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Mais uma edição de "E o Campeão é?", edição desta terça-feira, dia 22 de agosto. Hoje com Pedro Henriques, Gabriel Alves e Luís Pinto Coelho. Boa tarde aos três. Vamos começar pelo Benfica, que é destaque hoje em toda a imprensa desportiva em Portugal. As dúvidas em torno da situação de David Neres no Estádio da Luz. Aqui a hipótese de o brasileiro querer sair do Benfica ou o eventual interesse do Zenit, que de acordo com a imprensa desportiva, já terá assinado com uma proposta bem choruda. Luís Pinto Coelho, como é que tu lês este caso? Acreditas mais na tese de que Neres não está para ser suplente e estará disposto a sair ou é um jogador indispensável ao Benfica?
Olá, boa tarde. Eu acho que ele não está muito agradado com a situação que tem no Benfica. É um jogador que tem tido impacto quando entra, mas continua a ser intermitente e Roger Schmidt raramente o coloca como titular e isso pode mexer também com a cabeça do jogador. É certo que o Zenit tem dinheiro para gastar. Fez agora algumas vendas importantes, o Malcom que foi para a Arábia por 60 milhões, por isso eles têm dinheiro para gastar. Ao que eu sei, os dois alvos é Neres e Galeno, por isso acredito que um deles vá mesmo para a Rússia. Parece-me que o primeiro alvo é Neres, até porque eles preferem o esquerdino. E eu acho que o Benfica, 40 milhões, se calhar pensa em vender. Não é um titular, é um jogador que até mexe com a equipa quando entra, mas 40 milhões por um suplente, se calhar o Benfica consegue depois ir ao mercado ainda colmatar e contratar um jogador. Também vem um jogador argentino jovem em janeiro para a mesma posição, por isso parece-me que o Benfica pode fazer um negócio.
E Pedro Henriques, já começa a ser muito fumo relativamente a aparentes ou alegados maus-estares no balneário dos encarnados. Há fogo?
Boa tarde.
Boa tarde.
Esclareçam-me só uma coisa, o Zenit é na Rússia, não é?
Pois, também temos essa condição.
Estamos a brincar com isto? Ok, por amor da santa. Algum clube português que negoceie com os russos, nem sei o que hei de dizer. Está tudo dito, está tudo escrito. Temos uma guerra à porta da Europa, o desporto e o futebol é só a coisa mais importante das coisas menos importantes. É só para relembrar que há uma guerra à porta da Europa, que há um Estado direito que foi invadido e que há fronteiras e limites que não podem ser ultrapassados.
E Paulo Fonseca, o treinador do Lille, português, fez esse apelo às equipas portuguesas para não negociarem com a Rússia.
A equipa portuguesa que vá negociar com a Rússia no contexto atual, por amor da santa. Não há palavras para descrever mais sobre essa situação, nem vou falar sobre isso. Vou falar é noutro aspecto. Parece que o Roger Schmidt, com 11, 12, 13, 14 jogadores, e até foi campeão, conseguiu liderar a rapaziada. O difícil está em liderar equipas de topo, e neste momento o Benfica torna-se essa equipa de topo, quando tem 17, 18, 19 jogadores, todos ao mesmo nível. Agora imagina o que é estar no Paris Saint-Germain, no Bayern de Munique, no Real Madrid, etc. Clubes realmente de topo, com muita gente no banco que a gente olha e diziam que todos podem ser titulares, e gerir exatamente essa questão dos egos. Alguém tem que explicar também aos jogadores, que são ricos, muitos deles mimados, que quando tu reclamas pela titularidade, tens que o fazer treinando e jogando. Não é nas redes sociais, nem é através dos empresários, porque isso é falta de respeito pelos próprios colegas e é, sobretudo, falta de respeito pelo treinador e mais do que isso, é olhar para os próprios cofres, para os próprios botões, para o próprio bolso e esquecer-se que acima dos jogadores está o clube. E tem que estar sempre o clube, mesmo que os jogadores estejam de passagem, como o Enzo fez, que ainda não tinha saído da Argentina, já estava a dizer que vinha cá fazer uma passagem pelo Benfica para ir para a Europa. Mesmo que assim seja, tem que respeitar as instituições e alguém dentro das instituições, e o Benfica tem esse alguém, chama-se Rui Costa, tem que fazer explicar muito bem explicadinho que a instituição, o clube, estará sempre acima de tudo e de todos os interesses pessoais. E se eles querem realmente melhores vidas, que os obtenham jogando, trabalhando para isso e depois, obviamente, vão à sua vida com os contratos e com os milhões. Eu acho que estamos a viver aqui o síndrome da Arábia Saudita, que é exatamente os jogadores que não são titulares, de repente querem sair todos embora. Não faz sentido. Mas há aqui também um aspecto, chamado Roger Schmidt, o verdadeiro líder, e ele demonstrou publicamente, eu não sei o que se passa lá dentro e por isso dou esta margem de manobra, que publicamente não está a ser. Queimou um jogador em praça pública, não o tinha que fazer, tinha que resolver internamente a questão, mesmo que não quisesse mais o Vlachodimos, mesmo que ele fosse o segundo ou terceiro guarda-redes, nunca perante um jogo em que houve mais responsáveis na derrota do Bessa, a começar por ele, na maneira como ele fez as substituições, queimar em praça pública um jogador não o pode nem o deve fazer. Se for uma situação comportamental, de alguém que não vai aos treinos, de alguém que acorda tarde, de alguém que é mau colega, eu aí até posso compreender que de vez em quando, publicamente, se possa dar um cheirinho, como o Sérgio Conceição já deu, como o próprio Mourinho já deu, que é aquela coisa do compromisso com o treino. Quando foi aquela questão do Casillas, o Sérgio Conceição deu um bom exemplo, na altura, não sei se se recordam. Deu logo a entender que quem não treina bem, não joga. Isso é possível, mas tem a ver com uma questão comportamental. Não tem a ver com o guarda-redes que saiu antes, saiu depois, deixou passar a bola entre as pernas ou outra coisa qualquer. E o Benfica, neste momento, aparentemente, pelas notícias, está com problema de jogadores que, não jogando, e o caso do Neres. O Neres pode não ter jogado, não ser neste momento titular, mas mereceu claramente a titularidade depois deste último jogo. E também não nos podemos esquecer que há jogadores, e eu não sei porquê, encaixo o Neres um bocadinho como o Toni Martinez. Há jogadores que são muito bons no banco para entrarem e para resolverem mais do que às vezes pela titularidade. Mas neste momento, olhando para a forma física do Rafa, no sentido físico e felício, olhando para o Rafa, olhando para o João Mário, eu acho que o Neres, neste momento, tem mais capacidade de ser titular, até pelo rendimento que já tinha dado na pré-época, de qualquer outro. Agora o Benfica tem aqui um problema para resolver, porque de repente parece que está tudo incendiado lá para dentro e quer-se toda a gente ir embora.
Um problema bicudo para ser resolvido por Roger Schmidt. Entretanto, e sobre o guarda-redes Vlachodimos, voltou hoje aos treinos e à saída deu autógrafos e tirou fotos com adeptos do Benfica. Estava visivelmente sorridente à saída do Seixal. Vamos ao Gabriel Alves. Gabriel, muito boa tarde. O nosso especialista em futebol espanhol. Isto porque precisamos da tua ajuda no caso Fresneda. Diz que o Deco, pelo menos é isso que escreve o jornal espanhol "Sport", não concorda com o facto de a direção do Barcelona querer retirar-se da corrida pelo jovem lateral-direito, um menino de 18 anos. O Sporting já está a esfregar as mãos?
Boa tarde. Em relação ao Fresneda, não tem nada a ver com o tal futebolista que apareceu aí, espanhol também, que vinha da Andaluzia e chamado Carmona, acho eu. Foi assim que ele foi apresentado. Muito bem. São coisas completamente distintas, diversas. O Fresneda é um bom jogador, é um jogador muito interessante, muito bom perfil, de qualidade, um jogador em que a profundidade não é comprimento. Ele sabe o que é que faz, sabe posicionar-se. É um jogador de passe, com bom passe, capacidade de recuperação em termos defensivos, que é o fundamental para um lateral. Não é igual a Porro, esqueçam. Não há jogadores iguais. Pode haver tipologias, mas nem isso. São jogadores diversos e portanto, Fresneda é um jogador importante para o Sporting. Onde está a aparecer Deco a falar? Eu acho que nesse aspeto, e Deco e a sua posição no Barcelona, isso dava para fazermos um livro e por isso eu não vou falar. A saída do senhor Alemany, que é considerado um dos melhores diretores desportivos da Europa, é evidente que tem outras razões e eu não queria entrar agora por aí, porque isso daria um programa, dois programas, três programas. Mas olhem, Jorge Mendes deve estar muito satisfeito que Deco seja agora o diretor do Barcelona. Luís Campos no PSG, Deco no Barcelona. Fantástico.
E Luís Pinto Coelho, já agora, porque és scout. Fresneda, como está a sair o departamento de scouting do Sporting?
Sim, eu acho que muito bem. Acho que era um jogador que encaixava bem, uma margem de progressão brutal. Eu diria que é dos defesas direitos, pela idade que tem e a margem de progressão que tem, mais apetecíveis no mercado, mas o Sporting tem que acelerar se quiser fechar o jogador, porque se calhar ele ainda pode ir parar a outro clube da segunda circular. Se o Sporting não fecha rapidamente o negócio, ao que julgo saber, o Benfica também já anda a tentar cheirar o jogador novamente, por isso o Sporting tem que acelerar. Mas acho que era uma grande contratação do Sporting. É um valor avultado para um clube português, para um defesa direito, mas acho que vale a pena pela idade, pela margem de progressão, até pela experiência de La Liga que já tem pela idade. Acho que era uma grande contratação.
Muito bem. Força, Gabriel.
O Luís acabou agora de frisar o outro lado da segunda circular, o Benfica, mas também na própria Espanha. Atenção, há interessados em Fresneda. Mas há aqui um outro problema que eu gostaria também de realçar: é a precisão do Rúben Amorim. Não comprar muito, comprar o necessário e dar as indicações de quem quer. Portanto, uma boa observação. Ponta de lança, homem de meio-campo e um lateral direito. E os nomes foram devidamente identificados. Dois já cá estão. Vamos ver se vai conseguir ter o terceiro que pretende.
Faltam menos de 10 dias para o fecho.
É muito tempo, 10 dias é muito tempo ainda.
É uma eternidade. Vamos até a um outro tema que queria discutir convosco e aproveitando o facto do Pedro Henriques estar aqui conosco, falar do Hugo Miguel, o vídeo-árbitro que cometeu aquele erro no jogo entre o Casa Pia e o Sporting, ao não ter dado indicações de que haveria fora de jogo no primeiro gol do Paulinho. Pedro Henriques foi afastado de forma temporária. Não sabemos por quanto tempo, por parte do Conselho de Arbitragem, mas aparece aqui nomeado para a VAR num jogo da Liga Conferência. Não há comunicação entre as arbitragens nacionais e as europeias, neste caso? Não tem nada a ver uma coisa com a outra, provavelmente.
Não tem, exatamente. Mas deixem-me só dizer uma coisa. Atenção, rápido. Não se esqueçam que o Sporting, o negócio do lateral direito é com o Valladolid, certo?
Certo.
E o Valladolid não está a dever uma pipa de massa ao Sporting por causa do Plata. Portanto, o negócio vai se fazer mesmo. Não se esqueçam que o Sporting tem a haver muito a carcanho do Plata e, portanto, é uma forma de pressão. Relativamente ao AVAR, de forma rápida também. O AVAR do fora de jogo é que deveria ter dado a indicação, e dá, ao técnico da colocação da linha. Isto não tira a responsabilidade do VAR, que está, no fundo, na supervisão. Só que quando estás a trabalhar em equipe, de repente confias no homem que está ao teu lado, coloca a linha e nem sequer vais verificar. Por quê? Porque é aquela base que só acontece aos outros. E, portanto, o vídeo-árbitro acaba por ser o responsável, porque foi ele que comunicou com o árbitro a dizer gol válido. Na prática, foi isso. E como foram lestos a dizer, e bem, a pôr o comunicado cá fora, mas no meu ponto de vista errados no sentido de dizer que iam penalizá-los e até daqui a tipo perpétua, enfim, isso não se fazia. Davam o castigo que tinham a dar e obviamente que isso iria saber e não era preciso logo ir pra praça pública queimar os árbitros nessa perspectiva. Foi um bocadinho à Roger Schmidt, limpar as mãozitas, que os outros é que são culpados, eu nunca tenho culpa. Foi o que o Conselho de Arbitragem fez com isso. Relativamente à nomeação, vamos lá ver. O árbitro é nomeado pela UEFA. E a vídeo-arbitragem também é nomeada pela UEFA Enquanto os assistentes são a nossa própria federação e o Conselho de Arbitragem que vai nomeando, normalmente acho que os assistentes que estás habituado a trabalhar, é bom relembrar que já existem vídeo-árbitros especialistas a nível internacional e essas nomeações são internacionais. Eu vou relembrar uma coisa que ando a dizer há 20 anos e ninguém me ouve. Preferem ouvir, não posso dizer o nome do senhor que fala na televisão como se fosse especialista de arbitragem. Dizer o seguinte, eu ando a dizer isto há mais de 20 anos: a UEFA e a FIFA nem fazem a mínima ideia do que se passa com os árbitros nos seus países. A não ser que seja um caso de corrupção ou uma coisa assim muito agressiva. Agora, se marcou o pênalti, se fez o Benfica-Sporting ou Bayern, eles não fazem a mínima ideia, nem querem saber. Claro que obviamente, como são pessoas do futebol, acabam por saber, mas isso não serve para nada. Podem ter as melhores notas nos países, a nível nacional, podem ter as piores notas, eles só olham para as prestações dos árbitros a nível internacional e as notas que recebem dos jogos a nível internacional. Isto é um castigo que advém de uma situação técnica, de um erro técnico de análise e observação. Não é uma situação em que houve corrupção, não é nada disso. Se fosse assim, obviamente que eles iriam ligar. Ou um mau comportamento, aí eles iriam ligar. Agora, questões técnicas, marcou pênalti, não marcou, deu indicação. A UEFA não quer saber, eles fazem as suas nomeações e é à parte. Agora, como é óbvio, isto choca aqui um bocadinho. A maior parte das pessoas, o que vai dizer? "Então, olha, o indeterminado foram dois dias ou três, porque eles agora vão fazer o geng." É um bocadinho isso. E agora é que o Conselho de Arbitragem devia chegar à frente e dar estas explicações que eu estou a dar, da mesma forma célere, que é para não haver dúvidas de como é que isto funciona, porque as pessoas não sabem. E como nem toda a gente nos ouve, infelizmente, e preferem ouvir determinadas pessoas que são especialistas em arbitragem, mesmo nunca tendo estado no terreno de jogo, nem nunca tendo feito um abdominal, nem sabem o que significa o Conselho de Arbitragem, por isso vão continuar em dúvidas relativamente a isto e é mais umas achas na fogueira contra o Conselho de Arbitragem.
Nem todas nos ouvem, mas há muitas, de certeza, e acabaram de ficar mais esclarecidas. Hoje vamos ter mais tempo para os nossos campeões. Sinto que temos tido pouco tempo para destacar, pelo bem e pelo mal, os protagonistas de cada dia. Portanto, temos mais tempo. Luís Pinto Coelho, começo por ti, o teu campeão.
Eu vou dar aqui a Liga Portuguesa. Nestas duas primeiras jornadas, os jogos foram de muita qualidade, muita incerteza, muita gente nas bancadas. Eu sei que é agosto, estão cá imigrantes, é mais fácil de encher os estádios, o tempo está mais agradável, mas foram bons registos e principalmente de equipas mais pequenas que se bateram, por exemplo, o Farense no Estádio do Dragão, o Estrela da Amadora na Luz, os jogos também que o Sporting teve bastante dificuldade e o Braga. Eu acho que é este o caminho e acho que é de destacar. Estas duas primeiras jornadas foram interessantes a todos os níveis e espero que continue, por isso um 17 para a Liga Portuguesa.
Muito bem. Gabriel Alves, hoje tens campeão ou despromovido?
Vou falar de Pep Guardiola. Vai estar ausente, está em Barcelona onde foi operado. Vai estar até ao final do vírus, se for isso que é, daquela interrupção dos jogos, portanto, só depois do dia 11. Lá para dia 14 é que volta ao banco do Manchester City. Mas ele é um treinador, de facto, muito interessante. Reparem que vai contratar o Manchester City, naturalmente por sua orientação e indicação, um internacional belga de origem ganesa que joga no Rennes, que é o Doukouré. É um excelente jogador. Eu ainda tive a oportunidade de observá-lo no último fim de semana, no jogo que o Rennes disputou com o Lens, em que ele entra. Ele não entra titular, ele entra a meio da segunda parte, mas que bem joga este menino. Aliás, eu já o tinha observado também na temporada passada. É um jogador fabuloso, de velocidade, de sentido tático. Tanto se joga sobre a direita como pela esquerda. Sabe articular o jogar sem bola para ter a linha de passe que lhe poderá ser endossada. É um futebolista fantástico. Custou 26 milhões de euros ao Rennes em 2020. Ele veio do Anderlecht. É um jogador que realmente está na imprensa internacional como substituto de Mahrez para o Manchester City. Ele não é o Mahrez, ele é outra tipologia de jogador e vem de acordo àquilo que normalmente Guardiola diz: os jogadores têm que ter desafios, os clubes têm que ter desafios. Daí que, naturalmente, ele agora tenha um novo desafio com este menino, que não vai chegar ao City e é titular. Não. Tudo tem que ter a sua evolução em todos os clubes, tal como aconteceu ultimamente até com o tal jogador do Sporting que veio para o meio-campo, não foi titular, entrou a partir de determinada altura. Ele vai aprender muito, como aprenderam outros que naturalmente estão no City e que esperam pela sua entrada e pela sua posição. Vejam agora, De Bruyne está magoado e só lá vem para janeiro, fevereiro. Mas está a fazer de Phil Foden um grande jogador nessa posição que normalmente é a posição do internacional belga. Ele sabe trabalhá-los. Isso é um treinador. É ele, Ancelotti, Klopp, o próprio Pochettino e mais uma dúzia deles que andam por aí, felizmente. E há outros que são bons aprendizes. Mas em Portugal temos bons treinadores. Eu quero referir, eu quero deixar bem ficado que Rúben Amorim é um excelente treinador, que Sérgio Conceição é um excelente treinador, em qualquer equipa, em qualquer parte, e que nas outras camadas há excelentes treinadores que ainda vão dar muito o que falar no futebol.
Qualidade do produto português no futebol também destacado aqui pelo Gabriel Alves. Terminamos com o campeão do Pedro Henriques.
O meu, neste caso, campeão é uma nota negativa, aqui também para o lado.
É um despromovido, não campeão.
É um despromovido, é um descampeão. O Unai Simón, como nós sabemos, que é guarda-redes do Bilbao, foi alvo de insultos no jogo por parte de um adepto radical do Osasuna e também da claque, sobretudo com aquilo que são gritos homofóbicos. Estavam além de chamar vários nomes a ele, sobretudo por ele participar na seleção espanhola e nós sabemos que Espanha tem muito essas divisões, até há partes de Espanha que querem autonomia, e isso depois chega também ao futebol. E o futebol tem que ter essa capacidade de ser aglutinador e de não ter exatamente a ação contrária. Portanto, é grave, porque muitas vezes nós só ligamos e só se torna notícia quando é racismo. O racismo tornou-se um bocadinho moda, mas eu acho que estas coisas ainda são tão ou mais graves, e espero que uma vez que o adepto foi facilmente identificável, aliás, um dos programas espanhóis onde falam exatamente de futebol, no "El Día Después", acho que é assim que se diz, mostrou claramente quem é o adepto, especificamente, e espero que Espanha também tome medidas, porque estes adeptos podem ser muito radicais, podem ser muito maus lá na rua deles, têm que ser afastados e erradicados do futebol, do mundial e obviamente aqui em Espanha também. E por isso espero que façam isso, porque sempre que vemos situações destas, que põem em causa o gênero, a orientação sexual, racismo, homofobia, o que quer que seja, nós não nos podemos calar e temos que ter força e voz. E obviamente, para isso precisamos do apoio de quem comanda e quem manda, nomeadamente as federações, os conselhos de disciplina, a justiça, etc, dos respectivos países, para que isto seja erradicado e que estes indivíduos sejam mesmo penalizados, porque já sabemos isso, e vou dizer se calhar pela 20ª vez, só com penalizações é que a maior parte dos seres humanos consegue perceber que tem que mudar comportamentos. Podem não mudar porque querem, mas pelo menos mudam porque são obrigados. E esta circunstância realmente foi grave no que diz respeito ao insulto que esse adepto do Osasuna teve para com o Unai Simón.
É assim que nós fechamos mais uma edição de "O Campeão É", hoje com Pedro Henriques, Gabriel Alves e Luís Pinto Coelho.