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85.422. Nunca tanta gente, em nenhum lugar do mundo, tinha votado tanto nas eleições de um clube. O recorde mundial pertencia ao Barcelona, desde 2010. O Sport Lisboa e Benfica bateu esse recorde e fica para a história. Como o número foi tão expressivo, os votos ainda estão a ser contados. Ainda não há certezas quanto a uma segunda volta. Ainda que haja surpresas, contrariando todas as sondagens, Rui Costa está na frente com mais de 45% dos votos. Se bem que isto pode sempre alterar e vai alterar ao longo desta edição especial do "E o Campeão É". Segue-se João Noronha Lopes, com pouco mais de 27%. Luís Filipe Vieira aparece à frente de João Diogo Mantegas. Martim Mayer e Cristóvão Carvalho ocupam desde já os dois últimos lugares. Mas no meio disto tudo, o futebol não para. O Benfica venceu o Arouca por 5 x 0 na Luz, direito a trick de Pavlidis, que é já o melhor marcador do campeonato. E ainda hoje o Sporting vai ao Tondela pressionar o Futebol Clube do Porto, que está na liderança do campeonato. Temos muitos temas para falar, Miguel Vieira, com o João Pinto, Pedro Henriques, o João Castro e o Luís Pinto Coelho. Sejam todos muito bem-vindos. Vamos começar, como é claro, pelo João Pinto. A perceber se ele dormiu bem esta noite, se estás bem acordado. Não estava previsto estares aqui hoje conosco. Obrigado por teres tirado um bocadinho do teu tempo para estares aqui conosco. Eleições mais participadas de sempre, um recorde mundial. Os votos estão ainda a ser contados. Rui Costa segue na frente. As sondagens sempre foram muito favoráveis a Noronha Lopes, João Pinto. Como é que tu olhas para estes resultados, que ainda são provisórios, mas há uma clara vantagem para Rui Costa? Bom dia.

Bom dia. Antes de mais, sublinhar aquilo que disseste há pouco sobre os números, sobre a enorme afluência e toda esta massa que decidiu participar no ato eleitoral. Portanto, uma nota de campeão logo para isso. E depois em relação àquilo que têm sido os resultados, como disseste, uma surpresa, e depois duas alíneas a essa surpresa. A primeira é que realmente é difícil mudar. O Benfica sempre foi assim e sempre foi um clube com alguma resistência à mudança. Por muito que aconteça, e viu-se isso com Luís Filipe Vieira na primeira eleição que Noronha Lopes participou, em que já havia todos aqueles escândalos judiciais e tudo, e mesmo assim Vieira ganhou. E depois a segunda nota é que Rui Costa, com a mudança dos estatutos, tira a si próprio a possibilidade de ganhar as eleições só com uma volta. E esse, para mim, continua a ser o seu grande mérito, a capacidade que teve de gerir uma revisão de estatutos que se prova, traz democracia e traz essa possibilidade dos sócios voltarem a escolher entre dois candidatos. Se assim não fosse, Rui Costa já era presidente. Tentar perceber os porquês, tentar perceber o que é que fez com que as pessoas votassem Rui Costa, já é muito mais complicado e já implica muito mais tempo do que uma análise aqui feita em 30 segundos sobre algo que se conhece há pouco mais de uma hora. Portanto, é preciso refletir, é preciso perceber e, mais do que tudo, é preciso avançar e pensar no Benfica.

Vai ser preciso ainda esperar pelos resultados finais para fazer uma leitura mais fina deste ato eleitoral. João Castro, bom dia também, bem-vindo. A mesma pergunta, há alguma surpresa pelo fato de Rui Costa surgir destacado nesta eleição, tendo em conta aquilo que foram as sondagens que fomos conhecendo ao longo da campanha eleitoral?

Olha, para mim não é surpresa. Deixa-me te dizer já que os benfiquistas preferem camarão da costa do que hambúrgueres. Percebeu-se isso aqui já pelos resultados. É claramente uma escolha dos benfiquistas e não é surpresa. E atenção, que eu já tenho licenciatura em eleições no Sporting. Eu acho que há uma bolha nas redes sociais. Há sempre uma bolha, sobretudo no Twitter ou agora o X, e a percepção que dá é que o Noronha Lopes ia ter uma grande votação. E eu sempre disse que o Vieira e o Rui Costa, nos eleitores que têm mais votos, porque é assim no Benfica e no Sporting, elencando o que o João disse, há sempre resistência à mudança, e sobretudo as pessoas com mais anos de sócio e pessoas também que podem ter mais idade. Isso pesa muito. Eu acho que se ficou com uma ideia errada através das sondagens, e às vezes as sondagens falham claramente, e através das redes sociais, que o Noronha ia limpar as eleições ou provavelmente ter uma grande votação. A verdade é que não acontece pelos números. É verdade que o Rui Costa, nesse caso, tem uma grande votação. E também é verdade que a entrada do Filipe Vieira nas eleições com esta porcentagem também faz com que mudasse aqui algumas coisas. Eu gostaria, ou podemos fazer esse cenário, se o Luís Filipe Vieira não tivesse candidatado, pondo aqui esta porcentagem do Luís Filipe Vieira em termos de votos.

Aliás, João, há bocadinho o Bruno Batista, que é o diretor de campanha do Luís Filipe Vieira, acabou por dizer isso. Disse que o voto em Rui Costa acaba por ser também um voto de continuidade no vieirismo. Ainda que não tivessem votado em Vieira, ele assume desta forma.

Claro. Se o Vieira não se tivesse candidatado, aqueles perto de 15% podiam definir as eleições do Benfica.

Ainda podem vir a definir, na perspectiva de uma segunda volta.

Sim, ainda podem vir a definir. Eu estou a dizer à primeira. À primeira podia definir claramente já uma vitória do Rui Costa. Portanto, acho que foi uma entrada que mexeu um bocadinho com as eleições, mas não tenho tanta surpresa pelo Noronha Lopes, porque já sei que o Twitter é uma bolha. Aconteceu isso no Sporting várias vezes em várias eleições. Dava uma perspetiva que ia haver ou uma grande mudança, ou uma grande vitória, depois não acontecia. Mas é o que é, os benfiquistas preferem a continuidade. Obviamente, o trunfo eleitoral do Rui Costa, do Mourinho, acho que também foi essencial.

Luís Pinto Coelho, tu também tiveste eleições não há muito pouco tempo, no Futebol Clube do Porto, que consagraram o André Villas-Boas como novo presidente. Como é que olhas para estes resultados, para tudo aquilo que foi dito ao longo desta campanha eleitoral e para o fato de Rui Costa aparecer aqui com uma larga distância à frente de João Noronha Lopes? Ainda não se sabe se pode ou não já garantir a vitória nesta primeira volta. Um cenário que ontem, quando falávamos disso, parecia até muito distante.

Sim, eu acho que era algo esperado, esta possível segunda volta com estes dois candidatos. O que eu não esperava era uma diferença tão grande. Esperava que Noronha Lopes tivesse um pouco mais. Acreditava que o Rui Costa ia ter uma porcentagem também bastante interessante, mas Noronha Lopes muito abaixo até do que se esperava. Como o João Castro referiu, muitas vezes as perceções enganam um pouco. Eu sabia que aqui a norte, em casas fortes, quer Vieira, quer Rui Costa, em Famalicão, em Paredes, em Barcelos, iam ter votações fortes. Esperava um pouco mais de Noronha Lopes, principalmente na questão do estádio, ali na zona de Lisboa. Não se confirmou. Eu acho que o Noronha Lopes teve um pecado capital, que foi o ataque constante a Rui Costa e de uma forma muitas vezes até agressiva. No debate isso percebeu-se. Qualquer resposta que ele dava, começava sempre por atacar Rui Costa. Eu acho que há uma linha que começa a ser prejudicial. Acho que os candidatos têm que apresentar as suas ideias, não têm que estar sempre constantemente a atacar o adversário. Acho que isso foi um bocadinho fatal. E depois acho que ele não representa muito, se calhar, a maioria dos benfiquistas. É uma pessoa que não está ligada ao desporto, não é visto como aquele benfiquista. Obviamente, Rui Costa foi um jogador do Benfica, já está a dirigir há muitos anos. Não sei, parece-me que Noronha Lopes capta uma certa bolha, mas depois no grande eleitorado não chega aí. Mas isso é os estatutos do Benfica. Em plena época, agora vão se calhar mais 15 dias disto. São estatutos um pouco já nos votos é um bocado estranho, agora mais 15 dias de uma segunda volta. Acho que não faz muito sentido. Acho que a diferença é tão grande, não me parece que possa haver aqui alguma surpresa, até porque o Vieira teve uma votação relativamente interessante e esses votos vão para o Rui Costa, como é evidente.

Deixa-me então pegar nessa deixa para perguntar ao Pedro Henriques se essa mais que provável segunda volta, na tua opinião, pode ter características diferentes deste primeiro ato eleitoral, quando os adeptos forem confrontados de forma direta com a escolha entre a continuidade e a rutura. Anticipas que o sentido de voto possa alterar de forma substancial face a esta primeira ronda?

Muito bom dia. Sete pontos de reflexão, esse é o meu terceiro ponto. Primeiro ponto: é um facto que o Benfica ontem bateu realmente um recorde que é mundial, mas eu alerto que isto é muito importante, o Benfica está nessa noção. O que adianta ter nas bancadas os campeões do mundo, se depois dentro do campo nem campeões nacionais têm. E o problema do Benfica não é resolvido por se bater recordes e por ter realmente uma grande afluência, um clube que está muito vivo e que realmente é, porventura, a maior potência desportiva sob este ponto de vista, potência desportiva, em termos daquilo que são as interações com os seus adeptos e os adeptos muito participativos. Interessa é que dentro do campo estejam esses campeões do mundo. E ontem, no Estádio da Luz, no jogo, estavam nas bancadas foram aqueles que foram votar. Eu acho que isto é importante, porque depois, de repente, há aqui uma ilusão que isto é tudo nosso, seja qual for o nosso, e depois esquecem-se que o importante é dentro de campo ganhar. A segunda questão é que acho que todos nós, de uma maneira geral, talvez não com esta diferença entre Rui Costa e Noronha Lopes, tínhamos esta ideia que era ir haver uma segunda volta, confirma-se, e que seria entre Rui Costa e Noronha Lopes. Muitas vezes, todos nós, se calhar, pensamos é que seria ao contrário, Noronha Lopes a ganhar vantagem sobre Rui Costa ou a vantagem Rui Costa ser mais reduzida. Terceiro ponto, que é isso que tu estás a dizer, que isto vai ser muito interessante. É tentar perceber que quem votou nos outros candidatos, votou obviamente por esses candidatos, mas votou muito na mudança, ou seja, na perspectiva de não votar em Rui Costa. E estes, vamos dizer que 25%, talvez, entre Luís Filipe Vieira e Diogo Mantega, que está aqui talvez 23, 25%, que neste momento Rui Costa tem uma diferença de 17%, será por aí, em relação ao Noronha Lopes, por onde é que vão tender exatamente estes? Porque agora temos uma questão: se já votaram em outros candidatos para tirar de lá o Rui Costa, será que agora vão abster-se? Será que agora, se calhar, entre um e o outro, que nenhum deles é o candidato, vamos pelo menos fazer uma coisa que é tirar de lá o Rui Costa? E isso pode vir a mudar o panorama das eleições. Se bem que o Luís Filipe Vieira disse que há aqui uma tendência de continuidade em relação ao Luís, porque o Rui Costa poderia representar isso. Portanto, aqui as minhas dúvidas estão exatamente nessa deslocação de votos, porque entre dois candidatos que ninguém quer, entre aspas, ninguém quer, estou a falar dos tais 25%, dizer assim: "Não, entre os dois, então vamos tirar de lá o Rui Costa." E isso pode vir a mudar aqui as questões. Depois, não consigo perceber esta questão de não haver voto eletrónico e vou explicar porquê. A questão do voto eletrónico, para mim, o mais relevante e importante é acabar com as assembleias e votações em que tens mil adeptos organizados, normalmente, e o Benfica e o Porto Sport têm-nos lá sempre para condicionarem, para impor o medo, etc. E acho que num passe evolutivo, acho que o voto eletrónico tinha evitado todas estas olheiras que muita gente hoje tem, porque estar ali a noite inteira, a malta pode achar graça, mas acho que isso não tem muita piada. Depois, acho que o Rui Costa tem um momento muito importante na sua candidatura que é quando, neste processo, retira de lá o Bruno Lage e mete o José Mourinho. Repara que todos os outros candidatos que tivessem lá o Bruno Lage iriam apresentar um treinador diferente e todos os candidatos baixaram a bolinha e disseram: "Não, o José Mourinho está bem". Então se o José Mourinho está bem, quer dizer que o Rui Costa acertou claramente na mudança e isso faz toda a diferença. Dois últimos pontos para terminar, que é esta questão da perceção. Isto estuda-se na universidade e nós temos estes fenómenos muito estudados na Faculdade de Motricidade Humana, até por causa da questão desportiva. Eu vou só dar um exemplo e acho que não tem mal falar sobre isto aqui. Eu, para outro sítio onde trabalho, que é o Jornal da Bola, faço vídeos e os vídeos normalmente, os principais, a nível do TikTok, têm entre 400 mil e 600 mil visualizações. Andamos sempre a rondar o meio milhão quando eu dou lá um detalhe sobre um penal de fora de jogo. Três mil mensagens, 2999 é todos a chamar-me nomes e a dizer todas as coisas possíveis. Quem olhar para aquilo, qual é a perceção que tem? Sou o pior comentador do mundo. Mas na prática e na realidade, esses são aqueles que não gostam de mim, porque nos outros, pelo menos, mesmo que gostem ou não gostem, abstiveram-se ou não disseram nada. Quer dizer que estamos a falar dos outros 400 mil, etc. E aqui é a mesma coisa. Acho que a perceção que vem nas redes sociais foi exatamente daqueles 10, 20, 50, 100, que queriam tirar do Rui Costa, porque todos aqueles que, até a maioria, gostam do Rui Costa, obviamente nem sequer fizeram barulho. E esta perceção é muito estudada. E termino com aquilo que disse o Luís Pinto Coelho, que eu acho que é muito importante. Acho que o Rui Costa fez muito bem em não fazer tantos ataques pessoais e acho que muitas das outras candidaturas perdem-se porque começaram o seu discurso e as suas ideias contra Rui Costa. Foram eles que fizeram a própria publicidade ao Rui Costa e hoje em dia as campanhas já não se fazem assim. Um ou outro partido ainda se safa, partido político, mas a maior parte é: digam quais são as suas propostas, mais do que estar a atacar pessoalmente e em termos profissionais os outros. E acho que aí foi o grande trunfo do Rui Costa em relação aos outros e agora fica em aberto estes 25% que estão aqui das duas candidaturas que ficaram em terceiro e quarto lugar, para onde é que se vão deslocar.

O João Pinto já não se vai juntar a nós depois da pausa. Daqui a pouco vamos ter uma síntese de notícias. João Pinto, só para terminar e também para estar aqui um bocadinho de tempo, um minuto para falar sobre o jogo. Já não temos João Pinto. Não tem mal. Ele foi tão generoso em estar aqui conosco, já tem desculpa. Não há problema, Rita, obrigado por me teres avisado. Então vamos fazer aqui a nossa pausa. Voltamos já a seguir. Vamos fazer aqui uma curta síntese de notícias e daqui a pouco vamos voltar com a segunda parte de "E o Campeão É". Vamos ainda falar da vitória do Benfica ontem, também é importante, 5x0 frente ao Arouca, do jogo mais logo do Sporting e ainda também de Rúben Amorim, se tivermos tempo e se lá chegarmos. Até já a todos. Uma primeira parte dedicada às eleições no Benfica, se assim se justificar, lá voltaremos para apurar esses dados, mas para já também importa ir até ao jogo que aconteceu ontem na Luz. Houve uma goleada nas urnas, mas também em campo. O Benfica venceu por 5x0 o Arouca. Hat-trick de Pavlídis, Otamendi e Ivanović também marcaram para os encarnados, num jogo com três penáltis. Diz o Pedro Henriques, no "Sem Falta", que foram os três bem assinalados. Luís Pinto Coelho, começo por ti. O que dizer deste resultado que deixou Mourinho e os outros do Benfica bem contentes? Ainda assim, é um resultado demasiado pesado para o Arouca, tendo em conta aquilo que fez na partida?

Pesado não diria, porque o Arouca também não fez grande coisa. O Benfica também não precisou de fazer grande coisa. Foi um bom treino para marcar penáltis. Vem aí Taça da Liga, às vezes pode ser preciso. E eles fizeram ali um treininho. Foi bom. Eu fico sempre espantado, porque depois tecnicamente a gente olha para os lances e diz: "Ok, são penáltis", mas depois eu também olho para outros errões e também acho que são penáltis e depois não são, porque uns é à inglesa, outros é à portuguesa. Eu acho que temos que ficar no meio-termo. É a arbitragem à espanhola, se calhar é o melhor, porque entre portuguesa e inglesa as coisas não estão bem afinadas, na minha opinião. Mas acho que é um jogo sem história. Aos 15 minutos está 2x0 com dois penáltis. Depois Mourinho dá para gerir da melhor maneira a questão do plantel. Ele depois na conferência de imprensa tocou muito violino, a dizer que foi um jogo propício para lançar outros jogadores, que em Newcastle sentiu que não podia. Ontem foi propício, com 3x0 ao intervalo dava para lançar até o Júnior. É um jogo sem grande história. Eu espero outros jogos para perceber se Mourinho está mesmo ligado ao resto do plantel e acredita neles ou então este foi um acaso, porque o jogo estava completamente resolvido. Vamos ver nos próximos jogos se Mourinho acredita mesmo no resto do grupo ou então foi uma coisa circunstancial.

João Castro, pegando nestas palavras, pergunto se esta exibição deu para perceber se há melhorias no Benfica, se já há a ideia de José Mourinho na forma de jogar do Benfica ou se é um jogo que pelas características que teve, é difícil fazer essa análise.

Não, não dá para tirar essas conclusões. Melhorias já houve com Mourinho, sobretudo em jogos mais fortes a nível defensivo

De resto, neste jogo, os timings do jogo foram todos a favor do Benfica. Quinze minutos, 2 x 0 de penáltis. Aos 28 minutos, acho que há um lance essencial para o jogo, é uma oportunidade clara do Arouca e se faz 2 x 1, as coisas podiam ser diferentes. E depois o Benfica marca no último minuto da primeira parte, faz o 3 x 0 e matou completamente o jogo. Depois o resto é história. Não dá para avaliar dessa forma. O Benfica acaba porque ganhou bem, obviamente, foi o jogo perfeito. O Arouca é a pior defesa do campeonato nesta altura. Estava atrás do Aves e eu acho que é um dos pontos fracos desta equipa do Vasco Seabra, que até trocam bem a bola, mas a nível defensivo são muito premiáveis e o Benfica aproveitou isso tudo. E obviamente aproveitou também Pavlídis para passar para a lista dos melhores marcadores. Se o Sporting tivesse três penáltis num jogo, iam dizer que o Varandas dominava isto e o universo.

A vossa sorte é que não está cá o João Pinto, senão ele já estava.

É verdade. Não quer dizer que não seja penáltis, eu não disse que não era penáltis, mas eu estou a dizer, se o Sporting tivesse três penáltis num jogo, o que já tinha saído um comunicado. Mas é uma vitória fácil do Benfica, é uma vitória que vem a calhar para o Mourinho, bem precisavam desta vitória. Têm agora uns jogos que podem realmente ser mais, entre aspas, acessíveis, não há jogos fáceis, mas mais acessíveis, e o Benfica aproveitou e deu até para rodar um pouquinho a equipa.

Pedro Henriques, lá tivemos Osnas a voltar aos velhos tempos e a recuar no terreno. Prestianni deu cartas e até fez uma boa exibição. Talvez esteja na hora de dar uma oportunidade ao jovem argentino.

Olha, em relação ao Prestianni, que até do 11 que ontem coloquei, acertei em 10, falhei no Prestianni, mas depois pus-me a pensar se fazia algum sentido, porque como dizia aquela frase típica, "o futebol é o momento e o homem com H grande é o homem e a sua circunstância", há que muitas vezes aproveitar essa circunstância. O rapaz vem motivado, rapaz no bom sentido da palavra, vem motivado do Mundial, está certo que perdeu a final, mas esteve no Mundial, teve boas prestações, esteve num patamar bastante elevado com visibilidade mundial, é um bom jogador e lá está, às vezes tu rendes em função da tua atitude mental e psicológica. E acho que o José Mourinho aqui, que treina com ele e sabe como é que ele estava em termos emocionais, técnicos, físicos, etc, aproveitou e o Prestianni, como diz o jornal, foi o Prestianni do Mundial, que esteve irrequieto e se calhar o Benfica ganhou aquilo, ganhou no sentido andar à procura de um ala, de um extremo ou de quem quer que seja, e se calhar conquistou esse ala ou extremo. E depois o Pavlídis, independentemente com penáltis, sem penáltis, o Pavlídis foi o Pavlídis do costume. Acho que é um jogador que ninguém tem dúvidas da sua capacidade e da sua qualidade e numa equipa que esteja a funcionar bem, que esteja motivada, seja ala qual for, o Pavlídis será sempre um daqueles jogadores que estará perto do gol e de fazer gols e de conquistar, ou pelo menos lutar pelos melhores marcadores. Em relação ao Arouca, eu só queria dizer o seguinte: eu quando vejo o Vasco Seabra falar que fomos desbloqueados por dois penáltis e considero exagerada mais uma derrota frente a um candidato ao título, eu só queria relembrar, assim de repente, que tenho aqui memórias, deixe-me só pôr aqui, cinco do Benfica, quatro do Porto e seis do Sporting. E portanto, eu acho que isso já não é coincidência, nem é uma noite má, é qualquer coisa que se passa e sobretudo quando nós olhamos para o setor defensivo e para a ideia de jogo e para a atitude, isto é muito bonito a gente querer olhos nos olhos e jogar futebol positivo e assertivo, mas eu continuo a ser muito mais daqueles que trabalham em função do adversário, quando são equipas menores, obviamente, e do resultado do que propriamente nesta ideia muito louca, que é vamos jogar olhos nos olhos e fazemos tudo igual, seja em casa, seja fora, seja com qualquer adversário. Finalmente, só para não haver dúvidas, foram três penáltis claros e óbvios e bem assinalados. E a lei 12, que eu aconselho a malta a ler, tem 12 circunstâncias que são punidas com livre direto, quando cometidas na área, com pontapé de penálti. Nessas circunstâncias, cada uma delas tem um propósito e uma maneira de analisar que é diferente, conforme o International Board explica. E, portanto, agarrar não é a mesma coisa que jogar a bola com a mão. E é por isso que, porventura, as pessoas podem ter algumas dúvidas relativamente às circunstâncias. Três penáltis claros e óbvios, muito bem assinalados ontem.

Palavra do antigo árbitro Pedro Henriques. Com esta vitória por 5 x 0 frente ao Arouca, o Benfica sobe ao segundo lugar do campeonato com 21 pontos, ultrapassa o Sporting, que só joga hoje. Deslocação ao terreno do Tondela, que tem apenas cinco pontos nesta edição do campeonato, penúltimo lugar. João Castro, o que esperas deste encontro com um adversário que não costuma causar grandes dificuldades ao teu Sporting? O que esperas deste encontro para o qual Rui Borges decidiu levar quatro jogadores da equipa B, quatro novidades da equipa B para este encontro?

É verdade. Espero três pontos. Não espero uma grande exibição, espero três pontos, espero que seja um jogo que o Sporting consiga desde logo impor a sua mais-valia perante um Tondela, que eu acho que só tem quatro gols marcados, tem muitas dificuldades ofensivas também. E está com plantel muito curto, eu acho, para a primeira liga, vão ter muitas dificuldades. E o Sporting tem que impor o seu jogo e tentar resolver o jogo o mais cedo possível. Para não deixar o Tondela sonhar com algo, e o algo seria obviamente vencer ou ter pontos neste jogo. E portanto, acho que o Sporting pode aqui rodar alguns jogadores. Não muitos, claramente, mas pode haver aqui uma ou outra surpresa no 11. Mas acho que o fundamental é o Sporting vencer, entrar bem, não deixar dúvidas, e depois gerir o jogo com bola e com resultado, porque obviamente têm sido desgastantes estes jogos que o Sporting tem feito e sobretudo fez mais 30 minutos na Taça de Portugal diante do Paços de Ferreira. E, portanto, espero que realmente seja um Sporting capaz de desbloquear o jogo o mais rapidamente possível, para depois, obviamente, responder a esta vitória do Benfica e aguardar por esse jogo, que eu acho que é o jogo mais difícil da jornada para os grandes, que é a deslocação do Porto a Moreira de Cónegos. Portanto, acho que o Sporting tem que fazer hoje o seu papel e o seu papel é vencer.

E o Sporting que depois joga já na terça-feira para a Taça da Liga frente ao Alverca.

Aí eu punha Paixão, da equipa B. Pronto, fica aqui já a tua sugestão.

Tanta confiança?

Não, eu a Taça da Liga descartava completamente.

Ah, ia descartar. Ok.

Eu punha a rodar a equipa toda. Porque depois o Sporting joga com o Aves para o campeonato.

Exatamente.

Depois vai a Turim. Face ao momento físico de alguns jogadores do Sporting, era jogo que eu rodava mais de metade da equipa.

Pedro Henriques, falávamos aqui de jogadores, de 11. Vou pedir-te para mais logo declares a tua perspectiva daquilo que pode acontecer mais logo neste jogo do Sporting frente ao Tondela.

Duas coisas rápidas. Já vi que o João Castro alinha pelo Rui Borges, que diz: "A nossa Champions é o campeonato", por sua vez, tinha dito o Pote, e daí descartar os jogadores, neste caso, de todas as outras competições. Não estou a falar da Taça da Liga, obviamente, mas a Taça da Liga é muito bonita e é sempre bonito ser campeão de inverno. É giro depois ter lá os craques na Final Four. Mas estou a brincar um pouquinho com isso para dizer que eu concordo com o João, eu acho que o Sporting se calhar hoje vai colocar aqui alguns jogadores. Por exemplo, o caso do Diomande, não sei se o João concorda ou não, acho que hoje é para ir a jogo, até porque o Debast parece que tem três jogos, ou pelo menos está há um mês afastado, e se calhar o Diomande aparentemente pareceu em melhor forma depois da lesão, que pesa mais essas coisas todas, eu diria que estaria também em jogo. Dentro dessa perspectiva, Rui Silva, Vajani, Diomande, Gonçalo Inácio, Max, Ceruz. Eu acho que o Mourito regressa ao meio com o Umran, se bem que eu gosto muito de ver o João Simões. Gosto bastante. E depois Jannick Kaatram, Trincão, Pedro Gonçalves, Luís Soares. Eu sou fã do João Simões e da maneira como ele joga, mas acho que pode haver aqui algumas alterações, nomeadamente Diomande, Mourito e Kaatram, que podem vir ao 11.

Luís Pinto Coelho, o Sporting quer, naturalmente, pressionar o Porto. No teu íntimo, tu queres que o Sporting tropece em Tondela. Este Tondela será capaz de criar dificuldades ao Sporting, tendo em conta aquilo que tem vindo a fazer no campeonato?

Não acho muito provável. Acho que o Tondela tem um plantel que é das equipas que se calhar vai estar ali na luta para não descer. Não me parece um plantel muito rico em qualidade, tem dois ou três jogadores interessantes, mas depois parece-me algo curto, mas nunca se sabe, o perigo está sempre ao virar da esquina. Depende muito da abordagem do Sporting. Eu acho que depende sempre aqui um bocadinho mais dos grandes do que das outras equipas, como é que entram no jogo, se a intensidade é alta, se pressionam de uma forma organizada, forte. Isso cria sempre muita mossa nos adversários. Acho que se calhar uma ou duas alterações, mas também não acho que Rui Borges vá aqui mudar muito, porque acho que sim, depois na Taça da Liga aí vai fazer uma gestão maior, mas este jogo é fora, é sempre algo perigoso. Obviamente, Debast não está, por isso vai ter que haver aqui uma alteração no central. E Diomande também, parece-me que será ele o titular, mas de resto, não estou a ver grandes alterações. Talvez no meio-campo, o João Simões, vamos ver, porque ele é um bocadinho só jogador de Champions para o campeonato, depois vai para a bancada ou para o banco. Mas mais do que isso, não acredito, porque é o jogo. Embora com grande favoritismo do Sporting, jogar fora é sempre algo perigoso no nosso campeonato.

Fico sempre um bocadinho receoso destas previsões do Luís Pinto Coelho, porque da última vez, estou-me a lembrar, que fizeste uma previsão deste género, o Benfica empatou em casa com o Rio Ave. Portanto, esperamos que hoje o João Castro-

A ver se acontece outra vez.

Exato. Que hoje o João Castro-

A forma resulta é seguir, é continuar. É insistir.

Vamos ver se é um ritual ou não. O certo é que há emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador, Tondela-Sporting, a partir das 17h35. Temos ainda tempo para falar de Rúben Amorim, terceira vitória consecutiva na Premier League, ontem por 4x2 em casa frente ao Brighton. João Castro, a confiança está realmente a ser construída. Este Man United está diferente ou ainda é cedo para tirar essas conclusões?

Eu acho que o Manchester United está diferente já desde o início da época. Teve aqui alguns jogos onde até teve azar, noutros até foi prejudicado pela arbitragem. E não poderia ter conseguido ali mais pontos. A verdade é que o Manchester United, a esta altura, está em quarto lugar dali. Está à frente do Liverpool. Pasme-se.

Liverpool que está em queda permanente.

Mais uma derrota ontem.

Exatamente, perdeu ontem. Está a ser fantástica agora esta série de vitórias do Manchester United. E depois há um aspecto que as pessoas têm que perceber. O Manchester United já jogou com o Arsenal, já jogou com o Manchester City, já jogou com o Liverpool, o Chelsea, portanto, já jogou com os mais fortes. Embora em Inglaterra, todo o jogo, podes perder pontos.

Sim, eu ia referir isso. Está muito competitivo o campeonato e a diferença entre todos está muito curta.

O Sunderland está em segundo lugar.

Exatamente.

Recém-chegado à Premier League, um lugar que merece. A verdade é que eu acho que a equipa está melhor, e tenho que destacar aqui o gol do Bueno naquela assistência do Bruno Fernandes sem tocar na bola, a maneira como ele faz canning, como ele olha para o pescoço, como ele roda o pescoço e percebe que o Bueno vai aparecer nas costas a atacar o espaço e ele não toca na bola. É uma assistência sem tocar na bola. Para quem gosta de futebol, acho que é lance genial do Bruno Fernandes, claramente. Portanto, eu acho que o Manchester United já está aqui a carburar. Vamos ver se continua a carburar, porque seria muito importante para o Rúben Amorim, obviamente, conseguir chegar nesta altura até janeiro e depois ainda ter mais um ou outro reforço, porque esta equipa pode realmente começar a fazer coisas mais interessantes do que tem feito até agora.

Luís Pinto Coelho, depois da tormenta, a bonança está este Manchester United a encarrilar?

Está um bocadinho melhor. Eu acho que beneficia também de não ter competições europeias, enquanto os adversários, muitos deles aqueles do topo da tabela, têm competições europeias, isso também dá mais tempo ao Ruben Amorim para trabalhar. Eles têm boa equipe, tem bons jogadores, acho que melhoraram com o mercado, mas eu acho que a gente também tem que se convencer que aquele United que a minha geração e do João Castro e até do Pedro também viu constantemente a ganhar do Alex Ferguson, isso já não existe, porque na altura o City não contava, o Newcastle era residual num ou noutro campeonato, o Liverpool passou por uma travessia no deserto enorme. E hoje em dia a Premier League é completamente diferente, com os investimentos brutais noutros clubes, é muito mais competitivo e o United pode ganhar, se calhar, um campeonato ou dois em 10 anos e não vai passar disso, porque vai haver sempre muita alternância. E aquele United dominador, de ganhar em 10 campeonatos, ganhava cinco ou seis, isso deixou de existir. Mas tem aí um peso grande nas costas, porque foi dominador durante muitos anos. Mas eu acho que a nova Premier League é sempre muito mais competitiva e há várias equipes. Estamos a ver o Sunderland agora, o Nottingham Forest com investimento brutal, que está aqui pra baixo, vai ser sempre assim.

Ainda que não acerte no treinador e haja sempre mudanças, não é? No Nottingham Forest.

Já vai no terceiro treinador, mas a Premier League é muito diferente dos anos 90. Eu acho que as pessoas também têm que perceber que o United não é o gigante em termos de Premier League que era no passado, e isso vai ser sempre difícil pra qualquer treinador.

Pedro Henriques, Ruben Amorim num bom caminho. Hoje ainda joga o Arsenal, tem menos um jogo, a distância pode aumentar para seis pontos, ou seja, o United pode ficar a seis pontos da liderança, mas Ruben Amorim está a tirar o proveito desta boa fase?

Olha, eu destaco aqui as palavras do Luís, porque o Luís acho que fez aqui um raio-X perfeito daquilo que é a realidade e o contexto atual deste Manchester United. Claro que isso, depois, potencia muito mais. Claro que não é normal o Manchester United estar tão arredado dos lugares cimeiros. É um facto, mas realmente o raio-X foi bem feito, porque hoje em dia a Liga Inglesa tem características totalmente diferentes e é talvez das ligas mais imprevisíveis, dada a quantidade de investimentos e dinheiro que circulam por todos os clubes e a qualidade dos jogadores que eles têm, podendo haver muito mais essas alternâncias. E, portanto, torna-se mais difícil nós olharmos pro United que vimos há uns anos atrás. O Ruben Amorim também não me deixa dúvidas a mim, que é um excelente treinador. Depois, lá está, o homem é o homem, a sua circunstância e a capacidade que muitas vezes tens de adaptação a determinado contexto e também depois as coisas correrem melhor ou pior. É o tal pênalti, é o tal lance que é marcado, que não é marcado e que às vezes pode fazer a diferença num jogo e psicologicamente isso também é complicado. Agora, uma coisa que está a acontecer, o Ruben Amorim consegue aqui a sua terceira vitória consecutiva e vamos ver, só fazer um parêntese, o Frank Lee, o tal adepto que não corta o cabelo desde 5 de outubro de 2024, se vai ter as tais cinco vitórias para cortar o cabelo ou não, e está a aproveitar muito bem isso pelas redes sociais, até por ações de campanha por causa de luta contra o câncer e perda de cabelo, etc. E, portanto, transformou isto numa situação bastante interessante sob o ponto de vista social. Mas acima de tudo, esta dinâmica de vitória acho que pode ser relevante e importante pro próprio United, porque os clubes vivem muito isto. Podes ter os melhores jogadores do mundo, os piores. Esta dinâmica de vitória é extremamente importante. Por isso é que às vezes mesmo até em jogos ditos menores, Taças da Liga, Taça de Portugal, até às vezes na pré-época, em que ninguém valoriza o ganhar, essa cultura da vitória é extremamente importante. E veja-se o futebol do Porto numa jogo, que fez aqui uma campanha de nove a 10 jogos seguidos, sem perder, e quanto isso é importante pra motivação interior, interna e também dos adeptos. Agora, vamos ver, porque estamos na Liga Inglesa, o fato de não terem competições internacionais ao mais alto nível, não é a Champions League. Aliás, nem tem competições internacionais. Também ajuda a fazer uma preparação totalmente diferente e isto, cada semana que vai passando, essas cargas vão se cada vez mais acentuando e vai ter sempre reflexos. E, portanto, há que tirar partido disso, o Ruben Amorim, até para solidificar o seu projeto e ficar lá, porque eu gostava muito de ver o Ruben Amorim durante muitos e bons anos, neste futebol ao mais alto nível, inclusivamente o Manchester United, que queremos que não, é um clube histórico.

As coisas estão a correr bem. Para já, três vitórias consecutivas para o United do técnico português Ruben Amorim. São 11h53, está na altura de atribuirmos notas, dos nossos campeões atribuírem notas. Vamos começar por ti, João Castro, quem são os teus campeões?

Olha, o meu campeão vai claramente pro Manchester United e pro Bruno Fernandes, por aquilo que já falamos e por estar aqui realmente em recuperação. Mas um dos meus grandes campeões aqui com nota 18 era para este Sunderland. Recém-chegado outra vez à Premier League, depois de ter passado pelo calvário que foi e documentado na série Netflix, não sei se tu acompanhaste. Uma série superinteressante, a mudar muitas vezes de dono, com várias expectativas, treinadores, jogadores. É verdade que tem boas estruturas, infraestruturas também. E agora chegar à Premier League com este futebol também muito bem conseguido pela parte da equipe da Norte Inglaterra e claramente a merecer este segundo lugar. Portanto, nota 18 pra eles.

Pedro Henriques, vamos até ti. Eu aposto que hoje vais dar uma nota positiva a um tal de Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo, exatamente. Eu acho que tem que se destacar, naturalmente, independentemente do clube que cada um possa ter ou até da minha neutralidade em relação a estes assuntos, aquilo que foi a dinâmica das eleições do Benfica ontem, até por este tal recorde mundial, que diz muito do impacto social que tem realmente o futebol em Portugal de uma maneira geral, e portanto, neste caso concreto, uma das equipes como é o caso do Benfica E realmente as atenções que devorou completamente toda a comunicação social, porque percebe-se isso e há que realçar esse aspecto. Segundo aspecto, naturalmente também para o Rúben Amorim e portanto aqui uma nota 15, também para Rúben Amorim, sua equipa por esta conquista da terceira vitória, que acho que é importante também. Acho eu que todos ficamos satisfeitos quando portugueses além-fronteiras, seja qual for a atividade, mas no futebol em particular, têm sucesso. E a minha terceira nota para o Cristiano Ronaldo, que faz aquele gol da maneira como ele também comemorou, ele já brinca um pouquinho com esta situação, é o gol 950. Já te estou a pôr lá.

Já te estás a pôr lá também.

Exatamente.

Qualquer dia também marcas por ele.

Não, é assim, estamos a 50 gols e acho que todos nós temos este sentimento que não é que esse recorde possa dizer muito ou pouco, mas diz tudo. E acho que atingir a marca 1000 é viável, é possível. Eu faço essa previsão que ele vai conseguir fazer isso no Mundial, que é para fazer mais uma história, para fazer mais um filme hollywoodesco, mas eu acho que é viável, que é possível, porque eu acho que ele não vai terminar depois do Mundial, pelo menos enquanto não tiver esse gol 1000 e acho que seria fantástico o gol 1000 e já agora juntarmos a isso sermos campeões do mundo. Mas realmente é um Cristiano Ronaldo, está com 40 anos, a forma como ele ainda comemora, festeja e sobretudo o prazer e alegria que ele tem no processo. Isso é que é importante, que é no dia a dia, nas coisas que ele faz e depois percebe-se que em campo aquilo é tudo muito genuíno. Genuíno no sentido, ele quando comemora, comemora de forma genuína, não está ali por favor, parece que não está cansado da coisa, parece que não está farto, ao contrário de muitas outras pessoas que a dado momento já só pensam na reforma, como eu costumo dizer, e ter uma vida pacata. Não quer dizer que isso não seja também um objetivo de vida, mas eu acho que o Cristiano Ronaldo é um grande exemplo para todos nós, em tudo o que nós possamos fazer, não é no futebol, é na vida. E portanto, o gol 950 tem grande impacto, grande importância e vamos ver se atingimos ou não o gol 1000. Vamos, porque eu sou português, tenho muito orgulho no Cristiano Ronaldo e naquilo que ele representa além-fronteiras.

Nota alta para Cristiano Ronaldo, que atingiu o gol número 950. João Félix, o outro português do Al-Nassr, também marcou nesta partida. E só falta conhecermos o campeão do Luís Pinto Coelho.

Vou dar aqui uma nota 20 para a organização das eleições do Benfica, porque ter 108 locais de voto por Portugal e o mundo permitiu esta votação. E espero que o meu clube no futuro também pense neste cenário, porque quer no Porto, quer no Sport, por exemplo, também só se vota no estádio. E quem não vive nas imediações, é muito complicado fazer 200 ou 300 km para ir votar. Assim foi muito mais fácil para as pessoas poderem votar. E vou dar o exemplo, o último recorde que era do Barcelona, havia apenas oito locais de voto no Barcelona. Aqui houve 108 entre Portugal e o mundo. Por isso, ter muitos locais de voto, as pessoas votarem nas suas proximidades de casa é completamente diferente. Por isso uma logística difícil, mas que se provou que pode resultar muito bem e os sócios sentirem-se próximos do clube.

E fica por aqui esta edição especial de "E o Campeão É?", ao longo desta hora das 11. Se não ouviu desde o início, daqui a pouco fica disponível em podcast. Hoje com os comentários do Luís Pinto Coelho, Pedro Henriques, João Pinto e também do João Castro.