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Pontuamos e avaliamos os protagonistas do dia nesta manhã de sábado, mais uma edição de "E o Vencedor É..." Hoje com as avaliações do jornalista da SIC, José Manuel Mestre, e também com o jornalista da TVI, CNN Portugal, Pedro Benevides. A moderação é, como de costume, do Diogo Teixeira Pereira.

Bom dia, bem-vindos mais uma vez à Rádio Observador. Hoje vamos começar em ambiente de festa. José Manuel Mestre, trouxeste foguetes?

Trouxe foguetes. Vocês é que trouxeram, porque começaram com o festival de pirotecnia aqui com a entrevista ao presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique. Não sei se sabem quem é, mas imagino que ninguém conheça, e que veio aqui lançar-

Como é que se chama? Talvez pela polícia consigamos.

Pedro Costa. Não sei se vos diz alguma coisa.

Costa é um nome comum.

É um nome comum.

Se calhar é filho do atual primeiro-ministro.

Vai na volta.

Se formos ver que ele lança uma candidatura que dá muito jeito ao atual primeiro-ministro, a coisa bate certo. Deve ser mesmo o filho de António Costa. Ele veio aqui dizer que Marta Temido era uma excelente candidata à Câmara de Lisboa, até já transferiu a sua militância para Lisboa. Isto é muito curioso quando o governo tem estado em dificuldades. Agora é Carlos Moedas que passa pelas dificuldades da Jornada Mundial da Juventude e de repente é Pedro Costa a lançar, é o PS a tentar sair por si mesmo e dizer: "Temos aqui uma solução para esses problemas todos, que é Marta Temido, que saiu do governo em dificuldades e agora parece que é a solução do PS." Isto tem aqui uma curiosidade, que é de repente abriu a época de caça ao candidato. Por um lado encontra-se candidatos, por outro já se anda a tirar ao Coelho.

Coelho também é um nome comum, não sei a quem é que te estás a referir.

Não me estou a referir a nada, pelo menos por enquanto, já lá iremos. Mas estamos aqui num cenário onde os próximos ciclos eleitorais começam todos a ganhar forma. E Pedro Costa, filho de António Costa, presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, o que vem é abrir um caminho que não começa só aí, porque curiosamente é a mesma semana em que Pedro Nuno Santos se sabe que vai fazer comentário na SIC. E isto não é por acaso, acho eu, ser agora em setembro. Por que é que é em setembro?

Não é por acaso que vieste aqui fazer publicidade ao que vocês não têm na SIC, isso é óbvio pra toda a gente que está a ouvir.

Eu posso aproveitar para dizer que isto tem concorrência, porque vamos ter o Pedro em prime time na TVI. Ficamos empatados.

O Mestre é um homem justo. Aqui está.

Se formos olhar para trás, o PS sempre teve candidatos muito fortes ao Parlamento Europeu, figuras do partido, desde António Vitorino, que na altura seria o potencial sucessor de António Guterres.

Vai lançar também um candidato.

Eu acho que Pedro Nuno Santos volta já em setembro porque tem que ser candidato na primavera ao Parlamento Europeu. Parece-me isto mais ou menos inevitável.

E tu achas que isso é do interesse de quem? Porque ele vai pra lá pra fora.

É curioso, se fores olhar para trás, o PS depois de Guterres fez uma lista de sucessores. E essa lista, que tinha António Vitorino à cabeça, que tinha Jaime Gama, que não quis ir, que tinha Ferro Rodrigues que foi, depois tinha António Costa e depois tinha José Sócrates. Essa lista não só prevaleceu com a escolha de Ferro, como foi invertida com a passagem de José Sócrates em 2005 à frente de António Costa. E um dos fatores ao que sei, me contaram até esta semana, teve a ver com a exposição televisiva de José Sócrates frente a Santana Lopes na RTP. E Pedro Nuno está aqui à procura do espaço.

Que tradicionalmente já mostrou ter produzidos resultados.

Há muita gente do PS que acha que não vai haver confronto.

Não vai haver?

Não vai haver. Que vai ser igual, vai ser criada uma hierarquia. E Pedro Nuno tem a sua hipótese de mostrar nas eleições para o Parlamento Europeu que está à frente desse ranking onde aparentemente estava-

Mas isso não é o que se faz às pessoas que queremos exiladas e longe?

António Costa foi exilado em 2004 para o Parlamento Europeu e ao fim de oito meses veio para ministro e depois acabaria por ser a figura seguinte nessa lista. Intrometeu-se António José Seguro, que foi por outro lado, mas nessa lista que estava dentro da hierarquia de poder dominante no PS. Pedro Nuno Santos, por um lado vai lá para longe, mas por outro tem que provar eleitoralmente. E por outro, é seguido o tal princípio que levou António Costa a ser número dois de Sousa Franco ao Parlamento Europeu, que levou António Vitorino a ser número um ao Parlamento Europeu, ou que até Pedro Nuno terá muita dificuldade em dizer que não quer ser cabeça de lista, não quer ir para o Parlamento Europeu, quando até Mário Soares já o fez. Pedro Nuno se calhar não gostaria, porque se as coisas correm mal...

Também temos exemplos ao contrário, nomeadamente Pedro Marques, que também era uma grande aposta da nova geração socialista e que basicamente desapareceu do radar.

Uma aposta ao lado, como se provou. Não sei se António Costa não quis provar também isso, mas quando se tratou da escolha dos comissários, ele alegadamente ia para comissário e nunca mais se ouviu falar. Eu não queria aqui alongar-me, mas o que eu acho é que isto abriu tudo, porque Marcelo Rebelo de Sousa acelerou os calendários todos, ao dizer que daqui a um ano e meio, depois das europeias, tudo pode mudar. E aí aparece toda a gente a jogar cartas e aparece também Luís Montenegro, que não consegue descolar do CHEGA. E esta semana, uma vez mais

O problema se voltou a colocar e acho que isso está a criar também muito ruído no PSD.

Não consegue descolar e enreda-se cada vez mais.

Constantemente. E tu olhas e dizes assim: isto é uma coisa que aconteceu agora de novo e, portanto, é normal que ele não estivesse preparado para isto, mas esta armadilha do Chega rui os

Já o pagou de uma forma, e o PSD é assim. António Costa deve a maioria ao comportamento do PSD sobre o Chega. Se calhar até deve a vitória, porque se o PSD tivesse sido claro desde o início, se calhar a coisa era completamente diferente. E Luís Montenegro parece não ter percebido. Aparentemente, é que uma estratégia que um dia vai descolar do Chega. Mas ele não sabe se precisa do Chega e isto está a causar, e basta ir vendo declarações avulso, um ruído enorme no PSD.

E um bom resultado do Chega pode até, inclusivamente, prejudicar o PSD nas europeias. O PSD facilmente pode perder um ou dois deputados.

Se vocês fizerem contas, o Chega teve quase 300 mil votos.

O Chega tem índice igual ao dos dois.

Sim, na imigração não vota para o Parlamento Europeu, portanto, teve 385 mil votos que podem ser perfeitamente transponíveis, porque o voto de protesto mantém-se, o voto no centro não se mantém para as eleições europeias. Se a participação for igual à das últimas europeias, que foi de 30,5%, esses 385 mil votos valem três eurodeputados. Um eurodeputado vale 110 mil votos. Ou seja, o Chega até pode ter quatro. O Iniciativa Liberal, com os votos que teve, considerando a participação para o Parlamento Europeu, e é provável que o voto do Iniciativa Liberal também se mantenha, elege dois eurodeputados. E como João Cotrim de Figueiredo, já que dizes que eu venho lançar candidatos, aí fica mais um.

Obviamente tens de lançar um também para a Câmara do Porto ou alguma coisa do gênero, porque senão o Zé Manuel vai nos levar aqui.

E eu tenho que me apressar, que o tempo passa. Mas portanto, o Iniciativa Liberal elege dois, ou seja, temos aqui cinco candidatos à direita. Cinco eurodeputados. O PSD teve seis, o PS teve nove. O CDS teve um, portanto, são sete. O CDS não elegeria, o PAN não elegeria. Com base nas últimas legislativas, o voto de protesto, que normalmente se mantém, e o PCP e o Bloco já caíram muito, também poderiam eleger dois. É evidente que se for Pedro Nuno Santos o cabeça de lista, e essa é uma estratégia mais difícil, vão eleger um, mas isso é a salvação do PS. Ou seja, o PS vai perder votos para o PSD, vai perder eurodeputados para o PSD, votos que se traduzem em eurodeputados, mas depois vai buscar à esquerda. E portanto, o PS pode ter sete, oito, e já tem o suficiente para ganhar, porque depois o PSD tem de distribuir os outros pelo Chega e pela Iniciativa Liberal. E isto é muito complicado. Está aqui em jogo o futuro do PSD. E é isso que percebeu, perceberam os passistas e percebeu muita gente à direita. E neste momento, há uma preocupação muito grande com este resultado, que é em vez de termos uma solução, ou seja, Marcelo, ao apressar o calendário eleitoral, aparentemente para criar uma alternativa, pode estar a criar um poço.

Mais problemas à vista.

Acho que asfixiar ainda mais o PSD.

E no meio disso tudo, temos notas para quem?

No meio disso tudo, Passos Coelho, preparemo-nos para ele regressar.

Mais um candidato.

Mais um candidato, a tal caça ao Coelho.

A nota é para Passos Coelho?

A nota é para Passos Coelho e é também para Pedro Costa. Não, a nota não é para Passos Coelho, é para Luís Montenegro. Só para dizer uma coisa, que é esta história da venda dos aviões da TAP com o dinheiro dos aviões pelo Neeleman e trazer PSD para aqui, não aparece por acaso nesta altura. Toda a gente no círculo do poder, quer do PSD, quer do PS, sabe disso. E por que é que sai agora? Pode interessar a Pedro Nuno Santos.

Para chamuscar Pedro Passos Coelho.

Pode interessar a Pedro Nuno Santos, pode interessar a Luís Montenegro, mas o objetivo é chamuscar, é dizer a Pedro Passos Coelho: "Fica aí quietinho." E isto quem pôs cá fora não se sabe. E, portanto, Luís Montenegro, poça jeito com isso tudo. Eu que, tal como o meu melhor professor de português, e daqui a pouco vamos falar de professores, nunca dou oito à primeira, daria um oito a Luís Montenegro por não ter esclarecido esta situação. Mas como nunca dou oito à primeira, dou nove, mas nove nunca dou, portanto, Montenegro safa-se e tem 10.

Muito bem.

Pedro Costa também tem uma nota, tem um 12, porque veio tentar especializar-se em pirotecnia, mas tendo que ir à oral, portanto, nunca mais vai dispensar. Vai ter um 12 só por isso.

Pedro Benevides, alguma nota, queres lançar algum candidato ou passamos já para o contribuinte?

Não, eu lançava já aqui o José Manuel Mestre, porque ele tem teorias para tudo. E conseguiu, eu acho que se perguntarmos aos ouvintes a quem é que ele deu nota exatamente, ele foi mestre. O nome, por acaso, é um apelido que ele tem, não é uma alcunha, mas foi mestre a ficarmos aqui um bocadinho baralhados a quem é que ele estava a ser positiva.

E se ele é capaz de nos deixar baralhados, é um ótimo candidato, que os ótimos candidatos fazem sempre isso.

É um ótimo candidato. O José Manuel Mestre seria candidato a tudo.

Continua a fazer análise política daqui.

É isso mesmo. Olha, eu na verdade ia dar uma nota, pegando aqui também nas palavras do mestre relativamente à TAP, ia dar uma nota ao contribuinte português. Sabes que eu levo muito a peito o nome deste programa, "O Vencedor É...". Para mim o vencedor, nem que seja pela resiliência, pela capacidade de resignação, de aceitação e de sofrimento, o mártir que é o contribuinte português, que aceita tudo, paga tudo e raramente refila e contesta. E eu acho que este exemplo da TAP é, pegando nisto no centrão, que estivemos aqui também a falar nesta última parte da análise do mestre, é isto mesmo. Ou seja, nós olhamos para aquilo que se está a passar agora, para as conversas que estão a decorrer sobre a privatização da TAP, e não deixa de ser um absurdo político aquilo que os portugueses seguramente têm em memória, que a TAP estava num processo de privatização, tinha sido privatizada, embora o Estado mantivesse ali um poder de decisão considerável. Depois veio o governo de António Costa, um governo minoritário que tinha o apoio de partidos da esquerda. Houve uma renacionalização da TAP. Foi injectado na TAP uma quantia exorbitante de dinheiro, estamos a falar de mais de 3 mil milhões de euros, com uma série de argumentos: que era preciso salvar a companhia aérea, que era um ativo estratégico para o país, que era preciso manter o hub em Lisboa, que era preciso tudo e mais um par de botas, e foi feita essa nacionalização, paga uma quantia exorbitante de dinheiro para mantermos a companhia nacionalizada. E agora temos a companhia numa crise outra vez e agora a tratar do processo de reestruturação, por um lado, e de reprivatização, por outro. Depois temos ministros, como o ministro da Economia, que faz aquelas declarações, e o próprio ministro das Finanças, um bocadinho absurdas, onde vão para Espanha dizer que a Iberia era uma ótima candidata para a compra da TAP e depois tiveram que começar a pedalar para trás quando perceberam que é um disparate tu teres uma companhia aérea que está aqui ao lado e que obviamente ia fazer o hub deles em Madrid. E agora descobrimos, isto vinha no Expresso de ontem, que o Tribunal de Justiça da União Europeia já veio esclarecer que não é possível escrever no caderno de encargos da privatização que o hub tem de se manter em Lisboa porque isso viola as regras da concorrência, etc. Ou seja, o que nós tivemos aqui para justificar esta injeção brutal de dinheiro está a esfumar-se tudo. E, portanto, o que os portugueses veem foi o mesmo primeiro-ministro que pegou numa empresa que estava privatizada, nacionalizou-a, injetou uma quantidade de dinheiro e agora vai privatizá-la sem nenhum argumento que sustente esta tomada de posição, a não ser se quisermos equacionar que foi apenas uma cedência ideológica aos partidos que o apoiavam e que isto, do ponto de vista do interesse estratégico do país e do respeito pelo dinheiro dos contribuintes, não teve nenhum fundamento. Claro que depois olhamos para o próprio processo de privatização, com base em informações que vieram agora a público, sabe-se lá porquê, como aliás o mestre agora veio, e muito bem, colocar em cima da mesa, vimos a saber que o próprio processo de privatização foi feito sem o mínimo respeito por aquilo que é um ativo destes no país, um ativo que já consumiu milhões e milhões de dinheiros de cada um de nós contribuintes, que foi esta privatização em que o americano que a comprou foi financiar da Airbus e depois o pagamento desses fundos que vieram da empresa a quem ele comprou aviões eram da própria TAP. E ainda levou dinheiro, uns milhões, quando vendeu a empresa de volta ao Estado.

Isto é curioso, que o governo acha que isto era como se fosse o Benfica a comprar o Sporting ou vice-versa.

Exatamente.

E portanto não seria possível. Haverá sempre, desse ponto de vista, em termos de concorrência, essa alegação para evitar. Provavelmente vão ter de dirimir isso mais tarde, se a Iberia levar à frente.

O ministro da Economia já veio dizer ao Parlamento que não, que desejavelmente não é a Iberia, que vai vendê-la, mas que diz que afinal não queria.

Veio dizer que a Iberia é bom porque aumenta a concorrência. Se o aeroporto, e é muito curioso saber onde é que vai parar o aeroporto.

Se é que vai parar a algum lado.

Se é que vai parar a algum lado. Mas a ideia é de um aeroporto único, um aeroporto único com capacidade, cria uma grande hub. E portanto, para que a TAP valha mais, deveria ser, ou tem a hipótese de ter uma grande hub, portanto, maior do que a Portela.

Seguramente maior. Mas será que não vai acontecer?

Se for vendida antes, não tira partido dessa realidade e da sua capacidade de penetração em África e na América Latina e nos Estados Unidos, porque os novos aviões da TAP não chegam de Nova Iorque a Madrid, mas chegam de Nova Iorque a Lisboa e portanto isso é uma vantagem competitiva enorme. Portanto, tudo isso precisava de um aeroporto com dimensão para isso e não se sabe se a TAP não é vendida antes.

Portanto, o processo está claramente a ser conduzido, como tem sido, aliás, ao longo das últimas décadas.

E o contribuinte merece uma nota alta também, Pedro Gonçalves, por causa da Jornada Mundial da Juventude.

Merece, porque afinal há aqui respeito pelo contribuinte, que foi a Jornada Mundial da Juventude, depois da polêmica toda que vimos e que acompanhamos nas últimas semanas, aparentemente foi possível fazer um palco 30% mais barato, foi possível fazer também um outro palco no Parque Eduardo VII, que agora é pago pela igreja.

E muito mais barato também.

Houve aqui, de facto, um respeito pelo contribuinte e, José, que falavas da pirotecnia lançada pelo Observador. Há que reconhecer que foi o Observador que lançou a história do palco, o João Francisco Gomes é um homem que já não pode ver o altar palco à frente, que ele o tradizisse mesmo.

O palco que vimos ontem, e acho que isso ficou perdido na reportagem, por exemplo, assim que dizia isso, Carlos Moedas, Marcelo Rebelo de Sousa, toda a gente encantada com aquele palco gigante no dia em que o responsável da Câmara de Lisboa pela arquitetura mostrou o palco dos 4 milhões e meio.

Dos 4 milhões e meio ou dos 2,9.

Quando foi apresentado.

Exatamente. Era espetacular. Afinal, foi possível fazer mais barato, o que mostra também, isto é um bom presente para os contribuintes, que afinal vão ter que gastar um bocadinho menos, mas isto mostra também como, de facto, seja qual for o partido, seja qual for o evento, há um desrespeito crônico pelo dinheiro dos contribuintes em Portugal. Se esta polêmica não tivesse vindo a público, se não tivesse causado a comoção nacional que causou, ou pelo menos a comoção midiática que obrigou os responsáveis políticos e institucionais a virem a público defender ou assumir que tinham que encontrar outra solução, eram torrados milhões num palco e o assunto estava resolvido como se não houvesse mais nenhuma solução. Aparentemente, essa solução existia. Podemos até discutir se 3 milhões é muito ou pouco para um palco, mas nem estou aqui, atenção, não estou aqui a pôr em causa a realização da Jornada Mundial da Juventude, como entretanto a discussão começou a resvalar para aí. É apenas as coisas serem organizadas com mínimos de consideração, com bons princípios de gestão e um respeito absoluto pelo dinheiro de quem vai pagar, que somos todos nós, e isso infelizmente, politicamente em Portugal, isso nunca existe.

Eu tenho uma proposta, que a Jornada Mundial da Juventude de São Contribuinte.

Olha, aqui está.

Padróiro da Jornada Mundial.

Eu apoio.

E que nota é que merece o São Contribuinte? Acho que ainda não deste, pois não?

O contribuinte merece um 18. Eu acho que merece um 18. Só não leva 20, porque eu respeito muito o sofrimento do contribuinte, só não leva 20 porque podia

Queixar-se um pouco mais. Podia ser um daqueles elementos que nos falta na nossa sociedade civil, que é contestar, porque o dinheiro que nós gastamos em todas estas decisões é dinheiro que a todos nós nos custa seguramente muito a ganhar.

Esta é uma daquelas notas que a sala inteira aplaude.

É isso.

Eu trabalho para a popularidade do Mestre.

E dá-me imenso jeito para fazer aqui uma ponte.

Para a justiça, que é justa.

Exatamente. É isso.

E dá-me imenso jeito para fazer aqui a ponte para o próximo tema. Temos muito pouco tempo. O contribuinte não se queixa muito, mas os professores têm se queixado bastante. José Manuel Mestre, hoje é dia de mais uma manifestação em Lisboa. Temos poucos minutos, dois minutos para uma nota rápida.

É só fazer um ponto da situação, que eu dei aqui 8, que foi 10, aos sindicatos e também ao governo há quatro semanas. Está tudo na mesma. Os sindicatos agora têm um rosto claramente assumido, que é André Pestana, e o oito mantém-se. Portanto, à segunda é mesmo oito. Nós temos aqui dois partidos de centro, o centro-direita do PSD, o centro-esquerda do PS. Há um lado de centro-esquerda, mas são dois partidos da social-democracia europeia. Depois temos dois partidos de direita, o Iniciativa Liberal e o CDS, e temos um partido de extrema-direita. Temos dois partidos de esquerda, que é o Bloco de Esquerda e o PCP, e temos um partido de extrema-esquerda, que é o MAJ, herdeiro da antiga FER. De onde é que vem André Pestana? Da antiga FER, com Gil Garcia, que é mais ou menos conhecido, foi candidato à Câmara de Lisboa, e é esse homem da extrema-esquerda que lidera os professores neste momento. Ontem esteve no Expresso da meia-noite para falar de televisão e percebemos que ele não aceita nada, ou seja, ele quer tudo ou nada. E portanto, os professores estão na mão de um extremista que os está a liderar. E o governo, em vez de resolver o problema, e o governo reconhece que este problema existe, António Costa já o disse, mas está parado à espera. Eu acho que está à espera que se perceba quem é André Pestana.

E não está à espera que as famílias comecem a virar as costas aos professores.

Esse é que é o grande problema, sendo que o governo diz que resolver o problema dos seis anos e não sei quantos meses e dias.

Seis anos, seis meses e 23 dias.

Exato, é muito complicado, porque implicaria um custo de 1300 milhões de euros pelo efeito que tem nas outras profissões, nos outros setores do Estado, polícias, enfermeiros, etc. Não é só o custo dos 300 milhões que custaria isso, e portanto isso é insustentável. António Costa ameaçou demitir-se por causa disso, mas entretanto não resolve o problema da avaliação, que é como se nós estamos aqui todos nesta redação e estão ali quatro a trabalhar nas notícias e eles têm excelente, mas a administração viesse dizer que só um é que pode passar, não quiséssemos ter excelentes. Isto é uma bomba-relógio, é a avaliação que põe em causa todo o futuro da carreira. É assim, o governo ou resolve a antiguidade ou resolve o mérito na profissão. E a avaliação agora, ninguém questiona se ela é frágil, se não é. Portanto, o governo tem que resolver coisas concretas e não tem que resolver só à aproximação e os sindicatos têm que ceder nalgumas coisas e ou para um lado ou para o outro, isto está tudo a empatar. Eu acho que o ministro subiu para nove, continua a ser negativa, mas como eu nunca dou nove, tem 10, portanto ainda continuam em observação. Os sindicatos, por terem André Pestana, que se vai colar hoje a uma manifestação que não é dele para dizer que também está com aqueles 100 mil que vão sair à rua e que estão com ele, tem oito com tendência para descer.

Este José Manéis aqui neste programa estão sempre notas negativas. Já o outro, José Manuel Fernandes, também é sempre a negativa.

Eu espero conseguir dar um 18, tinha essa ilusão, mas não está a correr bem a quem se sujeita à avaliação.

É verdade.

José Manuel Mestre, Pedro Mendonça, obrigado por mais uma vez terem vindo à Rádio Observador para esta edição de "E o Vencedor É..." de sábado. Amanhã, domingo, estamos de regresso à mesma hora.