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Do Observador são 10:02. E começamos este jornal das 10 com a ameaça de bomba num voo proveniente de Roma, que aterrou esta manhã no Aeroporto de Lisboa. A PSP diz estar a recolher informação. Trata-se de um avião da Ryanair que fazia a ligação Roma-Lisboa. O voo aterrou pelas 08h no Aeroporto Humberto Delgado. De acordo com a CNN Portugal, o alerta foi recebido pela PSP e está a decorrer neste momento uma operação no Aeroporto de Lisboa para avaliar e confirmar a credibilidade da ameaça. A Rádio Observador já contactou a ANA Aeroportos, que remete para a PSP. Fonte da polícia diz apenas que está a recolher informação. Este alerta surge na sequência de uma série de incidentes semelhantes que têm sido noticiados ao longo da semana. Está conosco em direto agora o presidente do OSCOT, Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, coronel Francisco Rodrigues. Bom dia, obrigada por estar conosco. São para levar a sério estas ameaças, olhando para a série de incidentes que têm marcado a semana?
Olá, bom dia, muito obrigado pelo convite. Este tipo de ameaças são sempre a levar a sério e muito mais quando elas são em ambiente da aviação ou aeroportuário, porque o ambiente aeroportuário desde há alguns anos, eu diria desde algumas dezenas de anos, foi sempre o ambiente procurado por alguns atores, sejam eles estatais ou não estatais, no sentido de provocar alguma disrupção nas sociedades. Sendo certo que antigamente nós assistíamos, de facto, a ameaças concretizadas.
Sim, com sequestros, nomeadamente, e desvios de aviões.
Mas mesmo engenhos explosivos. O que estamos a assistir atualmente, para já, e felizmente, Deus queira que continue assim, não passam de ameaças, só que as regras da aviação são bastante restritivas no que diz respeito ao cumprimento de uma série de procedimentos de segurança. A aviação não permite que haja qualquer tipo de interrogação. Diga?
De facilitismo.
De facilitismo, exatamente. Talvez seja a palavra mais adequada para a situação, é que facilite. Entram logo um conjunto de procedimentos de segurança, de protocolos de segurança, que são acionados de imediato, independentemente de, à partida, poder-se considerar que se trata, como no caso concreto, que já vão numas dezenas, embora alguns sejam do conhecimento público, outros mais reservados, mas já são de algumas dezenas de ameaças. E as polícias, autoridades do país, não só as polícias, mas os serviços de informações, etc, entram logo em processos de contingência.
Coronel, falou aí de uma questão importante. Alguns destes voos têm sido, de facto, notícia. O que nos está a dizer é que houve outras situações que foram mais reservadas, não foram do conhecimento público. Qual é a atitude que se deve ter nestes momentos em que há uma ameaça destas? Por parte das autoridades e da divulgação ou não do que está a acontecer.
Ora bem, naturalmente, pode haver alguns indícios que levam logo, à partida, a poder-se interpretar de forma diferente as ameaças. No entanto, os protocolos de segurança são idênticos em todas as situações. Depois, a forma como eles podem, de imediato, ser acionados, pode requerer alguma confirmação daquilo que está a acontecer. Isto levar-nos-ia a uma conversa um pouco mais extensa. Mas de ato contínuo, os aviões que são sujeitos exatamente às ameaças, têm que procurar dentro do espaço geográfico à sua volta, no momento em que existe essa informação, procurar um aeroporto onde possa aterrar em segurança. Isto depois leva a que as autoridades de navegação aérea procurem exatamente fazer esse tipo de pesquisa e perceber de que forma é que o avião pode aterrar em segurança no mais curto espaço de tempo, porque é sempre posto em causa se efetivamente é validada ou não validada a ameaça. E quando ele chega à Terra, há também outro conjunto de protocolos que levam a que o avião seja o mais afastado possível do resto das áreas aeroportuárias para, no caso de existir qualquer confirmação que haja efetivamente o despoletar de um engenho explosivo, os danos que possa provocar sejam limitados ao avião. E depois, há todos os procedimentos de busca, de rastreio do avião para saber ou poder determinar se efetivamente estamos na presença ou não presença de um engenho explosivo, mas já sem passageiros a bordo.
É isso. Ia perguntar, nesta altura já não haverá passageiros, a tripulação também já não estará a bordo e estará uma equipa da PSP a verificar se existe ou não.
No caso nacional, sim. No caso nacional, há a equipa de inativação de engenhos explosivos da PSP que entra em ação, depois de naturalmente ser criado um perímetro de segurança em redor do avião. Há também a questão do acionamento das equipas de bombeiros do aeroporto, bombeiros especializados para situações destas e de incêndios nas zonas aeroportuárias, porque as viaturas e os equipamentos E todo o conjunto de materiais que têm à sua disposição têm que ser apropriados a este tipo de ambiente, porque uma explosão num avião não é exatamente a mesma coisa que uma explosão num carro. Porque o combustível é completamente diferente, os efeitos são completamente diferentes. E depois, isto leva algum tempo, porque tudo aquilo que está a bordo tem que ser monitorizado, tem que ser scanearizado, tem que ser inspecionado, as bagagens têm que sair todas do avião, aquelas que de imediato são possíveis retirar.
Portanto, muitas horas de trabalho.
São muitas horas de trabalho e eu diria que requer, naturalmente, uma atenção especial por parte de quem faz. Estas situações já estão, desde o início deste mês, a ser bastante repetitivas e isto leva, naturalmente, acima de tudo, à destabilização do ambiente aeroportuário europeu, porque é fundamentalmente sobre o espaço europeu que isto está a se verificar. Traz naturalmente disrupção social também, porque há um conjunto de atividades que ficam condicionadas por este tipo de situações. E as pessoas hoje em dia utilizam muito o transporte aéreo, mesmo para questões comerciais, reuniões. É um transporte hoje muito usual.
Claro, é um meio de trabalho.
É um meio de transporte, exatamente. Portanto, isto traz um conjunto de disrupções, eu diria, para além do singular para o positivo, disrupções a uma série de atividades sociais.
Coronel Francisco Rodrigues, muito obrigada pelas explicações que nos trouxe aqui, importantes nesta altura em que não sabemos exatamente o que está a acontecer no Aeroporto de Lisboa. Vamos para lá já em direto com o repórter Miguel Pina Andrade. Miguel, estamos perante esta ameaça, mas onde te encontras está tudo aparentemente normal no aeroporto.
Sim, Carla, uma sexta-feira muito movimentada no Aeroporto Humberto Delgado. Quando aqui cheguei, esse voo da Ryanair que descolou de Roma ainda aparecia no painel das chegadas. Havia a informação de que já tinha aterrado por volta das 08h20 e que as malas já estavam a ser entregues. Ainda assim, não foi possível apurar até agora se os passageiros já passaram pela zona de chegadas ou não, onde é que se encontram. Como disse, é um dia aparentemente normal aqui no aeroporto. Os agentes da polícia com quem tentei falar não me conseguiram esclarecer nenhuma pergunta, nem se os passageiros iam sair, onde é que estavam. Isto acontece no final de uma semana que foi marcada por várias dezenas de ameaças de bombas em aviões comerciais por toda a Europa. Até agora não foi encontrada qualquer bomba ou engenho explosivo, mas as ameaças obrigaram muitos aviões a efetuar aterragens não programadas, ou seja, não nos aeroportos onde estavam previstos aterrar. No entanto, neste caso, o voo proveniente do aeroporto de Fiumicino, em Roma, o avião fez o itinerário normal, aterrou aqui em Lisboa, com essa informação de que havia uma ameaça de bomba. No entanto, como disse, é um dia aparentemente normal. As pessoas que por aqui passam são completamente alheias a este acontecimento e, por isso, vamos tentar apurar aquilo que se está a passar e também esperar algum esclarecimento por parte das autoridades.
Com a explicação que já tivemos aqui, Miguel Pina Andrade, por parte do presidente do OSCOT, a dizer que serão horas de trabalho por parte das equipes da PSP que nesta altura estarão a olhar para este aparelho da Ryanair. Há uma ameaça de bomba num voo proveniente de Roma que aterrou esta manhã no Aeroporto de Lisboa. A PSP está nesta altura a recolher informação. São 10h12, já Ciro Contra Corrente precisamente sobre este tema. Primeiro, Carla, que outras notícias marcam esta véspera de fim de semana? As reuniões do primeiro-ministro com o Chega e o PS sobre habitação terminaram sem acordo e não foram marcados novos encontros. O governo reúne-se nesta altura com os restantes partidos com assento parlamentar, mas já sem o primeiro-ministro e noutro local, a Assembleia da República. Esta manhã ouvimos aqui na Rádio Observador o líder do PS, Eurico Brilhante Dias, dizer que a partir de agora vai ser difícil estabelecer uma base negocial com o governo para resolver os problemas no setor. Já o deputado do Chega, Eduardo Teixeira, exige que o governo aceite algumas das propostas que foram feitas ontem pelo partido na reunião em São Bento. A ministra do Trabalho mostra abertura para melhorias do orçamento do Estado na especialidade, mas com o limite inultrapassável, o do equilíbrio das contas públicas. Maria do Rosário Palma Ramalho frisa ainda uma outra ideia, repetida, de que a modernização da legislação laboral é inevitável e essencial para o país. Palma Ramalho está a esta hora a ser ouvida no Parlamento, no dia de conclusão das audições dos ministros, no âmbito da discussão do orçamento do Estado para o próximo ano. Em França, pelo menos duas crianças morreram na sequência de um acidente com um autocarro escolar. Aconteceu esta manhã na zona de Lens, no departamento francês de Aisne, perto da fronteira com a Suíça. A informação é avançada pela agência Reuters, que cita as autoridades locais. Não há, para já, um balanço oficial do número de vítimas e feridos. Carla Jorge Carvalho, com as principais notícias desta manhã de sexta-feira. Quando forem 11, voltamos a olhar para o mundo.