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Nos próximos minutos falamos de futebol feminino na Rádio Observador. Está no ar "E a Campeã É?", o podcast onde o futebol feminino está em destaque. Hoje, com Portugal a entrar em campo no Campeonato da Europa, vai enfrentar a Itália. É a segunda jornada da fase de grupos. Grupo B é onde está inserida a seleção nacional. Um jogo importante, até porque Portugal perdeu na ronda inaugural. O encontro, mais logo, arranca às 20h. Temos relato aqui na Rádio Observador, emissão especial para acompanhar as navegadoras. Para já, acompanham-me a mim, José Rafael Lopes, a Edite Fernandes, antiga jogadora internacional e a melhor marcadora de sempre da seleção feminina. Conto também com os comentários do Luís Pinto Coelho e do João Pinto. Sejam todos bem-vindos. Como é que estão?

Viva, boa tarde.

Viva. Olá.

Tudo uma maravilha.

Fantástico. Ainda bem. Vamos então arrancar. Não há tema mais importante do que este no "E a Campeã É?" É dia de jogo para Portugal, mais logo, a partir das 20h, frente à Itália, e as contas são fáceis de fazer. Portugal precisa de pontuar para continuar a sonhar com uma passagem. Em caso de derrota, as navegadoras estão fora da próxima fase. Não é o cenário que desejamos. Isto por quê? Porque a seleção perdeu com a Espanha por 5 x 0, na ronda inaugural do grupo B. A Itália ganhou por 1 x 0 à Bélgica. Hoje há duelo entre Portugal e Itália. Está feito o cenário. Agora, a análise. Edite Fernandes, o que tem que ser feito de forma diferente? E este 0 com a Espanha, já está no passado.

Boa tarde a todos, antes de mais. Sim, na realidade, eu acho que a Espanha acaba por estar no passado. Vou voltar a pensar somente neste jogo da Itália. É uma das duas primeiras finais, digamos assim, para Portugal. Hoje, Portugal terá que vencer. Vai depender também do que a Espanha joga primeiro. Se a Espanha vencer, pontuar já é positivo para Portugal, mas de qualquer das formas, é um jogo que Portugal vai ter que entrar diferente, vai ter que fazer algumas mudanças e poderá passar também por algumas mudanças na equipa, no 11 titular. Mas de qualquer das formas, terá que ter uma mudança de chip daquilo que aconteceu nos últimos jogos, principalmente no último, que é o primeiro do Europeu e acaba por ser uma derrota pesada. No entanto, estava tudo de volta daquilo que foi aquele dia muito pesado em termos emotivos, digamos assim, e anímicos. Mudança de chip, mudança de jogo, é uma das duas primeiras finais e Portugal terá que entrar diferente.

E já daqui a pouco conto falar com vocês também sobre as mudanças, até porque Francisco Neto, o selecionador nacional, prometeu isso mesmo. Para já, Luís Pinto Coelho, uma seleção de carta lavada, mas com muitas dificuldades frente a uma Itália.

Sim, a Itália é uma seleção forte. Não tem o poderio da Espanha. É mais ao nível da seleção portuguesa, mas Portugal tem que entrar muito mais concentrado do que entrou com a Espanha. É verdade que foi num dia complicado, como a Edite referiu, e tudo isso também teve o seu peso, não tenho dúvidas. Mas entrar mais concentradas, mais agressivas nos duelos também. É uma final para Portugal. Mesmo o empate poderá não chegar, mesmo que a gente depois ganhe à Bélgica. Por isso, hoje era importantíssimo vencer, obviamente, mas pelo menos o empate, para continuarmos vivos na competição. Mas esta Itália é um osso duro de roer, por isso temos que estar na nossa máxima força para conseguir levar vencida as italianas.

João Pinto, quero também ouvir-te. Expectativas para mais logo frente a uma Itália que tem mais argumentos do que Portugal. É preciso também sermos claros e dizê-lo, mas que não é tão poderosa como é a Espanha.

Exatamente. E há aqui uma série de luzes de esperança. Nós ouvimos o nosso selecionador na conferência de imprensa dizer que nós só temos dois problemas, que é a maneira como atacamos e a maneira como defendemos. E portanto, tirando esses dois problemas, estamos garantidos, estamos impecáveis. Portanto, é acreditar. Eu acho que sim, que com essas alterações, com esta possibilidade do regresso da Kika, que aparentemente já está recuperada e que, pelo menos estando no banco e podendo entrar, traz logo ali outra força a quem vai jogar. As possíveis alterações no 11, a saída da Beatriz e entrada da Ana Borges. Há aqui uma série de coisas que Portugal tem que mudar, tem que saber fazer diferente, mas eu acho que as declarações do selecionador foram mesmo nesse sentido, que é: temos que mudar tudo, temos que fazer tudo diferente, temos que fazer melhor. E sabemos que realmente, como a Edite disse, é uma final. E ainda que Portugal não ganhe ou mesmo que não empate, eu acho que nesta fase da nossa evolução do futebol feminino, o que é importante é elas serem apuradas, chegarem lá, estarem nestes palcos e saberem o quão difícil é competir a este nível.

Edite Fernandes, o 11 da seleção portuguesa frente à Itália para esse jogo de mais logo vai ter mudanças. É o que disse em conferência de imprensa o selecionador de Portugal. O grupo está na máxima força, as 23 jogadoras estão aptas, mas há aqui a questão Kika Nazaré, que também já foi aqui falada. Ela não joga desde março, teve uma lesão grave, uma rutura do ligamento lateral interno do tornozelo, na perna esquerda. É hoje que marca o regresso desta jogadora do Barcelona?

É sim. Obviamente, vai haver mudanças, até propriamente o Francisco Neto falou ontem sobre isso. Eu tenho a minha opinião em relação à Kika. A mim será surpreendente que facto se a Kika se apresentar hoje como titular. Mas acredito Estando apta, como o Francisco disse, acredito que com o decorrer do jogo, ou dependendo de como estará o jogo, provavelmente a Kika possa jogar. É claramente a minha opinião. Se for preciso Kika, a Kika vai para dentro de campo.

Mas ainda é cedo para ser titular.

Eu acho que ainda é um bocado arriscado, é cedo. Eles lá estão e sabem. Em termos de forma, não joga desde março, vem de uma lesão grave, operada, e eu acho que tem que ser um processo mais natural de entrar alguns minutos, sejam os minutos que forem. Será surpreendente para mim se a Kika jogar de início. De qualquer das formas, se jogar, é um acrescentar bastante à nossa seleção, tendo em conta que nos falta uma Kika, falta-nos mais algumas jogadoras, uma Lúcia Alves também, uma Joana Marção, que nos dá ali, em termos defensivos e na ala esquerda também, dá outra segurança, outra confiança. Mas de qualquer das formas, são lá as 23 e qualquer uma delas pode fazer bem e pode iniciar o jogo. Creio que a Ana Borges irá jogar de início. Se podia ter feito no primeiro jogo, por que não jogou logo de início? E haverá algumas mudanças. Também provavelmente a Kika. Não sei se a Dolores hoje possa entrar também no meio-campo da seleção. Aqui há alguma experiência também e tendo em conta que a Andreia Jacinto saiu relativamente cedo no primeiro jogo. Mas serão algumas mudanças que eu acho que sim. E no ataque, provavelmente, posso apostar a entrada da Ana Capeta como titular. Mas vamos ver.

Sim, mais logo todas as dúvidas serão dissipadas.

Exatamente.

Para já, João Pinto, que margem é que, no teu entender, há para essas grandes mudanças? E já há pouco falavas aqui de Kika Nazaré. É complicado, tendo em conta a lesão que ela teve, mas acreditas que, tendo em conta também a importância do jogo, que possa haver, de certa forma, um esforço para que a jogadora do Barcelona tenha mais minutos?

Não acredito. Acho que vai ser como a Edite disse, vai ser pouco tempo e tem muito a ver com o andamento do jogo. Se Portugal chegar aos 70 minutos, aos 75 minutos e estiver a perder 3 x 0, não vale a pena pôr a Kika, não vale a pena esforçar. Agora, se a coisa estiver empatada ou a ganhar, ou faltar só aquele bocadinho, aí, se calhar, sim.

Luís Pinto Coelho, onde é que sentes também que são precisas estas alterações que foram prometidas por Francisco Neto? É que o jogo com a Espanha deixou a nu muitas fragilidades, também tendo em conta o adversário e a forma como começou o jogo, até com um gol muito cedo por parte da seleção espanhola. Mas no teu entender, onde é que são precisas estas alterações?

Eu acho que principalmente na linha defensiva, que teve ali alguns problemas. Eu, estando de fora e vendo apenas o jogo e não estando no dia a dia da seleção, eu faria três alterações. A Ana Seiça, a Ana Borges e a Dolores. Seriam três alterações que eu faria. Parece-me que a Ana Borges, acredito que vai ser titular, não tenho muitas dúvidas disso, mas eu também apostaria na Ana Seiça e na Dolores, acho que dão outra consistência defensiva, quer a Dolores no meio-campo, quer a Ana Seiça na linha defensiva. Tiraria a Bia, a Fátima Pinto e a Andreia Jacinto. Relativamente à Kika, eu acho que também estou de acordo com o João e com a Edite. Acho que vai depender do que o jogo disser. Se está apta, se não está, o mesmo da Lúcia Alves também, que já não joga há bastante tempo. São jogadoras importantes, mas numa final, que isto é uma final para Portugal, jogadoras com pouco ritmo de jogo, há muitos meses paradas, será sempre um risco, só mesmo se o jogo assim pedir.

Vamos avançar. É altura de dar notas, escolher campeãs. Edite Fernandes, começo por ti. Que notas queres dar e quem é a tua campeã do dia?

A campeã do dia vou dar à Noruega, tendo em conta aquilo que conseguiu, passagem aos quartos-final, primeira seleção a conseguir passar a esses quartos-final, e tendo em conta que não o fazia desde 2013. De facto, acaba por ser também uma nota alta para esta seleção norueguesa. Mas eu só queria referir, ainda que não tenha convencido muito, acaba por ser a primeira seleção a conseguir os quartos-final e depois, passado tantos anos também, essa passagem à fase seguinte. E dou uma nota ali uns 15.

Um 15?

15.

Um 15 então para a seleção da Noruega.

Noruega.

A primeira a ser apurada para os quartos-final do Campeonato da Europa de Futebol Feminino. Luís Pinto Coelho, vamos até ti. É altura de conhecer as tuas notas e também as tuas campeãs ou campeã. Tu me dirás.

Também vou dar aqui uma nota bastante positiva à Noruega. Já conseguiu o apuramento, um 16 para a Noruega. Depois também uma nota muito positiva para o País de Gales, embora tenha tido uma derrota e até um bocadinho pesada, mas a forma como cantaram o hino, a estar pela primeira vez num Campeonato da Europa, também um 16 para o País de Gales e um 18 para Portugal, como forma de incentivo e para que consigamos logo todos estar felizes pela vitória de Portugal.

João Pinto, vamos também escutar as tuas notas e os teus campeões, ou neste caso, campeãs.

Sim, um 18 para Portugal, acompanho o Luís neste raciocínio e depois uma nota alta, um 18, um 17 para o gol da Islândia, marcado pela SævarSDóttir, que é um belíssimo desenho coletivo, uma excelente finalização e, portanto, merece também uma nota de destaque.

Ora bem, ficamos então aqui com as notas do Luís Pinto Coelho, do João Pinto e também da Edite Fernandes. Muito obrigado aos três pelo lançamento. Este jogo de Portugal que arranca às 20h, Portugal-Itália. Há emissão especial aqui na Rádio Observador. O Diogo Varela vai estar no relato desta partida. Os comentários vão estar a cargo da Patrícia Gouveia, ela que também representou a Seleção Nacional, foi também jogadora do Sporting. A emissão está a cargo do Nuno Santos. É tudo para ouvir aqui na Rádio Observador, às 20h, o Portugal-Itália. Às 17h, joga-se a partir dessa hora o Bélgica-Espanha, jogo do grupo de Portugal, que acaba também por ter implicações fortes na forma como as navegadoras podem ou não continuar a sonhar por um apuramento, se bem que a conta é simples: é obrigatório pontuar. Portugal precisa de pontuar para evitar ficar desde já eliminado deste Campeonato da Europa. Dizer também que esse jogo é a partir das 20h. Há aqui essa emissão especial na Rádio Observador. Amanhã prossegue a fase grupos do Campeonato da Europa de Futebol Feminino. Há jogo às 17h entre a Alemanha e a Dinamarca. Às 20h, medem forças a seleção da Polónia e da Suécia. E é com o programa, não só de hoje, mas também de mais logo, que fechamos esta edição de "E a Campeã É". O podcast que está de regresso amanhã.