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Rui Borges out, Paulo Fonseca in. Mudança consumada no reino do Leão. Paulo Fonseca é o senhor que se segue. Para já, o Sporting já é treinado por Tiago Fernandes, vai orientar a equipa amanhã em Londres frente ao Shakhtar. De resto, é ele que volta a ocupar a cadeira de treinador interino do Sporting oito anos depois e de novo com um jogo na capital inglesa. Na jornada 10, o fecho faz-se mais logo com Benfica-Alverca e também com Gil Vicente-Vitória Sport Clube. Lá por fora, Kimi Antonelli tornou-se ontem na Fórmula 1 o mais jovem campeão do mundo, 20 anos e 68 dias. Tenho hoje comigo para comentar a atualidade desportiva Luís Pinto Coelho, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Muito bem-vindos, campeões. Vamos começar por esta mudança no Leão. Paulo Fonseca vai deixar o Lyon, de França, no terceiro lugar, depois de uma vitória no fim de semana e de uma despedida emotiva ainda no relevado. Deverá assumir então a cadeira de treinador do Sporting a partir de quarta-feira. Luís Pinto Coelho, é uma notícia que para ti não te surpreende, pelo que percebi, mas que avaliação fazes desta escolha de Frederico Varandas para suceder a Rui Borges?

Olá, boa tarde. Com todo o respeito com Rui Borges, eu acho que o Sporting vai mudar para melhor. Acho que Paulo Fonseca ao dia de hoje é um treinador mais completo do que Rui Borges. É um treinador que já treinou em três países diferentes além de Portugal, em vários balneários, com contextos diferentes também, e tem tido bons trabalhos. Acho que é um treinador já com alguma experiência. Rui Borges está ainda num processo inicial, chega ao Sporting ainda um bocadinho inacabado como treinador, embora os treinadores nunca sejam obras acabadas, mas chega um bocadinho ao Sporting da mesma forma que Paulo Fonseca chegou, por exemplo, ao Porto. E embora Rui Borges tenha conseguido aquele campeonato e até a dobradinha com a Taça de Portugal, percebeu-se com o passar do tempo que ainda faltava ali qualquer coisa, se calhar, para um clube da dimensão do Sporting. Também me parece que há aqui uma culpa da estrutura do Sporting. A partir do momento que o Sporting quer fazer uma revolução do plantel e o presidente, que também já não é novo nestas andanças, e a estrutura não percebe que para mudar desta forma, se calhar, também fazia sentido ter mudado logo o treinador no final da época, comete um erro e perde aqui alguns meses que vão ser fatais, acredito eu, por exemplo, para a questão do campeonato em Portugal.

Gabriel Alves, surpreendeu-te esta escolha? Se calhar, não tanto a saída de Rui Borges, que já vinha sendo anunciada ou esperada, mas a escolha por um treinador português com este currículo, que estava com bons resultados em França, pareceu-te surpreendente?

Não, não me parece surpreendente. Boa tarde. Paulo Fonseca, estou de acordo com o que acabou de dizer o Luís Pinto Coelho, um treinador mais experiente, mas olhando aqui para o currículo de Paulo Fonseca, onde ele atingiu o máximo foi na Ucrânia, no Shakhtar Donetsk, onde foi tricampeão, venceu a Supertaça, foi considerado o treinador do ano. Inclusive o Donetsk até se mascarou de zurro dentro daquilo que é a Champions e apareceu numa conferência de imprensa. Mas de resto, eu acompanhei-o, por exemplo, no Milão e uma das coisas que espero que ele tivesse aprendido, porque todos nós, eu falo já por mim, estamos a aprender todos os dias, que é a falta de liderança. Porque eu lembro-me do que é que Rafael Leão e Theo Hernández, dois jogadores do Milão à época, faziam. E a verdade é que Paulo Fonseca não os pôs a jogar, aquelas questões internas, e quando vinham a jogar, eles nem sequer ouviam o treinador, colavam-se à linha. Que vou eu e bremo a ouvir-te inclusivamente a focar essa falta de liderança do treinador. E a verdade é que ele esteve lá seis meses, 13 de junho de 2024 a 29 de dezembro de 2024. Seis meses. Paulo Fonseca, por onde andou, ficou com o Porto, disse e bem o Luís Pinto Coelho, que ele no Paços de Ferreira, faz o playoff, o acesso às Champions, com um terceiro lugar em 2012, 2013, despertou o apetite. Era um treinador que chegava novo. Esteve no Braga, já falei no Shakhtar Donetsk, depois foi para a Roma. Esteve no Milão, como disse, ainda antes tinha estado no Lille e agora está no Lyon, onde obviamente também tem uma cena que, se calhar, vindo daquela marca de falta de liderança, encostar e chamar de brilhantina a um árbitro e teve nove meses de castigo. E ficou muito porque: "Ah, acontece noutros sítios, eu não fiz nada". Não, encostou a brilhantina e a verdade é que teve um castigo, uma punição. Isto depois depende de país para país, depende de mentalidade para mentalidade, depende de estrutura para estrutura. Aquilo que eu acho neste momento, e estou de acordo outra vez com o Luís Pinto Coelho, se calhar não era a meia da época que ele teria querido, se calhar quando foi reestruturado tudo o que era o Sporting, novos jogadores, saíram uns, saíram outros, todo um plantel, se calhar uma nova mentalidade também como treinador, porque a vida dos homens não são iguais, os treinadores não são iguais e completamente de acordo ainda, Paulo Fonseca já tem uma determinada experiência internacional e vamos aguardar que ele agora aqui no Sporting Clube de Portugal consiga Dar ao Sporting estrutura de campeão, de capacidade de poder conquistar títulos. Para ele também será importante voltar a poder estar num clube com marca, com capacidade de ser campeão, para poder ele próprio também depois oferecer serviços seus a clubes internacionais com espectro de conquista de títulos. E obviamente que penso que no seu contrato com o Sporting, caso as coisas não corram bem, quer aquilo que é a entidade patronal, Sporting Clube de Portugal, quer aquilo que é a entidade laboral, Paulo Fonseca, tenham já uma rescisão devidamente anotada para que não haja problemas. Vamos aguardar que haja sucesso.

Pedro Henriques, bem-vindo também ao "Campeão de Hoje". Consta que Rui Borges não aceitou orientar a equipa em Londres por já estar a prazo, já sabia que Paulo Fonseca seria o próximo treinador a assumir a equipa a partir de quarta-feira e não se sentia legitimado para orientar a equipa neste compromisso europeu. Como é que olhas também para a gestão que foi feita do Sporting para com o treinador Rui Borges e também para as queixas que vinha já dando conta na imprensa de alguma falta de respeito por si?

Bom dia a todos. Em primeiro lugar, eu acho que o Rui Borges perdeu em termos daquilo que era ascensão, liderança e possibilidade de continuar no Sporting, para conquistar títulos e para convencer tudo e todos, perdidamente perde a final da Taça de Portugal com o Torreense. "Ah, mas é uma final, outros treinadores perderam." É com o Torreense. E é num contexto que não podia acontecer. Mesmo que os jogadores que estavam lá já estavam com cabeça noutros países e noutros campeonatos, ele tinha que ter a capacidade de dizer alguma coisa. "Vocês podem não gostar de mim, o que quer que seja, mas hoje é pelo Sporting e tem que se ganhar esta final e não se podia perder." E a partir daí eu acho que ele perdeu o crédito todo, porque se ele ganha essa final da Taça de Portugal, se calhar não estávamos a viver a situação agora. Por quê? Porque a situação agora é que toda a estrutura apostou de novo nele, renovação de contrato, defesa intransigentice, assumindo que inclusivamente com a mudança radical de muitos jogadores que saíram e novos que entraram, se calhar havia essa tal tolerância que ele perdeu. E depois de tudo aquilo que o ano passado, por acaso este ano até já ganhou ao Braga, mas que até agora vinham que eram as 18 ou 19, já nem perdia a conta, remontadas, isto é, o Sporting a ganhar e a deixar-se empatar ou perder, associado a não conseguir a época passada ganhar ao Porto, ao Benfica e ao Braga. E, portanto, havia aqui uma desconfiança em relação ao Rui Borges. A malta depois que tenta fazer uma comparação, quem compara: "Ah, mas o Rúben Amorim quando veio também ficou em quarto lugar." Não, o Rúben Amorim não tinha estes não títulos e não tinha sofrido estas situações. E mais, eu acho que tem a ver muito com o discurso, não tem a ver com humildade, nem com raízes. O próprio discurso, a própria forma demasiado simplista que ele tinha, e pode ser uma qualidade ou não, isso agora depende, mas neste mundo do futebol, são completamente triturados. E, portanto, é preciso um bocadinho mais de jogo de cintura. E nesse aspecto, eu acho que a desconfiança de todos não tem a ver com a qualidade do treinador, que também o provou, foi campeão, ganhou uma Taça de Portugal, mas tem a ver exatamente com o não acreditarem neste momento que o Rui Borges, e estou a falar de adeptos do futebol em geral, que o Rui Borges poderia fazer algo de diferente. E, portanto, quando assim é, se calhar o Rui Borges vai para outro local e vai ser feliz noutro local e se calhar o Sporting poderá vir a ser mais feliz com outra pessoa. É só uma questão de mudança. A escolha, neste momento, também não era fácil conseguires, para já, o próprio Paulo Fonseca também estava a trabalhar. Portanto, é difícil a meio de uma época ou num terço da época, conseguir ir buscar um treinador que tenha determinadas qualidades, determinadas características, sobretudo quando estão no ativo. Dentro das possibilidades e das opções, parece-me que esta escolha, concordo com o Luís também, é para melhor num plano académico, num plano teórico. Agora, há uma coisa que é muito importante. Neste momento, o que o Sporting precisa, porque não a tem, é liderança. Liderança, claramente, e uma forma diferente de comunicação. Vamos ver se o Paulo Fonseca consegue isso, porque no passado teve situações em que conseguiu, mas como disse o Gabriel Alves e muito bem, teve muitas outras em que não conseguiu. Vamos ver se o contexto permite ser feliz, sabendo que o título sendo o mais importante, eu acho que está um bocadinho fora já do horizonte do Sporting.

Temos três minutos até ao final do programa, Pedro Henriques Santos, muito rapidamente do teu campeão de hoje, uma aposta para este Benfica-Alverca que vamos acompanhar com emissão especial de desporto aqui mais logo na Rádio Observador.

Sim. Samuel Soares, Ubah, Tomás Araújo, Lenglet, Dalot, Ársene, João Palhinha, Prestan, Lukebakio, Pavlidis e Scheldrup. Esta é a minha aposta para o 11 de hoje. Relativamente à questão do campeão, há muitas coisas, há títulos, há coisas que aconteceram neste fim de semana. O Sérgio Pinto Coelho vai aqui referenciar algumas coisas que o Porto fez, como ganhar ao Sporting ao fim de 50 jogos. E de Hóquei em Patins vai falar de handebol, muito provavelmente, e bem, porque o Porto conseguiu algo extraordinário ao fim do Sporting não perder há 50 jogos. De qualquer maneira, eu vou então focar nesta questão do despedimento e desta questão relacionada com o Rui Borges. Eu acho que num plano teórico e académico, eu acho que para todas as partes é o melhor esta saída do Rui Borges no contexto atual. Só que eu acho que uma vez mais não tinha que ser aqui, tinha que ser de outra maneira. Princípio, final de uma época, porque os dados e os indicadores estavam todos lá. Continuo a achar que se trabalha nos clubes com muita paixão e com pouco profissionalismo. Para se trabalhar com profissionalismo, é bom que os clubes tenham pessoas que não sejam dos clubes, senão estão sempre a chorar e agarrados à camisola com muito amor. Não é isso que se pretende. Isto é uma empresa, as empresas não podem trabalhar com essa paixão, têm que trabalhar com muita racionalidade. Portanto, nota oito para o processo que ocorre, percebendo que isto vai ser melhor para o Sporting esta mudança.

Luís Pinto Coelho, um rápido comentário a este Benfica-Alverca. Terá alguma hipótese o Alverca de ferir o Benfica na Luz? Era o que os sportinguistas se calhar desejavam para não ver o Benfica a distanciar-se na tabela do Sporting.

Sim, claro que portistas e sportinguistas estarão a torcer pelo Alverca. Será difícil, mas o Alverca é uma equipa atrevida e num bom dia pode criar problemas a qualquer equipa. Mas obviamente jogando o Benfica em casa é claramente favorito.

Tens nota de campeão para hoje, Luís? Ou notas?

Sim, tenho aqui três notas, uma para o Óquei Patinas do Porto, um 20. Obviamente, começar a época com a conquista de um troféu é sempre muito importante.

É a Elite Cup.

Sim, a Elite Cup. E depois tenho também dois 18 para Petit e Bruno Pinheiro, dois grandes campeonatos que estão a fazer ao serviço do Santa Clara e do Académico de Viseu.

O Académico fez uma remontada ontem.

Sim. Estão muito bem, são duas equipas muito bem treinadas, que jogam bem e que são muito difíceis de bater. Grandes campeonatos, duas boas equipas.

Gabriel Alves, esse Benfica-Alverca, expectativas para essa partida de mais logo e logo que possas a tua nota de campeão também para hoje.

Observar, naturalmente, expectativa e ver até que ponto o Alverca é capaz de travar o bom índice ofensivo da equipa do Sporting e do Benfica. De resto, favorito Benfica jogando em casa, naturalmente. E se assim não for, é a tal questão do 1x2, por isso é que é 1x2 e há essa expectativa de quem joga naquilo que não é favoritismo, de ganhar mais. Quanto ao campeão, eu darei 12 a Paulo Fonseca e ao Sporting. Olhando o jornal francês, milagres quando não se esperava, isto em relação ao treinador Paulo Fonseca, mas falhanços em momentos decisivos. Esperemos que a segunda parte não tenha esses falhanços. Portanto, 12. Quero dar zero a Mbappé e ao VAR de Espanha, que ontem Mbappé inventou um penalti, claro, faz parte. E o VAR concedeu o penalti dado a Mbappé. Não sei se está alguém com medo do Real Madrid. Gritou tanto. E quero dar 20 ao Unai Simon, que foi considerado pelos prêmios o melhor guarda-redes do mundo e para quem gosta de futebol, ele ontem deu exatamente o exemplo do que é um grande guarda-redes. Mãos, pés, elasticidade, reflexos, tudo. Uma grande exibição, de facto, para o Unai Simon, para além de um grande senhor quando fala.

Um guarda-redes a receber uma nota 20 do Gabriel Alves. Esteve conosco também o Pedro Henriques e o Luís Pinto Coelho na edição de hoje de "E o Campeão É...".