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Vamos a mais uma edição de "E a Campeã É?" aqui na Rádio Observador, que todos os dias fazemos o resumo daquilo que aconteceu no Campeonato da Europa de Futebol Feminino. Sendo que hoje temos de falar do empate da nossa seleção, empate a um com a Itália, conseguido mesmo nos instantes finais. Para isso, e para dar notas de campeã, juntam-se a mim a Edite Fernandes, o João Pinto e também o Pedro Henriques. Boas tardes, como estão? Bem-vindos.
Olá, boa tarde.
Vamos lá. Empate a um, Portugal consegue ali mesmo nos instantes finais conseguir o gol do empate, sendo que um jogo em que a qualidade também subiu um bocadinho face àquilo que tínhamos visto contra a Espanha. Obviamente que a adversária também era outra, já não era a campeã do mundo. De qualquer maneira, Edite Fernandes, gostava de te perguntar e começo por ti hoje: o que mudou verdadeiramente em Portugal para termos assistido, para além da adversária, claro, que é uma adversária de menor peso do que a seleção espanhola, mas o que é que mudou ontem na nossa seleção para termos visto uma equipa das navegadoras um pouco mais leve, mais móvel também e principalmente a ter mais bola e a criar mais perigo? O que para ti foi a principal mudança?
Eu creio que acima de tudo, animicamente, foi completamente diferente o jogo. A maior mudança eu creio que até possa ter sido não só nas mexidas, no 11 titular, mas a grande surpresa daqui que entrar no 11 titular, que não era expectável, tendo em conta tantos meses de paragem. E creio que também a mudança de sistema tático. E esse sistema tático, um 442 losango, é provavelmente o sistema em que a nossa seleção se sente mais confortável a jogar. E acho que partiu muito daí. Partiu também o sentido de, passado aqueles primeiros minutos em que nós, nos últimos jogos, vivíamos aquele fantasma, aquele receio. Entramos de outra forma. Entramos com vontade de ter bola. As jogadoras eram diferentes. Arriscámos mais nas jogadoras que entraram, ou seja, para além do sistema, arriscamos mais em termos ofensivos. Tivemos a entrada da Joana Marchão e a Borges nas laterais, o que nos permite também maior largura, uma subida. A Marchão é uma jogadora que tanto joga curto como põe em profundidade à procura das avançadas, sobe no terreno, tem bom cruzamento. Isso também nos deu outra coisa, jogar uma jogadora com o pé esquerdo do lado esquerdo foi muito importante em termos ofensivos, obviamente que sabemos da qualidade da Joana. Depois, a Ana Borges, também sabemos disso. A entrada da Kika nos permitiu. A Fátima Pinto jogou num seis, num pivô mais defensivo. A Fátima Pinto, a Kika com Norton, acho que foram as jogadoras, as criativas no nosso meio-campo, e era isso que precisávamos. A Kika, já sabemos que é diferenciada, a qualidade técnica individual, uma jogadora que leva o jogo pra frente e que assiste como ninguém. E foi isso também, o arriscar uma capeta mais intensa, mais pressionante. E acho que partiu um pouco daí. A partir do momento que nós temos Kika e Norton, as duas no meio-campo, mas principalmente Kika, temos que ter muito mais bola. E é isso que nos fez a diferença também, e a confiança de ter bola e a forma como jogamos. Foi completamente diferente. E o sistema tático também ajudou, porque acho que nos sentimos muito mais confortáveis a jogar neste sistema.
Pegando precisamente nisso, João Pinto, ontem já estiveste conosco também na nossa emissão especial aqui de relato pra acompanhar o jogo de Portugal. Obviamente que jogar com Kika, jogar com Capeta, traz outras coisas ao jogo, mais agressividade, mais intensidade, tecnicamente também mais evoluída, a Kika pelo menos. Mas o sistema tático, temos que falar dele. Esta mudança para quatro defesas, ao contrário do primeiro jogo, em que jogamos com uma linha três, é pra ficar, na tua opinião, pro jogo decisivo contra a Bélgica?
Tendo em conta a diferença dos dois jogos com dois sistemas, sim, a gente vai pro sistema que gostou mais de ver. Mas eu diria que o selecionador só opta por este sistema enquanto tiver Kika e quando tem Kika, porque realmente aquela posição 10 tem que ser ocupada por uma jogadora que saiba ter a bola, que saiba conter o jogo, que saiba esperar pelas colegas, que não se coíba de defender. É um sistema que requer muito treino, é um sistema tático que requer imenso treino, imensa rotina. Nós vimos muitas vezes na seleção, o Paulo Bento, no Sporting, o Paulo Bento, outros treinadores, o Fernandes Santos no Benfica, que jogava muito neste sistema, mas é um sistema que precisa mesmo de jogadoras quase feitas à medida pra aquelas posições. E ontem o nosso selecionador descobriu realmente as peças-chave, meteu-as no sítio certo, as coisas funcionaram. Pediu-se demasiado às duas avançadas. Acho que as duas avançadas têm um papel muito inglório neste sistema, porque têm que andar a fazer sprints, entre ser pontas de lança e tapar a lateral contrária. Portanto, é um esforço muito grande Mas depois também sabia que tinha no banco duas boas alternativas, quer a Jésica, quer a Telma entraram muito bem e portanto acho que foi o jogo certo na altura certa, pena foi o resultado. Portugal merecia mais.
Pedro Henriques, agora, claro, Clara Edith.
Deixa eu só dizer, aproveitando aquilo que estava a dizer no sistema. Este não é um sistema que é novidade para a nossa seleção. Nós durante muito tempo jogamos nesse sistema do 442 losango e foi também através desse sistema que tivemos grandes feitos e tudo. Nos últimos tempos usamos mais as 352, também consoante as jogadoras que nós tínhamos e que o selecionador tinha. Portanto, não é novidade e eu acho que até é mais confortável para a nossa seleção.
Claro, e também consoante os adversários, não é, neste caso? Pedro Henriques, gostava de perguntar duas coisas, não só obviamente sobre aquilo que saiu deste jogo, até porque agora não ficamos dependentes apenas de nós próprios. Há aqui esta questão que é: no próximo jogo, em teoria, se Espanha e também Itália empatarem, em princípio passam as duas, se as minhas contas não estiverem erradas. Isso pode ser uma dificuldade para Portugal, obviamente.
Isso não vai acontecer.
Não vai acontecer, pronto. Isso era a primeira pergunta que eu queria já tirar aqui de cima da mesa. A segunda é relativamente a uma das entradas no 11, que foi a Ana Borges, capitã da equipa. Obviamente que dá coisas diferentes também, já tínhamos dito isso no primeiro jogo em que entrou a meio do jogo, e que não vai estar disponível para a partida decisiva, tendo em conta que foi expulsa. Gostava de perguntar também se foi uma expulsão correta, na tua opinião.
Sim, voltar uma vez mais. Em primeiro lugar, realmente alterações que foram muito relevantes e importantes para o jogo, a começar pelo sistema tático, para o 442, o que me deixa sempre esta questão: por que não jogamos com esse sistema tático logo no início? Isso remete-nos para uma questão que talvez para o último programa que nós tivemos aqui, que é a continuidade ou não do selecionador e sobre isso gostava depois de dizer alguma coisa, não hoje, obviamente. Depois, relativamente à questão das alterações, são cinco jogadores. A Patrícia Morais na baliza, que resta a semiota de campeã.
Grande jogo.
Depois, o lançamento nos corredores da Ana Borges e da Joana Marchão, a Ana Capeta ao lado da Diana Silva na frente e portanto também isso fez alguma diferença. E obviamente aquilo que para muita gente foi considerado surpresa, a entrada da Kika Nazaré, mas só é surpresa porque eu ontem não estive aqui com vocês, porque se vocês me perguntassem como pergunta no campeão qual era o 11, eu tinha lá posto a Kika Nazaré. Mas pronto. Depois em relação ao jogo jogado, há aqui dois fatores muito interessantes. Eu gosto muito de estatística, já sabem. Nós até tivemos mais posse de bola, 57 contra 43. Tivemos até muitos mais passes, que também resulta da posse de bola, 387 contra 291. E até igualámos nos cantos, 4-5, faltas, 13-12. Portanto, temos ali uma série de fatores muito idênticos, com alguma superioridade, mas há um fator que é muito importante. Nós tivemos muita dificuldade em chegar à baliza, aquilo que é a segunda fase do jogo e a terceira, ou seja, concessão de ação de finalização e a finalização, nós tivemos muitas dificuldades. Isso traduz-se até num número que é remates à baliza. Nós tivemos 5 contra 14 e penso que esse é um problema que se percebeu. Claro, contra a Espanha não podia servir de exemplo, obviamente, dada a diferença de poderio, mas é uma situação que eu acho que tem que ser pensada e revista em termos da própria seleção, porque faltou isso, faltou chegar à baliza. Relativamente à Ana Borges, não vai acontecer o empate, porque a Espanha, por diversos motivos e razões, mesmo que a Espanha faça alguma revolução. Primeiro, a Espanha já passou, mas ainda não passou em primeiro lugar.
Exato.
Se perder com a Itália, passa em segundo. E a Espanha nunca passou de quartas-final, é campeã do mundo, Liga das Nações e quer pela primeira vez, porque é super candidata, conseguir pela primeira vez o título de campeã europeia. Imensa perspetiva. Eu acho que mesmo que revolucione, ou que mude, ou que ponha outros jogadores, a qualidade é tanta que eu acho que as diferenças entre Espanha e Itália vão na mesma fazer sentido e a Espanha vai ganhar o jogo. E depois Portugal tem que fazer a sua parte, que é claramente ganhar a Bélgica. A Bélgica, relembro, que é a 20ª do ranking, Portugal 22ª, mas é de todas as três seleções, em plano teórico, a que está mais acessível, mas não podemos esquecer que naqueles últimos jogos em que não correu nada bem com Portugal, desde o empate com a Nigéria à derrota de 5x0, também temos uma derrota com a Bélgica e isso, portanto, deixa-nos um bocadinho. Também temos uma vitória, mas também temos uma derrota. Ana Borges, jogadora muito empreendedora, já sabemos, que sacrificou, deu o corpo às balas num lance em que tinha que fazer, cortou claramente ao minuto 90+6. Era a última jogada do jogo, praticamente, era um canto. Cortou um ataque muito doloroso, foi contra a adversária, fez ali uma carga incorreta. Se a Bonansea passasse, criava uma jogada de muito perigo e se calhar, quem sabe, de gol. E daí Kena Borges, mesmo com o cartão amarelo mostrado ao minuto 65, também bem implementada a fora tempo sobre a Girelli, fez muito bem, no meu ponto de vista, não olhando para a arbitragem, obviamente, mas fez muito bem em levar o segundo cartão amarelo, porque deu o corpo às balas, fez com que a equipa se repusesse e talvez isso tenha feito a diferença até para aquilo que podia ter sido um lance que podia tirar o empate ou dar inclusivamente a derrota. Vai estar de fora, faz falta, é uma jogadora diferenciada, que também penso que está motivada pelo novo contrato que tem ao ter mudado de clube, mas de qualquer maneira há outras soluções e Portugal tem que pensar sobretudo em coletivo e pensar em ganhar. E no meu palpite, na minha ideia, Portugal vai ganhar mesmo por dois gols de diferença à Bélgica. Depois da vitória da Espanha. Amanhã já digo quanto é que são.
É isso. Muito rapidamente, olhar apenas aqui para este jogo entre Espanha e Bélgica. João Pinto, que sensações é que te deu esta Bélgica que apesar de tudo levou seis gols, mas conseguiu marcar dois, algo que Portugal não conseguiu fazer contra a campeã do mundo. O que é que achaste desta exibição da equipa belga?
Acho que é sempre muito inglório jogar contra uma equipa que tu já sabes que é muito superior a ti. O plano de jogo de Portugal foi: vamos tentar não sofrer gols, e o plano delas foi: bem, não se importem tanto com os gols que vamos sofrer, vamos tentar ir lá para cima e marcar um ou dois. E conseguiram. E depois, realmente, a marcha do marcador é muito repentina quando chegas ali ao 3x2, depois a evolução para o 6x2 é muito repentina. De repente, quando elas acordam, "espera aí, como é que está 6x2? Ainda agora estávamos a disputar o jogo". Mas realmente é uma diferença de valor muito grande, é mesmo o reflexo da qualidade espanhola.
Edite, temos e podemos sonhar com essas hipóteses contra esta seleção belga, daquilo que viste do jogo contra a Espanha?
Eu acho que sim. Por vezes, eu acho que o jogo chegou aos 3-2 e eu creio que ali no sentido foi: a qualidade da seleção espanhola é tanta que é melhor acelerarmos isso um bocadinho e resolvermos já isto tudo, do gênero vamos acelerar um pouco e vamos tomar vantagem e grande. De qualquer das formas, eu creio que até porque a seleção espanhola sofre um gol de um de bola parada e a Bélgica normalmente nesses lances eu creio que é aí que nós também temos que ter algum cuidado. Se bem que o segundo é de um cruzamento e que acaba por fazer o gol e aparecer na área a jogadora belga. Mas a estratégia, bolas paradas, nós temos que ter algum cuidado nesse sentido, porque de resto acho que temos qualidade suficiente também para podermos ir para cima da Bélgica e fazendo resultado positivo. O resultado positivo seria ganhar por pelo menos mais dois gols, e ver o que a seleção espanhola vai fazer perante a Itália, mas também afirmo que a seleção espanhola vai querer vencer e confirmar a grande candidata a vencer este Campeonato da Europa.
Meus caros, hoje temos no prato do dia dois jogos, grupo C, Alemanha-Dinamarca, Polônia-Suécia. Pedro Henriques, vou já a ti, porque há pouco já deste também uns toques na seleção belga e também obviamente daquilo que pode acontecer no próximo jogo da seleção espanhola. Destes dois jogos, o que te destaca? Qual vais escolher para ver mais logo? Um às 17h01 e um às 20h. Pedro Henriques? Pedro Henriques, estás a pegar no guia? Estavas a pegar naqueles guias.
Estava a falar sozinho e feliz, a dizer coisas bonitas, mas afinal não. Basicamente, posso dizer que em relação ao jogo da Alemanha, ambos marcam e em relação ao jogo da Suécia, mais 2,5. Pronto, e com isto vocês podem ganhar todos os dinheiros.
Sempre com as melhores dicas de aposta, sempre com o asterisco, aposte de forma responsável.
E agora posso só aproveitar?
Claro.
A Catarina Campos vai ser a árbitra do Alemanha-Dinamarca.
Pois Pedro, se calhar devias ter dito.
Não, mas amanhã, no "Campeões", vou falar sobre isso, exatamente.
Muito bem. João Pinto, quem é que destacas destes dois?
Eu diria que é aquilo que o Pedro disse. Ele mostra logo as cartas todas, tira aqui o protagonismo às pessoas. Portanto, ele é sempre assim, é muito ávido a ir com tudo ao pote. Pronto, não fica nada por dizer.
Edite, para além da Catarina Campos, o que é que destacas dessas quatro equipas?
Uma Alemanha que é sempre uma grande candidata ou favorita a vencer, uma Dinamarca que está numa fase em que o primeiro jogo também não correu muito bem. Destaco provavelmente aqui a Alemanha para qualificar-se e uma Suécia também que está fortíssima e acredito que a Suécia também poderá vencer o jogo.
Ora bem, vamos avançar para as notas de campeão. Começo por ti, Edite Fernandes, quem é a tua campeã do dia e que nota das de 0 a 20?
Eu posso dar duas campeãs?
Podes, sim, senhor. Eu creio que já tivemos alguém a dar quatro campeões.
Eu tenho a campeã do dia e eu vou ter que dar a Portugal, o coletivo. Praticamente pelo jogo que fez e pelo impacto importante, porque nos mantém vivos, mantém-nos no sonho, à procura do sonho. E depois vou individualizar a Patrícia Morais, que nos aguentou. Enquanto esteve em campo, foi extraordinária. E a Diana Gomes, que acaba por fazer o gol e é as minhas campeãs também do dia de hoje. E a nota, vou dar uma nota 18 a Portugal.
Muito bem. Sim. E para a Patrícia?
Para a Patrícia, eu vou optar pelos 18 aos três. Portugal 18, Patrícia 18 e Diana Gomes 18.
Muito bem. Ora vamos ao João Pinto. João, quem é a tua campeã do dia e que nota das?
Porque sei que o Pedro Henriques vai dar à Patrícia Morais, porque ele há bocado já deixou aquele teaser, vou dar a minha nota à Kika. É um grande regresso, excelente jogo, levou os colegas. Acho que cresceu muito neste ano em Barcelona, está uma jogadora diferente, menos individualista. Gostei mesmo muito deste regresso, portanto, nota 18 para a Kika.
Pedro Henriques, é Patrícia Morais, não é?
Não, são duas notas. Nota 15 para a estreia da Catarina Campos, por isso é que eu estava a deixar para aqui, mas também para a Vanessa Gomes e Andreia Sousa com seus assistentes e sobretudo também para o assistente de vídeo árbitro, não vai estar como VAR, mas como AVAR, o Tiago Martins. E portanto, vamos ter aqui, embora tanto a Catarina como quarto árbitro num jogo de estreia, como o Tiago Martins já tinham estado em jogo. Portanto, é uma estreia, nota 15. Amanhã falarei melhor sobre a Catarina Campos. Mas a minha nota, eu há pouco também no "Campeão" já falei nisso e não é bem repetir, mas vou dizer, porque para mim é importante dizer. Entre os postos, Patrícia Morais, nota 18. Na bancada, como líder da diáspora tuga, porra, nota 20.
Nota 20 e nota 100 também, porque fez o jogo 100 ontem com a camisola portuguesa. Aliás, o jogo 99 com a camisola portuguesa, daqui a um jogo, não sabemos, vai ser titular, claro, no jogo contra a Bélgica. Vai receber então essa nota 100. A Patrícia Morais a quem eu mando também essa grande nota de campeã, minha conterrânea, como sou no Clube Futebol Santaria. Portanto, fica aqui a sublinhar também. Sempre que é para falar de Santaria, eu falo aqui e fiquei a sublinhar também. Meus caros, muito obrigado. Amanhã estamos de volta, depois das 14h10, como é habitual. Um forte abraço.