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E a Campeã é na Rádio Observador. É aqui que todos os dias, faça chuva, faça sol, falamos daquilo que se passa no Campeonato da Europa Feminino de Futebol de 2025, na Suíça. Hoje, para isso, juntam-se a mim a Edite Fernandes, o João Pinto e o Pedro Henriques. Boas tardes, bem-vindos, meus caros. Já começaram os quartos de final. Tivemos ontem o primeiro jogo, o tal que fizemos a antevisão e colocava frente a frente uma potencial surpresa e uma equipa com muitas estrelas, mas que coletivamente ainda não surpreendia. Ontem estivemos a fazer as nossas apostas, estávamos meio divididos. Resultado final: Noruega um, Itália dois. É verdade, parece que mesmo com as inspirações individuais, o coletivo ganhou, apesar de tudo, com uma grande exibição individual de Cristiana Girelli. Vamos olhar para este jogo e vamos também fazer a antecipação deste Suécia e Inglaterra, que vai acontecer mais logo, às 20h. Começo por ti, Edite Fernandes. Bem-vinda, boa tarde. Dois a um pra Itália. Muitas vezes falamos ao longo deste dia Campeã, que coletivamente a Noruega não estava ainda a convencer. E aqui contra a Itália, que não é de todo uma das favoritas a vencer o torneio, temos a primeira queda de um gigante, com as italianas a passarem à frente. Uma vitória justa?
Boa tarde a todos. Eu creio que sim, tendo em conta o jogo que foi, e se nós perspetivávamos que fosse uma Noruega favorita à partida, com grandes estrelas, com melhores do mundo, Bolas de Ouro, mas acabou por sobressair o coletivo e, de facto, uma grande Itália a surpreender. De facto, não é bem surpresa. Não partia como favorita, mas pelo que tem vindo a fazer neste Europeu, em crescendo, tendo estado no grupo de Portugal e depois à cabeça, como ontem falávamos também da Cristiana Girelli, a capitã, a levar a sua equipa para cima e a carregá-la às costas. E de facto, um grande jogo da seleção italiana. Mais uma vez, me parece muito cínica no sentido que não precisa de ir lá muitas vezes, vai lá duas ou três vezes e cria perigo, finaliza e faz gol, e acaba por ser uma justa vencedora. E é surpresa, tendo em conta aquilo que era o favoritismo do lado da Noruega e com tantas estrelas, acaba por ficar pelo caminho.
A Noruega, que já nos últimos Campeonatos da Europa não tinha estado particularmente bem, ficou-se pela fase de grupos em ambos. Agora volta a cair aqui nos quartos de final, não propriamente muito mais longe. Edite, podemos estar aqui a falar também de uma mudança de paradigma na equipa norueguesa, que nos últimos anos nos habituou a grandes equipas.
Sim, olha, se calhar à semelhança também da seleção portuguesa, tem que haver ali alguma mudança, alguma renovação. Ontem se esperava que aparecesse uma Ada. Apareceu, de facto, faz o gol da igualdade, mas falha um pênalti. Eu acho que também existe muita pressão nas costas, e eu li também várias notícias ao longo destes últimos anos. E há uma pressão muito grande sobre ela. Não é a qualidade dela, mas os últimos anos. Mas o que é certo é que ela continua a ser uma jogadora de grande qualidade e nos momentos decisivos ela faz a diferença. Não fez o pênalti, já tinha falhado também neste Europeu um pênalti, mas acaba por fazer o gol e acaba por ser uma grande jogadora. Temos uma Caroline Hansen, que acaba por ficar muito aquém daquilo que se esperava, principalmente tendo em conta que está sempre no top três das melhores jogadoras do mundo e inclusive esta época esteve também no top três. E outras tantas. Acho que há aqui algo que tem que acontecer. E como digo, à semelhança também um pouco de Portugal, alguma mudança, alguma renovação, alguma mudança de mentalidade de próprias jogadoras também, até da selecionadora. Nem sempre tem que ser a selecionadora, obviamente, a mudança, mas tem que mudar alguma coisa, porque, de facto, já na teoria, e para o jogo de ontem, seria a principal favorita a vencer e não foi. E acho que há aqui alguma coisa que dará alguma reflexão também por parte da federação norueguesa em relação aos últimos anos e aos últimos Europeus, que não têm sido muito positivos.
João Pinto, olhando aqui para a forma como a Noruega alinhou, um 11 extremamente ofensivo. Tivemos, por exemplo, a Guro Reiten ao mesmo tempo da Caroline, da Haugberg e ainda da Gåskjør. Ainda que a Reiten tenha jogado também muito porque tivemos a Marit Lund, precisamente jogadora do Benfica, a ser expulsa no último jogo, não estava disponível pra partida de ontem, mas tivemos aqui um 11 extremamente ofensivo da Noruega, que até faz uma boa primeira parte. Esperavas que na segunda as italianas conseguissem virar isto desta forma e com muita raça? O gol decisivo surge apenas aos 90.
Eu acho que foi o jogo mais italiano dos últimos anos. É aquilo a que os italianos, os homens nos têm habituado e as senhoras vão pelo mesmo caminho. Eu acho que o plano de jogo era a Noruega entrar forte e marcar cedo. Daí essa entrada e essa avalanche ofensiva. As italianas aguentaram-se muito bem com essa pressão, souberam se defender muito bem e marcar muito bem as melhores jogadoras norueguesas. Depois tiveram aquela pontinha de sorte no penálti falhado, mas o resto foi tudo mérito. Uma adversária muito estudada, uma capacidade de aplicar em campo aquilo que se tinha treinado. E dava a ideia que à medida que o jogo ia correndo, as norueguesas iam, e nisso concordo com a Edite, sentido a pressão do jogo e do favoritismo cada vez mais. E as italianas eram o contrário. À medida que o tempo se ia esgotando, elas iam percebendo que isto pode cair para nós. Nós já assistimos todos a muitos jogos de futebol em que isto acontece, em que aquele que começa mais por baixo, depois se vai galvanizando com aquilo que o adversário falha. E depois há aquela frase feita do futebol masculino, feminino, de praia, do que for: "Isto quem não marca sofre". A Noruega tanto falhou que depois a Itália foi lá uma vez e acabou por acabar o jogo.
Exatamente.
Acabou por marcar o gol.
Pedro Henriques, ontem eu até estava um bocadinho mais a alinhar contigo e esperava aqui uma Noruega um bocadinho melhor. E ontem até disseste que a tua aposta era que a Noruega seguia em frente, apesar de coletivamente não estar tão bem. No final de contas, temos aqui esta surpresa, entre aspas, porque a Noruega volta a desiludir.
Volta a desiludir. Vocês já sabem que eu gosto muito de estatísticas e acho que as estatísticas deste jogo demonstram clara superioridade em termos globais da Itália. A começar por uma coisa que é muito importante, que é que sem remates não há gols, à partida. E aí a superioridade da Itália 13 a 9. E se formos especificar os remates à baliza, que são os mesmos 11, são seis a um. A posse de bola tem sido relativamente equilibrada, com ligeira vantagem para a Itália, 51%. E depois, nível de passes, 382, superior em relação à Noruega. A precisão de passe, que ainda é mais importante, 78%. Ou seja, em todos os fatores, a Itália acabou por se despejar, inclusivamente, no mais importante, que às vezes nem sempre anda nas estatísticas, que é as bolas que entram e os gols que contam. E até neste aspecto muito interessante, sabemos que o futebol feminino, em média, tem menos faltas que o futebol masculino, e também é interessante às vezes fazer essas comparações ao mais alto nível, mas até neste aspecto que nem é muito normal. A Itália fez duas faltas e a Noruega até fez 10. É impressionante. É impressionante num jogo de 90 minutos, duas faltas. Até pode ter feito mais, mas aquelas foram assinaladas pela árbitra. E portanto, eu acho que, do meu ponto de vista, aquilo que é a Noruega, eu acho que a Noruega é superior à Itália. Ontem não o demonstrou e sobretudo a Itália demonstrou algo que é muito relevante e importante e que o João Pin também estava aqui a destacar, que tem a ver com postura, atitude, maneira de entrega, a maneira como encararam este jogo. E portanto, eu acho que acaba por ser claramente justa esta passagem da Itália perante uma Noruega que, do meu ponto de vista, dececionou claramente.
Vamos olhar para o jogo de hoje, vamos ter às 20h Suécia-Inglaterra. Ora relembro, a Suécia passou no primeiro lugar do grupo C, três jogos, três vitórias, oito gols marcados, um gol sofrido, nove pontos. Já do outro lado, a Inglaterra, campeã da Europa em título, passou em segundo lugar do grupo D, três jogos, duas vitórias, 11 gols marcados, três gols sofridos, segundo o melhor ataque da competição até agora. Ora, começo por ti, Edite Fernandes, qual é a tua aposta para mais logo?
Olha, isto de aposta entre favoritos, digamos que isto é uma das primeiras finais antecipadas, digamos assim, porque é, de facto, uma Suécia que é a defesa menos batida contra um dos melhores ataques. E eu creio que a Suécia, em termos gerais, globais, eu acho que é uma equipa mais compacta, mais bem organizada, ofensivamente muito forte, que pode encontrar debilidades na parte defensiva da Inglaterra, que é onde eu acho que pode cair para o lado da Suécia. Por quê? Até porque a Inglaterra, em termos ofensivos, nos jogos que fez das fases de grupos, claudicou um pouco e nota-se perfeitamente quando a Lucy Bronze sobe no corredor lá direito todo, que muitas vezes até parece em zonas de finalização e zonas interiores. Muitas das vezes as seleções adversárias têm aproveitado muito esse espaço também da Inglaterra. É provavelmente a parte mais débil, digamos assim, da seleção inglesa. Mas obviamente o seu coletivo e suas jogadoras individuais que têm destaque, a James, a Russo, a Nooycamp, também a Walsh. De facto, é uma seleção fortíssima. Mas eu creio que a Suécia acaba por ser, em termos gerais, no global, uma seleção muito mais forte. E depois tem uma parte, isto também o Pedro Henriques em termos estatísticos, é das seleções mais fortes nas bolas paradas. E normalmente, em termos de estratégia, elas são fortíssimas e têm uma grande porcentagem de finalização em bolas paradas. Portanto, eu não querendo dizer e arriscando, mas eu apostava pelo jogo jogado e por aquilo que eu vi neste Europeu, eu apostava na Suécia, mas é sempre contra uma campeã da Europa e que está em crescente também e vem de goleadas e motivada. Portanto, vamos deixar aí no ar. Amanhã logo vemos.
É isso. Vamos já ao Pedro Henriques. Pedro, o que é que as tuas estatísticas e os teus números te dizem para este jogo?
Quando eu não acerto, que é muito raramente, foi ontem. Já passou.
Vai aprender. Aprende com os erros.
As próximas duas frases são diretas para o nosso observador, colega aqui de painel, Luiz Pinto Coelho.
O João Pinto está a tentar deixar uma mensagem.
Não é para o João Pinto.
Não é importante tu não teres acertado, é importante dizeres que eu acertei.
Sim, também é verdade. O João Pinto acertou neste detalhe. Mas esta minha mensagem é para o nosso colega aqui de painel, Luiz Pinto Coelho. Luiz, hoje Suécia.
Muito bem.
Vê só o que eu tenho para dizer. E a justificação está nas palavras que a Edith acabou de dizer.
Muito bem. João Pinto, também estás mais pela Suécia ou achas que vamos ter a campeã em título a vencer, que seria, em teoria, o mais provável?
Eu acho que vai dar outra vez aquele clique que as inglesas fazem com aquela celebração quando marcam, a imitar a malta do folclore português. Eu acho que vai dar Inglaterra. A última vez que elas se cruzaram num Europeu foram aqueles quartos inesquecíveis para Inglaterra em 2022, com aquele gol de calcanhar da Russo. Acho que a Inglaterra tem vindo de menos para mais, vai aparecer muito forte neste jogo. As suecas vão tentar o bloco baixo, a Inglaterra vai jogar como gosta, em ataque continuado. E por isso, se tivesse que meter o meu dinheiro em algum lado, metia em Inglaterra. Acho que as inglesas são mais fortes e nesta altura da competição, têm outra rotina e outras recordações deste gênero de jogos e essas coisas às vezes pesam muito.
Ora mais logo, 20h, Suécia e Inglaterra. Muito rapidamente, e vou só pedir aqui a palavra à Edith, até porque já jogaste e é verdade que ela não está no Campeonato da Europa, mas já que falámos aqui de Inglaterra e do futebol inglês, hoje tivemos esse recorde histórico. A Olivia Smith tornou-se a primeira jogadora da história. Eu gostava de pedir só um comentário, Edith, tendo em conta que já jogaste, que sabes também qual é que era a realidade há uns anos e a realidade atual, mas o que significa termos pela primeira vez uma jogadora canadiana, ex-Sporting, curiosamente, passou pelo Sporting em 23/24. O que significa termos chegado finalmente a 1 milhão, neste caso de libras, numa transferência do Liverpool para o Arsenal?
Isto é estrondoso, é fantástico para mim e estar neste momento a presenciar isso. Isto é também à semelhança daquilo do crescimento a nível global, daquilo que é o futebol feminino e nos próximos anos. Isto vai ser um boom muito grande. E tendo em conta que foi uma jogadora que passou há duas épocas no nosso campeonato, parabéns ao scouting do Sporting, que conseguiu descobri-la lá nos Estados Unidos. E um ano, uma época bastou para se mostrar. Há muitas destas jogadoras que vêm das universidades norte-americanas, de países sul-americanos, que a porta de entrada muitas das vezes é Portugal e a nossa Liga BPI. Já aconteceu com a Chloé Lacasse, que se transferiu do Benfica também para o Arsenal e depois foi para os Estados Unidos. E isto é a demonstração também daquilo que no fundo é uma passagem em Portugal, mas também demonstra alguma competitividade e alguma atenção de todos os campeonatos, de todas as ligas e também da comunicação social, que faz conseguirmos chegar longe. Mas é uma jogadora e é nota também altíssima para a Olivia Smith, porque passou cá há duas épocas e acaba por se transferir na maior transferência de sempre no futebol feminino e é um orgulho ver este crescimento todo do futebol feminino a nível global.
Ora vamos então às notas e às campeãs. Vou já a ti, Edith. Fica já despachada, quem é a tua campeã do dia e que nota dás?
A campeã do dia vou dar à seleção italiana, que acaba por ter passado às semifinais e acaba por ser a grande surpresa e nota 18. Mas também quero dar outra campeã, que é a Cristiana Girelli, também nota 18. Um nome espetacular, Cristiana. Não é por ser o Cristiano, mas eu também sou Cristiana. Por isso é demonstração de grande craque e grande máquina. Portanto, nota 18 para a Cristiana Girelli e nota 18 para a seleção italiana.
Grande heroína ontem, a jogadora da Juventus. Pedro Henriques, quem é a tua campeã do dia e que nota dás? Acho que já deste aqui um bocadinho.
Já disse, mas só para reforçar rapidamente a Olivia Smith, porque eu acho que há aqui um número que, até para o crescimento do futebol feminino, que é muito importante em termos mundiais, que é aquela coisa do 1 milhão. Estávamos à espera de ser ultrapassado esse valor e ao mesmo tempo que esse valor, entre aspas, ao mais alto nível, se começa a vulgarizar. Isso também denota o crescimento do futebol feminino, da sua importância e daquilo que aporta em termos das publicidades, dos sponsors, etc. Porque se não vende dinheiro e se o futebol feminino não for atrativo, isso não vai acontecer. Ela em 23/24 esteve no Sporting, como já foi aqui dito, e vai transferir-se para o Liverpool por qualquer coisa como 250 mil € e de repente fala-se aqui em 1,1, seja o que for, é acima de 1 milhão nesta transferência para o Arsenal. Relembrar que ela quando passou em Portugal fez 10 assistências em 26 jogos e 16 gols, e ano passado já marcou, no Liverpool marcou nove gols. Portanto, é uma jogadora, do meu ponto de vista, de um patamar superior, mas é muito relevante e importante que se atinjam estes números, porque o futebol feminino está a crescer, mas depois não é só dizer que está a crescer, é preciso que também cresça naquilo que é toda esta parte financeira de investimento que tem que ser feito. E isto é um bom sinal. Por isso acho que nota 18 para a transferência, para a jogadora em si, para a Olivia Smith, mas também, sobretudo, para o futebol feminino.
João Pinto, terminamos contigo. Nota e campeã.
É muito rápido. Girelli. Fantástica. Um golo fantástico a apurar a Itália para uma fase da competição onde nunca tinha estado e portanto a campeã só pode ser ela. Girelli.
Girelli com duas notas de campeã. Ora mais logo relembro Suécia e Inglaterra, que vamos analisar, obviamente, no programa de amanhã. Meus caros, obrigado e até amanhã.
Obrigada!