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Estamos em dia de pausa no Campeonato da Europa Feminino de Futebol. No próximo domingo vamos ter a grande final Inglaterra-Espanha. Já sabe que aqui na Rádio Observador, de segunda a sexta-feira falamos desta prova, sendo que, tendo em conta que amanhã e domingo não vamos ter programa, hoje faremos aqui uma antevisão a este jogo decisivo do torneio. Para isso juntam-se a mim o Pedro Henriques, o João Pinto e o Luís Pinto Coelho. Boas tardes, meus caros, como é que estão?

Viva, boa tarde.

Tudo uma maravilha.

Tudo uma maravilha, não é? Ainda vai estar melhor no próximo domingo, em que vamos ter aqui, provavelmente, as duas seleções mais poderosas, em teoria, deste Campeonato da Europa, a atual campeã europeia, Inglaterra, e a atual campeã do mundo, Espanha. Começo por ti, Luís Pinto Coelho, olhando para as duas equipas, não só para aquilo que fizeram neste Campeonato da Europa, mas também para aquilo que individualmente têm, quem é que para ti é a grande favorita a vencer a competição no próximo domingo?

Eu gosto de arriscar, mas desta vez não vou arriscar. Vou dizer, obviamente, que é a Espanha. Acho que me parece a equipa mais forte ao longo de todo o torneio. Tem muito talento. Depois, ainda por cima, consegue juntar uma nota artística interessante. São jogos que dá gosto assistir desta seleção espanhola. É uma final, a Inglaterra também é uma seleção forte e é uma seleção que tem muitas vidas e que tem uma alma tremenda, por isso acredito que ainda vai dar mais um bocadinho outra vez, dar tudo para tentar surpreender esta Espanha, mas eu acho que a Espanha parte como favorita. É só um jogo, é uma final, mas parece-me claramente que a Espanha aqui tem mais argumentos para conquistar o título.

De quem gostaste mais das jogadoras das duas equipas? Quem é que destacas até agora na competição por parte de Inglaterra e Espanha?

Eu acho que a Espanha vale pelo seu todo. Obviamente que tem a Esther, que muito bem.

É a melhor marcadora, ainda.

Sim. A Alexia Putellas também. E depois a Vicky esteve muito bem na fase de grupos, fez uma fase de grupos muito interessante. E a Aitana agora entra nesta fase mais decisiva e já foi decisiva. Por isso, acho que a Espanha tem aqui muitos argumentos. A Inglaterra, eu acho que destaco mesmo a alma da equipa. E depois tem aquela menina Michelle Agaeng que sai do banco e tem causado alguns problemas às adversárias. É um bocadinho a arma secreta que tem funcionado muito bem. Mas eu acho que a alma desta equipa inglesa, de nunca desistir, tentar sempre até ao fim virar os resultados, tem sido a sua maior arma, mas o talento individual está em maior número na Espanha.

João Pinto, olhando para os últimos confrontos entre Espanha e Inglaterra, não é preciso irmos muito longe, porque na última Liga das Nações, as duas equipas jogaram uma contra a outra na Liga A e houve aqui um equilíbrio grande, porque a Inglaterra ganhou em casa 1 x 0, Espanha ganhou 2 x1 contra a Inglaterra em casa e se quisermos ir um bocadinho ainda mais atrás, nos quatro últimos desafios tem sido intercalado, ou seja, ganha a Inglaterra, ganha a Espanha, ganha a Inglaterra, ganha a Espanha. É isso que também esperas no próximo domingo, ou seja, muito equilíbrio e um jogo que pode pender para qualquer lado?

Sendo que um desses últimos jogos foi a final do Mundial.

Exatamente.

E nesse, que era importantinho, ganhou a Espanha. Eu acho que sim, também daria o favoritismo à Espanha. Dá a ideia que Inglaterra está naquele tanque não caia já há demasiado tempo. E até arrisca acabar o torneio goleado, porque a Espanha vai entrar com tudo, vai entrar com a força toda, vai entrar com duas bolas de ouro no meio-campo, dois jogadores que foram os melhores do mundo no meio-campo. E a Inglaterra realmente vai entrar com muita desconfiança de si própria, uma equipa que tem sofrido imenso, tem muita alma, tem realmente até pulmão, um bocadinho de pulmão a mais que as adversárias. Mas agora é que é a hora e acho que a Espanha não vai dar hipótese. E relembrar que este jogo já devia ter sido antes, se a Inglaterra tivesse ganho o grupo. A Inglaterra já tinha cruzado com a Espanha, tinham ficado as duas do mesmo lado. Só não foi assim porque Inglaterra perdeu o primeiro lugar para a França e há muita teoria da conspiração que o fez quase de propósito para poder ficar do outro lado do quadro. Mas não acredito nisso, acredito que Inglaterra tem mesmo estado sempre a correr atrás do prejuízo e que Espanha tem estado muito impositiva e tem sido de longe a melhor equipa. É como diz o Luís, isto é uma final, é só um jogo, só os cinco minutos a uma expulsão e um penalti, de repente, isto muda tudo, mas diria que Espanha é largamente favorita.

Olhando para as duas equipas, quem é que destacas em termos individuais dos dois lados?

Eu gostei muito da Bronze. Acho que a Lucy Bronze tem sido essa alma que a Inglaterra precisa. Uma defesa que já leva quatro gols, é qualquer coisa. Quatro gols pela seleção. É realmente uma jogadora que basta ver os jogos para cair nas graças. A Lauren James também tem muito pulmão. E depois do lado de Espanha, é atirar os nomes ao ar e escolher uma. E por ser assim, de uma forma muito isenta, eu escolho a Martine Prieto, que espero que ainda faça mais um golito na final.

Tem estado, apesar de não ser titularíssima na equipa, até porque lá tem muita concorrência, tem estado em bom plano a jogadora do Benfica, sendo que não sei se acreditas que terá oportunidade nesta final.

Ela só tem jogado quando Espanha está com um astro muito grande ou nesta situação do zero a zero. Mas uma jogadora com 32 anos que está no meio daquela qualidade toda e que é selecionada para estar no Europeu, já é uma medalha muito grande conseguir chegar a esta final. Acaba por deixar sublinhado que é uma jogadora fantástica e o Benfica tem realmente uma ponta de lança extraordinária.

Já vem com um golo marcado nesta edição do Europeu.

Dependendo do adversário.

Exato. Vamos avançar para o Pedro Henriques. Pedro, pergunto também o que é que esperas desta partida, mas já agora, também o que é que podemos esperar de Stéphanie Frappart, de quem já falámos aqui no nosso podcast, na "E a Campeã é...". Uma árbitra que tem tido muita experiência até no futebol masculino, já com presenças na Ligue 1, por exemplo. O que é que podemos esperar também em termos de arbitragem desta final?

Queres conhecer a minha nota de campeão já? É isso? Então pronto.

Como assim?

Estou a brincar. Mas acho que a minha nota de campeã, ou de campeã, neste caso, e por isso vou aproveitar para responder à tua pergunta, dando já a minha nota de campeã, ficamos já despachados com isso, no bom sentido da palavra, embora a gente o faça no fim, porque realmente não podia ser de outra maneira que ser o meu destaque como nota de campeã. De qualquer maneira, em relação ao jogo propriamente dito e centrando em relação às equipes, eu espero aquilo que acho que neste momento é expectável em relação à maior parte de quem analisa o jogo e quem sobretudo vê não só o momento atual, ou seja, favoritismo claro à Espanha, é campeã do mundo, ganha a Liga das Nações. Certo que a Inglaterra é campeã da Europa, mas o fato é que o momento, o contexto atual e os jogos que nós vimos, com exceção do jogo contra a Alemanha, onde realmente, por razões óbvias, a Alemanha é terceira do ranking e criou dificuldades claras à Espanha. A Espanha, de alguma maneira, foi passeando a sua classe, a sua categoria, maior ou menor dificuldade, e muito mais impulsiva. Enquanto que todas as outras seleções, nomeadamente quem chega aqui à final, da Inglaterra. Lembrar que a Inglaterra teve um bocadinho de eliminar a atual Itália. E depois já nos ditos descontos, penso que foram sete minutos e foi nos descontos que passou o tempo perdido, que conseguiu o empate e depois dar a volta. Portanto, eu acho que em termos de consistência, de jogo jogado, daquilo que nós vimos, inclusivamente neste torneio, nem sequer olhando para o passado, seja recente, seja mais longínquo, a Espanha parte claramente como favoritismo. Mas eu relembro, e eu não gosto de usar argumentos, mas isto é uma final. E na final é só um jogo. E como diz o João Pinto, muito bem, há um pênalti, há uma jogadora que é expulsa, que se lembra de fazer como no outro dia, aconteceu com a Alemanha, puxou o cabelo à outra e tudo muda. E portanto, sendo uma final, os níveis motivacionais estão em alta e até muitas vezes este aspeto que as próprias jogadoras espanholas sabem que o mundo neste momento aposta as fichas todas nelas. E isto cria uma pressão adjacente que se algo não corre bem, digamos, dito ao contrário, a Inglaterra neste momento não ganhar, as pessoas aceitam e, entre aspas, compreendem.

Claro.

Portanto, não tendo essa pressão acrescida, tudo o que possam fazer de diferente é sempre ganho. Portanto, há um bocadinho este jogo aqui até emocional e psicológico, mas eu acho que a diferença no contexto atual e da superioridade que a Espanha tem em relação a todas as seleções, acho que dificilmente não será ela a campeã europeia, mas para isso também vai custar caro, depois às 17h, fazer isto. Relativamente à Stéphanie Frappart, e ganhe-se quem ganhar aqui são mais um minuto, e dando já a minha nota de campeã, porque realmente vou dar nota 20 à nomeação, que significa uma nomeação e um voto de confiança naquela que é, em termos de feminino, não sei se é a melhor árbitra do mundo, é sempre muito difícil, mas é claramente uma árbitra com muita experiência, com muitos jogos na pele e no corpo, não só de futebol feminino ao mais alto nível, mas também de futebol masculino. Foi ela que foi quebrando as tais barreiras em jogos muito relevantes e importantes, inclusive no plano internacional de finais. E portanto, é uma aposta clara naquilo que é a qualidade, a competência e a experiência. E relembrar que também, muitas vezes, não é só pelo nome, é pelo desempenho que se tem ao longo do torneio, como falámos aqui da Espanha. E ela fez dois jogos da fase de grupos, em três possíveis, e obviamente não ia fazer as meias-finais, porque se estava já apontada para a final, não a ia fazer, mas fez os quartos-final, aquele Noruega 1, Itália 2. E portanto, claramente uma árbitra de altíssima qualidade e nota 20 para a Stéphanie Frappart. Obviamente, depois com quem ela vai ajudar, mas falamos isso depois mais à frente, obviamente, o programa que supostamente vamos ter na segunda-feira para fazer o rescaldo. Mas nota 20 para a Stéphanie Frappart, que é a minha nota de campeã.

Vamos avançar então para as restantes notas. João Pinto, quem é a tua campeã e que nota dás?

Como é a minha despedida da Campeã, porque segunda-feira haverá mais um programa, mas eu não estarei. Primeiro queria agradecer esta oportunidade que me foi dada de aprender tanto sobre futebol feminino, eu que acompanho futebol feminino há três ou quatro anos. E por isso mesmo, eu acho que o meu campeão tem que ser alguns dos recordes que foram batidos neste Europeu e relembrar o maior número de gols marcados no Europeu. Este Europeu acabou por bater esse número, já vão em 104 antes da final. Outro recorde que eu destacaria, o da assistência. Neste momento, vamos com 623 mil pessoas que viram os jogos ao vivo e, portanto, já bateu o recorde em Inglaterra. Estamos a falar da Suíça, a bater o recorde de um Europeu que foi em Inglaterra e, portanto, já é qualquer coisa. E por fim, preciso de alguma ajuda do Pedro Henriques aqui. Vou eu ao VAR pela utilização pela primeira vez daquilo que se chama Connected Ball Technology, que eu não sei o nome em português, mas pela utilização de mais tecnologia no futebol, de novas tecnologias ao dispor da justiça no desporto.

Sem dúvida. Ora, Luís Pinto Coelho, que nota dás e quem é a tua campeã do dia?

Pegando um bocadinho no que o João Pinto disse, até pelo número de espectadores sempre nos jogos, vou dar a organização do evento na Suíça. Não estou lá, não estou a ver ao vivo, mas parece-me que a organização correu muito bem, sempre muita gente nas bancadas. Nota-se, obviamente, o crescimento do futebol feminino, por isso uma nota 18 para a organização e espero, penso que será agora em dezembro, que vai ser anunciado o país que vai receber o próximo Europeu. Espero que seja Portugal, porque penso que ainda estamos na candidatura.

Estamos, sim, senhor.

Por isso espero meter aqui uma cunha ao Pedro Henriques, se der bem com o nosso presidente da Federação, para fazer uma forcinha. Eu acho que era extremamente interessante para Portugal. Tínhamos todas as condições para organizar um belo campeonato e era importante para a modalidade também crescer mais um bocadinho em Portugal.

Nesta altura, as candidatas são Alemanha, Itália, Polónia e Portugal, sendo que a Dinamarca e a Suécia também uniram forças para fazer uma quinta candidatura. Portanto, são cinco candidaturas. Portugal e a Polónia são as únicas, destas cinco, que nunca organizaram o Campeonato da Europa feminino. Portanto, acho que já era a altura também de nos darem uma oportunidade a nós, tendo em conta que o Euro 2004 correu unanimemente de forma muito positiva. Esperemos que sim, que em 2029, ainda antes do Mundial de 2030, também passe por cá este Campeonato da Europa. Meus caros, a partir também das palavras do João Pinto. Este, sim, foi o meu último programa aqui no Euro, no "E É Campeão, É?", porque na segunda-feira vamos ter um programa dedicado àquilo que aconteceu na final. Também de best of deste Campeonato da Europa. Vamos fazer também aqui um bocadinho o que foi o melhor e o que foi o pior deste Campeonato da Europa. Já não será comigo, mas quero agradecer-vos também por ter aprendido muito convosco com este Europeu feminino. Meus caros, amanhã não estamos de volta, estamos então de volta na segunda-feira, a partir das 12h10, para ouvir aqui na Rádio Observador e sempre em podcast. Obrigado e até segunda.