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E por isso, Miguel Videra, abrimos aqui um espaço de emissão especial para detalhar essa notícia conhecida na última hora. CR7 anuncia oficialmente a saída da Seleção das Quinas.
Sim!
O fim de uma era. 23 anos depois do jogo de estreia com a camisola de Portugal, Cristiano Ronaldo diz adeus à seleção. O anúncio da despedida foi feito esta manhã numa publicação na rede social X.
"Hoje termina a minha caminhada dentro de campo com a Seleção Nacional. Saio de cabeça levantada, com orgulho no caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal como se fosse minha. Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por estes 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me terem permitido viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, a correr atrás de uma bola. Camisola 7 fica. O orgulho de a ter vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim. Até sempre. Cristiano Ronaldo."
A mensagem de despedida que seguramente faz bater a um ritmo mais acelerado o coração de todos aqueles que acompanharam a carreira do jogador ao longo das últimas duas décadas. Coincidiu com a presença ininterrupta da Seleção Portuguesa de Futebol em Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo. Mas voltemos a fita atrás. Recuemos, Carlos Pedro, àquele dia, 20 de agosto de 2003.
E é preciso recuarmos 23 anos no tempo. Cristiano Ronaldo tinha 18 anos, era já jogador do Manchester United e tinha um futuro enorme pela frente. Foi Luís Felipe Scolari quem abriu as portas da seleção a Ronaldo. A estreia aconteceu no Estádio Municipal de Chaves, num particular contra o Cazaquistão. Ronaldo entrou ao intervalo e naquela altura já levantava as bancadas.
Lá vai Ronaldo, tem pauleta, pediu a bola, ainda Ronaldo! Em sua ala pode marcar Ronaldo. Nem Novikov a evitar. Excelente Cristiano Ronaldo que entra nesta estreia pela seleção. Cristiano Ronaldo.
Foi o primeiro lance de perigo criado por Cristiano Ronaldo com a camisola da equipa das Quinas. Praticamente um ano depois, Ronaldo estreia-se a marcar de quinas ao peito e logo no Campeonato da Europa contra a Grécia, em 2004. Foi a primeira experiência internacional de Cristiano, que terminou a prova a chorar, numa imagem que ficará para sempre na memória de milhões de portugueses.
Tears for Ronaldo. But you've got to hand it to Greece. Portugal beaten by them. Second place.
Era apenas a primeira grande prova internacional de Cristiano Ronaldo. Nem ele fazia a mínima ideia do que viria a representar para o futebol português e mundial. Dois anos depois, Ronaldo fazia a estreia no maior palco do futebol mundial, o Campeonato do Mundo, em Frankfurt, na Alemanha, chegou o primeiro gol em Mundiais diante do Irão.
21-year-old Cristiano Ronaldo. Waits for referee Poular's whistle, composes himself, and scores! And the boy from Madeira.
Portugal ainda acreditou nessa competição, mas não deu. Foi ainda assim, já com Ronaldo no plantel, que a Seleção Nacional conseguiu o segundo melhor resultado sempre em Campeonatos do Mundo, o quarto lugar. Seguiu-se o Euro 2008 e o Mundial 2010, duas competições em que Portugal ficou aquém das expectativas. Cristiano, já Bola de Ouro, marcou um gol em cada prova. Portugal regressaria às meias-finais de uma grande competição no Euro 2012. E aí Cristiano voltou a levar um país inteiro à loucura.
Portugal pro ataque. Moutinho dá para Nani, arremate Nani, mete a bola Nani, já chega Ronaldo, marca, por favor. Marca, marca, marca. Obrigado, obrigado, obrigado. Eu devo orgulho a milhões de portugueses. Este gol é para vocês.
Bis de CR7 contra a seleção dos Países Baixos. A seleção portuguesa cairia depois nas grandes penalidades na próxima eliminatória diante da Espanha. Uma das melhores exibições de Cristiano pela seleção valeu a qualificação no playoff para o Mundial de 2014. Foi contra a Suécia. Aí Ronaldo fez não um, não dois, mas três gols.
Ronaldo isolado. Vamos lá. Leva você, Brasil, Ronaldo. Bate! É gol! É gol! Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica. Ronaldo! No mapa. Ronaldo matou. Samba. Ronaldo!
E lá fomos nós ao Brasil. Não correu bem, Miguel, e para isso muito contribuiu a lesão de Cristiano Ronaldo.
O problema físico de Cristiano Ronaldo é mais grave do que se pensava. O boletim clínico divulgado ontem à noite pela equipe médica da federação, diz que o jogador tem uma tendinose rotuliana esquerda, para além de uma lesão muscular na região posterior da coxa esquerda.
Aqui um registro áudio da RTP. A participação do capitão esteve em risco, mas Ronaldo acabou por ir a jogo, mesmo condicionado. Mais tarde, admitiu que forçou a máquina, sabendo dos riscos que corria. O Mundial da África do Sul fica também marcado por polêmicas entre Cristiano Ronaldo e o selecionador português. A resiliência de Ronaldo colheu frutos em 2016, quando a equipa das Quinas, orientada por Fernando Santos, conquistou a primeira grande competição da história do futebol português. Ronaldo contribuiu com três gols em sete jogos, um deles na meia-final contra a seleção do País de Gales.
Ponta pé de canto, João Mário vai bater, bateu à maneira curta, dá pra Rafael Guerreiro, tiro cruzamento, Cristiano Ronaldo, cabeça, gol!
É de Portugal! É de Portugal! É de Portugal! É de Portugal! Já lá mora, já lá mora, já lá mora! É meu, é teu!
Um dos três gols de Cristiano Ronaldo neste Campeonato Europeu de 2016. No entanto, foi do banco, na grande final, que assistiu ao gol de Éder e à conquista histórica da seleção portuguesa. Acabou o jogo como uma espécie de adjunto de Fernando Santos e, no final, não escondeu a emoção em declarações à RTP.
Estou muito feliz. É dos momentos mais felizes da minha carreira. Sempre disse que gostava de ganhar algo por Portugal para entrar na história e consegui.
A felicidade de Cristiano Ronaldo, que finalmente conquistava algo pela seleção portuguesa, não ficaria por aqui, como nos comprova a história. Já lá vamos à Liga das Nações. Primeiro, o Mundial 2018, que trouxe outro momento histórico na carreira de Ronaldo.
É um livre perigoso, derreiou nos postes. Cristiano, ele vai, ele vai, ele vai, ele vai, ele vai, ele vai! É gol! Obrigado! Obrigado! Cris, Cris, Cristiano, Padre Nuestro. Que gol! Que gol!
Hat-trick contra a Espanha a abrir o Campeonato do Mundo de 2018. Portugal cairia nos oitavos de final perante a seleção do Uruguai. Em 2019, agora sim, no Dragão, hat-trick contra a Suíça levava Portugal a mais uma final. Entretanto, ganha contra os Países Baixos a final da Liga das Nações. Em 2021, já depois de um Euro 2020 pouco feliz para Portugal, surge outro marco histórico para o craque português: 200 jogos pela seleção nacional em Reykjavík, na Islândia. Nunca um jogador fez tantos jogos pela seleção do seu país. No Mundial 2022, começam a surgir em força as questões sobre se Cristiano Ronaldo deve ou não ser titular na seleção. Nesse mundial, para registro, fica o gol de penalty a Uganda, o gol 50 da seleção portuguesa em mundiais.
Os adeptos estão em suspenso. Nós também. É minuto importante para Portugal. Vai apitar o árbitro. Apita. Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo. Bateu, gol! Cristiano! Ele vive! Ele vive!
Já com relatos na Rádio Observador, o Mundial acaba com a eliminação perante Marrocos e fica no ar um possível adeus ao plantel nacional por parte de Cristiano Ronaldo, mas quem sai da seleção é o selecionador Fernando Santos. Chega Roberto Martínez, não abdica de Cristiano, que mantém o estatuto de quase intocável na equipa das quinas. Titular em 2024 e mais recentemente no Mundial deste ano, os últimos anos de Ronaldo dentro do campo na seleção ficam marcados pela conquista de outra Liga das Nações em 2025. Na final, diante da Espanha, fez um dos dois gols.
Nuno Mendes do lado esquerdo, vai para o drible, já passou por Yamina. Atenção, vamos Nuno, vai o cruzamento. Olha Ronaldo, vai marcar, gol! É Portugal!
Gol de Cristiano Ronaldo, na altura o 2x2 perante a seleção espanhola. Nas grandes penalidades, Portugal venceria e conquistaria mais uma Liga das Nações. Mais recentemente, Cristiano abandonou o estágio da seleção em Copenhague, no final deste mês de setembro, em desacordo com o selecionador Jorge Jesus. Uma situação que deu azo a semanas de polêmica no futebol português e até a um comunicado de CR7. Resulta também no fim de Cristiano na seleção portuguesa de futebol. Para a história ficam 234 jogos, 146 gols, três troféus, quatro finais e seis mundiais jogados. Há uma seleção antes e depois de Cristiano Ronaldo.
Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam, mas nunca desisti. E acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal.
E obrigado por nunca teres desistido, Cristiano.
Alguns dos momentos mais marcantes de uma carreira aqui trazidos pelo Carlos Pedro. Uma carreira que extravasa as quatro linhas do retângulo de jogo. O presidente da República, António Guterres, já vai agradecer a Cristiano Ronaldo a forma como representou a seleção, inspirou os portugueses, elevou o nome de Portugal pelo mundo. Também o primeiro-ministro agradece a Ronaldo, escreve Luís Montenegro: "Obrigado, o que fizeste no campo por Portugal ecoará na eternidade". Mensagens de agradecimento extensíveis à federação e a vários jogadores com quem Cristiano Ronaldo partilhou o relvado e que daqui a pouco lhe daremos conta. Não era porventura a despedida desejada para um dos nomes maiores da história do futebol, mas aquela que acaba por resultar daquele abandono abrupto de Cristiano Ronaldo do estágio da seleção entre jogos a contar para a Liga das Nações. Juntam-se a esta emissão especial do Observador os comentadores Augusto Inácio, Gabriel Alves e João Pinto. Bem-vindos. Augusto Inácio, boa tarde. Que sentimentos te despertam esta despedida de Cristiano Ronaldo? Bom, ainda não temos conosco Augusto Inácio. Gabriel Alves, a mesma pergunta: que sentimentos te despertam este adeus de Ronaldo?
Boa tarde a todos. É um adeus e dado que há toda uma trajetória de 23 anos, aos jogos, mais de duas centenas, os gols, mais de uma centena, centena e meia, praticamente, e que tivemos o privilégio de poder escutar naquilo que é o som, portanto, aquilo que eles foram e aquilo que eles dinamizaram, eu, com a devida vênia, pego uma coisa muito simples que um comentador inglês, ex-jogador, Rio Ferdinand, disse já na reação a esta despedida: um verdadeiro filme. É isto. Ronaldo e a sua carreira, um verdadeiro filme. E esta verdade fica bem Bem documentada numa despedida em que, sem remoques, admitiu que falhou, admitiu que a decisão foi difícil, mas deixando o orgulho daquilo que foi o seu trabalho. E é verdade, dizendo que ao povo português, e é dirigindo-se a ele, estou a citar: "Chegou o dia de devolver a camisola número sete da nossa seleção". Portanto, o Ronaldo acabou por fazer uma despedida, que provavelmente não era aquela que se pretendia dentro do estádio, com uma dimensão, mas faz uma despedida de grande dignidade e nós não podemos, obviamente, esquecer tudo aquilo que ele fez ao país através daquilo que é a sua profissão, que é um profissional de futebol, aquilo que ele gerou em termos de dimensão do conhecimento de Portugal ao nível planetário, porque é extremamente importante num país em que vive-se essencialmente do turismo. Ele trouxe o nome de Portugal aos mais pequeninos recantos do mundo, porque de fato Ronaldo é, na realidade, um português que tem dimensão. Eu falo por mim. Do Japão pedem-me camisolas dele. E algumas dessas camisolas que me são pedidas são de determinados lugares, para além daqueles que são do povo, não só do povo, e fico por aqui. Porque Ronaldo é de fato de uma grande dimensão internacional. Eu vou citar aqui a marca, porque ele está em tudo que é empresa internacional, espanhola, italiana, alemã, inglesa, mas eu pego nesta, e passo a citar: "Em meio a gerações de ouro, finais perdidas e noites históricas, Cristiano construiu uma carreira internacional que transcende os troféus. Portugal teve heróis antes dele. O que lhe faltava era uma lenda capaz de fazer da vitória um hábito. E por mais de 20 anos, esse foi o seu nome: Cristiano Ronaldo."
Já está conosco também o Augusto Inácio. Augusto, a mesma pergunta que fiz ao Gabriel, como é que acolhes esta despedida de Cristiano Ronaldo? Que sentimentos te despertam depois de termos visto ao longo de mais de duas décadas Cristiano Ronaldo representar a Seleção Nacional?
Pois, boa tarde a todos. Até parece que falta alguma coisa à seleção. É estranho o Cristiano Ronaldo não estar na seleção. Mas era um desfecho que eu diria que não é surpreendente. Não é surpreendente por tudo aquilo que todos nós sabemos, mas acima de tudo pela personalidade do Cristiano Ronaldo. Eu acredito que tivesse havido algumas conversas antes da convocatória do Jorge Jesus nesta manhã, acredito que tivessem feito alguma tentativa de conciliação, de falar, mas percebendo bem aquilo que foi a mágoa do Cristiano Ronaldo, eu achava muito difícil que ele pudesse voltar à seleção. E se voltasse à seleção sem ter havido essa conversa, eu diria que era uma grande hipocrisia da parte dos dois, tanto do selecionador como da parte do jogador.
Sendo que Ronaldo estava pré-convocado, não é? Para os dois encontros que faltam de Portugal.
Sim, mas uma coisa é ser pré-convocado, outra coisa é seres convocado mesmo para esses jogos.
Procurou antecipar-se Cristiano Ronaldo a uma provável convocatória amanhã anunciada por Jorge Jesus?
Não tenha dúvidas que foi isso mesmo. Ele sabia que se fosse convocado, ou vinha ou não vinha, e depois estava sujeito a todos os comentários. Ele decidiu que era melhor terminar aqui a carreira para não enfrentar precisamente o treinador, que esta é que é a verdade, que o diferendo está com o treinador, não está com os colegas da equipe. Mas diria que sai de uma forma que eu acho que ele não merecia, que é injusta por tudo que ele fez. O Gabriel já explicou isso bem. Quando o Real Madrid e o Florentino Pérez contratavam uns grandes jogadores, diziam que era um galáctico. Este é mais do que um galáctico, este é de outro planeta. É uma coisa que não tem explicação, nem há palavras para dimensionar aquilo que foi este jogador e o valor deste jogador. Por isso, ele decidiu sair assim. Acho que sai com mágoa. Não era assim que ele queria sair, não era assim que os portugueses queriam que ele saísse, mas devido às circunstâncias que aconteceram, eu sinceramente acho que ir à seleção só por dizer que sim, só por dizer que está na seleção e depois o ambiente, o dia a dia, o ir no autocarro, o ir pro treino, o estar nas refeições, o estar no hotel, encontrar-se com uma pessoa com quem ele não quer falar, eu diria que foi melhor assim então a decisão que ele tomou.
Gabriel Alves, não havia mesmo margem para um último jogo de Cristiano Ronaldo com a camisola da Seleção Nacional vestida?
Não. Neste momento, não, tendo o selecionador nacional que está.
Uma incompatibilidade total.
Eu acho que por isso é que eu disse que ele sai sem remoques. As questões do país são muito mais elevadas do que questões de mera particularidade pessoal. Essas são para ser resolvidas outro dia. O país é que é importante. E é aí que ele, de fato, dá dimensão à sua despedida. Portanto, com o país, ele diz, e vou citar aqui: "Hoje chegou a altura de passar para o futuro. Não é uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, mas também com o coração". Portanto, ele envolveu sempre o povo português nesta despedida, como envolveu o povo português enquanto era jogador, independentemente daquilo que é o seu ego. Pois ele era bom, ele é bom, ele trouxe títulos, ele ajudou, ele teve grandes exibições, ele congregou bilhões de pessoas à sua volta, à volta de um português, não à volta do Cristiano Ronaldo, porque o Cristiano Ronaldo é português, é bandeira nacional. E eu, olha, a mim é que toca, e já agora digo, desde já Me sinto privilegiado, porque ainda eu era um miúdo do Sporting, comentei vários jogos quando ele foi lançado pelo treinador romeno que estava em Portugal, que acreditou nele.
Thomas Balónio?
Exatamente, o Balónio. E narrei alguns, poucos, mas os gols que ele marcou. E tive o prazer de estar no primeiro gol, aquele que ele marcou à Grécia no Euro 2004, a trabalhar, a comentar e analisar.
Que grande emoção esse Euro 2004. Vamos só aqui, à boleia do Canal 11, o canal da Federação Portuguesa de Futebol, escutar o presidente da Federação, Pedro Proença, que aborda precisamente esta despedida de Cristiano Ronaldo da seleção das Quinas. Uma decisão anunciada hoje nas redes sociais. Escutemos Pedro Proença.
Hoje é um dia muito emotivo. Parafraseando o nosso capitão neste vídeo, o futebol são as pessoas. E quem teve a sorte e o privilégio de poder partilhar o espaço com aquele que eu vou apelidar como o eterno capitão, porque atrevo-me a dizer que há um momento nas nossas seleções, na nossa seleção, na nossa federação, um momento antes de Cristiano e um momento após Cristiano. E, portanto, hoje é um dia emotivo, porque deixamos de ter a presença, pelo menos desportiva, daquele que atrevo-me também a dizer que foi o melhor jogador português de todos os tempos. Mas hoje é um dia para nós reconhecermos, agradecermos tudo aquilo que Cristiano fez por nós, tudo aquilo que Cristiano fez por um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes, pelo que Cristiano fez pelo futebol português, o que nos fez crescer de forma sustentada e equilibrada. E, portanto, não sendo nunca um adeus, porque Cristiano Ronaldo é eterno, será eterno, é um até já, porque Cristiano fará sempre parte do nosso legado. Disse-o já algumas vezes, a portugalidade hoje esbate-se com aquilo que Cristiano Ronaldo fez. É um exemplo para os mais novos, para os mais velhos. É um exemplo pelo seu profissionalismo, pela sua dedicação, pela sua paixão, porque, como ele também dizia neste vídeo, apenas uma paixão, a paixão que tem por Portugal. E visto e dito por uma pessoa como o Cristiano, toca-nos de forma única e, portanto, obviamente que o país desportivo hoje fica mais pobre, mas ficaremos sempre na nossa memória com aquilo que Cristiano nos deixou, o seu legado, que é um legado muitíssimo positivo. E, portanto, enquanto presidente da Federação, não deixando de ser um momento emotivo, é também uma hora de celebrarmos tudo aquilo que foi o legado deixado por Cristiano Ronaldo.
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença. Augusto Inácio, a reboque desta declaração, podia a Federação ter gerido este diferendo entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo de outra forma, de forma que a despedida que aqui estamos hoje a dar conta pudesse ter outras características, que fosse uma despedida dentro de campo, uma despedida com o público português que durante anos e anos aplaudiu Cristiano Ronaldo?
Olha, quando começou a haver este diferendo ou este conflito entre o selecionador e o jogador, imediatamente a seleção nacional, e nesse caso o seu presidente ou os seus diretores, deviam estar numa posição muito mais interventiva do que aquilo que tiveram, que foi mais de expectantes do que intervencionados. Eu diria que aí, sim, a seleção, o presidente e diretores podiam ter tido um papel muito mais ativo do que aquele que tiveram. Agora, uma coisa que as pessoas parecem que estão um bocadinho desfasadas. Quando eu digo desfasadas, não é por inocência, não é por nada. É porque o Cristiano Ronaldo vai ter a sua festa de despedida da Seleção Nacional. O que não vai ter é com este treinador, e não sei se com este presidente, mas com este treinador não vai ser, de certeza. Mas vai ter o seu tempo, o seu espaço, para haver um jogo internacional das seleções nacionais, em que o Cristiano Ronaldo ainda vai vestir a camisola de despedida da Seleção Nacional enquanto jogador. Por isso, é aqui mais um diferendo entre pessoas e entre treinador e entre jogador. Mas mais marcante do que isto é o diferendo entre as pessoas. E como sabe, o Cristiano Ronaldo tem o seu caráter, tem a sua personalidade, o Jorge Jesus também. Mas sinceramente, porque aquilo foi para o Cristiano Ronaldo tão grave, tão grave, tão grave, que para ele, mesmo que houvesse outro tipo de conversa, ele já não acreditava naquilo que iriam dizer. E por isso, houve este desfecho. É verdade o que Pedro Proença disse, presidente da Federação, em relação ao Cristiano Ronaldo e à sua história, mas o Gabriel Alves também já explicou o que é o Cristiano Ronaldo. É alguma coisa que desde que eu nasci, eu só ouvi falar do Eusébio, é verdade, um nome muito respeitado, grandíssimo jogador. Ouvi falar do Amálio Rodrigues, que levava Portugal para os outros cantos do mundo. Cristiano Ronaldo leva para os cantos do mundo, leva para a Lua, leva para Marte, leva para Júpiter, leva para todo lado, porque o Cristiano Ronaldo foi mais do que um jogador, foi o grande embaixador de Portugal por esse mundo fora. Por isso, há um fim para tudo, há um fim de ciclo, há um fim da carreira de um jogador, mas não acaba. Não foi a morte, isto é a vida de um jogador, que é assim mesmo, e vai ter, com certeza absoluta, mais outras intervenções noutras áreas, certeza absoluta, com a marca CR7, porque é uma marca mundial.
Gabriel Alves, para usar uma expressão que há pouco usavas de filme, podia Pedro Proença, o presidente da Federação, ter contribuído para que o guião deste filme tivesse outro desfecho?
Eu acho que sim. Acho que Pedro Proença devia ter tomado outro tipo de atitudes. Não as tomou. E agora não vale a pena estarmos aqui a dizer isto, aquilo ou aquilo outro. Não. Quis estar bem, como se costuma dizer, com Deus e com o Diabo. E há coisas, às vezes, que é preciso tomar decisões. E acho que ele não tomou essas decisões, e obviamente que Cristiano tomou. Eu queria só deixar aqui uma nota ainda naquilo, e cito Cristiano, porque acho que a sua portugalidade, o seu caráter de português é enorme. "Houve momentos em que não consegui dar ao povo português o que tanto desejava, mas nunca desisti e, acima de tudo, nunca deixei de me sentir orgulhoso de representar Portugal." E mais adiante, "Obrigado por me permitirem viver um sonho que começou quando eu era apenas uma criança, correndo atrás de uma bola na floresta." Isto é humildade, porque se Cristiano Ronaldo tem aquele ar, facto que dizem do ego, ele internamente é exatamente isto. Ele também não ignora as suas origens. Por ter chegado ao céu, não ignora que teve origens, que esteve próximo. Se não esteve no inferno, esteve no purgatório. E portanto, ele tem essa capacidade. E acima de tudo, a capacidade de dizer: "Sou português, estou com os portugueses. Aquilo que eu senti foi para os portugueses, estou agradecido aos portugueses." É aquilo tudo que Cristiano encerra neste comunicado final, que estou como o Augusto Inácio disse, isto é só um comunicado final, eu diria, final para interregno. A sua grande festa vai acontecer há um ano, há dois. Logo se vê.
Concordas com o Augusto Inácio, com esta ideia que essa despedida terá que ser sem Pedro Proença e Jorge Jesus ao comando da Seleção Nacional Portuguesa?
Eu diria pelo menos há 101 de certeza, que é Jorge Jesus. E penso que colateralmente também sem Pedro Proença. Eu direi mesmo, o próximo presidente da Federação Portuguesa de Futebol que vier, que escolherá aquilo que é o seu treinador, o seu selecionador, e não é segundo aquilo que o Ronaldo lhe irá dizer, é segundo aquilo que a cabeça desse futuro presidente tiver em mente para aquilo que é o bem da Seleção Nacional de Futebol, a partir daí dos seus primeiros pontos, o primeiro é a grande festa de homenagem. E olha, não me admirava nada que nessa festa de homenagem estivesse a camisola do Manchester United, a camisola do Real Madrid, a camisola da Juventus e a camisola do Al-Nassr. Conjuntamente com a camisola do Sporting, em termos de Portugal, e aquela que é a maior, a da Seleção Nacional.
É uma boa deixa para escutarmos algumas das reações que vão ecoando um pouco por todo o mundo. Reações a este anúncio da despedida de Cristiano Ronaldo. Temos aqui conosco em estúdio o Martim Madeira, que tem estado precisamente a recolher essas reações. Martim, se calhar começando por esta ideia do jogo de despedida de Cristiano Ronaldo, que a Federação Portuguesa de Futebol manifesta essa expectativa, ainda vai acontecer.
Sim, manifestam essa expectativa num texto extenso, onde falam num profundo e eterno agradecimento ao eterno capitão. Nessa publicação escrevem que Cristiano Ronaldo carregou a seleção aos ombros e elevou o nome de Portugal e inspirou uma geração de jovens que sonham. Dizem mesmo que Cristiano Ronaldo é o melhor jogador de todos os tempos e, lá está, nesse jogo de despedida recusam-se a dizer adeus ao capitão sem a devida homenagem e mostram-se disponíveis para organizar uma homenagem para que todos os adeptos e portugueses o possam aplaudir. A publicação termina mesmo com um obrigado por tudo. Esta será sempre a tua casa e a deixa de Ronaldo chegar até ao golo 1000. Há mais reações por parte do mundo futebolístico. Pedro Proença, já ouvimos no Canal 11, também no Facebook deu essa ideia de que as portas da Federação Portuguesa de Futebol estarão sempre abertas para Cristiano Ronaldo. Mas um dos primeiros a reagir ao anúncio foi um dos jogadores mais próximos de Cristiano Ronaldo. Foi Diogo Dalot, jogador da Seleção e do Manchester United, escreveu nas redes sociais: "Fizeste-nos sonhar, fizeste-nos acreditar e fizeste-nos ganhar. Obrigado, ídolo." Bruno Fernandes também foi para as redes sociais, publicou no Instagram a seguinte frase: "Foi um privilégio poder partilhar grandes momentos pela Seleção com o meu ídolo de infância." O outro jogador da Seleção Nacional, e destes três que foram os únicos, pelo menos até agora, a escrever uma mensagem a Cristiano Ronaldo, foi Rafael Leão, que escreve: "Ídolo de gerações, muito obrigado", com uma foto de Leão e Ronaldo juntos na Seleção. Há outros grandes nomes no futebol. Neymar Júnior, colega de profissão do Ronaldo, jogador do Barcelona, do PSG, do Santos, partilhou o palco também com Cristiano Ronaldo e com Messi, especialmente na Bola de Ouro 2015, escreve num comentário à publicação de Ronaldo: "Lenda" e um emoji de coração. Há pouco o Gabriel Alves mencionava Rio Ferdinand, também reagiu na publicação de Ronaldo, o lendário central inglês e colega de Ronaldo no United durante vários anos, escreve, como Gabriel Alves disse: "Foi um filme, irmão." Também o Sporting Clube formou e lançou Cristiano Ronaldo, escreve nas redes sociais: "Obrigado por tudo o que fizeste pela nossa nação. Para sempre na história de Portugal." A Juventus também deu os parabéns por uma jornada incrível com Portugal. O Manchester United, clube onde se afirmou, dá os parabéns a Ronaldo pelo caminho que percorreu. Também o Al-Nassr já escreveu a dizer que não é só um capítulo, é toda uma história que Ronaldo moldou como capitão da Seleção Nacional. A conta oficialOficial da Premier League, liga em que Ronaldo conseguiu conquistar um triplete e também essa primeira Bola de Ouro em 2008, escreve nos comentários da publicação um "obrigado". Sua conta oficial da Bola de Ouro também escreve no X: "Mais de duas décadas de paixão inigualável, gols inesquecíveis e um legado eterno, cinco Bolas de Ouro, inúmeros momentos históricos e um capitão que mudou para sempre o futebol português."
Sandro Martin, temos também o presidente da República contemporâneo daquele título europeu em 2016, que também já reagiu a esta despedida de Cristiano Ronaldo.
Sim, o presidente da República também agradece, diz que Ronaldo é um dos maiores símbolos da portugalidade e de Portugal. É o que escreve António José Seguro no Instagram. Também o antigo presidente Marcelo Rebelo de Sousa escreve uma mensagem de gratidão pessoal em que diz que Cristiano Ronaldo foi e é o maior e melhor de Portugal, da Europa e do mundo. Já em termos de reações dos partidos, falávamos de Luís Montenegro há pouco, mas o líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, escreve: "Mais do que gols e títulos, o teu legado é mostrar a cada português que não há limites para os nossos sonhos. Obrigado, Cristiano, por elevares Portugal no mundo e inspirares gerações." Ainda queria destacar, pelo menos do público, um dos comentários na publicação de Ronaldo, que acho que merece mais destaque e que vi que me destacou muito, foi um comentário especialmente para esta geração mais nova, uma geração a que também pertenço, a dizer: "Obrigado, Ronaldo. O mais difícil não é deixar de te ver jogar, mas sim dizer adeus à minha infância."
João Miguel Sanches, há pouco davas-me aqui conta, foste espreitar a conta do Twitter, o antigo Twitter.
Instagram.
O Instagram do Lionel Messi, grande rival de Cristiano Ronaldo ao longo de décadas e décadas. Alguma reação de Messi?
Para já, grilos. Nada.
Ainda nada. Lionel Messi, ainda nada. Sendo que aparentemente, pelo menos por aquilo que nos é dado a perceber, há uma boa relação entre o astro argentino e o grande jogador português Cristiano Ronaldo. Imagino que seguramente Lionel Messi tenha algumas palavras dedicadas a Cristiano Ronaldo. Junta-se a esta emissão especial o comentador Bruno Batista, comentador de futebol, a quem agradeço a disponibilidade para estar conosco. Bruno Batista, que sentimentos lhe despertam esta despedida de Cristiano Ronaldo nas circunstâncias em que essa despedida é anunciada?
Bom dia a todos, ou já boa tarde para aqueles que já estão mais adiantados. Pois, é uma despedida agridoce, porque por um lado temos um gigantesco capitão como o Ronaldo, um desportista de outro mundo, estratosférico. Tudo aquilo que CR7 fez no mundo do futebol é um legado que, pelo menos durante muitas gerações, vai permanecer imbatível. Por outro lado, temos aqui uma despedida que, pela grandeza que tem, não sai da forma que merecia. E fruto disso, podemos parar para pensar o que aconteceu nas últimas três semanas. Desde o último comunicado oficial do Ronaldo, em que Ronaldo dizia que entendia o erro que tinha cometido ao abandonar o estágio, que deveria ser castigado com a responsabilidade de um capitão, mas que estava disponível para competir, portanto, afastava completamente a hipótese de um jogo de homenagem e de acabar por aqui a carreira. Ele queria, e dizia até, que é um jogador competitivo, que tem sede de títulos, que tem objetivos de recordes e de gols e que estava disponível para envergar a seleção portuguesa e continuar esse caminho único, porque isso é inegável, que é um caminho único que Ronaldo fez no desporto, para agora ter abandonado. E na minha análise, chama-se Jorge Jesus. Portanto, Cristiano Ronaldo entrou aqui num braço de ferro e numa rota de colisão com o treinador. Esse comunicado tem até algumas acusações de caráter ou de falta de caráter a Jorge Jesus, e Ronaldo não sei o que é que esperava nestas três semanas que acontecesse. Provavelmente que Jorge Jesus perdesse algum poder na federação ou até que lhe fizesse um pedido de desculpas, coisa que não aconteceu. Portanto, Ronaldo acaba desta forma, que eu diria, menos brilhante por deixar a seleção portuguesa. É um momento que nos deve fazer até refletir, porque a posição-
Uma reflexão que o Bruno Batista não vai poder partilhar. Houve aqui um problema com esta ligação, mas deixou aqui uma deixa para perguntar ao Augusto Inácio se de alguma forma esta despedida, no contexto em que acontece, despedida de Cristiano Ronaldo, fragiliza de alguma forma o selecionador nacional. Augusto.
Sabes que há sempre pessoas a favor e pessoas contra. Foi assim este diferente todo, em que, na minha opinião, o Cristiano Ronaldo comete um pecado grave, que é abandonar a seleção nacional quando mandou chamar o seu avião e foi embora e não foi agradecer, inclusivamente aos adeptos, depois do final do jogo, que salvo erro foi contra a Dinamarca, salvo erro, ou Noruega. O que é certo é que a partir daí, Jorge Jesus teve quatro jogos, quatro vitórias, e houve muita gente do povo partid, porque as pessoas são mesmo assim, são muito pelos resultados, não é muito pelas ações, por aquilo que se passou, é mais por aquilo que estão a vivenciar em termos de emoções, que é o jogo e que é o resultado, e nesse caso, duas vitórias. E ficou uma parte do lado do Jorge Jesus, outra parte do lado do Cristiano Ronaldo, mas faltou sempre, na minha opinião, aquela conversa franca, realista, aberta, que me parece, e segundo constam os relatos, essa conversa houve antes do jogo, houve reuniões na casa, inclusivamente do Cristiano Ronaldo, e parecia que aquilo, depois de um ano de estarem juntos no Al-Nassr, que aquilo estava uma relação boa e forte. O que é certo é que houve coisa que se passou ali que o Cristiano Ronaldo não gostou e acima de tudo não gostou da falta de palavra, segundo Cristiano Ronaldo, que o treinador teve para com ele. A partir daqui É muito difícil e muito complicado tu juntares outra vez duas pessoas, quando antes saiu um comunicado do Cristiano Ronaldo a dizer que duas vezes se sentiu traído pelo selecionador. E é muito complicado depois tu juntares essas duas pessoas e pôr uma pedra em cima do assunto. E depois houve os jogos nos comunicados, a bola quente pra um lado, bola quente pro outro e agora naturalmente que o Cristiano Ronaldo, na minha opinião, depois de saber que estava nos pré-convocados para estes jogos de Portugal que vai ter, eu acho que ele esteve sempre à espera, mais do que qualquer coisa, um passinho à frente, seja da federação, mas acima de tudo e principalmente do selecionador.
E o que é que era esse passinho, Augusto?
Era o Jorge Jesus, acho eu, que era falar com o Cristiano Ronaldo ou então antes de falar com o Cristiano Ronaldo, pedir desculpa por alguma coisa que o Cristiano Ronaldo tivesse ficado ofendido. Agora, o selecionador também tem o direito de dizer que não tem nada a pedir desculpa, porque ele acha que não fez nada pra pedir desculpa. Tem esse direito também. Por isso, há aqui duas correntes em que praticamente não colam e não colando, era aquilo que eu estava a dizer ainda há bocadinho. E como é que o selecionador, que isto era a minha expectativa, está nos pré-convocados, a priori estaria convocado. Também como é que o selecionador convoca um jogador para estes dois jogos, sabendo que as coisas não estão bem entre eles, não estão as coisas clarificadas, não há aqui alguma revanche, seja do que for, para isto tudo ser ultrapassado. Eu não sei que clima é que poderia haver e se o Jorge Jesus iria mesmo convocar o Cristiano Ronaldo. Acho que se, sem tudo isto, e Jorge Jesus convocasse o Cristiano Ronaldo, eu acho que era mais para dar o odioso ou a decisão final para o Cristiano Ronaldo. E antes que isso acontecesse, o Cristiano Ronaldo antecipou-se. Jogou à defesa, não jogou ao ataque.
Já vamos ouvir a reflexão que o Bruno Batista queria partilhar conosco e que a dificuldade de comunicação não permitiu que escutássemos, mas perguntar ao Gabriel Alves, a mesma pergunta que fiz aqui ao Augusto Inácio, se a circunstância em que Cristiano Ronaldo abandona a seleção, se de fato tem aqui um incômodo para Jorge Jesus e para os tempos mais próximos do selecionador nacional.
Olhando para aquilo que é Cristiano Ronaldo e olhando para aquilo que é Jorge Jesus, e estamos a falar só sobre o ponto de vista, portanto, aquilo que é a profissão dos dois, Jorge Jesus é meio grão de areia e meia gota d'água no oceano. Portanto, Jorge Jesus poderá ser idolatrado se ganhar o Mundial de 2030, porque se ganhar a taça das competições agora, a próxima, é igualar aquilo que outros dois já fizeram. Portanto, tem que ganhar o Mundial 2033, aí é idolatrado, aí fica idolatrado. E obviamente que sai em grande. Se não fizer, olha, passou por aqui e o Ronaldo vai continuar, sempre. E de Jesus, pouco ou nada se vai falar.
A ditadura do senso esportivo.
Esta é que é a grande verdade, dentro daquilo que é o currículo de um e o currículo do outro. Esta é a grande verdade. E fora deste litígio, que é um litígio que existe, obviamente que Ronaldo tem a dimensão que tem e sai exatamente sem litígio neste momento. Com o povo português, abraçando o povo português e sem remoques. Não há uma vírgula para meter, seja o que for, uma farpinha, nada, zero. O que ele disse foi ao povo português: "Eu sou assim, eu sou isto, é convosco que estou e estou contente. Tudo o que fiz foi por vós, por mim, obviamente, falhei, mas eu estou convosco e envolvo-vos completamente e sendo que há também quem o envolve." E, na verdade, internacionalmente também, por aquilo que se lê em tudo que é imprensa internacional.
Não antecipes, Gabriel Alves, o trabalho da nossa colega Teresa Fernandes, que é precisamente daqui a instantes que vai dar conta. Que vai escrevendo um pouco para todo mundo sobre esta saída de Cristiano Ronaldo.
É evidente. Ele sai e sai no digital, em primeira página, é a cara dele. Tudo com o comunicado, não é por acaso. Claro que está tudo dito.
E há uma reflexão que o Bruno Batista sugeria aos nossos ouvintes e que não foi possível partilhar devido a uma dificuldade com a nossa ligação telefônica, ligação entretanto já restabelecida. Bruno Batista, que reflexão é essa?
Ajudem-me pra perceber onde é que eu fiquei. Se a reflexão era exatamente sobre as três semanas e no comunicado.
Não, só o anúncio. O Bruno só tinha anunciado que queria partilhar uma reflexão, sugeriu uma reflexão, mas não chegou a dizer rigorosamente nada sobre essa reflexão. Portanto, do início.
Muito bem. Então, até depois de ouvir o meu querido amigo Augusto Inácio, a quem cumprimento, e ao Gabriel Alves, e sobre esta reflexão, do que é que mudou em três semanas para que Ronaldo tenha deixado um comunicado onde mostra que quer voltar, que quer voltar a competir, não quer um jogo de despedida, quer voltar a vestir a camisola da seleção em competições oficiais e esta tomada de decisão. E pra mim é óbvio o que aconteceu. Aconteceu que se manteve o selecionador nacional, Jorge Jesus não tinha, e aqui que eu quero casar com aquilo que disse Augusto Inácio, é que eu não vejo porque é que Jorge Jesus tinha que pedir desculpa a Cristiano Ronaldo. Desculpa por quê? Por não ditar os oito pontos que lhe tinham sido impostos? Isto não faz qualquer sentido, mas Ronaldo esperava esse pedido de desculpas para que pudesse voltar. Então optou por abandonar, porque aquilo que não seria possível é depois de um comunicado onde há um ataque ao caráter de Jorge Jesus, voltar a enfrentar o treinador. Mas Jesus tinha uma estratégia que me parece correta. Jesus não falou sobre esse comunicado, não disse nada depois daquilo que Cristiano Ronaldo disse e manteve o que tinha dito antes, que era: contava com o Ronaldo, desde que fisicamente e do ponto de vista desportivo, ele estivesse em condições. E Jesus ia esperar que Ronaldo viesse, que chegasse ao estádio, para provavelmente ter uma conversa cara a cara, olhos nos olhos. Jesus já teve conflitos com vários jogadores, é normal em todas as corporações, em todas as instituições, muito mais dentro de um clube de futebol com ligações tão peculiares entre figuras tão grandes. Portanto, aquilo que Jesus ia fazer era resolver dentro de casa, dentro da umbrella da federação, aquilo que era um conflito com o seu capital. E Ronaldo não foi capaz de o enfrentar e não quis passar sequer por isso, até porque provavelmente saberia aquilo que Jesus disse
E ficamos outra vez com uma dificuldade de comunicação.
Ronaldo que nos merece.
Agora sim, Bruno. Deixamos de ouvir durante breves instantes. Não vai mesmo ser possível. Estamos com alguma dificuldade para ouvir o comentador de desporto Bruno Batista, mas julgo que é clara a reflexão que sugeria e que partilhou sobre os condicionantes da relação entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, o selecionador nacional português. E o Gabriel Alves há pouco queria antecipar-se a um trabalho que a jornalista Teresa Freire esteve a preparar sobre as reações da imprensa internacional a este anúncio da saída de Ronaldo da seleção portuguesa de futebol. A Teresa Freire já está aqui conosco. Teresa, o que se escreve lá por fora?
Começamos aqui ao lado, em Espanha, o português pisou o relvado do Real Madrid, o desportivo La Marca escreve que num vídeo emocionante publicado nas redes sociais, o astro português leu uma longa carta na qual termina o percurso na seleção lusa. O diário desportivo AS lembra que a presença de Ronaldo na próxima convocatória de Portugal era uma incógnita. Já o diário El País também destaca a polêmica com Jorge Jesus, ao escrever que Cristiano Ronaldo abandonou a concentração da seleção no final de setembro, contrariado com o selecionador. Ainda Espanha, o El Mundo assegura que o jogador sabia que seria convocado por Jorge Jesus e não quis voltar a estar às suas ordens, nem mesmo para tentar o milésimo gol. Passamos pra Itália, onde o português jogou na Juventus. O Gazetta dello Sport cita a frase: "Eu queria ser o melhor, obrigado por acreditarem em mim." Enquanto o Corriere della Serra destaca que Cristiano Ronaldo decidiu devolver a camisola número sete. No Reino Unido, o The Guardian destaca que Cristiano Ronaldo termina o seu percurso na seleção de Portugal após 234 jogos e 146 gols. Enquanto a BBC realça o ídolo português Cristiano Ronaldo, que se retira do futebol da seleção. Para a Sky Sports, Cristiano Ronaldo retira-se do futebol internacional depois de uma carreira brilhante pela seleção de Portugal, que se estendeu por 23 anos. Em França, o Le Monde sublinha o tom do anúncio do português com a frase: "A voz é calma e grave." Vamos ainda ao Brasil. O Globo escreve que Cristiano Ronaldo anuncia aposentadoria de Portugal meses após desgaste com Jorge Jesus. Já o Estadão recorda cinco momentos memoráveis do craque na seleção. A saída do capitão está em destaque também nos Estados Unidos. O The Athletic relembra que Ronaldo marcou 146 gols por Portugal.
Um jogador à escala planetária, como se percebe por esta revista de imprensa aqui trazida pela Teresa Freire, com as reações de várias publicações internacionais a esta despedida de Cristiano Ronaldo. Aqui conosco em estúdio, também já está a jornalista da editoria de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Mariana, era este o texto de despedida que Cristiano Ronaldo contava escrever um dia?
Eu acho que era uma coisa muito parecida com esta. Acho que não é essa a questão. Acho que o timing provavelmente não era aquele que Cristiano Ronaldo esperava. Parece-me, e por aquilo que fui percebendo ao longo das últimas horas, que Cristiano Ronaldo estava à espera de que o Conselho Disciplinar lhe desse mais tempo pra pensar. Ou seja, se este castigo tivesse sido de mais uma semana, porque o castigo de Cristiano Ronaldo durou até dia 30 de outubro, o Ronaldo só tinha de pensar neste assunto, Jorge Jesus também só tinha de pensar neste assunto em março. Ou seja, isto não era assunto pra esta convocatória. O Conselho Disciplinar deu aquele castigo que acabou por abater com a questão da suspensão preventiva. O castigo já acabou e, portanto, Cristiano Ronaldo é livre de ser convocado. E Jorge Jesus ia convocar Cristiano Ronaldo amanhã de manhã. Cristiano Ronaldo não queria ser convocado, e não queria ser convocado precisamente por aquilo que o Bruno Batista estava a explicar. Ou seja, não queria ser convocado com esta equipe técnica. Não queria ser convocado por um selecionador que não lhe pediu desculpas como ele acha que devia ter pedido desculpas. Não queria ser convocado numa altura em que acha que ainda passou muito pouco tempo, cerca de um mês, um mês e meio, de tudo aquilo que aconteceu na Noruega e no estágio na Suécia. Portanto, Cristiano Ronaldo queria empurrar um bocadinho mais com a barriga até março e ter um bocadinho mais de tempo pra pensar no que iria fazer se eventualmente fosse convocado por Jorge Jesus. Isso não aconteceu. Jorge Jesus também não acatou o conselho que terá recebido de não convocar Cristiano Ronaldo pra tentar, sim, adiar o problema pra março. Disse que iria convocá-lo, porque era um jogador que estava em condições físicas, técnicas, tudo o resto pra ser convocado e que, portanto, iria chamá-lo. Também, obviamente, sabendo que estava a forçar a barra e a pôr do lado de Cristiano Ronaldo a decisão de aceitar essa convocatória ou de não aceitar. E Cristiano Ronaldo acaba por optar aqui por não tomar essa decisão, que eu acho que seria ainda mais desconfortável e mais chocante de não aceitar uma convocatória, até porque, como era recordado pelo Bruno também, há cerca de três semanas disse naquela longa carta que estaria sempre disponível para competir, portanto, iria sempre aceitar as convocatórias, e acaba por ele próprio retirar-se dessas opções cerca de 24 horas antes da convocatória. Comunicou à Federação Portuguesa de Futebol, não comunicou diretamente a Jorge Jesus que iria deixar a seleção. Essa conversa terá sido tida entre Pedro Proença e Jorge Jesus, apenas. O que é certo é que do lado da federação sempre existiu a intenção de que Cristiano Ronaldo regressasse à seleção nacional. Isso é claro, tanto que Jorge Jesus iria convocá-lo, tanto que Pedro Proença queria tentar promover uma conversa entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo ao longo do dia de hoje ou amanhã de manhã, antes do anúncio público da convocatória, pra que as coisas ficassem um bocadinho sanadas dentro da federação e nos organismos da federação. Cristiano Ronaldo não esteve disponível pra essas conversas, não estava disponível pra continuar a ser treinado por Jorge Jesus e acabou por tomar esta decisão antes da convocatória. Agora, tudo aquilo que acaba por acontecer aqui nestas três semanas, neste mês e meio, por muito que exista aquela tal frase que Cristiano Ronaldo diz na carta, de que estaria sempre disponível para competir, a verdade é que tudo indica exatamente o contrário. E aqui eu acho que há um pormenor que nos está às vezes a escapar um bocadinho a todos Obviamente, por ser um bocadinho, por vezes, um fait divers, mas, neste período, as duas irmãs de Cristiano Ronaldo disseram, ambas, que Cristiano Ronaldo não iria voltar à Seleção Nacional. Disseram ambas, publicamente, que no seu entender, daquilo que iam percebendo, Cristiano Ronaldo não iria voltar à Seleção Nacional. Eu tenho muitas dificuldades em achar que Cristiano Ronaldo, sendo o perfil público que é, o protagonista público que é há mais de duas décadas, permitiria, aqui permitiria com muitas aspas, mas permitiria que as duas irmãs surgissem publicamente a dizer algo que ele não achava ou algo que ele não pretendia. Portanto, isto leva-me a acreditar, sendo ou não Elma Aveiro, sendo ou não Kátia Aveiro, que Cristiano Ronaldo sabia perfeitamente que não iria voltar à Seleção Nacional. Só não sabia quando, como e por que não iria voltar. Tendo em conta que Jorge Jesus não saiu, tendo em conta que Jorge Jesus não pediu desculpas, tendo em conta que Jorge Jesus iria convocá-lo amanhã de manhã, Cristiano Ronaldo acabou por tomar esta decisão.
Esta é uma nuvem negra que fica a pairar. A circunstância em que Cristiano Ronaldo deixa a Seleção Nacional ao fim de 23 anos é uma nuvem negra que fica a pairar sobre Jorge Jesus, o selecionador nacional, ou não?
Não, eu não acho. Eu acho que Jorge Jesus está, desde o dia em que aceitou ser selecionador nacional, muito concentrado no seu próprio sucesso, e o seu próprio sucesso é obviamente o sucesso da Seleção Nacional. E isso também justifica grande parte do porquê de ter sido sempre tão intransigente até com esta questão do Cristiano Ronaldo. Ou seja, eu digo há muito tempo, Jorge Jesus nunca iria colocar o perfil e nunca iria colocar o ego e a personalidade de Cristiano Ronaldo à frente dos seus próprios interesses. Isso também é parte do problema. Ou seja, Cristiano Ronaldo, se calhar pela primeira vez na sua vida, mesmo tendo sido treinado com José Mourinho, encontrou alguém que tem um ego tão grande ou superior ao seu e que coloca muito depressa os seus interesses à frente dos interesses de Cristiano Ronaldo. Eu acho que isso foi parte do problema. Não acho que vá ficar uma nuvem negra em cima de Jorge Jesus. Agora, sabemos que estamos a falar de futebol, sabemos que tudo depende se a bola entra, se a bola bate no poste, se o resultado é positivo ou se o resultado é negativo. É óbvio que se Jorge Jesus não tiver sucesso a curto/médio prazo enquanto selecionador nacional, e aqui curto/médio prazo, obviamente, estou a falar do Campeonato da Europa de 2028 e do Campeonato do Mundo de 2030, e não precisa necessariamente de os conquistar, mas se forem prestações, obviamente, a que Portugal já não está habituado há muito tempo, é natural que o processo de saída de Cristiano Ronaldo, este processo de gestão de homens, de gestão de recursos humanos, seja questionado. Ou seja, é normal que alguém que não está a ter sucesso desportivo, acabe por ser questionado também do seu ponto de vista mais institucional e até mais de gestão de equipa. Se as coisas correrem bem a Jorge Jesus e logo, consequentemente, a Portugal, mesmo que não seja conquistar as duas competições, mas se Portugal chegar aos quartos-de-final, às meias-finais, se Portugal for competitivo, algo que não tem sido nos últimos anos com Roberto Martínez, então eu acho que muito depressa toda a gente esquece esta nuvem negra e Jorge Jesus passa a ser, obviamente, o homem que está a levar de volta Portugal às decisões dos Campeonatos Europeus e dos Campeonatos do Mundo. Ao mesmo tempo que também acho que esta questão da saída de Cristiano Ronaldo será muito geracional e será muito também aqui em curto prazo. É óbvio que nos próximos tempos nos vamos lembrar de como é que Cristiano Ronaldo saiu da seleção. É óbvio que já existe aqui uma geração que viu Cristiano Ronaldo abandonar um estágio da Seleção Nacional, que viu Cristiano Ronaldo não ter propriamente uma despedida muito bonita. Mas também existem gerações enormes que viram Cristiano Ronaldo fazer tudo aquilo que fez ao longo de mais de duas décadas pela seleção. E eu tenho muitas dúvidas de que daqui a 10 anos, 15 anos, 20 anos, se fale disto e não se fale do hat-trick à Suécia ou do hat-trick à Espanha ou do Campeonato da Europa 2016. Acho que essa é a parte bonita do futebol, é que muito rapidamente esquecemos o resto pra olharmos pra os gols, porque, na verdade, é isso que gostamos de ver.
Numa nota de carisma mais pessoal, o que significou pra ti, enquanto jornalista de desporto, Cristiano Ronaldo na Seleção Portuguesa de Futebol?
Para já, dizer que nunca esperei dar esta notícia. E acho que esse é o carisma mais pessoal de todos e isso bateu-me um bocadinho de manhã, às 10h, quando estava a escrever o "Cristiano Ronaldo deixa a Seleção Nacional", porque é aquele momento que todos nós imaginamos que um dia vai acontecer e irá acontecer ainda daqui a um tempo, o fim da carreira de Cristiano Ronaldo, eu acho que ainda nos vai bater um pouco mais, mas é aquele momento que nós achamos sempre que será lá longe, lá no futuro e que nunca vamos acabar por escrever, e de repente acontece e cai-nos no colo. Eu acho que a todos nós que estamos aqui dentro e que temos este privilégio de falar das coisas um bocadinho mais a sério, Cristiano Ronaldo é, obviamente, se não a figura principal, uma das figuras principais das nossas carreiras, e isso é dizer muito.
Obrigado, Mariana Fernandes, jornalista de desporto da Editoria de Desporto d'O Observador. Antes de sairmos, Martim Fernandes, julgo que há aí mais algumas reações de companheiros de Ronaldo na Seleção Portuguesa de Futebol.
Sim, Nani, por exemplo, já fez uma publicação na rede social X. Diz mesmo que o colega de equipa é, para ele, o melhor de todos os tempos. Diz que: "Inspiraste-nos a todos e fizeste-nos acreditar como portugueses que podíamos ser os melhores do mundo. Fizeste-nos sentir orgulho em nós próprios, como povo e como seleção. És e serás sempre uma referência para todos nós que te seguimos e que partilhámos contigo momentos maravilhosos dentro e fora do campo." Falamos também de Pepe, que deixou também uma mensagem na publicação de Ronaldo, um comentário a dizer também: "Obrigado por tudo." E também falamos dos colegas atuais da seleção de Cristiano Ronaldo. O Diogo Costa, o guarda-redes, meteu uma publicação a dizer: "Obrigado, capitão, foi um privilégio." João Cancelo também reagiu com um obrigado. Renato Veiga meteu uma foto do Ronaldo com o símbolo de uma cabra, portanto, do GOAT, o melhor de todos os tempos, e um coração. João Palhinha também agradeceu, para além de Bruno, Dalot e Leão, que já tínhamos dado conta que agradeceram, também agradeceu Gonçalo Ramos, com um emoji a apertar as mãos, portanto, um obrigado também da parte do colega de posição de Cristiano Ronaldo e, para além disso, para além dos jogadores da seleção, também a Liga Portugal dá um obrigado ao capitão, a UEFA, a FIFA e ainda a Bola de Ouro.
Mais algumas reações a esta despedida de Cristiano Ronaldo, aqui trazidas pelo Martim Madeira e não pelo Martim Fernandes, esse chegou ontem à partida frente ao Nápoles, que os Dragões venceram no Estádio do Dragão por 4-1. Termina aqui esta emissão especial a pretexto deste anúncio, porventura surpreendente para alguns, da despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Portuguesa de Futebol. Há um som que vamos deixar de ouvir, seguramente, nos jogos de Portugal, este que Cristiano Ronaldo nos habitou tantas e tantas vezes ao longo de 23 anos de carreira.
Siiim!