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Semana de Páscoa e de férias para muitos cidadãos. Semana de trabalho para os líderes partidários. Por exemplo, a esta hora, Pedro Nuno Santos e André Ventura devem estar a preparar o frente a frente que têm logo à noite na televisão. Já lá vamos neste "E o Vencedor É", com o Rui Pedro Antunes, a Raquel Abecasis e a Judite França.

E já lá vamos, porque começamos com os debates de ontem, entre quem ouve mais ou menos a mesma canção, mas aqui ou ali muda o refrão. Bloco de Esquerda, Livre por um lado, AD, Iniciativa Liberal por outro. Judite, que notas tens?

Notas mesmo? Notas têm que ir aqui abaixo. Luís Montenegro e Rui Rocha, eu dei uma vitória a Luís Montenegro, fiz aqui um 14, 12, por variadíssimas razões, entre elas porque aquilo foi um tom mais de namoro do que de combate, mas à esquerda foi igual. Portanto, em ambas as margens, o tom foi mais ou menos o mesmo. Aliás, quem via os dois debates seguidos, sentia-se calmo e tranquilo, porque não houve animosidade, não houve gritos nem apitos. Tanto Rui Rocha como Mariana Mortágua, cada um no seu duelo, pareciam mais interessados em não hostilizar os futuros parceiros do que em marcar terreno de forma clara. E eu acho que Luís Montenegro e Rui Tavares souberam aproveitar isso e bem. Montenegro, muito à vontade e com este tic novo da montenegrização, cabe dizer gaba de cesto, e que parece aquelas coisas que saem dos laboratórios de soundbites, que há pessoas que estão ali entretidas a fazer.

Há dos profissionais disso nesta campanha. Cada um chega com o seu soundbite.

É verdade. Eu acho que esteve previsível, moderado e à caça do centro, que é isso que lhe compete fazer. E eu acho que foi eficaz a contornar as críticas, sobretudo a do caso Spinova, já se sabe. E até na questão do jogo fiscal, onde Rui Rocha devia estar completamente à vontade, acho que fez pontos. Já há uns dias tinha falado aqui da moderação da Iniciativa Liberal e de como a moderação da Iniciativa Liberal pode significar um voto na AD. Porque eu acho que a IL precisa de mais do que piscar os olhinhos e pedir pra não se fazer como o gato das botas e pedir que os eleitores não entrem no voto útil. Pode querer ser parte da solução, mas não pode querer já começar a dançar o tango antes das eleições. E eu acho que do lado da esquerda o cenário foi muito parecido. Rui Tavares tem sempre um pedigree europeu, que marca logo a distância, enquanto o Bloco ainda anda naquelas declarações antieuropeístas e Rui Tavares esteve muito bem a recordar um livro de Francisco Louçã. São declarações que têm pó, mas independentemente de terem pó, são declarações antieuropeístas e portanto Mariana Mortágua depois fez o que pôde para recentrar o discurso, mas ainda passou metade do tempo a defender-se desses fantasmas de Fernando Rosas e de Francisco Louçã. Ainda assim, foi eficaz nos temas de sempre.

Ex-fantasmas.

Ex-fantasmas. Não, fantasmas no sentido do discurso, desse discurso que é muito passado. Acho que foi eficaz na justiça fiscal e na habitação, como é sempre. Teve pouca margem para brilhar, porque Tavares tem o mérito de dizer que é preciso passar do contra ao como. E faz isso bem. E portanto eu acho que houve aqui mais um jogo de espelhos do que de diferenças reais. Ninguém ganhou a corrida propriamente dita, o que nos diz muito sobre o estado da política portuguesa, porque a campanha está menos sobre ideias e mais sobre geometria pós-eleitoral. E portanto, um 14 e um 12 pra Luís Montenegro e Rui Rocha, e depois um 12 e um 13. Rui Tavares ganha a Mariana Mortágua.

Raquel, nesta altura os partidos estão mais focados na conquista do eleitorado, mas até pelo que vimos e ouvimos ontem, também se impõe falar de cenários pós-eleitorais. Só que nem a AD, nem a Iniciativa Liberal querem passar desta fase de piscar os olhinhos, como a Judite França estava aqui a dizer, e é por causa do que já disse Marcelo Rebelo de Sousa, que dá posse a quem ganhar?

Eu acho que não são essas as contas que se fazem neste momento. Eu acho que neste momento há um papel que se representa no palco principal e há outro papel que está a ser cozinhado nos bastidores. E acho que isso está a acontecer em todos os partidos e sobretudo está a acontecer nos dois blocos. E as sondagens vão nos mostrando, ainda hoje estive a olhar aqui pra média das sondagens do Observador, e vão nos mostrando um resultado praticamente em tudo idêntico.

É o radar das sondagens, product placement do Observador.

É, pronto.

Não esquecemos até há muitos anos que o Observador se justificou com a sondagem das sondagens, agora o Observador também tem o seu sistema, que é o radar das sondagens.

E eu estive a olhar pro radar hoje e vi um resultado em tudo igual àquele que tivemos há um ano, com uma diferença minúscula entre a AD e o Partido Socialista, com o Chega praticamente nos mesmos níveis que teve nas últimas eleições.

Já agora deixa-me só dizer 29.3 pra AD, 28

Quatro para o PS, 16, sete mais ou menos para o Chega.

Esse 6,8 é o CDS que está a puxar. O CDS a salvar mais uma vez o PSD.

Isso foi o discurso pós-eleitoral em 2024. Com as sondagens a apontarem para isso, as contas começam a ser feitas. E aquilo que me parece é que mesmo que o resultado eleitoral venha a ser igual ou semelhante ao que foi nas últimas eleições, ganhe por uma curta margem a AD ou ganhe por uma curta margem o Partido Socialista, parece-me que aquilo que vai acontecer no dia seguinte ou na própria noite não vai ser nada semelhante com o que aconteceu nas últimas eleições. Acho que o país e o país político virou definitivamente a página àquelas máximas do não é não e do governa quem ganha. E acho que tudo se encaminha para que venhamos a ser surpreendidos com arranjos pós-eleitorais que podem não corresponder àquilo que no imediato as pessoas vão ver. E isso também, de alguma forma, está a ser cozinhado nos debates, nas não hostilizações, quer à direita, quer à esquerda, porque há um canal de comunicação entre o que se diz nos bastidores e o que se está a passar nos bastidores, e aquilo que se está a passar na frente de campanha.

Mas quando falavas do não é não, achas que o não é não tem os dias contados?

Acho que o não é não, no caso de Luís Montenegro perder por poucos, tem evidentemente os dias contados, parece-me a mim. E a mim não só, eu não estou a dizer isto só por análises, enfim, também por algumas e várias conversas que vou tendo, num cenário que, esse sim, parece mais ou menos certo de maioria à direita. Ganhando o Partido Socialista, não há neste momento estado de espírito à direita para deixar que o Partido Socialista governe. É aquilo que me parece.

Sem Montenegro.

Exatamente. Sendo que, ao contrário do Partido Socialista, é praticamente certo, e aliás, não é notícia para ninguém, que líder no PSD, líder que perde, parte. E portanto, neste momento Luís Montenegro, apesar dele parecer muito confiante no discurso político, poderá estar com o seu lugar dependente dos 50 mil votos que vão para a direita ou para a esquerda.

Mas parte-se do princípio que Marcelo Rebelo de Sousa dá posse a um outro primeiro-ministro.

Não, é porque Marcelo Rebelo de Sousa tem, neste momento, a vida muito limitada. Marcelo Rebelo de Sousa não pode marcar novas eleições, mesmo que quisesse. E, portanto, não poderá contrariar em absoluto um arranjo pós-eleitoral que venha a ser feito e que seja consensual, porque também o que me parece do lado do Partido Socialista, que obviamente não faz esse discurso oficialmente neste momento, é que o Partido Socialista também não está muito interessado em ir para o governo nas condições em que foi Luís Montenegro. Obviamente, em um cenário em que não consiga formar qualquer espécie de maioria à esquerda e que vá governar em minoria com um parlamento majoritário à direita. Acho que Marcelo, como sempre, se precipitou nalgumas coisas que foi dizendo, sendo que parece-me a mim, não sei, Rui, se me confirmas, mas parece-me a mim que desta vez, pelo menos, não disse em on, terá dito só em off.

Sim.

E portanto, não está comprometido com as suas próprias palavras. E eu acho que cada vez mais, se estas sondagens se confirmarem, nós poderemos ter um resultado igual eleitoral, mas não vamos ter seguramente um resultado igual governamental ou de arranjo governamental. E eu dou aqui uma nota 15 à política nacional, porque de facto a política nunca é monótona em Portugal, pode não ser muito assertiva, mas monótona não é e dou aqui uma nota 15.

E o nosso editor de política, Rui Pedro Nunes, estava aqui a ouvir-vos com atenção. Rui, ainda antes de irmos depois às tuas notas e ao teu tema, também quero ouvir-te sobre estas surpresas pós-eleitorais. Já estamos focados também nisso.

Não, à partida, o que tem acontecido é assim: há aqui uma vantagem, estamos perto da Páscoa e como se diz no mundo aqui para cima, podemos dizer coisa parecida como Pedro Nuno Santos ressuscitou, aleluia, aleluia. Porque até aqui estávamos a dar como certo que isto era um pequeno percalço e que apesar do caso PIN não viva, Luís Montenegro ganhava e ponto final. E agora estas últimas sondagens vieram mudar um bocadinho o jogo e a ideia aqui é que ou ganha um ou ganha o outro. E só essa dúvida é uma vitória circunstancial para Pedro Nuno Santos. O grande problema é que na perspectiva de Pedro Nuno Santos vencer as eleições, no dia seguinte, muito dificilmente terá uma maioria de esquerda para governar. Depende muito do PSD que queira, por exemplo, deixá-lo governar até março. E também não é líquido que o PSD queira. Por quê? Luís Montenegro. Não é tanto por o PSD ser uma trituradora de presidentes, até porque ele de alguma forma conseguiu estancar, ele que se chama Montenegro, a balcanização do PSD, sendo que o Montenegro também sabe isso. Por exemplo, Angola, Moçambique, etc. Declarar a independência de Portugal, como fazem normalmente. E no caso do Montenegro, foi a Sérvia declarar a independência do Montenegro, o que não deixa de ser curioso. Até a Sérvia quis sair de junto do Montenegro. Mas voltando ao nosso tema e esquecendo um bocadinho a geopolítica dos Balcãs. Na verdade, o dia seguinte acaba por ser a chave, porque Pedro Nuno Santos, se ficar à frente de Luís Montenegro, tem logo esse ponto, que é Luís Montenegro disse que se ia embora, e portanto, quem tomará a decisão depois se há ou não uma geringonça de direita não é ele, mas a próxima direção do PSD, e isso muda as contas todas, cria uma grande imprevisibilidade para o que aí vem. E já vamos vendo algumas figuras hoje em entrevista ao público, Miguel Relvas diz que o que há é para aproveitar a maioria de direita e que esse é o caminho.

Não nos querendo gabar, a primeira vez que disse isso foi na Tarde Política.

Do Miguel Rafasne.

Portanto, o que eu queria dizer é que o Miguel Relvas foi repetir para o público aquilo que disse no Tarde Política. Era a esse ponto que eu ia chegar agora já a seguir.

A questão é que-

Depois do Radar, as entrevistas .

Eu aqui a puxar pela Renascença e agora a puxar pelo público. Parece um cavalo de Troia.

Objetivamente, Miguel Relvas diz isso preparando um caminho, mas eu continuo a achar que temos aqui um problema, que é Marcelo Rebelo de Sousa a dar lugar de primeiro-ministro a outro líder do PSD. Porque nós vimos isso acontecer, independentemente de um ser Santana Lopes e do outro ser Durão Barroso, mas nós vimos isso acontecer. Ou seja, vimos acontecer tomar posse um primeiro-ministro que não foi eleito. E isso pode ser um problema. Inquestionavelmente pode ser um problema para Marcelo Rebelo de Sousa.

Sim, mas creio que ninguém aceitará nessas circunstâncias, porque já aprenderam com o passado, mesmo quem queira estar no dia seguinte, a menos que fosse uma solução interna de alguém que fosse submetido a votos, mas não como figura, e provisório. Por exemplo, até imaginar um Paulo Rangel, um António Leitão Amaro, alguém que assumisse provisoriamente, quase como uma espécie de um governo provisório até março, e o novo presidente poder convocar eleições. Mas mesmo assim, se isso implicasse ter o apoio do Chega, é muito complicado. Aí talvez fosse mais confortável para o PSD deixar o Pedro Nuno governar durante uns meses, para ser também caótico, porque iria ser até março, e depois então voltar em força com Luís Montenegro ou com outro. Porque Luís Montenegro obviamente disse que não aceita governar, mas enfim, até lá poderia voltar à oposição e tentar um novo assalto. Mas é tudo muito confuso.

E acho que apesar do PSD ser uma máquina de triturar líderes, de facto, não vai ser fácil mastigar Luís Montenegro. Parece-me duro de roer nesse aspeto.

Perder as eleições, está fragilizado.

A verdade é que há líderes que conseguem secar a volta e Montenegro foi um dos que secou a volta.

Vanessa, para dar aqui um sentido à minha nota, vou dar uma nota também genérica. Vou dar um 12 aos debates pelo rumo que podem estar a dar ou não. E no meio disto, há aqui uma hipótese. Por exemplo, eu acho que Rui Rocha tem perdido bastante nos debates. Pedro Nuno Santos tem saído por cima dos debates genericamente, muito acima daquilo que era expectável.

E hoje tem esse frente a frente frente a André Ventura.

Só para dizer uma coisa, daqui a poucos minutos, o Marcos Perestrello vai falar no rato, provavelmente para falar do caso Spin & Viva, porque ele é que tem feito isso ciclicamente. É um erro. Desde que parou de falar do caso Spin & Viva, Pedro Nuno Santos começou a subir.

Mas deixa a despesa a outros, não é?

Deixa. E hoje falará o André Ventura, quererá falar disso e dirá sete ou oito vezes a palavra Sócrates e coisas do género, com Pedro Nuno Santos no debate logo à noite, entre os dois, e Pedro Nuno Santos vai aproveitar para vender a imagem do moderado, provavelmente.

Do estadista, não é? Que não se mete nisso.

Perante André Ventura, que também ainda não vimos nos debates, mas também está a se aguardar, eventualmente, para aqueles que são o peixe graúdo e enfrenta Pedro Nuno Santos. Eles não disputam eleitorado, não estou a ver ninguém que vote no PS, que vote no Chega, nem vice-versa. Já aconteceu isso, já houve essa deslocação de eleitorado, mas agora não estou a ver que disputem, mas é muito importante para os próprios, para o eleitorado André Ventura, que deu uma tareia ou tentar uma tareia em Pedro Nuno Santos e para o eleitorado do PS, que Pedro Nuno Santos tenta uma tareia em André Ventura.

Claramente.

Isto vai ainda ao meio, vamos ver qual é que é o desfecho dos debates, mas até agora a estratégia tem corrido bem. Então diria, como comecei, que Pedro Nuno Santos ressuscitou, aleluia, aleluia. Rui Rocha está em queda, afora, afora, vamos ver se consegue recuperar. E Luís Montenegro, enfim, não aceitou ir a todos, mas também não se tem saído mal naqueles debates que tem ido.

Queres mais alguma rima, agora sobre Luís Montenegro?

Não, isto não é uma rima.

Acabou bem.

Na minha terra não existe, mas acho que no Norte existe muito esta na Páscoa, creio que era numa menção a isso.

Só queria dizer que o computador-

Não era no Norte, era no País que o Miguel Relvas ressuscitou também.

Ressuscitou, isso sim, isso é muito interessante.

É que agora o Pedro Nuno Santos cita mais vezes o Papa Francisco do que os partidos à direita e o PS de António Costa, e o Carlos César também já citava bastante como presidente do PSI, que ainda é o Papa Francisco, que também não tem mal haver algumas referências religiosas a envolver o Partido Socialista, que tem no seu eleitorado muitos católicos.

Muitos católicos conservadores.

São referências bem apropriadas a esta época. Fica por aqui o E o Vencedor É, depois desse frente a frente logo à noite de Pedro Nuno Santos e André Ventura. E há também outro debate, que agora me está a falhar, mas haverá notas aqui.

Inês Sousa Real e Rui Rocha.

Exato. Boa, Raquel. E depois damos notas também aqui.

Vou estar de serviço, por isso é que sei.

Há sempre notas também no site do Observador.

No site do Observador.

E amanhã de manhã, no E o Vencedor É das manhãs 360, depois das 08h30.

Precisamente.

E ficamos por aqui. E o Vencedor É também fica disponível lá em podcast.