O ministro da Agricultura garantiu esta sexta-feira que não há razão para alarme sobre o vírus Shamonda, que já infetou bovinos, um deles no Planalto Mirandês, e foi detetado pela primeira vez numa pessoa, em França, que acabou por morrer.
O vírus Shamonda, transmitido através da picada de um inseto vetor do género Culicoides, é “um vírus que não leva a mortalidade dos animais”, salientou José Manuel Fernandes, acrescentando que “não há nenhum perigo de contágio para as pessoas”.
O que se sabe sobre o vírus Shamondan que matou, pela primeira vez, um ser humano?
“Não vamos é entrar num alarme, que neste momento não se justifica […] no impacto na saúde animal não é um impacto gravíssimo, […] nunca houve até um caso de transmissão para os humanos, não há nenhum risco que se possa considerar como premente neste sentido. Há um caso ainda por explicar, único até hoje, em França, onde uma pessoa que estava num estado de saúde muito grave, teve um contágio, […] e tem que se ver porque é que isso aconteceu, mas não se pode dizer que a pessoa faleceu por causa desse vírus, porque ela estava num estado de saúde muitíssimo débil”, vincou.
Segundo o governante, ainda não há um plano para o vírus e a solução, neste momento é “monitorização”, proporcionar “melhores condições de sanidade”, e fazer “trabalho de prevenção”.
No entanto, o ministro defendeu que é preciso “avançar rapidamente numa investigação” à “escala da União Europeia” na produção de vacinas “eficazes” e “acessíveis” em termos de custos.
“Temos de apostar fortemente, e não há fronteiras, no objetivo de termos vacinas acessíveis e eficazes, e aí vamos à questão dos preços, à escala da União Europeia, com grandes objetivos de injeção de dinheiro naquilo que é a investigação”, vincou.
O veterinário do Agrupamento de Defesa Sanitário (ADS) de Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, alertou na quinta-feira, em declarações à Lusa, para o preço elevado das análises a bovinos para a deteção do vírus Shamonda que afetou uma exploração em Vimioso (Planalto Mirandês).
Luís Fernandes explicou ter obtido a informação de que o preço das análises ronda mais de 30 euros, o que numa vacada, por exemplo com 50 animais, já requer algum investimento por parte dos produtores pecuários onde existam sintomas.
Confrontado com estes preços e com as dificuldades dos produtores em financiarem estas análises, o ministro da Agricultura não se comprometeu com comparticipação.
“Não vamos fazer análises que não sejam necessárias, nós avaliaremos e se for necessário apoio fazemos”, disse.
Em 24 de setembro, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou a deteção do vírus Shamonda em vários países da União Europeia, incluindo Portugal e Espanha, e pediu o reforço da vigilância epidemiológica.
O último relatório datado de 13 de outubro, publicado na sua página oficial, dava conta de casos de animais infetados nos concelhos de Odemira, Vimioso, Évora, Loures, Crato e Montijo.
Os bovinos são os mais afetados, embora os ovinos e caprinos também possam ser suscetíveis à infeção, mas sem uma manifestação clínica aparente.
Os bovinos com infeções agudas podem ter febre, diarreia e diminuição da produção leiteira entre 10% e 20%.