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E aqui é a antena Rádio Observador. É aqui que todos os dias, pelo menos de segunda a sexta, analisamos aquilo que se passa no Campeonato Europeu Feminino de Futebol, na Suíça, de 2025. Hoje, para isso, juntam-se a mim a Edite Fernandes, o Luís Pinto Coelho e também o Pedro Henriques. Meus caros, como é que estão? Bem-vindos. Já tínhamos saudades disto. Veio o fim de semana e aconteceu tanta coisa desde a última sexta-feira. Vamos ter de falar, obviamente, da nossa seleção. Fomos eliminados, ficamos em último lugar do grupo B. Vamos fazer aqui o rescaldo, não só da partida frente à Bélgica, mas também o rescaldo global deste Campeonato da Europa. Uma derrota por 2 x 1. Na última sexta-feira, Portugal esteve a perder praticamente desde o início, como, de resto, tem sido demasiado frequente. Tessa Wullaert fez o primeiro gol ao minuto três. Depois Telma Encarnação ainda deu a esperança no final, empatou aos 87, sendo que também pela diferença de gols já seria uma missão quase impossível. De qualquer maneira, a machadada final foi dada por Janice Cayman ao minuto 96 e Portugal perdeu por 2 x 1. Edite Fernandes, começo por ti. Onde é que falhámos mais uma vez nesta partida? Até porque voltamos a sofrer um gol muito cedo, ao minuto três.
Boa tarde a todos. Eu acho que falhamos um pouco também naquilo que tem sido o normal nos outros jogos anteriores. Contra a Itália não foi tanto, mas o início, alguma desconcentração, algum receio, ou mesmo de ter bola, de começar com bola. Mas também creio que principalmente porque eu acho que a Bélgica também entrou forte, é certo, e a Bélgica entrou no sentido de tentar vencer a partida.
Apesar de já não ter nada a ganhar. Já estava eliminada.
E eu acho que havia um pensamento de que temos o direito de sonhar e vamos à prova de tentar conquistar primeiro a vitória, depois a diferença de gols, mas não sei. Eu creio que pensávamos que podia ser fácil, digamos assim, ou nesse sentido, se é que me faço entender, mas a Bélgica também tinha uma palavra a dizer neste último jogo e a própria selecionadora disse na antevisão do jogo que iria entrar para vencer a partida e ia tentar deixar uma boa imagem e pontuar. Porque estes três pontos, e o facto de ter ficado na terceira posição, isso é muito importante para aquilo que é o futuro nos próximos sorteios, por exemplo, em termos de ranking, porque Portugal até tem vencido a Bélgica, poderia até passar a Bélgica. Portanto, eu acho que aqui desconcentração novamente, algum receio de ter bola e não foi um jogo tão bem conseguido. Ainda assim, na segunda parte criamos algumas oportunidades, mas mais uma vez a eficácia não foi a melhor e acabamos por perder nos detalhes e defensivamente também não estivemos muito bem, como tem sido nos últimos jogos.
Luís Pinto Coelho, Portugal voltou a apostar, neste caso, Francisco Neto voltou a apostar, e até fazia anos naquele dia, na estratégia que Portugal utilizou contra a Itália. No primeiro jogo jogámos com três centrais, agora no segundo e no terceiro jogámos com quatro. Tivemos novamente também a manutenção da Kika Nazaré no apoio às avançadas. Faz um grande jogo a jogadora do Barcelona. O que falhou Portugal também estrategicamente, tendo em conta que supostamente manteve a estratégia correta?
Eu acho que o maior erro é sempre a questão da concentração. Portugal devia começar os jogos só a partir dos 15 minutos. Se acontece uma vez, OK, isto pode acontecer, em alta competição pode acontecer isso. Quando são várias vezes recorrentes, há algo que não está bem. A mensagem não está a passar. Contra a Espanha foi o que foi, agora contra a Bélgica aos três minutos estávamos a perder. Há alertas que têm que ser feitos e a seleção tem que estar muito mais ligada no início do jogo, tem que estar muito mais concentrada, muito mais agressiva nos duelos. E num jogo em que era muito importante entrar bem, não sofrer e tentar marcar primeiro, porque isso até animicamente podia colocar a Bélgica, já eliminada, a perder o jogo num patamar psicológico mais débil. Não, é o contrário. Galvanizamos a equipe belga e isso depois é complicado. Eu acho que o sistema tático está bem, é este sistema que as jogadoras se sentem mais confortáveis. Acho que isto tem a ver com uma questão, eu não diria atitude, mas de concentração competitiva. E depois, normalmente melhoramos sempre na segunda parte. Contra a Itália foi assim, contra a Bélgica foi assim. Mesmo contra a Espanha foi assim, embora a Espanha já tenha desligado muito cedo, mas acho que é algo a rever, até porque parece que o nosso selecionador vai continuar. Acho que é algo a rever, porque são muitas vezes a acontecer a mesma coisa.
Pedro Henriques, vamos a ti. Boa tarde. Vamos olhar aqui também para as opções de Francisco Neto. Volta a colocar esta linha de quatro, não faz grandes alterações. Na verdade, só faz uma alteração face ao segundo jogo contra a Itália e é uma alteração forçada, porque a Ana Borges estava suspensa para esta partida, tinha visto cartão vermelho, entrou a Catarina Amado. Terias feito alguma alteração ou achas que fez bem o selecionador entrar com o mesmo 11?
Neste momento, respondendo à tua pergunta, no contexto em que estávamos, as alterações a promover nas equipas, no meu ponto de vista, ou até nos sistemas táticos, têm que ser feitos e planeados antes de depois implementarem na competição. É sempre um risco que se corre fazer essas alterações que normalmente não resultam. Podem resultar pontualmente num jogador ou numa jogadora, ou numa mudança de sistema tático, como foi, claramente. Aquele primeiro jogo foi uma falhanço completa, aquela ala-esquerda. Ala-esquerda não, a ala-direita defensiva que deu à ala-esquerda ofensiva que tinha realmente ali um buraco. Respondendo concretamente à tua questão, eu penso que não era naquele momento e naquela altura que iria fazer alterações. Este é o segundo de seis jogos, sendo que no fundo do jogo até saíram sensações positivas e boas, sobretudo naquela parte final com a Itália. Eu diria o seguinte, relativamente também respondendo um bocadinho à pergunta genérica e tinha aqui seis pontos que gostaria de abordar e vou ser muito sintético, 30 segundinhos. Primeiro, e já foi aqui abordado e muito bem pelo Luís, a questão da concentração inicial. Acho que essa é uma das falhas que sai daqui. E sobretudo alguma falta de confiança. Havia jogadoras que tinham a bola e parece que tinham receio de assumir ter a bola. Contra a Espanha isso foi gritante, mas aí percebemos a qualidade do adversário. Parecia que tinham medo de sair a jogar ou ter a bola e parecia que havia de baixar a bola. E isso mostra-se a falta de confiança. Quando o jogador está confiante, sai com bola, tenta fazer coisas diferentes. Segunda questão, a questão claramente da finalização. Nós tivemos oportunidades na cara da guarda-redes adversária, com todo o mérito que tem a guarda-redes adversária, que faz a mancha e que está lá para defender, tivemos situações de finalização que falhou claramente. Portanto, Portugal tem esse problema da finalização. Parece que, de repente, estou a rever o futebol masculino há 20 anos atrás, que era sempre a nossa problemática de quem marcava gols. Depois, no meu ponto de vista, embora já tenha sido garantida a continuidade do Francisco Neto, não só de ter contrato até 2027, e inclusivamente o Pedro Proença disse que até 2029 iria estar lá ele com outros jogadores, muito provavelmente nessa continuidade do projeto, eu acho que não faria mal. Eu tenho uma ideia diferente. Não tem nada a ver com a capacidade nem com a qualidade das pessoas que lá estão. Nem sou a pessoa certa para falar sobre isso. Acho é que muitas vezes mudar, alterar, vir outras pessoas, outras ideias, às vezes pode ser bom para todos, para os que saem, porque saem da sua zona de conforto e vão se tentar reinventar, e para os que entram porque vêm sempre com uma ideia ou com uma mensagem nova. E concordo uma vez mais com o Luís, quando ele diz que parece que a mensagem não está a chegar. Pode-se fazer essa alteração. Últimos dois pontos. O que é que sobra daqui de muito positivo? Temos uma caixa de jogadores e uma qualidade que vem de trás. O sub-19 é um bom exemplo. E, portanto, o futuro parece risonho, parece positivo o que vem. E esta é a aposta muito firme que eu acho que vai acontecer e que foi transformada em valores, porque nada não se consegue modificar coisas ou melhorar. Não é modificar, melhorar. Vão haver dinheiro e vão haver 22 milhões de apostas, inclusivamente um milhão e meio desses 22 é uma fatia até para arbitragem, para o futebol feminino, especificamente. Acho muito relevante e muito importante para a Liga BPI, para a seleção, para apoiar os clubes. Acho muito importante, porque nós sabemos que essas isenções financeiras, quando concretizadas em ações práticas, e vão concretizar, com as pessoas que lá estão vão concretar, de certeza, garante, juntamente com esta caixa de jogadores do sub-19, e as que lá estão, obviamente, e muitos outros que estão aqui nos escalões intermédios, a continuidade e se calhar boas sensações para irmos ao mundial e se calhar daqui a quatro anos chegarmos no Europeu, com a sensação, se calhar outras sensações que podemos disputar outras coisas, nomeadamente passar à fase de grupos.
Edite Fernandes, o Pedro Henriques aborda aqui uma questão importante, e olhando agora para um plano mais global daquilo que fez a nossa seleção neste Campeonato da Europa, que é esta questão do Pedro Proença, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, ter dito que na próxima edição do Euro, em 2029, conta com Francisco Neto, sendo que ele só tem contrato até 2027. Faz sentido renovar com o selecionador nacional? Porque terá de ser feita uma renovação.
Isso eu não sei. A partir do momento que o presidente diz, confirma que vai estar e confirma a continuidade do selecionador, a mudança já não será por aí. Mas acredito que haja algumas mudanças, e acredito que haja algumas mudanças até em termos de algumas jogadoras. Até porque uma delas, uma ou duas, em termos públicos, publicamente já anunciaram que seria o último Europeu, mas ainda podem fazer a qualificação para o mundial. Mas de qualquer das formas, o selecionador tem contrato até 2027. Vamos ver. Mas foi assumido publicamente pelo presidente da Federação que iria dar continuidade com Francisco Neto à frente da seleção. De qualquer das formas, e eu creio que em termos futuros e naquilo que toca, as mudanças poderão passar, provavelmente, em termos de algumas jogadoras. E também concordando com o que o Pedro Henriques disse, no sentido que a sub-19 vem a apertar, vem aí. A sub-19 tem um leque de jogadoras de muita qualidade, que chegaram às meias-finais do Campeonato da Europa, surpreendentemente, qualificaram-se para o Mundial sub-20. Portanto, tem ali uma qualidade, três ou quatro jogadoras de qualidade que provavelmente poderão chegar à seleção A. E também temos uma fornada das sub-17 que vão empurrar também. E é um futuro também promissor em relação àquilo que temos das seleções de formação. Portanto, acho que pode passar por aí algumas mudanças. Também estou de acordo com o Pedro Henriques que a mensagem já não passa da mesma forma que passava há uns tempos, mas de qualquer das formas, é um voto de confiança para o selecionador por parte do presidente da Federação e é muito positivo também este apoio e investimento no futebol feminino nos próximos anos ou na próxima época de 22 milhões de euros para os clubes, para infraestruturas, para as ligas, para as competições nacionais. É importante também esse investimento para podermos também competir ou estarmos ao nível destas grandes seleções, Campeonatos da Europa. Porque, de facto, nós temos evoluído, nós evoluímos nos últimos anos, mas as outras seleções também. E nós temos que Tentar acompanhar a evolução à escala global daquilo que tem sido o futebol feminino. Portanto, é por aí que também passa e temos que ser mais competitivas e temos ter as nossas competições internas com mais qualidade e mais competitividade.
Luís Pinto Coelho, tendo em conta que a mensagem já não está a passar, como dizia aqui a Edite e o Pedro, faz sentido renovar contrato, porque é disso que estamos a falar, com o selecionador Francisco Neto?
Eu acho que não. E não pondo em causa, obviamente, a qualidade do Francisco Neto e o trabalho globalmente muito positivo e o crescimento da nossa seleção, como o Pedro referiu e bem. Acho que depois há um desgaste, são já demasiados anos. O discurso, obviamente, se é a mesma pessoa sempre a passar o mesmo discurso, começa também a não passar. E muitas vezes é preciso, quer para o próprio treinador, quer para a própria estrutura, as jogadoras e todo o staff que rodeia, vir alguém diferente e o próprio treinador também ir para outros desafios, também para crescer. Eu acho que são muitos anos já do mesmo selecionador e acho que nós estamos num bom patamar, mas acho que estamos com dificuldade de dar aquele cliquezinho final para, por exemplo, passar fases de grupos. E está muito perto, mas estamos ali e não estamos a conseguir e se calhar era preciso aqui algo novo para conseguirmos isso. E obviamente, queria referir, sem pôr em causa a qualidade do trabalho de Francisco Neto.
Meus caros, temos de ser mesmo rápidos.
Se me permites só uma coisinha. Exato. E aqui só um apontamento. O selecionador tem contrato até 2027. Provavelmente é também esta qualificação do mundial. E depois vai depender um pouco daquilo como correr as coisas para o mundial. Depois logo se vê.
Exatamente.
Acho que pode passar por aí.
Ora, quartos de final, Noruega e Itália, Suécia e Inglaterra, Espanha e Suíça e França e Alemanha. Quero muito saber quem é que são as vossas apostas, mas não temos muito tempo e por isso vamos já para os vossos campeões e para as vossas notas. Começo por ti, Edite Fernandes, quem é que para ti é a campeã do dia e que nota é que dás?
Para mim, a campeã do dia eu dou à França e nota 18 pelo jogasso que fez ontem e é uma forte candidata a este torneio. Estava no grupo da morte e conseguiu, com duas campeãs da Europa, ficar em primeiro lugar deste grupo. Portanto, a França nota 18 e também aproveito para dar a minha campeã à Cascarino. Nota 18 e de facto fez um extraordinário jogo e sou fã porque de facto é uma jogadora fantástica e podemos contar com ela para os próximos jogos.
Com vitória por 5x2 de França sobre os Países Baixos. Luís Pinto Coelho, nota e campeão.
Vou repetir aqui uma nota da Edite à Cascarino, porque a partir do momento que a seleção holandesa se expôs mais um bocadinho, ela arrebentou completamente com o jogo. Faz dois gols, faz uma assistência e pegou no jogo e decidiu, inclinou o jogo para a seleção francesa, uma exibição tremenda, por isso um 18 para ela.
Pedro Henriques, nota e campeã.
Para o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, o Pedro Proença, que sem deixar de referir o assunto, vai atrever-se a falar nos 22 milhões e naquilo que significa esses 22 milhões. Significa, sobretudo, investimento, não esquecendo também a questão da arbitragem, que é um assunto sempre muito sensível para mim, mas os tais 22 milhões que vão ser investidos no futebol feminino de uma maneira geral, porque com dinheiro, obviamente, estaremos sempre mais próximos de conseguir coisas. E essas coisas vão ser alcançadas e estou com a sensação muito boa de que estas navegadoras ou as próximas navegadoras ou estas e outras navegadoras farão coisas bonitas no futuro. Assim, realmente, haja essa aposta e esse investimento, sabendo que também isto passa muito por aquilo que possa ser a ação dos clubes e contamos também com os clubes para dar esse salto em termos genéricos daquilo que é a qualidade do futebol feminino. Portanto, uma nota muito positiva para o Pedro Proença, para a Federação Portuguesa de Futebol, por esta aposta aquente no momento certo, a dizer vamos continuar a investir para não deixar morrer o assunto e manter essas boas sensações de tudo.
Meus caros, hoje não temos mais temas, amanhã vamos fazer então as vossas apostas. Quero saber quem é que acham que vai estar nas meias-finais. Obrigado. Obrigado e um forte abraço.