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Está na hora de mais uma edição de E A Campeã É, aqui na Rádio Observador. Durante o Campeonato Europeu Feminino de Futebol, vamos acompanhar todos os dias aquilo que acontece na Suíça. Hoje, juntam-se a mim para escolher as grandes protagonistas do dia, a Edite Fernandes, o Luís Pinto Coelho e o Pedro Henriques, que vão dar notas de 0 a 20. Bom dia, como estão?

Bom dia. Tudo bem.

Boa tarde, pois, exato. Já almocei também, exato, já passa da hora. Ora, também já passa da hora para a Alemanha e para a Suécia, que já estão na próxima fase, já estão nos quartos de final. A Alemanha venceu por 2 x 1 a Dinamarca, gols de Nüsken e também de Lea Schüller. No caso da Suécia, Blackstenius e também Asllani com Hurtig a darem uma vitória bastante tranquila de 3 x 0, com a Suécia a seguir também para os quartos de final. Suécia em primeiro lugar, Alemanha em segundo, ambas com seis pontos. Edite Fernandes, começo por ti. Tem sido um passeio praticamente para estas duas seleções. Seis pontos para cada uma delas. Dinamarca e Polônia ainda não pontuaram. Este grupo C está até agora a ser o mais desequilibrado.

É, mas antes do Europeu começar, até se dizia que este grupo, a seguir ao grupo da morte, que é o de Inglaterra, era o grupo mais equilibrado, com seleções que estão habituadas a estar nestas fases finais de campeonatos da Europa. Mas o que é certo é que a Alemanha, pragmática, mais uma vez, passa aos quartos de final desde 1989 no Europeu, e esse Europeu acabou por vencer, oito vezes campeã da Europa, portanto, parece um passeio para esta Alemanha. Ainda assim, com uma geração diferente de outros tempos. E, por outro lado, uma Suécia que é uma seleção sempre nas fases finais. A primeira fase de grupos normalmente até costuma ser um pouco mais difícil, que deixa sempre para um terceiro jogo para essa passagem aos quartos, mas a fazer um excelente jogo também, a vencer por 3 x 0, sem qualquer dificuldade. E são dois históricos com pergaminhos nos campeonatos da Europa e dois que também são candidatas a vencer este torneio.

Claro. Ora, Luís Pinto Coelho, olhando aqui para tanto Alemanha como Suécia, pode estar aqui, no teu entender, um potencial finalista deste Campeonato da Europa? E digo finalista porque, em princípio, obviamente, dependendo do lado em que calhe na árvore, já sabemos que a Espanha estará lá. Mas Suécia e Alemanha são potenciais candidatas a erguer o troféu e a estar, por exemplo, numa final?

Acredito que sim, pelo menos serão ossos duros de roer. E como são duas seleções que parecem um relógio suíço e como o campeonato é na Suíça, faz todo sentido que sejam olhadas como seleções bastante fortes. São seleções sempre que falham muito pouco, são muito consistentes. Gosto muito da Suécia. Ainda não sofreu gols, é uma equipa muito equilibrada. A Alemanha também na mesma linha, por isso são duas seleções que serão na minha ótica. Eu acho que a Espanha está um bocadinho acima de todas as outras e depois eu diria Suécia, Alemanha, Inglaterra e França, talvez num patamar a seguir, mas são duas seleções a ter em conta, sem dúvida alguma.

Pedro Henriques, olhando para estas duas seleções, Suécia e Alemanha, quem é que destacas? E o que esperas deste percurso agora restante da Suécia e também da Alemanha?

Em primeiro lugar, queria dizer boa tarde a todos e dar uma mensagem, um recado para o meu amigo Luís Pinto-Coelho, que ontem não esteve cá, só para dizer que me perguntaram sobre prognósticos para hoje, aliás, para ontem. Eu tinha dito do jogo da Alemanha, ambos marcavam, ambos marcaram.

É verdade, sou testemunha.

O jogo da Suécia era mais de 2,5 e foi mais de 2,5.

Sou testemunha.

Estás a ver, Luís Pinto-Coelho?

A faturar.

Sempre.

Posto isto, há aqui uma certa lógica e há também uma coisa que é interessante, que eu até revolucionista com a seleção portuguesa, que é mal ou bem, nós vamos para a última jornada ainda com hipótese de ser apurados. Ao contrário de seleções, também tem a ver com os grupos em que calharam, obviamente, mas ao contrário da Polônia e da Dinamarca, que, por exemplo, já estão de fora, a Islândia que já está muito embora, pontualmente ainda possa, mas já está em muito maus lençóis, a própria Bélgica que já está de fora. Enfim, há aqui um conjunto de seleções que neste momento vão para o último jogo ou para a última jornada, e já com dificuldade. Quando toda a gente terminar a segunda jornada, teremos com certeza mais seleções de fora. E é bom, portanto, Portugal estar ainda com a hipótese de poder estar dentro, digamos assim, passar a fase de grupos. Depois, é isso mesmo, é destacar a Suécia, que realmente é uma seleção poderosíssima, uma das candidatas, obviamente, e o pragmatismo, como foi dito pela Edite muito bem, acho que foi dito no outro jogo, porque acho que é a expressão certa, de uma Alemanha que de forma, entre aspas, simples, parece que é simples, mas não é simples, consegue duas vitórias muito pragmáticas e é fortíssima candidata. E vamos ver, falta terminar pelo menos a segunda jornada para todos os jogos, para nós percebermos um bocadinho melhor os argumentos e aquilo que se espera. E ainda vamos falar sobre isso. Já vamos falar sobre a Espanha. De qualquer maneira, realçar exatamente estes aspectos. Foram dois bons jogos, principalmente o jogo da Alemanha, obviamente, até porque esteve a perder. Foi um jogo muito mais interessante, 2 x 1, do que a vitória relativamente fácil. Não há vitórias fáceis

Pedro Henriques, tivemos aqui também neste jogo da Alemanha contra a Dinamarca, este ponto importante que foi a estreia da Catarina Campos, estreou-se no Campeonato da Europa. Mais um capítulo histórico na arbitragem portuguesa, sendo que até teve a certa altura de ser assistida. O que é que achaste?

Em primeiro lugar, relembrar que a Sandra Bastos, perdão, eu vou falar da Sandra Bastos também, que a Catarina realmente acaba por ser a primeira mulher portuguesa a estar no Europeu, mas a Sandra Bastos já tinha realizado também esse feito a nível de um mundial. Portanto, felizmente, já há aqui uma certa, não digo continuidade ainda, porque falta aqui nos tornarmos mais consistentes e homogêneos, como também na arbitragem masculina, estar mais vezes presente nesses grandes eventos, mas é mais um passo que foi dado. A Catarina, que já tinha tido experiências cá em Portugal ao nível também masculino, em jogos que têm fisicamente um pouquinho mais de exigência, basta ver o final do jogo, os árbitros têm a publicidade de um relogiozinho, um Garminzinho, onde depois é identificado todo o volume de trabalho que é feito no jogo, em termos de quilômetros percorridos e sprints, etc. E aquilo que aconteceu com a Catarina é talvez o problema que nós ainda temos que resolver ao nível do futebol feminino/arbitragem, que é melhorarmos a capacidade física no sentido de resposta em relação às exigências do jogo, quer seja em velocidade, quer seja em estrutura, em trabalho de resistência. Mas isso é um percurso que se vai fazendo, porque infelizmente, agora as coisas são diferentes, são melhores. Eu vejo que a minha filha tem 21 anos, já é de outra geração, porque normalmente os meninos, meninos homens, desde muito cedo eram mais dotados pra questão física e as meninas eram mais para estar fechadas e portanto em espaço em que a capacidade física era menor. E isso depois tinha, obviamente, resultados e consequências naquilo que é também o resultado físico em determinadas atividades. Felizmente, isso já não é assim. Ainda continua a ser um pouquinho assim em determinadas zonas do nosso país, e daí resulta essa dificuldade, quer seja em quantidade e depois também em qualidade. Mulheres que quando chegam ali aos 20, 21, 22 anos têm outros skills e outras disponibilidades físicas. E por aí a Catarina tem-se sentido, eu vou lá com aquelas fitazinhas de cores, como costumo colocar, porque claramente cansaço físico, esforço, etc., num jogo que foi altamente exigente. De qualquer maneira, teve uma prestação positiva, teve aquela expectativa no estádio do gol anulado à Alemanha, de anular um pênalti marcado às germânicas. Enfim, foi um jogo que não foi de todo fácil, mas do meu ponto de vista, foi bem conseguido. E tanto quanto soube, informalmente, que a nota, as árbitras são observadas e têm notas, e isso é muito importante pra continuidade delas na prova. A nota por parte do observador foi claramente positiva.

Edite Fernandes, o que é que achaste também desta prestação da Catarina e o que isso significa também pro global do futebol feminino?

Eu achei, pra já, um trabalho muito positivo por parte da Catarina, e tendo em conta também que houve três situações de VAR e muito tranquila, achei muito tranquila, obviamente, aquela parte dos termos físicos, mas o Pedro também já referiu isso, que é perfeitamente natural. É perceptível porque em termos de arbitragem, ainda não estamos a um nível em exigência de condições físicas ou de condições que nos é permitido. Mas de qualquer das formas, é sempre bom pro futebol feminino. A Catarina é uma das árbitras que eu consegui apanhar enquanto jogadora e, de facto, isto é um exemplo de que a arbitragem feminina também está a crescer, está a evoluir. Cada vez mais existem árbitras e existem condições para elas também poderem exercer a sua função e, obviamente, com qualidade de algumas árbitras. O Pedro falava da Sandra Bastos, sim, que eu recordo-me da Sandra Bastos já ter estado também num Campeonato do Mundo. Também é uma das referências, creio que ela agora vai terminar a sua carreira, mas foi uma das grandes referências também internacional e acho que deveria referir, porque de facto a Sandra Bastos também marcou a arbitragem portuguesa. Somente dizer que achei que o trabalho da Catarina foi muito positivo e obviamente que me orgulho enquanto também tantos anos no futebol feminino, me orgulho de ver uma portuguesa apitar um jogo desta dimensão também em um Europeu Alemanha-Dinamarca.

Vamos ao Luís Pinto Coelho. Luís, o que destacas também nesta prestação da Catarina Campos e principalmente, o que isso significa também para as futuras gerações de árbitras?

Sim, é sempre bastante importante pras futuras gerações, mas pareceu-me um jogo que foi exigente e ela pareceu-me sempre muito confiante e muito confortável. Acho que é claramente uma nota positiva, obviamente, que aqui o Pedro percebe muito mais do que eu, mas pareceu-me globalmente uma nota bastante positiva num jogo que até não foi propriamente fácil. Eu acho que foi um jogo exigente e ela respondeu muito bem, mas eu destaco a confiança. Ela pareceu-me sempre bastante confiante nas decisões, por isso claramente uma nota positiva pra ela.

Vamos avançar então e vamos aqui olhar antes das notas de campeão, um exercício muito rápido que o ChatGPT simulou. Quem é que seria a virtual campeã da Europa neste Euro feminino? Isto tem sido notícia em vários jornais, sendo que a escolha da inteligência artificial foi a Espanha. A minha pergunta é, Edite Fernandes, também alinhas com a inteligência artificial? A Espanha é a provável campeã da Europa?

Isto é quase uma brincadeira, isto é quase como o polvo também.

Sim, sim, sim. Tal e qual o Mundial das Maldivas.

Exato. Mas é a grande candidata. Eu creio que tendo em conta aquilo que tem apresentado, ao futebol que tem apresentado e nos últimos tempos, e vem de uma sequência de vitórias e Campeonato do Mundo e venceu a Liga das Nações. Portanto, é a principal candidata. Mas atenção às seleções históricas que também vêm aí, vêm apertar. Ainda não sabemos o que vai acontecer ao Países Baixos e Inglaterra, que foram as duas últimas campeãs da Europa em 2017 e 2022. Não sabemos. Pra mim, alguma cautela aqui em relação à França, porque de fato a França poderá ser uma dessas seleções a empurrar e pode ser uma grande surpresa para chegar a uma final. E depois a Suécia, eu destaco também a Suécia, porque a Suécia vem num Campeonato do Mundo extraordinário, em terceiro lugar. É sempre uma seleção muito forte, com muita qualidade Com jogadoras a nível individual e coletivo extraordinárias e que atuam nos melhores clubes da Europa e do mundo. Portanto, eu destaco, obviamente, a candidata, a grande favorita, a Espanha, mas atenção a estas seleções que acabei por dizer.

Luís Pinto Coelho, também é essa a tua previsão, a Espanha como campeã da Europa?

Eu não gosto de concordar muito com a inteligência artificial, mas vou ter que concordar.

É difícil neste caso, não é?

Vou ter que concordar, sim, parece-me a seleção mais forte. Tem uma criatividade acima das outras e eu acho que isso pode fazer toda a diferença. Se eu tivesse que fazer um ranking, diria Espanha número um, França número dois, Suécia número três. Acho que a França é uma seleção muito perigosa. Pela questão física também é uma seleção muito intensa. E depois a Suécia, porque é muito consistente, tem poucos pontos fracos. Na minha opinião, são as três seleções, por ordem, Espanha, França, Suécia, mais fortes deste campeonato.

Já há aqui discordância com a inteligência artificial, porque isto foi publicado pelo jornal A Bola e diz o jornal A Bola que o ChatGPT, para esta previsão, recebeu mais de 500 itens sobre as 16 seleções participantes, ou seja, recebeu aqui uma boa base de dados para fazer a previsão, e que no final apontou a Espanha campeã da Europa, como disse, mas há Alemanha no final.

Já estou contente, já estou a discordar.

Não está no vosso top três, mas aqui estaria no top dois. Pedro Henriques, tu que és o homem das previsões, é isto que vamos ter? Alemanha, Espanha na final e depois as "Nuestras Hermanas" a vencerem?

Só tenho uma coisa a dizer em relação à inteligência artificial. Perguntar à inteligência artificial quem vai ser campeã da Europa e a inteligência artificial responder que é a Espanha, é a mesma coisa que perguntarmos a qualquer ouvinte de rádio qual é a melhor rádio e dizerem, o ouvinte, que é a Rádio Observador. É exatamente a mesma. É fácil, é lógico, é intuitivo e é o normal. Portanto, está certo, é a Espanha.

Ora bem, é isso mesmo. Meus caros, vamos às notas e às vossas campeãs. Começo por ti, Edite Fernandes, quem é a tua campeã do dia e que nota é que dás?

Eu tenho duas. A primeira, Catarina Campos, e dou a nota 18, porque acho que fez um trabalho bastante positivo, muito tranquila, e creio que acaba por também pôr no jogo muita exigência e é a minha campeã com a nota 18. Também aqui destaco a minha campeã, incluo a Asllani, a jogadora sueca, que faz o jogo número 200, marca o número 49 e marcou em quatro Europeus: 2009, 2013, 2022 e neste Europeu. Portanto, também destaco com a nota 15.

Está quase no gol 50, a kosovara Asllani.

Porque ela ontem fez o jogo 200.

Exatamente. Ela que esta época joga no London City Lionesses. Vamos ao Luís Pinto Coelho. Luís, quem é a tua campeã do dia e que nota dás?

Vou dar um 18 para a seleção sueca. É uma seleção que tem poucos pontos fracos e coletivamente é uma delícia ver jogar porque parece que faz tudo bem. Depois também tem muito talento individual, obviamente, mas eu destaco mesmo pelo coletivo. É uma seleção muito forte pelo seu coletivo, por isso um 18 para a seleção sueca.

Vamos ao Pedro Henriques. Pedro, quem é a tua campeã e que nota dás?

Só uma nota, só uma campeã, ou neste caso, quatro campeões. Catarina Campos, Vanessa Gomes, Andreia Sousa, que foram as suas assistentes, e o AVAR, o Tiago Martins, que fizeram os quatro muito bem e sobretudo, embora o símbolo seja naturalmente a FIFA, que tem ao peito, mas dentro do peito, no coração, está naturalmente aquilo que todos nós temos sempre um grande orgulho quando representamos o nosso país. Portanto, está o país, está Portugal. A Catarina e a sua equipa estão de parabéns. Nota 18 para aquilo que fizeram ontem.

Ora é isso mesmo. Amanhã estamos de volta para mais uma edição de "E a Campeã É" aqui na Rádio Observador. Amanhã vamos ter conosco o João Pinto, o Luís Pinto-Coelho e também o Pedro Henriques para analisar tudo o que se passa. Apenas fechar com o menu de hoje, ora mais logo, 17h, Inglaterra, Países Baixos, e depois um pouquinho mais tarde, às 20h, França, País de Gales, dois jogos do grupo D, o tal grupo da morte, com Países Baixos e França com três pontos, Inglaterra e País de Gales com zero pontos até agora. Foi um gosto, meus caros. Até amanhã.