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Sexta-feira, mais uma edição de "E a Campeã É?" aqui na Rádio Observador, que todos os dias acompanhamos o campeonato feminino de futebol na Suíça. Hoje vamos falar precisamente da anfitriã, que conseguiu, mesmo no último instante, manter-se na competição. Está nos quartos de final, tal como a Noruega. Já sabíamos dessa parte, mas hoje o nosso foco, obviamente, tem de ser para as navegadoras, para a seleção portuguesa, que mais logo, às 20h, vai lutar pelo apuramento, vai lutar pelo segundo lugar deste grupo B de qualificação para os quartos de final do Campeonato da Europa de 2025. Para isso, hoje junta-se a mim o João Pinto, a Edite Fernandes e também o Luís Pinto Coelho, para dar notas e também escolher as suas campeãs. Bem-vindos, meus caros. Como é que estão?

Viva, boa tarde.

Boa tarde.

Nervosos para mais logo? Como é que está o coração?

Um bocadinho.

Um bocadinho? Pronto. Vamos tentar falar aqui um bocadinho também para relaxarmos, para irmos mais descansados para mais logo. Vamos ter de olhar para aquilo que disse Francisco Neto, o selecionador nacional, que hoje até faz anos. É verdade, esperemos que receba aqui uma boa prenda. O selecionador nacional faz hoje 44 anos. Francisco Neto disse ontem que o foco não deve ser os gols, porque pode ser importante aqui o desempate como critério dos gols, mas sim vencer. Pelo menos vencer. Edite Fernandes, começo por ti. Deve ser este o foco da seleção não estar propriamente preocupada em marcar um, dois, três, o que seja, mas sim ganhar por meio a zero?

Boa tarde a todos também. Sendo uma final, de facto é uma final aquilo que vai decidir a nossa continuidade ou não no Campeonato da Europa. Eu creio que, principalmente, o foco tem que estar, obviamente, naquilo que o Francisco diz, no sentido de tentar vencer o jogo e depois esperar para ver o que aconteceu na outra partida. Porque se vamos entrar em campo a pensar que temos que golear ou estamos com o foco ou com o ouvido no outro jogo, as coisas não vão correr bem. E eu creio que elas também estão preparadas para isso, sabem perfeitamente, já não há muitos anos, são profissionais nesse sentido. E claramente a mensagem do Francisco foi passar também nesse sentido, de entrar no jogo para tentar ganhar, fazer o nosso trabalho e depois fazer as contas no final. É claramente isso, porque se for de outra forma, as coisas podem não correr bem.

Claro. É pensar uma coisa de cada vez e, João Pinto, nesse caso, olhando para aquilo que Portugal tem de fazer, também não sei se concordas, não vale muito a pena estar com um olho no outro jogo entre Espanha e Itália. Sabemos que temos sempre de ganhar, mas aqui o mais importante é realmente pensar na nossa vitória.

É isso mesmo. Para já, do nosso lado, há menos dúvidas. Já sabemos o sistema tático, já sabemos praticamente o 11 e até está certo. Na Suíça jogamos em Lausanne, que é o Toblerone. Está certo, estamos bem. E depois o adversário também já conhecemos, também já sabemos como é que a Bélgica joga. Já jogámos contra elas algumas vezes, portanto, nesse aspeto não há dúvidas. E depois, no fim, é como diz a Edite, é fazer as contas no fim com a única certeza que se passarmos, temos a certeza que não apanhamos a Espanha. Está tudo bem. É um dia como os outros, muita concentração, muito empenho, fazer o mesmo jogo nesse nível que fizemos na última partida e depois é pensar que vai correr bem.

Claro, é isso mesmo. Luís Pinto Coelho, olhando aqui para as opções que pode ter Francisco Neto, como dizia o João Pinto, já temos aqui algumas pistas do que é que pode acontecer em termos táticos, em termos de jogadoras também escolhidas. Se fosses tu o selecionador hoje, por umas horas, quem é que escolhias para o 11 inicial e o que é que alteravas também face ao jogo frente à Itália?

Eu não alterava muita coisa. Acho que a equipa esteve bem, acho que neste sistema tático, obviamente, que se notou que as jogadoras estão muito mais confortáveis. Não temos a Ana Borges, logo aí vai ter que haver aqui uma substituição. E se calhar apostava ali na Bia, até porque Portugal tem que ganhar o jogo. É uma final, uma jogadora ofensiva.

Mesmo tendo em conta aquilo que aconteceu no primeiro jogo, Luís. Não estando a pôr aqui, obviamente, as culpas na Bia, claro, mas tendo em conta que vimos ali algumas fragilidades nessa altura, sendo que jogámos com três centrais, que não será o caso desta vez.

Sim, o modelo foi outro, e isso eu penso que também teve impacto. Mas eu acho que neste jogo, obviamente, é uma final. É diferente de ser o primeiro jogo da fase de grupos. Eu acho que fazia sentido, até porque é uma jogadora rápida, uma jogadora irreverente, que pode acrescentar em termos ofensivos. Obviamente que eu acho que a gente tem que olhar primeiro para ganhar o jogo e depois para a questão dos gols, mas eu não tenho dúvidas. Estou muito confiante que acho que vamos ganhar o jogo e acho que até vamos, se calhar, ganhar com alguma margem. A minha dúvida aqui é do outro jogo, se a Espanha ganha com alguma margem, porque eu estou convencido que Portugal ganha por dois, três gols de diferença, até porque a Bélgica já não joga para nada. Eu acho que isso tem um impacto grande se Portugal marcar cedo, por exemplo. A Bélgica já não estando a jogar para nada, sofre um gol relativamente cedo, eu acho que Portugal pode embalar para uma grande exibição e ganhar com alguma à vontade. Agora eu acho que não mudava muito. Acho que a Kika entrou muito bem, acho que a Adriana Norton também a mantinha. Na frente poderá haver uma outra alteração na dupla da frente, porque temos quatro jogadoras, qualquer uma dá resposta muito capaz.

Mas o Francisco Neto que te ouça, Luís Pinto Coelho, que levas um raspanete já aqui a pensar nos vários gols, o nosso selecionador a pedir para não se pensar na goleada e o Luís já aqui a assumir uma...

Eu sou sempre um otimista irritante.

É isso mesmo.

Confiança, muita confiança, João Pinto.

Muita confiança, claro. Olhando aqui para o outro jogo entre a Espanha e Itália, Edite Fernandes, o Luís já olhou um bocadinho para isto. Quero saber também a tua opinião e a do João Pinto. O que é que esperas em relação a este jogo? A Espanha já está confortável, obviamente, não tem ainda garantido o primeiro lugar. Essa pode ser aqui a questão, sendo que neste caso, se Espanha garantir o primeiro lugar, sabe que vai defrontar a Suíça. Se ficar em segundo, é um bocadinho mais complicado, vai jogar contra a Noruega. Totalmente diferente.

Sim, deixem-me só aproveitar. Não estando muito de acordo com o João Pinto no sentido das mudanças.

Do João Pinto ou do Luís? Do Luís Pinto Coelho.

Do Luís Pinto, peço desculpa. Acho que provavelmente a mudança vai ser apenas uma e é aquela que é forçada. E creio que poderá entrar a Catarina Amado para essa posição. Até porque tem mais experiência, também tem sido uma das primeiras opções no jogo. Primeiro foi titular, no segundo entrou. E também dá largura, é uma jogadora que sobe muito o terreno e pode estar mais experiente no sentido defensivo, estar mais habituada e rotinada para jogar com a seleção. Mas de qualquer das formas, a Bia também pode dar muito isso, porque é uma jogadora mais ofensiva. Olhando para o outro lado, o outro jogo, é uma Espanha que vai querer ganhar o jogo e ficar em primeiro lugar no grupo. Não creio que a Espanha vá tirar o pé do acelerador, porque já passou aos quartos. Creio que a Espanha vem para este Europeu para marcar uma diferença, uma posição. E vem claramente para ser campeã da Europa. Portanto, vai tentar, dentro daquilo que é a qualidade de jogo que tem demonstrado e as goleadas, vai tentar obviamente atropelar quem se atravessar à frente. É o meu ponto de vista, é a minha opinião, mas de qualquer das formas, é um jogo que a Itália também vai querer ganhar. Um empate também serve às duas seleções, mas vai correr mais riscos. Mas de qualquer das formas, claramente favorita a Espanha e creio que a Espanha poderá fazer um jogo para ganhar por alguma vantagem.

João Pinto, é isso que esperas também? Espanha a entrar a querer o primeiro lugar, sem estar com essa ideia na cabeça de que já passou. É importante realmente o primeiro lugar, tendo em conta as adversárias que estão pela frente.

Sim, é um dos outros grandes benefícios do empate de Portugal. A Itália tem que jogar o apuramento e depois, além disso, a Espanha não está em primeiro e mantém-se essa questão. E portanto a Espanha, concordo, elas estão fortíssimas, vão querer entrar com tudo, entre as titulares ou a segunda linha, elas são todas muito fortes. E parece mesmo que a Espanha está nesse modo rolo compressor e que não quer levantar o pé. A Itália vem de mais para menos, o jogo com Portugal não lhes correu bem. Se sofrerem um gol cedo, também pode desmotivar. E isso vai fazer parte da beleza do jogo de logo, acompanhar esses sobe e desce dos dois jogos e perceber até que ponto Portugal vai estar perto do apuramento.

Olhando para os jogos de ontem, muito rapidamente, tivemos a Noruega a vencer por 4×3 a Islândia, já tinha garantido o primeiro lugar do grupo A, e a Suíça, mesmo nos últimos instantes, a evitar a derrota com a Finlândia e com o empate a seguir em frente para os quartos de final. Começo por ti agora, Luís Pinto Coelho, o que é que tens a dizer destes dois jogos e principalmente da Noruega, porque se Portugal passar, vai ser a próxima adversária de Portugal.

Sim, a Noruega ontem jogou de uma forma mais descontraída, foi um jogo aberto, muitos gols, parecia um jogo de hóquei em patins. Mas acho que relativamente ao outro jogo, eu depois também vou ter isso na nota, eu acho que a Finlândia é uma bela seleção.

Sem dúvida. Não estava tão confiante que fosse a Suíça a passar, sinceramente, daquilo que vi das duas.

Percebe-se que é uma boa seleção. Já contra a Noruega deixou excelentes apontamentos. Ontem, novamente, a Suíça teve que suar muito. Acabou por conseguir o apuramento pela diferença de gols, mas eu acho que a Finlândia tem aqui um bom campeonato e é uma seleção bastante competitiva. O fator casa também acredito que tenha ajudado um bocadinho a Suíça a aguentar-se, mas destaque para esta seleção da Finlândia.

João Pinto, a Noruega ainda não fez um jogo totalmente convincente, ontem um bocadinho melhor, mas também estava a jogar contra uma Islândia que já está eliminada e também jogou com muitas das segundas linhas. Achas que Portugal ainda pode ter aqui alguma esperança com esta Noruega que tem das melhores jogadoras do mundo, Karoline Antonsen, Hegreberg, o que é que esperas desse eventual confronto?

Primeiro passar hoje. Mas se acontecer, a ideia que me dá é que a Noruega é realmente uns furos acima da seleção portuguesa. O que temos visto da Noruega é uma equipa que parece que está sempre em treino fácil. Está sempre a tentar treinar e as coisas não lhe têm corrido bem. Tem chegado, mas teve sorte nesta primeira fase e os três resultados enganam muito. A Finlândia é aquele tipo de seleções que se fosse como no Euro de 2016 e passassem três, se calhar podiam surpreender mais à frente, porque realmente jogaram muito bem. Nesse jogo da Suíça, foi mesmo o fator casa, foi mesmo aquela pressão final, aquele estádio cheio, tudo a puxar, e elas acabaram por se encolher e depois acabaram por sofrer um gol já aos 90 mais dois. Portanto, uma nota positiva para a Islândia que também esteve bem no Europeu, mostrou capacidade. A Finlândia fica fora, mas realmente há aquele sabor de injustiça. E depois uma Noruega que não convenceu e uma Suíça cuja festa vai acabar dia 18, quando apanhar a Espanha pela frente.

Edite Fernandes, para fecharmos aqui a ronda, temos aqui esta jovem de apenas 20 anos, Signe Gopset, jogadora do Brann, ainda joga na Noruega, e que ontem faz dois gols, duas assistências com as principais jogadoras da Noruega no banco de suplentes. Tem sido uma revelação, foi a terceira melhor marcadora da época passada na liga norueguesa, mas pode estar aqui um caso sério. Não sei se concordas.

Sim, claramente. E também no sentido de apertar um pouco mais aquelas estrelas que ficaram ontem no banco. É, de facto, uma jogadora de muita qualidade, com muitos golos e ontem acabou por estar em grande destaque. Ainda assim, aproveitando também aquilo que diziam os nossos colegas, a Noruega, não tendo convencido, fez o pleno: nove pontos, três jogos, três vitórias. E é uma Noruega que desde o Campeonato da Europa de 2013 não passava aos quartos-final. Portanto, a festa que elas fizeram no segundo jogo quando conseguiram essa passagem. De facto, também a conseguirem este feito depois de tanto tempo a não conseguirem passar aos quartos-final. Mas é sempre uma Noruega com essas estrelas que, de repente, são seleções que, para já, depois da Alemanha, é a única seleção com dois Campeonatos da Europa. Já por si só, num grupo restrito de campeãs da Europa, a Noruega está em segundo lugar com dois Campeonatos da Europa. O resto tem um. E é uma Noruega que tem jogadoras como a Caroline Hansen, a Ada Hegerberg. E é uma seleção que parece-me que não precisa de ir lá muitas vezes. Não é um jogo muito bonito, é um jogo mais físico, mais de estratégia, vai lá uma vez, duas, ou uma Caroline Hansen que esteja num dia de inspiração e que decide o jogo, e depois tem lá a Ada na frente, que faz a diferença. Portanto, é uma Noruega que não tem convencido muito, mas o que é facto, consegue nove pontos e três vitórias e está nos quartos-final.

Carlos, vamos avançar para as notas e para as campeãs. Começo por ti, João Pinto. Quem é a tua campeã do dia e que nota que dás?

A calculadora, a nossa campeã do dia de hoje é a calculadora e vamos estar com ela na mão. Nota 20 para a nossa calculadora.

É científica? Essa calculadora?

É científica, sim, com as fórmulas lá antes do exame.

Sejas mesmo. Muito bem. Vamos ao Luís Pinto Coelho. Qual é a nota e a campeã?

Vou dar aqui um 16 à seleção finlandesa, que fica pelo caminho, mas podia perfeitamente ter seguido em frente e deixa uma excelente imagem. E depois aqui um 18 em forma de incentivo para a nossa seleção. Incentivo e confiança, porque estou confiante num 3 x 0.

Muito confiante.

Muito confiante num 3 x 0, por isso um 18 para depois dar um 20 depois da vitória de logo.

Edite Fernandes, ficamos contigo, quem é a tua campeã do dia e que nota dás?

Vou dar duas. Vou dar à Suíça, pelo facto de ter passado aos quartos-final.

E eu agora vou ficar com ansiedade para saber quem é a segunda campeã. Perdemos aqui a Edite Fernandes. Vamos tentar recuperar o contato com ela. Já sabemos que a primeira campeã da Edite é a Suíça. Resta saber quem é a segunda. Não sei.

Vai ser Portugal, com certeza. Eu até te ajudo.

Luís Pinto Coelho, queres fazer alguma aposta também?

Também ia para Portugal. Acho que sim.

Eu acho que ficamos assim. Eu acho que nem vale a pena saber qual é a segunda campeã da Edite. Fica Portugal e é isso que esperamos. Mais logo vamos ter então emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador para acompanhar este jogo com relato em direto, os comentários da Patrícia Gouveia, antiga internacional portuguesa e também antiga jogadora do Sporting, para ouvir aqui na Rádio Observador a partir das 20h, para acompanhar este Portugal-Bélgica. Obrigado e até segunda.