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E a campeã na Rádio Observador. Já sabe que é aqui que todos os dias escolhemos as protagonistas do Campeonato da Europa Feminino de Futebol de 2025 e damos notas de 0 a 20. Hoje já temos a primeira finalista. A Inglaterra está na final do Euro. Teve de sofrer bastante para ultrapassar esta surpresa que é a Itália, mas conseguiu no prolongamento ultrapassar as italianas. Hoje para dar nota a este tema principal do jogo, mas também vamos falar da segunda meia-final, juntam-se a nós a Edite Fernandes, o Luís Pinto Coelho e também o João Pinto. Como é que estão, meus caros? Bem-vindos.

Olá, boa tarde. Tudo uma maravilha.

Boa tarde.

Com o coração um bocadinho mais calmo depois de ontem, certamente. Começo por ti, Edite Fernandes. Ontem bem dizíamos que a Itália pode vir a surpreender, mas a Inglaterra desta vez se calhar vai acabar com a sorte das italianas. Falámos aqui que estava em curva descendente a Itália. A verdade é que só no minuto 119, e no lance bastante fortuito, um pênalti numa recarga, é que a Inglaterra ultrapassou a Itália. O que faltou à Inglaterra para fechar isto mais cedo?

A sorte das italianas? Não é bem assim. Digamos que quem tem tido aqui a sorte de campeã tem sido claramente a Inglaterra. É um fato. Chega à final ainda não convencendo, claramente, porque tem sido com os jogos mesmo a acabar, e em pênaltis, e jogos de garra, de superação. Eu acabo por destacar, obviamente, que a Itália quase que conseguia um dos maiores feitos dos últimos tempos no futebol feminino e a Inglaterra mesmo a dois minutos do tempo regulamentar acabar, acaba por empatar, e depois no prolongamento também por uma grande penalidade acaba por vencer a partida. Mas ainda assim, esta linha de campeão desta Inglaterra terá pela frente, obviamente, uma final, ainda que não sabendo quem será o opositor, mas obviamente é uma Inglaterra que tem deixado um pouco a desejar, tendo em conta aquilo que foi o Europeu 2022. Tem sido sempre na superação, na garra, na sorte. Sarah Wigman tem tido sorte também nas substituições, o talismã da Aga Myong. Acaba por ser uma Inglaterra que chega à final com um bocadinho de sorte.

Olhando para aquilo que aconteceu no jogo, a Itália marcou primeiro, tivemos a Guia Manga a marcar aos 96, a Chloe Kelly a fazer o gol da vitória aos 119. Mas olhando para o lance que define o jogo, o que te pareceu? Não temos hoje aqui o Pedro Henriques, mas eu diria que também há alguma falta de concentração das italianas. Isso terá pesado também, porque é um lance completamente inocente e que acaba por dar um pontapé de pênalti.

Eu acho que é essa falta de concentração e é nestes detalhes que às vezes falham essas seleções que não estão tão experientes ou que não têm tanta experiência a chegar tão longe, e depois acaba por essa falta de concentração definir o final do jogo. Mas ainda assim, eu creio que é muito positiva também a prestação desta seleção italiana, que esteve muito perto, de facto, de conseguir chegar à final.

João Pinto, ontem dizias uma coisa muito interessante, uma estatística que demonstrava que a seleção italiana estava a ir claramente de mais para menos, porque à medida que ia fazendo mais jogos, ia estando menos tempo em vantagem no marcador. Tu até dizias o número de minutos, não é? Contra Portugal, não sei os minutos de cor, mas contra Portugal esteve muitos minutos, foi baixando o tempo em vantagem.

E depois contra a Noruega só tinha estado um.

Exatamente. Desta vez, esteve do minuto 33 até aos 96. Podemos dizer que foi injusta esta eliminação da Itália com base nesse tempo de vantagem?

Não é exatamente isso. Aconteceu aos outros até acontecer à Itália. É sempre assim. Mas foi um jogo que, primeiro, estava muito bem preparado. A primeira nota que eu tiro é essa. As equipes entraram em campo a conhecer absolutamente a adversária, com os níveis de concentração muito altos. Acho que não podia ter sido mais bem preparada uma meia-final, uma coisa a este nível. E depois, acaba por ser o talento individual, que à meia hora a Sofia Cantore, eu não estou conseguindo ler a minha própria letra.

Sim. Sofia Cantore.

Cantore, exatamente. A Sofia desequilibrou e depois a Bonansea marcou. Mas acaba por ser um jogo muito equilibrado, com a Itália a defender mais e a Inglaterra com mais posse, mas um jogo muito equilibrado até essa altura. E depois, a partir daí, tivemos duas lesões importantes, especialmente da Chiarelli, que mandou a Itália muito para trás. A Itália a perder tempo, a tentar se defender. Foi lá duas vezes, teve duas grandes oportunidades mesmo a acabar, mas depois, fruto desse tempo perdido, acabou por haver muito tempo de descontos e a Inglaterra acabou por aproveitar. E depois o prolongamento já foi penoso, já foi difícil. As equipes muito cansadas. É realmente um ponto que se nota muito, que os índices físicos das jogadoras estão para 90 minutos, não estão para 120. E depois há essas falhas de concentração que tu falavas. Se está a jogar dentro de uma das áreas, há sempre uma possibilidade de haver um pênalti, porque o cansaço já é muito grande, os níveis de concentração baixam e é normal que esse tipo de coisas aconteçam.

Luís Pinto Coelho, vamos a ti. A ideia que passa é que neste campeonato da Europa À exceção de Espanha, que num ou outro jogo não foi o rolo compressor que imaginávamos, a ideia que passa é que as grandes seleções estiveram abaixo daquilo que se esperava. Daquilo que viste ontem da Inglaterra, temos aqui uma campeã da Europa em título em baixa de forma, podemos dizer?

Sim. É uma seleção com alma, com garra, mas muito abaixo. Eu diria que a nota artística é baixa. Com o talento individual disponível, a nota artística é um pouco baixa, embora esta questão de ter garra, de nunca desistir, de ter muita alma na procura para virar os resultados, também é algo interessante. Eu diria que com as armas disponíveis, eu gostei mais da seleção italiana, porque tem menos armas disponíveis e pareceu-me sempre mais bem organizada do que propriamente a seleção inglesa, que tem mais talento individual, e isso acabou por fazer a diferença. Mas não deixa de ser curioso que a Itália esteve a um minuto de estar na final e Portugal contra a Itália foi superior a Itália, na minha opinião. Por isso, se calhar vamos ter a Espanha também na final, que esteve no nosso grupo. Por isso, se calhar a prestação portuguesa agora, passado alguns dias, podemos olhar até de uma forma um bocadinho diferente, porque tivemos a Itália praticamente na final e a Espanha pode chegar à final.

Para amanhã temos Alemanha e Espanha às 20h. Começo por ti, Edite Fernandes. Vamos olhar para esse jogo. É desta que a favorita ganha? Porque tem sido um bocadinho difícil. Ontem a favorita também ganhou. Ganhou a Inglaterra ainda com muita dificuldade, mas é desta que temos aqui uma favorita a convencer completamente?

Eu espero que seja desta, porque a minha aposta, claramente-

O que estás a dizer, Luís?

Eu vou para a Alemanha, para a surpresa.

Edite, concordas com o Luís?

Sim. Eu a gostar, por mim, pela minha opinião, pelo jogo jogado, pela qualidade de jogo da seleção espanhola, gosto muito mais, porque gosto de um futebol bem jogado. Mas é uma meia-final muito complicada, porque eu não sei até que ponto a Alemanha vai preparar muito bem o jogo. É uma Alemanha muito física, muito pragmática e que vai dificultar bastante o jogo da Espanha. Aquele jogo enredilhado, de dinâmica, meio-campo e avançadas. E a Alemanha normalmente fecha muito bem esses espaços e é muito de contacto e muito de físico, muito bem organizada. E acaba por ser muito pragmática. A favorita, claramente, por aquilo que tem demonstrado ao longo do Europeu. Eu acho que até foi a melhor seleção a praticar futebol e que chega a estas meias-finais com alguma justiça e sem sorte. Mas cuidado com esta Alemanha, porque é uma Alemanha muito perigosa e é uma Alemanha que vai obviamente tentar chegar a uma final de campeonato da Europa.

João Pinto, concordas? Espanha é favorita ou estás mais como o Luís Pinto Coelho? A Alemanha pode fazer surpresa.

Não, eu acho que não vai haver surpresa. Acho que a Espanha vai vencer. Pode não haver o tal amasso. Isso concordo, mas acho que a Espanha vai ganhar. Acho que é muito difícil parar o jogo espanhol, é muito difícil adiar o primeiro gol e acho que as espanholas estão com a moral toda e estão com a capacidade toda, descansadinhas. Não há prolongamentos, não há suspensões, não há nada. Acho que o normal é a Espanha ganhar e acho que essa normalidade se vai notar logo no início do jogo.

Qual é a tua aposta, portanto, Espanha?

Sim, acho que a Espanha vai ganhar e é capaz de ganhar por mais que um gol de diferença.

Luís Pinto Coelho, trata lá de estragar as apostas dos teus colegas.

Eu concordo que o futebol da seleção espanhola é um futebol mais atraente e mais bonito. Mas aqueles quartos de final da Alemanha impressionaram-me. Jogar contra a França desde os 13 minutos com menos uma jogadora, é de um rigor tático, de uma intensidade, que eu acho que a Espanha ainda não encontrou uma seleção que lhe vai trazer esses problemas. E depois também o lado físico. Por isso, parece-me que a Alemanha pode criar problemas que a Espanha ainda não teve neste campeonato da Europa. Por isso, estou a apostar na surpresa, já que temos tido várias surpresas. Se calhar agora vamos ter a maior surpresa todas, que é a Espanha não chegar à final.

Mais logo, 20h, Alemanha e Espanha para conhecermos a segunda finalista deste Euro 2025. Meus caros, vamos às campeãs e vamos às notas. Começo por ti, Edite Fernandes, quem é a tua campeã do dia e que nota é que dás?

A campeã vou ter que dar à Itália, a seleção italiana, por todo o percurso que fez neste Europeu e foi um percurso bastante positivo. Vou dar uma nota 15 também. E também tenho que dar a minha campeã à Sarah Wiegman, nota 16, porque tem sido a partir do banco e tem sido nas mexidas que a selecionadora inglesa faz e no talismã da Aga Mjölk, que sempre que entra consegue marcar e fazer o gol e foi muito importante também para o jogo de ontem e dou a minha nota 16 à Sarah Wiegman e é a minha campeã também hoje.

Muito bem. A selecionadora da Inglaterra, neerlandesa, a merecer esta nota por parte da Edite Fernandes. Vamos ao João Pinto. João, quem é a tua campeã do dia e que nota é que dás?

À Aga Mjölk. Primeiro tem um apelido que em guês quer dizer salvadora da pátria. Está tudo dito. Quando ela aos 81 marca contra a Suécia e depois aos 90 mais 6 marca contra a Itália, acho que faz jus ao nome.

É um nome que tem spoiler.

Exatamente, o nome teve spoiler e portanto um 18 para ela.

Luís Pinto Coelho, campeã e nota.

Vou dar à selecionadora italiana, a Andrea Soncin, porque eu acho que com as armas que teve, fez um belo Campeonato da Europa, a equipa sempre muito competitiva. Se calhar teve o jogo menos conseguido contra Portugal, mas eu acho que bateu-se muito bem, sempre uma seleção muito organizada, com identidade. Percebe-se que é uma seleção com identidade. É eliminada, mas sai de cabeça erguida.

É isso. Perdeu, mas conquistou os nossos corações, como se costuma dizer. Meus caros, amanhã estamos de volta para mais uma edição de "E a Campeã é?". Vamos estar a analisar a grande final e depois na sexta-feira vamos fazer aqui um pequeno balanço daquilo que podemos esperar para a final de domingo. Resta saber Inglaterra contra Alemanha ou Espanha. Até amanhã.