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E o Vencedor É, na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador, hoje com a Judite França, o Alexandre Borges e a Helena Garrido. Hoje tivemos debate quinzenal, há uma nova proposta da UGT sobre o pacote laboral e até tivemos o arranque da concentração das urgências de ginecologia na Península de Setúbal, no Garcia de Orta, em Almada. Começou esta manhã às 9h. Mas há um outro tema a parar o trânsito e o país. E agora, um aviso para os pais que estão com crianças no carro. Deixamos aqui esse aviso. Vamos falar agora de um assunto muito sério, de crimes sexuais contra menores. Cristina Ferreira comentou o caso dos quatro jovens, alegados influencers acusados de violar uma adolescente de 15 anos e provocou um tsunami de indignação, com direito até a queixas na ERC. Ao abordar o tema do consentimento, Cristina Ferreira disse no programa que tem na TVI, foi ontem, e vou citar: "Mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro, que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? É claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele não quer mais?" Fim de citação. Judite França, este comentário está ao nível do "ela estava de minissaia"?

Acho que é ainda pior do que esse. Esse já é mau, mas este ainda é pior. Isto é absolutamente grotesco. E eu podia utilizar outros adjetivos, mas vou ficar por este. A frase toda é um tratado do que não é não dizer, é não pensar. As pessoas não deviam pensar uma coisa destas, porque mesmo que ela tenha dito para parar, mas alguém tem dúvidas? Alguém tem dúvida de que uma mulher, uma rapariga, passou numa circunstância destas? Eu queria dizer, até porque conheço a Cristina Ferreira, trabalhamos na mesma casa durante vários anos, e antes que alguém diga que isto foi um deslize ou uma frase mal construída, eu recordo que há aqui uma reincidência, porque em junho de 2025, no mesmo programa, que é um programa de grande audiência e, portanto, de grande responsabilidade, com grande audiência vem grande responsabilidade, analisou o caso de uma mulher que foi assassinada pelo ex-companheiro, uma mulher que saiu de um baile, isto é uma descrição, foi interceptada junto ao carro e foi morta a tiro. E a mesma apresentadora, a Cristina Ferreira, diz: "Ela pôs-se a jeito. Que talvez entrar no carro do homicida tenha facilitado o que aconteceu." A indignação foi imediata, obviamente, foi generalizada. A ERC, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, abriu um processo de contraordenação contra a TVI. A coima pode chegar aos € 150 mil, não é nada branda. Para o nível de indenizações que se pagam em Portugal, isto é uma contraordenação muito cara. A apresentadora respondeu que foi mal interpretada, que o seu propósito era alertar as pessoas para não terem comportamentos de risco e não culpabilizar. Mas a questão é que há frases que não podem ser ditas em contexto de café, porque a Cristina Ferreira não só não está no café, como sabe perfeitamente, talvez seja das mulheres mais influentes em Portugal, portanto, das mulheres com mais poder em Portugal, que tem uma exposição mediática enorme. Essa exposição mediática, como eu disse, vem com enorme responsabilidade e acho sinceramente que a Cristina Ferreira, que eu conheci, não teve noção daquilo que disse. Mas não tendo noção daquilo que disse, já devia ter vindo explicar-se, desculpar-se, pedir desculpas, dizer: "Olha, foi um lapso, não era isso que eu queria dizer, saiu-me mal." Porque isto, além de tudo, eu imagino esta rapariga, que passou pelo que passou, que um dia pode ligar a televisão e ouvir alguém questionar se eles perceberam mesmo que ela queria parar. E eu acho que isto é, não sei como é que hei de dizer isto, sei escrever, mas não sei dizer, é revitimização.

É muito difícil. Exatamente.

Com um painel de especialistas. Havia também uma psicóloga que disse que afinal os rapazes são muito novos e é preciso mais maturidade pra saber parar, que enfim, também é um disparate monumental e vindo de uma psicóloga é ainda pior. Mas enfim, eu acho isto tudo vil e espero sinceramente que a Cristina Ferreira se retrate.

Alexandre.

Sim, é mau demais, desde logo, por que às 10h se comenta? Eu tenho dificuldade. Ou seja, por que é que às 10h da manhã se comenta?

É a crónica criminal ou algo do gênero.

Exatamente. Se analisa um caso da questão deste nível e se comenta com os detalhes com que se comenta.

São analisados casos criminais.

Isto. De acordo.

Nas televisões todas.

Muito bem.

Não sei se a RTP também tem, mas pelo menos na SIC e na TVI sempre acontece.

De acordo, mas uma coisa ainda é fazê-lo, outra é descrever. Eu vou ter que fazer isto agora, porque enfim, não há outra hipótese de falar sobre este assunto. Basicamente, o que a Cristina Ferreira está a dizer é assim, ela tenta que as pessoas se identifiquem com uma situação que aparentemente ela vê como normal, que é: vamos lá conversar aqui da última vez em que vocês fizeram uma orgia e a filmaram pras vossas redes sociais. Da última vez em que estiveram nisso, o que vos aconteceu? Começa por isto. E depois, um caso que está a ser julgado esta semana. Não estamos a falar de uma coisa que caiu, passou ou foi daquelas sentenças ridículas que às vezes saem em Portugal, ou simplesmente passou entre as gotas da chuva pela Justiça. Não, está a ser tratado onde deve ser tratado. Porque é que nós, ao mesmo tempo, vamos escalpelizar isto num horário onde estão crianças a ver perfeitamente, onde há jovens, tudo isto, ainda por cima para fazer este discurso? De facto, ainda por cima para opinar diretamente sobre a matéria, não falar sobre o julgamento, mas ir diretamente à matéria e fazer este julgamento. E de facto, eu tenho dificuldade em dizer se é que isto é sem querer. Ou seja, tenho dificuldade em fazer à Cristina Ferreira o que ela está a fazer aos acusadores neste caso, em dizer: "Não, há aqui um contexto." É como diz a Judite Ibai. Houve essa história do posta jeito, que é inacreditável. Houve outras, confesso que isto me lançou numa espiral de notícias, um scroll infinito por notícias de coisas que tipicamente não acompanho. Posso estar a dizer algum disparate, mas parece-me que não. Aparentemente, também no "Big Brother Famosos 2022", Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting, era concorrente, agarrou uma outra concorrente, que acho que foi sua namorada, pelo braço, acabou expulso da casa.

Pelo pescoço.

Pelo pescoço. Pior. E Cristina Ferreira, que estava a apresentar, ter-lhe-á pedido desculpa quando ele é expulso, disse: "Desculpe, não o conseguimos proteger." Portanto, há aqui um conjunto de pugilistas, de ações que vão todas assim um bocadinho no mesmo sentido. Isto da parte de uma pessoa que é, como diz a Judite, seguramente uma das mulheres mais influentes do país, é uma das pessoas mais influentes do país. É uma pessoa que aqui há poucos anos teve um momento, não sei se recordam disto, houve ali um momento em que pensou candidatar-se à Presidência da República.

Helena, vamos também ouvir-te.

Subscrevo tudo o que foi dito, só acrescento o seguinte: não se podem relativizar situações de violações, nem de agressões. Não há relativização possível. E a questão do não conseguiam controlar-se, mas os miúdos são animais, ou a Cristina Ferreira considera que miúdos de 16 anos em grupo são animais e não há ninguém no grupo, uma pessoa que seja, que ponha termo à situação. E depois é especialmente grave por ser reincidente. E também por outra razão. É por aquela que referiram que a Cristina Ferreira tem especiais responsabilidades, porque é uma figura pública com uma enorme influência na população em geral. Ela tem consciência disso, para qualquer lado que ela vá, ela tem uma enorme influência.

É que ela não é apenas uma apresentadora de televisão. É uma pessoa com muita influência em vários níveis em Portugal.

Muito peso na opinião, até nas escolhas que as pessoas fazem. Ela tem consciência disso, tanto mais que tem produtos que vende com a marca dela.

Cristina Ferreira é uma marca em si, ela própria.

Se ela tem consciência disso, deveria também já ter consciência da responsabilidade social que tem em relação àquilo que diz. E nós não podemos, não devemos relativizar agressões, não há relativização possível, não há: "Eles podiam estar assim ou assado ou aquela posta jeito." Não é possível.

Mas não reflete também uma certa forma de pensar que continua a ser a forma de pensar de muitas pessoas em todo o país?

Eu admito que sim.

Estou a fazer a pergunta.

Sim.

Não estou a dizer que isso é bom.

Não, eu sei. Eu não vou matar o mensageiro. Eu sei que não. Eu admito que sim. Inclusivamente, quando foi a questão do assédio do Coutinho Figueiredo, revelaram-se algumas hierarquias de valores decepcionantes, na minha perspetiva, e admito que uma parte da sociedade ainda pensa assim. Nós temos um problema ainda mais grave, que é: os mais jovens, há uma tendência de um machismo tóxico.

Sim, assustador.

E tudo isso só reforça a ideia de que a Cristina Ferreira devia assumir também uma responsabilidade social que ela tem, e não sei se calhar sacrificar audiências pela responsabilidade que tem perante a sociedade neste momento.

Mas se calhar não é preciso sacrificar audiências para ser correto, ou pelo menos para transmitir a mensagem correta.

Achas que estávamos a falar disso se ela tivesse transmitido a mensagem que tem?

Não estaríamos.

É que tudo isto é pérfido.

Estamos a falar disto porque ela é uma pessoa muito importante na sociedade portuguesa, que é seguida por milhares de pessoas que a escutam, que a ouvem atentamente. Daí, se calhar, essa obrigação acrescida.

Sem dúvida.

Que não está escrita, não é contratualizada.

Mas se calhar tem de sacrificar audiências.

Mas passar a mensagem correta e não a mensagem errada, mesmo que se calhar não pense assim.

Eu não sei se ela não pensa assim, porque o percurso dela levar-me-ia a pensar que ela é uma pessoa que não pensa aquilo que disse. Eu não a conheço, mas eu não quero acreditar que ela pense que miúdos de 16 anos não se podem controlar, que os miúdos são mal-educados.

E alguns, vale a pena dizer, alguns têm 19, têm milhares de seguidores nas redes sociais e tiveram a frieza suficiente, um deles pelo menos, para estar a filmar o que se passava.

Queria só terminar rapidamente com dois ou três dados que me parecem importantes sobre este caso, que é: há 15 dias ficámos a saber pelo RASI de 2025 que os crimes de violação aumentaram 6,4%. Não é pouco, é o valor mais alto da década. É claro que a gente nunca sabe

O que aumenta, sobretudo, são as denúncias. A gente nunca sabe até que ponto é que isto corresponde ou não à realidade. Quer dizer, corresponde depois ao número real. Antigamente haveria mais e não eram denunciadas, não sabemos. O que sabemos, a única coisa objetiva, é o aumento das denúncias. E é muito significativo, é o número mais alto da década. Depois, analisando esses dados em pormenor, ficamos a saber também que um quinto dos arguidos por violação tem menos de 20 anos, e são pessoas de todo o estrato social, acadêmico, bem integradas, mal integradas. Não há a desculpa: "Ah, são pessoas que estavam em situação..." Enfim, não é nada disso. Parece ligar diretamente isto a uma preocupação global, cada vez mais transversal, com uma determinada cultura que tem regressado às gerações mais novas. Há também um estudo que saiu nas últimas semanas feito pelo Global Institute for Women's Leadership em 29 países, foram 23 mil participantes no estudo, e a conclusão é que um terço dos rapazes da geração Z acha que as mulheres devem obedecer ao marido. Portanto, há toda uma lógica aqui global complicada.

Tendência.

Exatamente. E este caso em concreto de Loures é uma espécie de copycat de coisas que acontecem com os influenciadores da manosfera a nível global. Não sei se viram aquele documentário, por exemplo, que está na Netflix, o "Itarú". Ainda não? É muito interessante, em que justamente este tipo de coisas acontece. Alguns destes rapazes envolvidos no caso de Loures seriam influenciadores da sua geração, com muitos seguidores. Aliás, isso está explicado no processo, a forma como lidam com ela, como ela se aproxima deles. Eles dizendo: "Mas tu sabes quem nós somos." Aquelas coisas. Supostamente haveria ali uma certa relação de admiração. É uma das coisas horríveis que esses grandes influenciadores a nível global da manosfera fazem, é este tipo de ato que é filmado e retransmitido. Como sabemos, neste caso, ainda por cima, os vídeos tiveram colocados pelos próprios online.

É total a imoralidade.

Totalmente. Portanto, neste caso, isto acentua toda a responsabilidade de quem quer que seja, particularmente alguém como Cristina Ferreira, que tem pouca comparação em Portugal sobre este assunto. Portanto, é óbvio que é um zero, não se pode opinar levianamente sobre este assunto.

É um zero também.

Judite e Helena?

Zero.

Um zero. Vamos ao debate quinzenal. Helena, estiveste a seguir com toda a atenção?

Muita atenção.

Com os ouvidos colados à rádio.

Os ouvidos colados à rádio e à televisão, e não à cassete pirata.

Já não há cassetes, nem piratas.

Nem piratas.

Não, piratas ainda há.

São robôs agora.

São mesmo.

O que eu diria ao debate quinzenal? Os debates quinzenais são geralmente bastante aborrecidos, e este não foi exceção. São bolhas em que não se tem noção do que pode estar a preocupar as pessoas e são batalhas políticas que intelectualmente podem ser muito interessantes, as táticas que cada um usa, mas são de facto muito aborrecidos. E eu ia fazer um exercício muito simples, que era começar pelo Luís Montenegro e referir os pontos positivos e aquilo que eu considero, subjetivamente, obviamente, os pontos negativos do seu desempenho neste debate. Um dos pontos positivos que destaco é a prudência que continua a revelar nos apoios por causa da crise e uma abordagem política à legislação laboral que me pareceu melhor do que a última que teve, nomeadamente a resposta ao PCP e ao Livre, quando diz: "Vocês nunca concordariam", estou a simplificar, "com nenhuma legislação laboral." Os pontos negativos: a abordagem sobre os impostos. Quer dizer, não vale a pena dizer que não aumentaram um único imposto. Todos sabemos que há maneiras diferentes de aumentar impostos. E uma coisa é certa, o IMT aumentou, e aumentou muito significativamente, porque não se alteraram os escalões do imposto municipal sobre a transmissão de imóveis. Além disso, a Mariana Leitão tem toda a razão, e os outros partidos quando referem isso, nomeadamente o líder do PS, quando diz que com o IVA o Estado vai ganhar dinheiro. Portanto, pode perfeitamente fazer alguns reajustamentos, não digo que reduza o IVA.

No passado já houve uma devolução.

Exatamente, que possa fazer uma espécie de devolução relacionada com o ganho que lhe cai do céu, da subida dos preços, com o aumento da receita relacionada com a subida dos preços. De resto, o Chega faz uma réplica de 2022 com a crítica dos preços dos combustíveis, comparações internacionais. Este é um tema que nos persegue. Há um regresso ao passado por parte do Hugo Soares, não se percebe muito bem porquê ir buscar o José Sócrates, a troika. E finalmente, eu gostaria de destacar o Paulo Raimundo do PCP pela negativa. Da última vez que ele falou da legislação laboral, considerei que ele esteve bastante bem nas questões que colocou. Mas desta vez, Paulo Raimundo avançou com dados que não correspondem à realidade ou podem corresponder a uma pequeníssima realidade ou uma fração Eu disse que seis em cada sete são precários. Isso não corresponde à realidade. Números do INE dizem que em 2024, 84% das pessoas tinham trabalho, tinham contratos sem termo, ou seja, eram efetivas.

No quadro.

Exato, estavam no quadro, como nós costumamos dizer. E em 2025 eram 85,5%. Até subiu o peso relativo das pessoas que estão no quadro. Não me parece correto que se transmitam assim números de qualquer maneira sobre esta questão.

Judite.

Só uma coisa muito rápida, subscrevendo tudo aquilo que a Helena disse. Acho que é uma notícia boa para os transportes de mercadorias, que é esta questão dos 30 milhões de euros em apoios. Há várias medidas, uma delas é o adiamento das contribuições pra segurança social, por exemplo. Há o programa de apoio dos tais 30 milhões de euros para veículos de transporte de mercadorias por conta de outrem e para veículos de transporte de passageiros coletivos. E eu acho que isto é, de facto, uma atenção à consequência dos aumentos dos preços e do custo de vida. Pode-se dizer que é pouco, mas eu acho que é alguma coisa e amanhã vamos ver os detalhes no Conselho de Ministros.

Alexandre, queres avançar ou ainda queres ir ao debate?

Por mim, debate, sim. Lá está, em cima do que diziam a Helena e a Judite. O debate salda-se por um empate. Há o governo, por um lado. Depois gosto muito do discurso moral nestas coisas, ou moralista, que é: a esquerda ou a oposição diz assim: "É imoral o governo lucrar com a guerra." Depois, a oposição mais pequena de esquerda diz: "É imoral as empresas lucrarem com a guerra." Para toda a gente há aqui uma imoralidade, ou é o governo ou é as empresas a cometer com a guerra. E depois o governo também leva tudo pra uma questão de consciência, sempre, e de moralidade e de ofício, quer dizer: "Não nos dão lições de moralidade, não nos dão lições sobre concertação". E isto vai assim tudo a fingir que levam tudo muito a peito, mas no fim, o resultado, de facto, é mais ou menos o mesmo. Isto é, as críticas ou as comparações, lá está, do Chega e que depois também o José Luís Carneiro do PS também trouxe um caso, um comparativo que eu retive, porque ele disse que era um senhor que se chamava Paulo Alexandre, que tinha ido abastecer a Espanha. Eu devo confessar aqui em direto que é o meu nome, eu uso só Alexandre, mas é por razões óbvias.

E era também o cantor de vinho verde, não é?

Exatamente. No caso dele, acho que o nome era artístico.

Era.

Era.

No meu foi mesmo a minha mãezinha.

Foste tu que foste abastecer, eras tu?

Posso garantir-te

Eras tu, Paulo Alexandre.

Tu não és o Alexandre?

Eu ir de Lisboa, exato.

Era nas horas nobres.

Lá são uns 45 cêntimos de diferença.

Era só pra dizer: eras tu, Paulo Alexandre.

Mas sou lindamente. Já temos título.

Vamos ouvir o comentário de Paulo Alexandre. Assim dito nessa voz baixa em que fala o comentador dos noticiários quinzenais.

Exato. Estou perfeitamente de acordo em que é absurdo o que se paga em Portugal de impostos sobre os combustíveis e o que se paga em Espanha. Mas isso não começou ontem, não começou com este governo, vem de há muitíssimos anos. Portanto, temos esse problema muito profundo pra resolver. E depois, é como se olha também pra ideia do IVA zero. Também é muito interessante reparar, isto depende do lado de onde vens, quem está a subir, quem está a descer. Quando tu estás na oposição, pedes ao governo IVA zero no cabaz essencial de alimentos. Quando estás no governo, tu dizes: "Não, isso pode não ter o efeito desejado, os comerciantes vão absorver essa margem, isto vai beneficiar os grandes", e ficas aqui, ficas nesta liturgia. Da minha parte, seria sempre e totalmente a favor de descidas de impostos. É como diz a Helena, há sempre uma hipocrisia nisto. Quer dizer, o Hugo Soares começou por fazer grandes elogios ao governo por não aumentar impostos. Imagine-se o que era elogiar o governo por não aumentar impostos, por cumprir a lei, disse ele, isto é ótimo, por cumprir a lei, por estar a aumentar pensões de ano a ano. Isto é elogiar, sei lá, o sol por iluminar. Obrigado, sol, por iluminar, por fazeres aquilo que tens que fazer. Depois há ali uma discussão, naturalmente, que é: "Não, a carga fiscal não aumentou, o que aumentou foi a carga contributiva." Obrigadíssimo. Portanto, baixou-se ali umas decimazitas aqui ou ali, mas como as pessoas ganham mais, também pagam mais. Portanto, andamos nisto. Agora, baixar impostos, sim, mas mais do que baixar impostos, o mais importante em tudo isto é o governo ser rápido, ser ágil nas respostas.

Aí foi o mais rápido.

Aí foi rápido na descida do ISP. É verdade. Mas não é nada rápido na questão do IVA. Ou seja, ainda estamos aqui a discutir, porque podia ir pra o IVA zero no cabaz essencial, ou podia ir pra uma solução do gênero da que falavam há pouco e que o Livro também já propôs, e não só, que é a devolução às pessoas mais carenciadas do que pagaram em IVA ali. E o governo diz: "Não, OK, nós estamos a pensar numa coisa parecida com essa, mas essa não, vamos ver quando é que isto chega."

Temos que ir às notas. Temos que ir às notas. Paulo Alexandre.

É um 10. Tu tens um segundo nome? Não.

Tenho, é Nova Isabel.

Tens de ir procurar. Vais investigar.

É mais óbvio do que tu julgas.

Ricardo Jorge?

Aí está.

Consegui, foi rápido. 10 pontos.

Vês?

Obrigado.

Agora estamos os dois corados. No YouTube, estamos no YouTube corados. Alexandre, vamos lá ao teu.

Já dá 10 pro governo.

10.

E eu também dou um 10. Faça conosco.

Um zero, zero, zero, 10, 10, 10.

E está feito. E amanhã mais "E o Vencedor É?" nas manhãs 360. Amanhã com Rui Pedro Antunes a juntar-se ao José Manuel Fernandes, ao Paulo Ferreira e ao Bruno Vieira Amaral. Até amanhã.