termos que não existem. E quando é para achar um vencedor, chama-se só penalty, ok? Mas mais importante é que neste Europeu, 58,5% desses pontapés de penalty, ou penalties, foram falhados. Aliás, foram marcados. Quer dizer que é uma percentagem muito grande, 42%, que não foram marcados. E há aqui duas explicações muito interessantes. Por um lado, a questão da própria pressão que este momento tem, e o futebol feminino cresceu muito rápido. Em 2022, tivemos 365 milhões de pessoas a ver o Europeu e 2000 milhões em 2024 no Mundial. E portanto, percebemos que há aqui uma pressão maior, há mais olhos a verem. Mas depois outro aspeto muito interessante, que é por isso, da mesma maneira que há esse crescimento, também se começou a perceber e a estudar melhor os penalties. E vimos a sueca, a Jennifer Folk, e depois a alemã, a Ana-Kathrin Berger, a levarem nas suas garrafinhas de água, o quê? A tabelazinha em que diz a jogadora que vai marcar, tem lá todas as jogadoras, e depois é só ver qual é o número da jogadora, se é para a direita, se é para cima ou para baixo. E isto também faz com que, com este estudo mais aprofundado, as guarda-redes, neste caso concreto, percebam melhor, se calhar, a tendência e a estatística, e com isso também possam acertar mais vezes no lado porque acabam por defender. Por isso, nota 15 para os pontapés de penalty e por todo este estudo que se começa a fazer agora também em torno do futebol feminino, que tendo muitas parecenças com o masculino, tem as suas vicissitudes e as suas diferenças e que eu acho bastante interessante.

Ora hoje, para terminar, eu queria dar também uma nota de campeã especial. Hoje a minha campeã, hoje e todos os dias, é a minha mãe que faz anos hoje e queria dar-lhe uma nota 20 sem querer acabar o programa de hoje sem isto. Um grande beijinho para ela, que é sempre a campeã. Joga muito mal à bola, mas é a campeã do dia para mim. Meus caros, amanhã estamos de volta. Um forte abraço para todos e até amanhã.

Um abraço.