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Frederico Varandas, Rui Costa, André Villas-Boas, António Salvador e Pedro Proença, todos numa sala para discutirem o futebol, mas discutir essencialmente o dinheiro do futebol. Espera-se também conversa sobre arbitragem, policiamento, quadros competitivos, mas o grande tema está relacionado com o dinheiro das apostas desportivas, particularmente a receita dos jogos de futebol internacional. É também um dia em que arranca a quarta ronda da Taça de Portugal. Logo à noite, há um relato em direto aqui na Rádio Observador, o Atlético-Benfica. Durante o fim de semana vamos também ter relatos do Futebol Clube do Porto-Sintrense e do Sporting-Marinhense. Vamos falar da Taça, vamos falar também desta reunião nesta edição de "O Campeão É". Eu sou Miguel Cordeiro, comigo estão o Augusto Inácio, o Pedro Henriques e o Gabriel Alves. Pedro Henriques, começo por ti. Esta reunião pedida pelos presidentes, o que esperas e o que vês nesta intenção de reunir?

Bom dia, ou boa tarde. A reunião tem muito a ver com aquilo que foram propostas e promessas, vamos dizer assim, eleitorais do próprio Pedro Proença, no que diz respeito a resolver alguns assuntos do futebol. E foi nesse âmbito também, quando se apresenta um programa eleitoral, que depois os clubes, associações acabam por votar na pessoa e no projeto. Lá está aquela questão que até o próprio Benfica dizia, que não votou na pessoa, votou no projeto. E dentro disso, há coisas que têm que começar a ser colocadas em cima da mesa. A questão do IVA dos bilhetes, que não é um pormenor, isto tudo em torno do dinheiro e da questão financeira. A questão das verbas das apostas que são feitas nos clubes, a centralização dos direitos de TV, que penso que também está hoje em cima da mesa, a questão dos quadros competitivos. Não estou certo que a arbitragem hoje seja tema, até porque neste momento, para a arbitragem ser tema, teria que estar outras pessoas lá, nomeadamente pessoas relacionadas com o Conselho de Arbitragem. Portanto, eu acho que hoje o aspecto principal não é o pênalti, nem o fora de jogo, mas é sobretudo o dinheiro, a forma como se pode ter mais receitas, distribuí-las pelos clubes todos, não obstante só lá estarem, neste caso concreto, os quatro principais. E penso que é um pontapé de saída numa tentativa, estamos a chegar também ao final do ano civil, numa tentativa de, junto das entidades governamentais, que há aqui aspetos que passam pelo governo, não pode baixar o IVA só porque sim. Tem que haver aprovação da Assembleia da República.

Mas quando dizes que não esperas que a arbitragem seja tema, eu acho que a ser tema, será sempre no sentido de posicionamentos de clubes e comunicados que possam levar a uma má imagem da liga também como produto para ser vendido.

Não, eu acho que hoje isso não está em cima da mesa, e vou dizer-te porquê. Primeiro, porque aquele que é vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol e por inerência do cargo de ser presidente da Liga, rejeitou a presença. Não faz sentido, embora a arbitragem esteja na Federação, no meu ponto de vista, de uma maneira mais formal, não faz sentido estar-se a discutir hoje arbitragem específica, quando hoje o tema é dinheiro. E é neste momento, e é por isso que os clubes estão reunidos. E é por isso que os clubes estão juntos, porque a única forma de conseguir juntar os presidentes é quando se trata de dinheiro, e percebe-se claramente que sim, porque depois no final disto tudo, vai um à Champions League. E esse é que é o grande problema do nosso futebol, antes dos pênaltis e do fora de jogo. De qualquer maneira, estão aqui a ser dados pontapés de saída, chamemos assim, para tentar resolver alguns aspetos que mexem inclusivamente com a parte governamental, numa perspetiva de como fazer mais dinheiro, tal distribuição de 30 milhões. Enfim, há aí uma série de questões e penso que é esse o propósito primeiro da discussão do tema de hoje.

Gabriel Alves, presidentes reunidos, com ou sem mais picardias relacionadas com arbitragem ou com futebol, estamos aqui a falar de dinheiro e eu referi esta questão das apostas desportivas, a distribuição do dinheiro das apostas desportivas, particularmente a receita de jogos em futebol internacional. Para se perceber, há sempre uma parte da receita em apostas desportivas das empresas que tem, por lei, ir para as federações dessas modalidades, incluindo as competições internacionais, e há depois dinheiro a ser distribuído pelos clubes em Portugal, seja o mais pequeno, seja o maior, e a federação tem responsabilidades nessa divisão de dinheiro. E é esta divisão de dinheiro que está aqui em discussão.

Trinta milhões. Trinta milhões que estão aí. Portanto, de direitos estrangeiros. Boa tarde. Obviamente que os presidentes, que são quatro, que já houve uma crítica dois, três dias atrás do presidente do Vitória Sport Club, sempre os mesmos quatro. O que não quer dizer, obviamente, que as coisas sejam assim a um nível global tão, tão, mas compreende-se. São os quatro clubes com mais estatuto no âmbito daquilo que é o futebol português. Isto também em vésperas de uma reunião da própria liga que está a ser anunciada no dia 4 de dezembro, exatamente para também debater questões do dinheiro e a centralização dos direitos televisivos. Eu estou de acordo com aquilo que o Pedro acabou de referir e de operar aqui no nosso "Campeão É", porque de facto é dinheiro e isto é que faz sentar os presidentes à mesma mesa. Seria bom é que esta reunião também fosse veículo para eles dizerem uns aos outros: "Basta. Basta, basta." De tantos comunicados, de colocar tanta pipoca quente nos sacos dos adeptos, de todos eles. Porque obviamente, andarem com este tipo de comunicados, dos árbitros, etc., não resolvem nada. E eu chamo a atenção para o meu campeão hoje, porque eu vou falar de tecnologia.

Muito bem, já lá vamos. Augusto Inácio, o que te parece esta reunião? Como é que vês este encontro?

Boa tarde a todos. Esta reunião, para já, não é nenhuma surpresa, sinceramente, porque estes temas que estão em cima da mesa, dos quadros competitivos, da carga fiscal, dos custos com seguros, com o policiamento, são temas que já se tinha falado no passado e que houve essas reuniões e as coisas continuaram na mesma. O que me parece interessante é andarem aos tiros uns aos outros, mas quando toca a dinheiro, há que juntar e vamos ali para uma sala com o presidente da federação falar daquilo que nos interessa a todos nós, que é o guito. E depois, saindo dali e talvez na próxima segunda-feira, quando acabar os jogos da taça ou quando começar o campeonato, vão começar aos tiros outra vez e vão-se começar a insultar uns aos outros.

Se calhar começa já.

Começa já logo à noite. Se houver um penalty contra o Benfica que não é, lá voltamos todos outra vez à mesma lengalenga. Claramente que isto são temas que têm que ser resolvidos, deveriam ser resolvidos, deviam já estar resolvidos e as coisas continuam-se a protelar. Aqui uma coisa que é verdade: aquilo que o Pedro Promessa prometeu no seu programa eleitoral, em que houve clubes, como o caso do Benfica, que disse que apanhava o projeto, não apanhava a pessoa e o projeto era do Pedro Promessa, claramente que também o Pedro Promessa tem que cumprir com aquilo que foram as suas promessas eleitorais. Porque se não cumprir, é evidente, todos aqueles que votaram no projeto e o projeto não está a ser cumprido, como se costuma dizer, vão saltar para cima. Eu creio que isto não está, neste momento, assim tanto de controvérsia, mas eu diria que essas coisas têm que ser feitas de uma forma limpa, clara, para os outros clubes também perceberem e saberem o que é que se está a passar, porque o campeonato não é só ao quatro. Os outros não são uns palhacinhos que andam aqui no campeonato a fazer de figurantes. Também têm direitos e os seus direitos. E nessa perspectiva, houve a reunião, parece que a reunião já acabou. Agora, há que realmente dar andamento àquilo que acham que é o melhor e naturalmente que isto não se protela no tempo, sob pena de estarmos outra vez a falar daqui a dois ou três anos as mesmas conversas ou os mesmos temas que estamos a falar hoje.

Terminou essa reunião enquanto estávamos a falar, precisamente, reunião que durou aproximadamente duas horas. Vamos falar ainda de Taça de Portugal. Pedro Henriques está aí a grande festa, hoje já esse Atlético-Benfica, depois durante o fim de semana há mais jogos interessantes. O que é que esperas desta ronda da Taça de Portugal?

Embora haja aqui muitos Davids e Golias, ao nível dos grandes, não espero grandes surpresas. Acho que a lógica vai imperar, até porque aquilo que podia ser o fator que poderia tentar equilibrar mais a favor dos pequenos, perde-se, que é o fator casa, porque no fundo são casas normalmente emprestadas. É sempre aquela questão para os grandes, encaixado no pós-seleções, alguns dos clubes, como é o caso do Benfica, com muitas lesões, o antes daquilo que é o jogo internacional, e isso também deixa de ser aquela questão que é poupança para o jogo internacional ou uma ativação já a pensar no jogo internacional. Isso também é muito interessante, porque como no fundo tiveram separados e é no jogo e é na competição que se preparam as equipas e, portanto, este deve e haver que é entre lesionados e poupanças para as cargas que aí vêm e ao mesmo tempo preparar para o próximo jogo. Mas de qualquer maneira não espero grandes surpresas sob o ponto de vista da taça, pelo menos ao nível daquilo que é os três grandes ou os principais clubes. Depois em relação ao Benfica, porque já agora aproveitar.

Queres arriscar um 11 deste Benfica?

Quero, porque tenho lido. Posso estar completamente enganado. E se calhar estou. Que o Mourinho vai mudar o sistema e vai começar a meter três centrais e vai jogar com o Otamendi, António Silva e o Arouch. Como três centrais a preparar aquilo que possa ser o futuro. Ainda hoje vi grandes doutos a falar disso na televisão. Peço imensa desculpa, e sinceramente eu pedi desculpa, mas isso não vai acontecer. O Benfica vai se manter com quatro jogadores em linha lá atrás, chamemos assim, porque se é que se pode dizer assim. E eu não acho que vá nada mudar o sistema para três centrais, se bem que o Mourinho na Roma fez isso e na Turquia também o fez, porque na altura até tinha centrais a mais, como se costuma dizer, e o fez. De qualquer maneira, em relação ao Benfica, eu acho que vai jogar o Sudakov, não está lesionado, está bom. Foi dispensado, não jogou, portanto é Sudakov mais 10. Esta é a minha aposta, claramente. Samuel Soares, António Silva, Otamendi centrais, Dedik Dal, Bahreiner, Geira, Áustinas, Ivanovic na frente. Digamos que juntamente com o guarda-redes são as únicas certezas que eu tenho. E depois para este ano, Shellgroup e Sudakov. Hoje todos aqueles que são mal amados e que estão com processo e com problemas, é Shellgroup para jogo e Sudakov para jogo. É lesionados e com problemas de justiça, vai tudo para jogo.

Muito bem. Vamos partir para as nossas notas, campeão, porque estamos a chegar ao final. O rógio avança. Gabriel Alves, campeão do dia é tecnologia?

Lembrar que a Apple e as novas tecnologias associarem-se no estádio Santiago Bernabéu. Enquanto nós aqui discutimos algumas coisitas que são precisas e que levam tempo, anos, os outros vão avançando. Ver o metaverso com óculos de realidade virtual. Isto porque os estádios não podem ser imensos, há uma capacidade e cada vez os adeptos são mais, portanto, é normal a grandiosidade, o desejo, a paixão pelo futebol. E tal como Steve Jobs dizia, e por acaso que a Apple é o que é, isto estou a citar: "Não era obcecado por resultados financeiros, era obcecado por criar produtos extraordinários. Quando se concentra na excelência, o resto encaixa-se". Eu citei. Portanto, o Bernabéu e Florentino Pérez estão a querer tornar aquilo que é o Bernabéu no estádio infinito, mas não eles sozinhos. Não é só o Bernabéu. Manchester United e Manchester City estão na cola. E agora, para terminar, inspirado na série do Peaky Blinders

A propósito de estádios, 1 bilhão e 360 milhões isto vai custar o novo estádio do Birmingham City, que se chamará o Powerhouse Stadium. Olha, é um estádio de ficção científica. Senhores observadores, por favor, vão ver o estádio, já está na imprensa internacional.

Sim, por agora é mesmo ficção científica. Vamos ver a obra. Final, Augusto Inácio.

Como sempre, joga Portugal hoje sub-17, quartas-final com a Suíça. Nota 20 para os nossos meninos para ver se passam às meias-finais. E queria dar aqui nota 18 para o Brasileirão. O Abel nos últimos três jogos deixou oito pontos perdidos. Perdeu no Marassol 2x1, perdeu com o Santos 1 a 0, empatou com o Vitória em casa 0 a 0, mas curiosamente o Flamengo ontem perde com o Fluminense 2x1. Ou seja, o Palmeiras está a dois pontos, faltam cinco jogos para acabar o Brasileirão. Vamos lá, Abel, passa lá o Flamengo e vê se és campeão que estamos todos a torcer por ti. Nota 20 para o Abel e nota 18 para o Campeonato Brasileirão.

Pedro Henriques, para fechar, tem 30 segundos.

A minha nota é 18 para aquilo que foi apresentado ontem, o Plano Nacional de Desenvolvimento de Desporto. Que queremos que não é um projeto a 12 anos, como nunca nenhum governo, no meu ponto de vista, tinha feito, 25 a 36. Estão 130 milhões de euros em jogo, embora parte dessas verbas estejam também com o Comitê Olímpico, obviamente. São 44 medidas que até vão muito para além do desporto e fico feliz porque realmente haver esta preocupação, esta visão estratégica entre as federações e o próprio governo. E isto foi tudo sob o manto e sob o véu da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, a Margarida Balseiro Lopes. Só é pena é que o título dela não seja só Ministra do Desporto e seja da Cultura e da Juventude, que ainda por cima aparecem à frente do desporto. Não pode, meus amigos, ponham lá o Ministro do Desporto, se faz favor.

Continuo esse pedido. Falámos muito disso também quando foi constituído este governo. Está feita esta edição de "E o Campeão É". Não esquecer, há relato logo à noite do Atlético-Benfica e há edições de "E o Campeão É" durante o fim de semana.