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E o campeão é na Rádio Observador, programa de desporto, programa em dia de Taça de Portugal. Vamos falar da festa do Jamor. Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo o João Costa e Silva.
Olá.
E na nossa equipa hoje temos dois adeptos que estão em festa, o João Pinto pelo lado do Benfica, o João Castro pelo lado do Sporting. Temos também o Luís Pinto Coelho, adepto do Futebol Clube do Porto, e o nosso Pedro Henriques. Bom dia a todos.
Bom dia.
Bom dia.
Já têm a bifana na mão ou nem por isso?
Não, ainda não.
Deu-se mal.
Vamos por aí. João Castro, qual é o plano para as próximas horas e o que é o almoço neste dia de Taça?
Olha, o almoço é sempre um assado ao domingo, em família, muito calmamente, para não levantar os nervos. E depois, um cafezinho, se calhar um gelado, brincar um bocado com os miúdos e depois preparar-me obviamente para aquilo que vai ser uma tarde intensa.
João Pinto, e desse lado, como é que se prepara uma Taça de Portugal, num dia de festa?
Eu como dei cabo de um pé, estou aqui nas urgências da CUF.
Ui!
Portanto, hoje vai ser um bocado de pé ao alto.
Isso é um presságio para mais logo?
Estou a ver como é que vou arriscar isto. Pode ser que recupere para o jogo. Vai ser até à última hora.
Está em modo Ósnes.
Estás como Ósnes, exatamente. Outro aspecto, João Castro, confiante?
Sim, sempre. Acho que esta equipa passa-nos muita confiança para aquilo que vai ser o jogo. Sabendo das descoladas, e acho que já falámos ontem, não há favoritismo, tudo pode acontecer. Santo Juste, para mim, vai ser titular do lado do Sporting, substituto de El Mando, que acho que não vai jogar. Há o Ósnes em dúvida, mas acho que sim, o Sporting obviamente tem que estar confiante, sobretudo depois até da vitória, mas lá está, o Benfica também tem aquele sentimento de vingança à flor da pele para tentar vencer a Taça. Portanto, acho que vai ser aquele jogo, mesmo dérbi, forte. Também está calor e portanto pode ter alguma influência, sobretudo no início do jogo e depois as alterações vindo do banco podem ser muito importantes para refrescar também as equipas, mas acho que temos tudo para ter um bom espetáculo, que não ocorra incidências. E lá está, o Sporting terá que explorar muitas vezes o Viocras também, não deixar o Kokçu pegar no jogo, não deixar o Benfica sair confortável na transição, tem que ser muito forte na reação à perda. Esperemos um Sporting superconcentrado para logo.
João Pinto, no teu caso, ontem ainda ouvimos Bruno Lage explicar alguns detalhes que mudou na preparação para este encontro, que fizeram os treinos esta semana à hora do jogo para terem a noção da temperatura, da posição do sol, a nível de refeições, para prepararem logo a rotina ao longo da semana para aquilo que vai ser também o dia de hoje. Isso deixou-te mais confiante naquilo que a equipa pode fazer logo à tarde?
Sim, mas acho que vai depender muito do Ósnes, da disponibilidade do Ósnes. Acho que vai ser uma peça muito importante recuperar ou não recuperar o norueguês. E é mesmo o plano de ataque do Sporting ao jogo vai também passar muito por isso. Acho que é a grande incógnita até à hora do jogo, a entrada ou não do Ósnes na equipa. Depois, todo o resto, foi como disseram os dois treinadores. Já são muitos jogos, as equipas já se conhecem. Tem tudo para ser um grande jogo, tem tudo para ser uma grande final de época em Portugal. A dificuldade maior é mesmo saber quem é que marca primeiro e depois qual é que é o plano de resposta. Vamos ver. Espero que não seja um jogo de zero a zero, é a única coisa que não quero.
Luís Pinto Coelho, perguntar-te a ti se este vai ser um jogo com muitos gols também, já o João Pinto falava sobre isso, e o Benfica, ainda temos na memória esse encontro entre Benfica e Sporting na Luz e que hipotecou o título do Benfica com esse empate a uma bola. O Benfica que sofreu um gol muito cedo por Francisco Trincão. Obriga aqui a Bruno Lage também a preparar o jogo de uma forma diferente e a acautelar este possível cenário que pode voltar a acontecer?
Sim, até porque a primeira parte do dérbi do Benfica foi bastante fraca, por isso a entrada do Benfica neste jogo tem que ser diferente. Acredito que o Bruno Lage também tenha feito alguns ajustamentos. Estou curioso para perceber se Di María será titular ou não. Porque nesse jogo teve uma exibição muito apagada e que foi substituído ao intervalo. Mas eu ontem dei aqui 60, 40 para o Sporting, principalmente pelo lado anímico. Acho que nesta fase da época pode ter algum peso, mas se o João Pinto está lesionado, a coisa piora um bocadinho, já vai 70, 30. Isto assim para o Benfica não está fácil, mas acho que vai ser um jogo com poucos gols. Até porque os resultados entre o Benfica e o Sporting têm sido sempre jogos muito disputados, mas com poucos gols. E o João Castro tocou numa coisa que é muito calor e com o terreno e com o relvado do Jamor, fisicamente é um jogo sempre muito complicado para os jogadores, porque aquele relvado é muito difícil e vários jogadores já referiram isso. E com a temperatura que está, acredito que não seja um jogo assim tão rápido quanto isso e por isso não acredito num jogo com muitos gols.
Pedro Henriques, eu ouvi uma hesitação. Ouvi-te dizer alguma coisa, mas não consegui perceber quando o Luís Pinto Coelho falou da titularidade ou não do Di María. Quero-te pedir, claro, os 11 e também a questão da arbitragem. Final de Taça, tu também viveste possivelmente esse momento. Como é que se prepara um jogo destes do lado da arbitragem?
Boa tarde. Não, eu tinha o microfone aberto e é aquela coisa de estar a ouvir e reagir, no bom sentido da palavra. E não percebi que tinha aqui o microfone aberto, mas não tem mal nenhum. Não, porque eu acho que é fácil os 11 do Benfica e do Sporting. Fica aqui já em primeira mão dizer que tanto o Di María como o Ósnes vão ao jogo. Do lado do Sporting, o El Mando não vai. Não sei se sabiam, ficam já a saber Portanto, começando pelos 11, o Benfica: Samuel Soares, até porque foi o treinador Bruno Lage, por isso que era titular, Otamendi e António Silva centrais, Tomás Aruj à direita, Carreras à esquerda, Florentino, Kokçu, Orton, a fazer aquele trio nas costas de Árthur Cabral à esquerda e Marià à direita e Pablito lá à frente. Em relação ao Sporting, Santo Juste, estou de acordo com o João Castro, Santo Juste, Gonçalo Inácio e Pires e depois o normal, que é o Uhm que o De Vast fazer a dupla, Max Silva à esquerda, Jannick Kartan à direita e Trincão e Gyökeres. Portanto, não há muito que inventar em relação ao jogo de hoje e acho que é isso que vai acontecer. Destas baixas todas, acho que o Diomande será aquele que, eventualmente, pelo menos na minha opinião, não vai mesmo a jogo como titular. Relativamente aos golos, como alguém dizia, hoje até já coloquei um post, achei muita piada, porque as pessoas são fortes a fazer os memes. Dizia qualquer coisa como: "Diziam que sem Amorim não ia haver cerveja nos Jamor." Vamos ver. E parece que tanto com Amorim, como Bruno Lage, como quem quer que seja, acho que há para lá já muita festa e esperemos que este momento se prolongue até antes do jogo, que eu acho que o mais relevante e importante é não haver incidências no extra, no fora. A polícia montou ali um esquema aparentemente bem montado, com uma periferia um bocadinho mais alargada para que as pessoas que entrem ali tenham mesmo bilhetes, porque sabemos que às vezes no meio desta festa e também ao parte dos adeptos, que são adeptos que querem espetáculo e festas, obviamente querem ganhar e querem-se divertir, há sempre aqueles 5, 10, 15, 20 que vão para lá com objetivos diferentes. Portanto, esse para mim é o mais relevante e importante. Em relação à arbitragem, dizer que acho que foi uma iniciativa extraordinária por parte do Conselho de Arbitragem. O Luís vim muito bem preparado para as entrevistas que deu, e em mais do que um canal, que aquilo foi inclusivamente a antevisão do jogo, colocando um bocadinho esta ótica de vitória da arbitragem é sobretudo quando no final do jogo não se é falado sob o ponto de vista dos casos. É difícil, porque eu acho que o jogo vai ser um jogo apertado, no sentido que também acho que é capaz de não haver muitos gols. Há aquela sensação que cheira muito a empate neste jogo, nos 90 minutos, mas acho que vai ser um jogo difícil porque está aqui de muito em jogo, é o Sporting que vem psicologicamente de um momento muito forte e que quer dar continuidade a isso. É um Benfica, não digo que haja vingança, que eu não gosto muito da palavra vingança em tempos de bola, mas é um Benfica- Da desforra. Sim, é mais por aí, que o próprio Otamendi deu um bocadinho a entender, que é aquela questão de querer entregar um título que não resolve a temporada, mas é diferente, é totalmente diferente. E relembrar que este ano tivemos muito Benfica-Sporting ou Sporting-Benfica e que vamos terminar a época com isso e vamos começar a época com isso, com a Supertaça, o que é sempre bom para os adeptos, mas é sobretudo um jogo que eu acho que tanto Benfica como Sporting, por diferentes motivos e diferentes motivações, por isso é que eu acho que é muito 50-50, não obstante a baixa aqui do nosso João Pino, ainda por cima num pé, embora ele se adapte bem com os dois. Mas isso para dizer que vai ser muito apertado, no sentido que eu não acredito num resultado desnivelado ou que alguém resolva isto de alguma maneira, de forma fácil. E também tou muito naquilo que é uma linha, basta eu dizer, mas eu acho que é muito isso, quem marcar primeiro acho que se coloca numa posição muito vantajosa relativamente àquilo que é o resto do jogo. Esperemos que seja uma tarde bem passada. Relembrar que vamos estar aqui na Rádio Observador com antevisões, com muita gente a falar naturalmente do jogo, depois também com o direto e depois com toda a análise que é feita posteriormente, relatar o jogo sem falta, etc. Rádio Observador aqui em todas as frentes, no sentido de não perdermos pitada e de oferecermos aos nossos ouvintes o melhor que possamos fazer em relação àquilo que é a análise do jogo, antes e depois.
João Castro, eu queria pegar aqui precisamente neste aspecto, se o facto de haver este sentimento de desforra por lado do Benfica e também quase ver aqui na Taça um pouco de salvação daquilo que será esta temporada, em que o Benfica luta pelo campeonato até à última jornada, vence a Taça da Liga, está na final da Taça de Portugal, foi até aos oitavos na Liga dos Campeões, mas a nível de títulos, perde o campeonato, o título mais importante para o Sporting. Este sentimento de desforra por parte do adversário, neste caso do Benfica, deixa-te mais desconfiado sobre aquilo que pode dar este jogo?
Não, acho que é normal, todas as equipas querem vencer, fosse o Benfica ou fosse outra equipa qualquer, mesmo que não tivesse estado na luta pelo título, quer sempre vencer a Taça de Portugal. Obviamente, isso é um extra e pode ser a maneira mais fácil quanto a mim de tentar motivar os jogadores do Benfica por parte do Bruno Lage. Acho que parte muito da questão do treinador, da maneira como prepara também a palestra e que preparou a semana, para incutir esse sentimento extra. Ou seja, os jogadores já querem vencer e esse dá um pequeno boost a esse sentimento, porque obviamente querem vencer, porque repare-se, vamos a ver bem, o Benfica vence o Sporting em pênaltis na Taça da Liga e depois perdeu o campeonato, que era o troféu principal. Pese todo o investimento que até foi feito em janeiro e tudo. Portanto, havia ali uma grande crença que era possível realmente o título e o título esteve ali muito perto de acontecer. Mas o Sporting, conforme eu já disse, acho que foi claramente o melhor, porque foi o mais constante ao longo da liga. Agora, é um jogo de 90 minutos ou com prolongamento, e a verdade é que isso faz com que seja um bocadinho diferente. O Sporting já não joga com dois resultados e, portanto, o Benfica aqui sabe claramente que tem que vencer, até porque vai ter agora o Mundial de Clubes, vai ter uma pré-época muito complicada. Portanto, acabar com este tónico era importante até já para a preparação da próxima época. E eu acho que o Sporting não tem que ter medo disso. O Sporting, acho que nesta altura tem que ter confiança em si próprio, tem que acreditar. É muito importante jogar com o Uhm, porque o último jogo foi sem o Uhm. Também é importante esse aspeto, mas na Luz foi com o Uhm e viu-se que realmente é um grande tampão ali no meio-campo, é um grande maestro, um grande capitão. E, portanto, o Sporting tem que ter só confiança em si próprio e tentar vencer o jogo, especialmente nos 90 minutos, para não sofrer muito e tentar, mais do que tudo, acabar com este vazio de dobradinha. O último foi já em 2001, 2002, com a equipa do João Pinto e Jardel Numa final que o Sporting vence o Leixões e até joga bastante mal e o Jardel acaba por marcar um golo e o Sporting levar a dobradinha. Portanto, estes jogadores têm que pensar que já entraram na história, mas ainda podem fazer mais história. E esse é o lado que o Rui Borges tem que puxar por eles.
João Pinto, faço a mesma pergunta. Se este sentimento de desforra que pode ter o Benfica por ter perdido o campeonato, mas ter estado em todas as decisões até ao fim, se pode dar aqui uma maior vantagem aos encarnados nessa abordagem ao jogo, uma vez que o Sporting também teve uma semana de ressaca. Fomos falando um pouco disso aqui durante esta semana.
Eu acho que as emoções que vêm de um sítio mau, normalmente são um bocadinho piores do que aquelas que vêm de um sítio bom. Portanto, acho que os jogadores do Benfica, vingança é sempre uma palavra muito forte. Acho que os jogadores do Benfica o que têm que fazer é motivar-se para ganhar, é motivar-se para serem melhores, para terem um currículo melhor, para terem realmente o prazer e a honra de terem ganho uma Taça de Portugal e ganhar essa taça pelo Benfica. Portanto, aquilo que eu quero é que eles deem tudo, vão a jogo com tudo o que têm para dar e não tenham medo de arriscar, não tenham medo de meter o pé, não tenham medo de fazer o passe difícil, não tenham medo de cumprir aquilo que estava no quadro branco, mesmo que saibam que vão passar a bola ao Florentino ao tentar sair a jogar com o António Silva. Acho que têm que ter confiança neles próprios, saber que são bons, acreditar no processo e depois saber que do outro lado está uma equipa do Sporting que não tem estado a jogar assim tão bem, que não tem estado assim tão bem a fazer transições, coletivamente a criar, a ser coletivamente criativo. E, portanto, aquilo que vejo é um Benfica que consegue e que conseguiu, em largos períodos do último jogo contra o Sporting, manietar o Sporting, ser melhor no processo de jogo. E se for assim, o Benfica tem sempre a possibilidade de chegar à baliza e marcar gols. Agora, aquilo que o Benfica tem que fazer é isso. Portanto, é pensar positivo, pensar em si próprio, confiar e, mais que tudo, saber que nos outros jogos com o Sporting, teve períodos de grande equilíbrio, teve períodos em que foi melhor e, portanto, não há razão nenhuma para que isso não volte a acontecer.
Sim. Vamos falar aqui também da Champions Feminina. Aconteceu ontem no Estádio do Sporting, no Estádio de Alvalade. O Arsenal venceu. Pedro Henriques, o que achaste desta final entre o Arsenal e o Barcelona?
Olha, estava o favoritismo todo metido no Barcelona, por razões óbvias, mas este Arsenal, que já tinha feito coisas épicas, nomeadamente contra a grande equipa favorita, que era o Lyon, e da maneira como conseguiu dar a volta e ganhar esse jogo, inclusivamente contra o Real Madrid, deixava sempre essa desconfiança que coisas diferentes podiam acontecer neste jogo. E aconteceram. E, portanto, foi um jogo com mais de 50 mil pessoas nas bancadas, o que é extraordinário, com um ambiente fantástico, com bom jogo de futebol, com um Tiago Martins, nosso vídeo-árbitro, que esteve nesse jogo, que a dado momento tem que intervir e muito bem para corrigir aquilo que seria o primeiro gol do Arsenal, um autogol do Barcelona, e muito bem a mostrar, através da linha, obviamente, a questão do fora de jogo. E acima de tudo, foi um bom espetáculo. E alguém dizia, alguém que já tinha estado em 2014 naquela final, penso que ligado ao Barcelona, uma jogadora que dizia que comparar esse primeiro jogo, que eu acho que essa jogadora fez, e 10 anos depois, ou neste caso 11, com aquilo que é hoje o futebol feminino à escala mundial, é incomparável. Portanto, o futebol feminino cresceu, desenvolveu-se, tem sponsors, tem pessoas nas bancadas. Já não é um futebol de pontapé pra frente, é um futebol de muita qualidade e de emoções e, portanto, realmente foi uma grande tarde e percebemos agora, e termino com isto, percebemos agora como é importante que também Portugal consiga albergar, por exemplo, finais como estas pro próprio desenvolvimento do futebol, porque foi realmente um momento para Portugal de alegria e de felicidade. Uma palavra só pra Kika Nazaré, que chorou muito nos treinos ontem, na preparação, por não poder estar presente. Voltou a chorar, porque realmente, pior do que perder ou de não se ganhar, é não se poder contribuir. E a Kika Nazaré, que joga no Barcelona, realmente está num momento menos bom por causa da lesão, mas também é uma palavra de força pra ela.
Ainda assim, ontem ouviu o seu nome a ser entoado no estádio e foi um momento que até está nas redes sociais e foi bonito de se ver. Luís Pinto Coelho, 18 anos depois, o Arsenal volta a conquistar a Liga dos Campeões Feminina. Foi o vencedor justo, na tua opinião?
Sim, acaba por ser o vencedor justo. Contrariou o favoritismo do Barcelona, mas penso que sim, acho que acaba por ganhar bem no jogo que me parece equilibrado, mas é uma vitória justa e muito interessante, como o Pedro disse, ter estes eventos em Portugal para continuar o crescimento do futebol feminino, ter este impacto, esta visibilidade, ainda por cima transmitido em canal aberto também. Isso ajuda o crescimento do futebol feminino e estamos a fazer um trajeto muito interessante. Hoje o futebol clube Porto também vai jogar no Estádio do Dragão para a conquista do título e não vai ser no Olival, vai ser no Estádio do Dragão, que também é mais um passo para este crescimento. E o Porto, eu penso que mais um ano estará na Primeira Divisão, o que também é importante para esse mesmo crescimento.
Espera-se um grande espetáculo no Dragão. João Castro, vamos mudar aqui de tema e vamos falar do Gyökeres, que ontem foi ultrapassado por Kylian Mbappé na corrida à Bota de Ouro. Há ainda a possibilidade de Salah passar à frente de Mbappé, mas para isso teria de marcar quatro gols ao Crystal Palace. Ficaste triste por Gyökeres já não poder conquistar este feito?
Não, não fiquei triste. Acho que é sempre mais importante os títulos coletivos. Obviamente, para o jogador poderia ser importante. Acho é injusto. Não é pelo coeficiente, é porque estamos a comparar um campeonato de 38 jornadas com outro campeonato de 34. Mete o Campeonato Português com 38 jornadas e vê quantos gols o Gyökeres acaba à frente do Mbappé. Portanto, é o que é, as regras, mas acho completamente injusto comparar um campeonato De 38 contra 34 jornadas, já tem o coeficiente, ainda por cima tem este rácio diferente do total dos jogos. Acho completamente injusto, mas é o que é. Portanto, parabéns ao Mbappé, que começa mal a época e acaba em grande, a responder a muitos críticos. Quanto ao Gyökeres, eu acho que toda a gente sabe que, nesta altura, para mim, pelo menos, o melhor avançado da Europa é mesmo o Gyökeres. Quem for comparar os números percebe que realmente ali há uma diferença. Sobre o futebol feminino, deixa-me dizer uma coisa: é natural o Arsenal ganhar ao Barcelona. Tinha uma avançada sueca a marcar em Alvalade. Portanto, quem tem uma avançada sueca a marcar em Alvalade, normalmente ganha.
Vamos às nossas notas de campeão. João Pinto, começo desse lado.
A minha primeira nota vai para o Sunderland, que consegue naquele jogo milionário ganhar ao Sheffield United, mesmo no caír do pano. Portanto, mais um clube na Premier League via Netflix. É sempre bom ver isto. Depois, um 16 para a final da Taça de hoje, que seja um belíssimo espetáculo, que corra tudo bem fora do relvado e era bom que se fizesse uma homenagem à vítima do último Benfica-Sporting. Era simpático, especialmente da parte do Benfica. E depois, a última nota vai para esse prémio que o Gyökeres não vai ter, essa Bota de Ouro, que eu acho que deviam pelo menos dar dois prémios. Dar um ao tal coeficiente, não sei o quê, que o Mbappé agora vai ganhar com mais quatro jogos e com jogos a valer dois contra um e meio, e um outro prémio para quem marcasse mesmo mais golos. Portanto, havia o prémio de melhor goleador e depois havia esta brincadeira da Bota de Ouro.
Muito bem. Luís Pinto Coelho, o campeão do dia?
Vou dar aqui um 20 para a jornada da Premier League, hoje extremamente interessante. Vários clubes empatados a disputar a Champions. Espero que o Nottingham consiga, do Nuno Espírito Santo. Hoje tem um jogo complicado com o Chelsea, mas é uma jornada também muito engraçada, porque há ali vários clubes juntos na tabela e é uma bela jornada e uma bela tarde de futebol.
João Castro, as tuas notas e o teu campeão do dia.
Nota 20 para a equipa de andebol do Sporting, bicampeã nacional. Aquela tal mudança de paradigma que eu digo, não é só no futebol, acho que tem a ver muito com as modalidades. O Sporting luta, não estou a dizer hegemonia, estou a dizer mudança de paradigma, luta por todas as modalidades. Das principais, já venceu o voleibol, já venceu o futebol e agora vence o andebol, estando na luta pelo hóquei e igualmente pelo futsal. Basquetebol, não. Acho que vai ser muito difícil. Acho que esta equipa do Sporting de andebol é das melhores de sempre, a par de algumas equipas que o Porto também teve, obviamente. E portanto, há aqui um grande crescimento de uma equipa de andebol que é realmente cinco estrelas. E já agora, em termos de campeonato, o Luís falou a liga inglesa, mas a liga belga decide-se o título hoje. Portanto, também vai ser muito interessante essa jornada final da Liga Belga.
Pedro Henriques, se voltas tu.
Sim, eu vou dar para a Taça de Portugal, mas sob a perspetiva da arbitragem. Eu vou dar para já uma nota 17, que o Luís Vinha e toda a sua equipa, quando entrarem naquela hora, hora e meia antes do jogo, desfrutem logo do ambiente, que é um dia especial, uma tarde diferente. Continua a ser jogada à mesma hora, portanto, isso também é mítico. E depois, quando for fazer o aquecimento, continua a desfrutar de um ambiente que estará mais composto em termos, naturalmente, de bancadas e desfrute do jogo. São momentos únicos. Fazer uma final de Taça de Portugal é sempre diferente. Eu tive o meu momento, que fica na minha memória, para 2003, exatamente, a viver todas essas experiências. É fantástico, é extraordinário. Ainda hoje tenho o clipe, o vídeo, e meto-o sempre na minha rede social. Não é por mostrar absolutamente nada, mas é para fazer também um refresh e um remember de algo que realmente é único na vida de quem desfruta disso. E eu recordo-me que em 1980, hoje não temos aqui o Inácio, eu ainda tenho esse bilhete, é engraçado. O meu pai nasceu em Vila do Lazer, de Braga, e essa final foi Sporting-Braga, e foi a primeira vez que eu fui ao Jamor num enquadramento. E recordo-me que depois, no meu caso concreto, 23 anos depois, mal eu sabia, em 80, que 23 anos depois estaria eu ali a fazer uma final. E pronto, e agora, de repente, passaram-se mais 22 anos.
Perdemos aqui a ligação, Pedro. Estavas a falar do tempo que se passou.
Uma anedota da história de cada um.
Mas perdemos aqui a última frase, Pedro. Volta um bocadito.
Não, é só para dizer que são momentos que ficam para a história e mais do que importante que ficar para a história, é que fique na memória de cada um, seja como adepto, seja como árbitro, seja como jogador. Realmente a Taça de Portugal é única e há que manter este espírito, que seja uma grande tarde de futebol, independentemente de quem ganhar.
É isso mesmo. Queremos a emissão especial na Rádio Observador a partir das 15h. Quanto ao "Campeão É", estava de regresso amanhã, depois do 12h30, para analisar o que acontecer nesta Taça de Portugal.