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Está no ar a Campeã, aqui na Rádio Observador. Já sabe que por cá, todos os dias falamos do Campeonato da Europa Feminino de Futebol, que se realiza na Suíça neste ano de 2025. Para isso, juntou-se a mim a Edite Fernandes, o João Pinto e também o Luís Pinto Coelho, para falarmos de mais um dia de quartos de final. Bem-vindos, meus caros. Como é que estão?
Boa tarde.
Viva, boa tarde.
Que fase a eliminar que estamos a ter. Depois de ontem termos tido essa surpresa da Itália eliminar a Noruega. Ontem, Suécia 2, Inglaterra 2, tudo resolvido nos pontapés de penalty, com as guarda-redes também em bom destaque nessa altura. Mas também tivemos aqui esta quase reviravolta. A Suécia esteve a vencer por 2 x 0 e até bem cedo. Golos ao minuto dois de Asllani, ao minuto 25 de Blackstenius e depois, já na segunda parte e já no final praticamente do jogo, Lucy Bronze marcou ao minuto 79 e Michelle Aguemanga a fazer ao minuto 81 o gol do empate, nos penalties 3 x 2 para a equipe inglesa. Começo por ti, Edite Fernandes, mais um grande jogo de futebol. E tivemos a surpresa no final. Estávamos ontem aqui muito indecisos quem é que seria o favorito entre a Suécia e Inglaterra. Foi justo este apuramento da atual campeã europeia?
Boa tarde a todos. Dizer se foi justo ou não em relação quando se acaba com grandes penalidades e já há quem diga que foi a pior marcação de penalties da história. Mas pelo jogo jogado, eu creio que a Suécia foi a seleção mais forte. E, por outro lado, foi uma Inglaterra que tem sido também um pouco a imagem deste Europeu, de muita luta, resiliência, de sempre acreditar, começa mal os jogos, defensivamente, debilidades, ontem falávamos disso, o setor defensivo a dar casas. E acaba por depois vencer nas grandes penalidades, acreditou sempre. As mexidas acabam por vir a acrescentar bastante e a mexer com o jogo da Inglaterra. E depois nos penáltis, também há que haver competência na grande penalidade, ainda assim, a grande maioria não teve, mas de facto, depois acaba por vencer. Em relação a isso, ao jogo todo, deixa-me destacar sempre uma jogadora que eu acho que da Inglaterra tem sido permanente, tem sido quase em todos os jogos. É a Lucy Bronze. A Lucy Bronze ontem mais uma vez faz um jogão e é mostra daquilo que a seleção inglesa tem sido também um pouco, essa resiliência, a luta, o querer sempre ir para cima ou acreditar que é possível. E ela foi a imagem disso ontem.
João Pinto, já não me lembro em quem é que tu tinhas apostado, mas creio que na Inglaterra. Não estou errado?
Está correto, foi Inglaterra.
Aliás, acho que foste o único que apostou na Inglaterra, não foi?
Também está correta essa informação.
Queria só sublinhar esta parte só para fazer aqui um bocadinho de pirraça, Edite, ao Pedro Henriques.
E digo-o sem qualquer tipo de soberba, mas fui exatamente o único.
Foi exatamente o único. Ora, João, a verdade é que esteve difícil, principalmente ali na primeira parte, a Suécia entrou muito bem no jogo. Qual é que para ti foi o ponto decisivo ou a grande diferença entre Inglaterra e Suécia?
Foi a capacidade física das suecas aguentarem aquelas saídas para o ataque até o fim. Acho que essas saídas, quer da Asllani, quer da Blackstenius, correram lindamente. Acho que a Suécia faz a melhor primeira parte deste Europeu até agora. Tirando as exibições de Espanha, se calhar, é a melhor primeira parte. A Inglaterra estava completamente perdida, com muitos erros defensivos, mas mais tudo o mérito é da Suécia. Excelentes a defender, muito bem a atacar, a fazer lembrar aqueles movimentos do Gyökeres. A Asllani e a Blackstenius, bola metida nas costas.
É da nacionalidade, não é?
É da mesma água, bebem da mesma água. A Inglaterra pode mesmo agradecer à sua guardiã de não ter sofrido três, quatro na primeira parte. E depois, quando acabou essa pilha, quando ali por volta dos 65, 70 minutos acabou essa pilha, o banco de Inglaterra funcionou muito melhor do que o banco da Suécia. E as alternativas que a Inglaterra mete no jogo acabam por funcionar melhor. E depois tem aqui os dois minutos. Minuto 79, 2 x 1, minuto 81, 2 x 2. E a Suécia não teve mais força, não teve mais capacidade de, sem ser por bolas no ar, incomodar a Inglaterra. E nem incomodou algumas vezes. Mas a Inglaterra também estoirada por aquilo que tinha feito para conseguir chegar ao empate. A seguir a esse minuto 81 e durante todo o prolongamento, deve ter sido dos piores 40 minutos de futebol que já vimos neste Europeu, duas equipes extenuadas, já completamente rendidas ao cansaço, tirando a Lucy Bronze. E aí como vi que era a única que corria de um lado para o outro. E essa incapacidade física notou-se também nos penáltis. As raparigas já não davam mais. Aquilo já não dava mais, era como se costuma dizer, se metessem a mão na boca, elas rebentavam. E essa falta de esclarecimento, essa falta de raciocínio, o sangue já não chegava lá, notou-se muito nos penáltis e acabou por ganhar uma. Portanto, eu não tive mérito absolutamente nenhum aí acertar na Inglaterra, porque foi uma autoria autêntica. A Inglaterra teve o mérito em passar, mas acho que já fizeram as pazes com o deus da sorte e já não têm mais créditos nenhuns.
Sim, foi uma pena, porque a Lucy Bronze, também para quem não conhece, até esteve para ser chamada para a seleção portuguesa, porque ela tem pai português, tem dupla nacionalidade, inglesa e portuguesa, e portanto, até podíamos, quem sabe, ter aqui uma bela lateral ou central na nossa seleção. Também temos, claro, mas depois daquilo que vimos ontem, é uma pena a Lucy Bronze não estar na nossa seleção. Mas pronto, escolhas são escolhas, ela lá fez a dela. Luís Pinto Coelho, o que é que destacas também desta partida? Um grande jogo, a emoção nos penáltis, parecia que ninguém queria ganhar, nem sequer nas grandes penalidades. Estivemos ali já na parte do mata-mata, da morte súbita, tivemos sempre uma ou outra oportunidade em que nenhuma das seleções aproveitou. O que destacas?
Eu acho que os 90 minutos foi jogo de final.
É uma final antecipada, quase.
Sim, que teve tudo. Teve a intensidade, emoção, gols e até a recuperação da Inglaterra. Eu acho que é um jogo completo. Concordo com o que o João Pinto disse, a primeira parte da Suécia é tremenda e eu pensei que iam ali fazer o QO, mas esta equipe inglesa tem um aspecto mental fortíssimo e conseguiu se aguentar, resistiu e depois na segunda parte, quando acabaram as pilhas do IKEA, aquilo foi um bocadinho abaixo. E realmente, o Banco da Inglaterra ajudou também a virar o jogo, mas poderia ter caído pra qualquer lado. E a gente analisando depois de ver o jogo e ver as estatísticas, percebe-se isso, que é um jogo extremamente equilibrado, em número de cantos os mesmos, grandes oportunidades as mesmas. Há aqui um grande equilíbrio, mas a Inglaterra até me parece mais fresca na parte final e se calhar isso também fez alguma vantagem depois nos penaltis, embora os penaltis tenham sido bastante mal marcados, quase todos.
Sim. Tivemos ali várias ocasiões perdidas. Ora com isto, já temos a primeira meia-final fechada, dia 22 de julho, Inglaterra e Itália. Edite, vamos olhar aqui muito ao leve para este jogo. Podemos dizer que desta vez é que a Itália, podemos considerar ter aqui este desafio quase impossível?
Encontram-se duas seleções que, ainda assim, a Itália tem sido a surpresa, obviamente pela positiva, e a Inglaterra tem passado um pouco mal. Faz grupos para já com a França, depois aqueles jogos acabam por os dois jogos goleadas, mas mesmo assim, digamos que não muito convencido.
E a parte física? A Itália tem mais um dia de descanso e menos 30 minutos nas pernas.
Exatamente. E a Itália também pode surpreender baseando-se naquilo que tem vindo a fazer no seu jogo à italiano. De facto, pode aproveitar também isso. É uma seleção que não se importa de baixar as suas linhas muitas das vezes e ficar atrás e ir depois, cinicamente e pragmaticamente, ir lá à frente uma vez ou duas e fazer o seu golinho, fechar-se e organizar-se bem compacta. É uma Inglaterra que vamos ver como é que se irá apresentar nesta meia final, mas, para já, eu não vou arriscar um qualquer. Não posso dizer, teoricamente, a Inglaterra parte como favorita para esta meia final, mas já vimos tudo. A Itália também no jogo contra a Noruega não era favorita e acabou por vencer. Vamos ver. Mas perspetiva-se uma grande meia final, sendo que ver como é que estará esta Inglaterra e como é que vai assumir o jogo esta Inglaterra.
Luís Pinto Coelho, começo por ti agora, o que esperas desta Inglaterra e Itália?
Eu acho que a Inglaterra aqui não pode ter uma entrada no jogo como teve agora contra a Suécia. Por muito daquilo que o João Pinto estava a referir. É menos um dia de descanso e nesta fase a época faz falta, e depois mais 30 minutos. E eu acho que o fulgor físico que ajudou a virar o jogo, acho que se a Inglaterra volta a entrar mal, pode ser fatal. Claramente mais forte em termos individuais e coletivos, mas cuidado com esta Itália. Acho que é uma seleção muito perigosa, com algumas jogadoras também bastante experientes e que sabem tudo do jogo. Por isso é um jogo que favoritismo pra Inglaterra, mas a ter o olho na Itália, que é uma seleção que se apanhar uma oportunidade, vai fazer a vida muito complicada à Inglaterra.
João Pinto, falavas aqui desta questão do descanso, não é? Achas que isso vai ser um ponto aqui realmente a pesar, neste caso, a favorecer a Itália?
Sim, e é tal coisa. O universo tende a equilibrar-se e a Inglaterra já usou os créditos todos da sorte que tinha. Portanto, entre o aspecto físico e esta fezada, há qualquer coisa ainda que a Inglaterra vai ter que pagar e portanto, pode ser na meia final que vem a fatura.
Ora hoje, e vamos muito rapidamente a hoje, temos porventura o jogo mais desequilibrado até agora, em teoria, sublinho, entre Espanha e Suíça, vai ser às 18h00 em Berna. João Pinto, começo por ti agora, o que é que esperas de mais logo? Um passeiro das espanholas ou ainda tens esperança que hoje a Suíça possa fazer também uma surpresa?
A pergunta de hoje não é se, é quantos. Portanto, é mais por aí. É uma Espanha que é a candidata única a ganhar este Europeu. Acho que só vai ter rival na França, com quem se deve cruzar já nas meias e, portanto, a França ainda vai ter que fazer o seu trabalho contra a Alemanha, mas se o fizer, vai ser a primeira grande rival que esta Espanha vai apanhar. Mas acho que não, acho que a Suíça não tem grande hipótese frente a uma Espanha que está numa atitude roup compressor, que não vai dar qualquer hipótese. Seria realmente a grande surpresa do Europeu, que eu não acho que vá acontecer. E a Suíça já fizeram um Europeu suficientemente bom para poderem sair com honra.
Queres apostar número de gols? Já que não vamos apostar aqui quem é que ganha.
Não, porque eu tenho família na Suíça, depois não me mandam nada, depois no Natal deixam de mandar coisas.
Vamos à Edite. Edite Fernandes, também dás por garantida, entre aspas, claro, a vitória da Espanha?
Sim, teoricamente, concordo obviamente com o João e acaba por A Espanha ser a grande favorita para vencer este torneio. De qualquer das formas, temos pela frente também uma Suíça muito motivada a jogar em casa, depois de ter conseguido a qualificação para os quartos, toda a envolvência, isso por vezes pode criar algum nervosismo. Tendo em conta, eu vi ontem a conferência de imprensa da Montse. Se a Espanha passar, é a segunda vez, mas desde 97, a única vez que passou foi em 1997.
É verdade.
Passou às semifinais e chegou às semifinais com a Itália, perdeu com a Itália e a Itália chegou a essa final, depois veio a perder com a Alemanha. Portanto, digamos que é o fantasma dos quartos, ver como é que esta Espanha se supera em relação a isso, mas obviamente estamos a falar de gerações diferentes. A Espanha a apresentar um futebol de muita qualidade, de muitos gols e muito para a frente. Defensivamente também é uma seleção muito compacta. Ainda assim, é o setor um pouco mais débil desta seleção espanhola, mas de qualquer das formas, eu creio que favorita a vencer esta partida.
Luís Pinto Coelho, quantos são? Diz-nos lá.
Eu diria três.
Três?
Três a zero. Acho que a coisa fica por aí.
Mais 3,5.
Mais 3,5. É mais que 4,5, Anabela. Diga lá.
Mas acredito num 3 x 0. Acho que o fator casa e a motivação da Suíça também vai ali numa fase inicial, acredito equilibrar um pouco a partida, mas depois a qualidade espanhola vai fazer a diferença.
Ora, meus caros.
Deixa-me só dizer uma coisa.
Tens que ser muito rápido.
Encontraram-se a Suíça e Espanha, encontraram-se no Mundial e perdeu a Suíça por 5 x 1. Portanto, também é um jogo.
Vamos ver se hoje será semelhante. Meus caros, vamos às notas. Campeãs e notas. Começo por ti, Luís Pinto Coelho, quem é tua campeã do dia e que nota dás?
Vou dar à seleção inglesa um 17, pela capacidade mental de se manter viva no jogo e depois na fase final para ir para cima da Suécia. É uma seleção supercompetitiva, a Suécia também, obviamente, mas gostei do lado mental desta seleção inglesa.
Ora, Edite Fernandes, quem é a tua campeã do dia e que nota dás?
Olha, eu vou dar à Inglaterra a nota de campeã e a nota 17 igualmente, exatamente pelos mesmos motivos que o Luís acabou de dizer. E dou também à Sarah Wiegman uma nota 18, quando mexe bem, acaba por mudar um pouco o jogo. E deixa-me só referir, habilita-se a chegar à quarta final consecutiva em grandes torneios. Portanto, uma pauta de qualidade desta treinadora extraordinária.
João Pinto, campeã do dia e que nota dás?
Nota 17 para a Anna Moorhouse, a guarda-redes de Inglaterra. Mais pelo que fez no jogo do que aquilo que fez depois nos pênaltis, embora tenha feito muito bem nos pênaltis, mas acho que um bocado mais por incompetência de quem marcou, que faz uma primeira parte extraordinária, a única jogadora que esteve em campo de Inglaterra na primeira parte e acabou por ser fundamental. E nota 15 para a esperança suíça, que algo me diz que não vai ser a última coisa a morrer hoje.
Vamos ver mais logo, a partir das 20h. Vamos, obviamente, amanhã voltar a falar disso, tem de ser, porque amanhã vamos saber quem é que vai ou não avançar para as semifinais deste Euro feminino. Meus caros, amanhã estamos de volta. Um forte abraço e até amanhã.