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Inglaterra é novamente campeã da Europa em futebol feminino. Conquistou a final do Europeu frente à Espanha, um jogo decidido nas grandes penalidades. Vamos fazer a análise. Estamos na última edição de "E a Campeã É". Eu sou o Miguel Cordeiro. Hoje nos comentários temos Edite Fernandes, Pedro Henriques e também o Luís Pinto Coelho. E vamos analisar esta conquista da Inglaterra. Há uma nova campeã, a Inglaterra, que revalida assim o título. Edite Fernandes, começo desse lado. A Inglaterra é uma campeã justa?

Boa tarde a todos, antes de mais. Podemos dizer, no futebol também não há justiça nem injustiças. Acaba por vencer a seleção da crença, da resiliência, da superação, da estrelinha de campeão, porque a Inglaterra foi uma seleção que conseguiu chegar a esta final e ter essa estrelinha de campeão, e mesmo na final, creio que ainda acaba por ter um pouco essa estrelinha de campeão. E como lhe digo, não ganhou o futebol bonito, não ganhou o futebol bem jogado, não ganhou o futebol da melhor seleção do Campeonato da Europa, mas acaba por ficar bem entregue também a uma seleção inglesa que acaba por revalidar o título e acaba por ser uma vitória também da superação e também da qualidade da sua seleção. Não estamos aqui a falar que a seleção inglesa chega aqui a esta final sem querer, nada disso, mas pela qualidade e até porque tinha conquistado o último Europeu em 2022, pela sua qualidade também, pela qualidade da sua selecionadora e obviamente também tem que se dar o mérito e justiça a esta seleção da Inglaterra.

A Aitana disse no final do jogo que às vezes a melhor equipe não ganha no futebol. Luís Pinto Coelho, a Espanha é mais equipe que esta Inglaterra?

Sim, eu acho que foi mais equipe e esta final prova, e este campeonato prova uma coisa que é: o ganhar ou não ganhar, muitas vezes, e este limiar de cair para um lado ou para o outro, não significa que as coisas não sejam bem feitas. E neste caso, na Espanha, eu acho que as coisas foram bastante bem feitas. Acho que a equipe foi a que proporcionou melhores espetáculos ao longo do Campeonato da Europa, acho que foi a mais consistente, mas depois é o futebol. Eu acho que pode-se fazer praticamente tudo bem e não se conseguir ganhar. É por isso que o futebol é um cadinho diferente das outras modalidades em que quase sempre as melhores equipes ganham. Obviamente que a Inglaterra tem qualidade, mas eu acho que tem qualidade até para algo mais. Acho que, como a Edite disse, foi muito na crença, na alma, nunca desistir e isso também é, obviamente, um mérito grande, mas teve aquela pontinha de sorte que não se trabalha. Há sempre uma sorte que ajuda. Parece aqui um cadinho Portugal em 2016, no Campeonato da Europa, quando as coisas caminham para esse lado, tudo ajuda, mas acho que a Espanha também deixa uma grande imagem e a Inglaterra é a seleção da alma e da resiliência e acaba por ganhar bem por isso também.

Muito bem. Pedro Henriques, a tua opinião sobre esta questão da justiça ou não, o que achaste também desta conquista de Inglaterra no Europeu?

Boa tarde. Como tínhamos dito, a Inglaterra ia ser campeã. Não, não tínhamos nada disso. Estava a pensar. Não, estava-me a enganar. Ora, Europeu feminino, o que eu há a dizer do jogo de ontem? O pragmatismo, se calhar, a insistência, a crença, e é só ver depois o que as jogadoras foram falando disso, sobretudo as selecionadoras, acabaram por, de alguma maneira, derrotar aquilo que todos estávamos à espera, que era a tal Espanha, campeã do mundo, Liga das Nações, e a jogar um futebol diferenciado e para melhor em relação a quase todas as outras seleções, levavam-nos a acreditar que a Espanha iria ganhar este Europeu. Mas também falámos aqui, todos, que era uma final e que muitas vezes na final, o tal jogo que é para se ganhar e não é para se jogar e tudo pode acontecer. Portugal também é um bom exemplo disso quando ganhámos à França, um bocadinho mais clientes contra todas as expectativas e também fomos de alguma maneira dominados ou tivemos menos domínio nesse jogo. Isso para dizer que essas coisas acontecem, sobretudo quando entram aqui fatores de pressão elevadíssimos. Depois é só lembrar que a Inglaterra também não é uma seleção qualquer, ao ganhar, é bicampeã europeia e, portanto, acaba por duplicar esse seu título. E não há assim tantas equipes com tantos títulos assim, tirando a Alemanha que realmente tem oito ou a Noruega com dois. Portanto, isto para também percebermos que a Alemanha é aqui um bocadinho a exceção disto. Depois, em relação ao jogo, acaba por perceber-se que duas jogadoras do Arsenal muito decisivas na fase do jogo, a Mariana Caldentey e depois a Alexia Russo, que fazem os gols em jogo chegado. Depois, percebe-se por que a melhor jogadora em campo acaba por ser a Hannah Blundell, porque realmente foi fantástica na baliza, não só nesse jogo, no momento dos pênaltis, como em todo o torneio. A Espanha falha três pênaltis, vem um bocadinho ao encontro de que nunca tinha havido tantas falhas. Só relembrar que este Europeu tem cinco dos sete jogos na fase eliminatória com prolongamentos, três jogos decididos em pênaltis e uma porcentagem um pouco acima de 50% de aproveitamento dos pênaltis, como também já tínhamos aqui falado E termino com isto, que é claramente para mim o meu destaque e posso já dizer que vai ser a minha nota de campeão, que é para antecipar uma vocês todos, senão vão vocês também dizer o mesmo. É para dizer que o fato de ter batido o recorde de assistência, mais de 157 mil adeptos em todos os jogos no acumulado. O próprio recorde de ontem de jogo, 34.203, supera claramente todos os números. Aliás, este Europeu vem superar todos os números, até os gols marcados e tal, quando nós nas semifinais já estávamos a passar o gol 104, quando os recordes anteriores estavam em 70 e tal, depois em 90 e tal. Portanto, isto revela bem que foi uma série de recordes que foram aqui obtidos e este dos espectadores acho que diz muito do impacto e da importância que o futebol feminino está a ter e dos chamarizes, do chamamento e dos espectadores, do público em geral, dos adeptos, por causa também da qualidade do futebol feminino e também, depois, com isso vêm os sponsors, vem a publicidade.

Muito bem. O Pedro já iniciou essa segunda parte do programa que eu queria detalhar, que é os papéis individuais. E antes de ir aqui aos jogadores, há um nome incontornável nesta prova e nesta nova conquista para a Inglaterra, a selecionadora Sarah Wiegman. É dos Países Baixos. Em menos de 10 anos conquista o terceiro título europeu, tem um com os Países Baixos, tem dois consecutivos com a Inglaterra. Nós costumamos falar de quem está dentro do campo, mas Edite Fernandes, acaba por ser esta treinadora a grande cara desta conquista?

Sim, é a grande cara desta conquista e das últimas conquistas que tem vindo a fazer. De facto, da seleção inglesa acaba por vencer o sub22, o sub17 com os Países Baixos, duas finais de mundiais, não tem tanta sorte nos mundiais, mas está lá sempre. E é, de facto, uma treinadora extraordinária. Pensando da mesma forma como a Aitana, que é uma jogadora que pensa muito mais à frente, esta selecionadora é. E muitas vezes eu vi uma seleção inglesa, parece que demasiado tranquila, pensando que as coisas vão acontecer, naturalmente. Nós não precisamos estar aqui ansiosas. As coisas vão acontecer. E no momento certo, a Sarah Wiegman também acabou por lançar as peças importantes, os talismãs, a Paige, a Gemma Young também, a Chloe Kelly é fantástica, a forma como ela entra sempre nos jogos e desequilibra e acaba por ser muito importante também na mudança de jogo da seleção inglesa. E a Sarah Wiegman acaba por ser uma selecionadora com um feito enorme. E é de facto com muita qualidade desta selecionadora.

Outro grande destaque, o Pedro também já falava disso, a guarda-redes Hannah Hampton, que brilhou nos pênaltis. De facto, tem uma história incrível para quem joga até nesta posição. Tem estrabismo, nasceu com estrabismo, não tem noção de profundidade, tem muitas dificuldades nesse aspecto e acaba por ser uma belíssima guarda-redes. É a grande figura desta final entre as jogadoras, Luís Pinto Coelho?

Sim, é obviamente um dos destaques.

Perdemos aqui o Luís Pinto Coelho, entre um ladrar mais ao fundo. Vamos tentar retomar aqui a ligação com o Luís.

O cão mordeu.

Edite, concordas que é o grande destaque a Hannah Hampton?

Sim, principalmente pela final que fez, mas não só pela final. Pelos jogos em que inclusive foram bastante importantes. Até mesmo a assistir. Ela tem um nível de passe, de qualidade de passe, a sair, a construir. Ela própria, como primeira fase de construção da seleção inglesa, muitas vezes a fazer os passes longos e a bola ir diretamente às jogadoras. Eu recordo-me até de um gol contra os Países Baixos, que é ela que faz um passe longo para a Russo, a Russo, entretanto, faz o passe para a Lauren James e faz um grande gol. Portanto, não só a defender, mas de facto é uma guarda-redes acima da média, e é muito jovem. Não só a defender, mas também a distribuir jogo e muitas vezes a ser ela a primeira linha de jogo para a sua seleção.

Luís Pinto Coelho, estavas a falar da Hannah Hampton.

Sim, já estou aqui depois de um pequeno percalço.

Força.

Sim, foi essencial, obviamente. Eu queria tocar aqui num ponto que a Edite também já pegou, que é: esta seleção mostrou sempre muita confiança. Eu acho que isso é um trabalho da selecionadora, obviamente, mesmo em momentos críticos, e isso viu-se sempre. Nunca duvidaram delas mesmas e por isso, na adversidade, conseguiram sempre dar um passo em frente e conseguir virar. E a guarda-redes da seleção inglesa foi obviamente aqui uma peça-chave ao longo de todo o Campeonato Europeu.

Pedro Henriques, acaba por cair o prêmio de melhor jogadora do torneio para a Aitana Bonmatí. Acho que era a decisão mais fácil. Começou, de facto, os primeiros jogos no banco por lesão, acabou por ser a melhor em campo nos quartos e nas meias. Havia outros nomes para a melhor jogadora do torneio?

Olhando para o torneio todo, ela também era uma das jogadoras que eu iria destacar em termos de torneio todo. Obviamente que agora ficamos com as últimas imagens, nomeadamente na final, onde a Aitana acaba por ser a melhor em campo e obviamente ganhar o prêmio, porque também tem uma relevância importante, não só no jogo, como na final, como no momento crucial que é os pênaltis. Mas eu diria que em termos de torneio, não foi talvez a jogadora que mais se destacou e nesse aspecto é sempre muito difícil dizer que o prêmio está mal atribuído, porque a gente tem sempre a ideia que pode haver outras pessoas, outras jogadoras, mas essa eu acho que claramente merece o prêmio. Não obstante ter começado atrás para a frente, começou no banco, mas depois acaba por ser decisiva até chegar à final. E portanto, sobretudo nos dois jogos, foram relevantes e importantes. E eu termino com isto também, até porque em relação ao que se falou aqui da Sarah Wiegman, da seleção da Inglaterra, porque eu acho também que de todos, claro que a gente destaca quem está dentro do jogo, mas eu, muito honestamente Colocaria ainda num patamar superior, não como jogadora, obviamente, mas a selecionadora, porque o que ela diz faz muito sentido. Quando diz que este foi o Euro mais caótico em que participou e que tivemos de dar a volta aos resultados em quase todos os jogos, nomeadamente na fase final, nos quartos-final, nas meias-finais e na final. E depois faz aquilo que todos os selecionadores e treinadores devem fazer, que é passar o ônus para as suas jogadoras. Temos jogadoras muito talentosas, senão não conseguíamos, e depois foca aquilo que no fundo, cada vez mais, é também o futebol. O futebol é técnico-tático, que é jogadores de qualidade, mas é aquilo que ela termina e diz: a união, a vontade de lutar, a fé nelas próprias, jogadoras. É incrível nesta equipe e tem muito orgulho nelas. Eu acho que isto são os motivos e as razões pelo qual fazem dela, porventura, a selecionadora do momento.

Sim. Deixar ainda a nota de que a melhor jogadora jovem do torneio foi a avançada Michelle Aguemang, de 19 anos. É do Arsenal, esteve emprestada ao Brighton, saltou do banco para marcar alguns gols decisivos, em particular nos quartos e nas meias-finais. Vamos às nossas notas de campeão. Já não temos tempo para mais. Luís Pinto Coelho, começa desse lado. Quem é campeã?

Eu vou dar aqui uma nota. Obviamente, que dou aqui um 20 à seleção inglesa também. Campeã é sempre campeã e merece por todo o empenho. E vou dar um bocadinho na sequência do que a gente vem falando aqui à Lucy Bronze, porque ao que parece jogou grande parte dos jogos com uma fissura na tíbia, sempre em esforço e ainda assim fez exibições extraordinárias. Foi um dos destaques desta seleção, por isso um 20 para ela também pelo sacrifício que representa bem a imagem desta seleção inglesa de nunca desistir na adversidade.

Pedro Henriques, a tua nota? Já detalhaste um pouco.

Só reforço. Os mais de 657 mil espectadores acumulados, que bate claramente aquilo que já vinha, sobretudo nas edições anteriores. E por isso vou dar mesmo uma nota 20, porque o essencial do jogo e, portanto, do jogo são os jogadores, neste caso jogadoras, mas depois só faz sentido haver jogo e futebol se houver adeptos. Adeptos que vejam no mundo inteiro, mas preferencialmente nos estádios, que é isso que faz criar toda aquela atmosfera. E, portanto, para os adeptos de uma maneira geral, para a própria organização, uma nota 20, porque realmente este número é muito importante para o futebol feminino, mas é importante para o futebol feminino, mas por responsabilidade, positividade e crescimento do próprio futebol feminino.

Edite Fernandes, a última palavra é tua.

Bem, eu vou copiar os dois. Copio dos adeptos do Pedro, para ele não dizer que está sempre a copiar para mim. Vou copiar o Pedro na parte dos fãs, dos adeptos, das audiências, até mesmo da audiência em aspetos televisivos. Eu creio que na Inglaterra foram 12,2 milhões de pessoas a assistirem ao jogo. Portanto, é um share muito grande. Vou dar a nota também à Lucy Bronze, do 19. Vou dar 19 porque, de facto, eu sei o que é isso. Eu joguei uma época com uma fissura de estresse e sei o que é jogar com dor constantemente. É impossível. E o sacrifício, a crença e a resiliência. E vou dar a nota 20, obviamente, à seleção inglesa, sendo campeã da Europa, da forma como chegou, independentemente disso, e acaba por no final vencer e é uma justa vencedora. E a nota 20. Está bom.

Edite Fernandes, Pedro Henriques e Luís Pinto Coelho, obrigado por esta participação. Último episódio de "E a Campeã?" No fim, a campeã foi Inglaterra.