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Um grupo de estudantes de Engenharia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa está a desenvolver uma forma mais eficiente de detetar e acompanhar os sintomas da doença da COVID-19 nos mais idosos. Por exemplo, falamos do ritmo cardíaco, da oxigenação do sangue e também da febre. Foi assim que nasceu o projeto Home Safe.

E juntam-se agora a nós, aqui na Rádio Observador, Cláudia Quaresma, professora e orientadora deste projeto, e também Joana Coutinho, aluna de mestrado integrado em Engenharia Biomédica e faz parte deste grupo de estudantes que está a desenvolver esta aplicação, a Home Safe. Começamos pela Cláudia Quaresma. Cláudia, qual é o objetivo, afinal, desta app, desta Home Safe?

Muito obrigada, boa tarde e obrigada pelo interesse no nosso projeto Home Safe. O objetivo é monitorizar em tempo real os sintomas COVID na população idosa infoexcluída, em que o nosso objetivo último é aumentar a segurança do idoso e facilitar o seu acompanhamento clínico, através da monitorização remota e gerando alertas em situações de risco.

E a professora Cláudia falou aqui desta questão dos infoexcluídos. Portanto, este é um grupo da população que, se calhar, não tem o acesso tão facilitado à nova tecnologia. Portanto, como é que tudo isto se vai traduzir exatamente, Joana? Joana Coutinho, como é que esta aplicação vai atuar exatamente? Como é que querem chegar a este grupo de pessoas?

A aplicação faz um registo fácil de sintomas e através de uma avaliação qualitativa, que através de uma aplicação que criámos, permite fazer o reconhecimento deste tipo de sintomas através do preenchimento de um pequeno formulário, que pode ser através de voz ou de escrita, exatamente para facilitar que todo o tipo de população, nomeadamente as pessoas mais infoexcluídas e idosas, consigam ter mais facilidade neste tipo de questões.

E, portanto, esta aplicação será instalada no equipamento destas pessoas. E, professora Cláudia Quaresma, como nos explicava aqui também a Joana, estes dados podem ser colocados por qualquer pessoa e depois terão esse acompanhamento. É assim? Percebi bem ou não?

Exato. Percebeu, e sim. Associado também à aplicação, nós temos um módulo de sensores wearables, em que tem um termômetro e oxímetro para medir os parâmetros fisiológicos que falavam há pouco.

Cláudia, agora trocando isso por miúdos. Até porque usou aí uma expressão que nós não sabemos exatamente o que é.

O oxímetro.

Exato.

O oxímetro que vai medir a taxa de saturação de oxigênio e também a frequência cardíaca.

Ou seja, é um aparelho à parte, é isso?

Exato, que está acoplado este módulo de sensores, estão acoplados, estão associados à aplicação.

Muito bem.

E essa aplicação é que vai recolhendo também estes dados.

E depois, imagine, detetamos um desses dados, que é um sinal de alerta e que pode significar que a pessoa tem COVID-19. O que é que acontece a seguir?

Esta aplicação está ligada ou está associada à instituição que dá apoio ao idoso, que pode ser um lar ou a instituição que dá apoio ao domicílio, e que essa instituição recebe um alerta de que o parâmetro está fora dos padrões normais.

Exatamente.

E que tem que fazer uma vigilância e tem que vigiar este idoso.

E Joana Coutinho, em que fase é que estão neste momento? Onde é que querem levar esta aplicação? Com essa aplicação, mais uma vez, em lares, por exemplo, como nos explicava a Cláudia Quaresma, é isso? Em que ponto estão?

Exatamente. Nós queremos chegar o mais longe que conseguimos com a aplicação. Neste momento, já estamos a acabar, já temos um protótipo feito e vamos começar a testar, primeiro nos nossos colegas e depois sim, talvez numa fase mais avançada, testar em lares de idosos e pôr a funcionar tudo.

E já têm interessados também para esse projeto, para depois começar a distribuí-lo?

Sim, sim. Professora.

Diga, Joana.

Sim, já temos alguns interessados, nomeadamente já temos uma parceria com o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central e também com alguns lares de idosos que já apresentaram algum interesse na aplicação.

E Cláudia Quaresma, eu sei que isto é uma pergunta sempre muito ingrata. Nós fazemos sempre, mas é mesmo assim. Quanto tempo, mais ou menos, até isto estar no terreno?

Neste momento, nós precisamos de financiamento para poder fazer um desenvolvimento mais rápido.

Isso é um apelo também para esse financiamento?

É um apelo também, exato. Isto é um apelo. Nós precisamos de financiamento e com esse financiamento podemos testá-lo mais rapidamente e chegar mais facilmente ao mercado.

Qual é o valor que precisam?

Neste momento, para comprarmos protótipos, precisamos de €10 mil.

Portanto, é esse valor que agora é necessário para poder avançar mais rapidamente.

Exatamente, para termos um conjunto de protótipos kits para podermos testar no maior número de pessoas.

Muito bem. Cláudia Quaresma é professora e orientadora deste projeto. A Joana Coutinho é aluna de mestrado integrado em Engenharia Biomédica, faz parte do grupo de estudantes de engenharia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que estão a desenvolver esta aplicação para detetar e acompanhar os sintomas de COVID-19 nos mais idosos. Esta app, que precisa agora de financiamento, como ouvimos, chama-se Home Safe. Cláudia e Joana, muito obrigada pela disponibilidade. Tudo a correr bem.

Muito obrigada.

Muito obrigada.

Bom trabalho, obrigado.

Vamos acompanhando este projeto também. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.