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Este é o Som do Youven Sorê. Carla, esta manhã, além do José Manuel Fernandes, estão também conosco o Rui Pedro Antunes e o Ricardo Conceição. E não param de aparecer candidatos a candidatos às presidenciais. Sábado foi o João Cotrim de Figueiredo, agora é Rui Moreira, ainda presidente da Câmara do Porto, que admite que está a ponderar. Rui Pedro, será que um bom candidato, isto vai embaralhar muito as contas, sobretudo à direita, ou não?

Não, o povo costuma dizer: prudência, caldos de galinha e candidatos presidenciais nunca são demais. Portanto, são todos bem-vindos. Ninguém se pode queixar de falta de escolha. Mesmo assim, havia muita gente a dizer... Por exemplo, eu olho um bocadinho para a área do Partido Socialista e não sei se António José Seguro, embora tenha subido de forma significativa, corresponde àquilo que são todos os anseios e os desejos do eleitorado do Partido Socialista. Portanto, se calhar, por um lado, há candidatos a mais e por outro até haverá a menos. E isso pode ajudar a baralhar.

Ainda falta saber se temos ou não temos o nosso querido Sampai da Nova.

Exato. Ele também já é testado nesta sondagem.

Não fica muito bem.

Não fica nada bem. Depois há aqui um outro elemento da sondagem que tem a ver com o facto de estar lá André Ventura. Uma coisa é estar lá André Ventura quando não se definiu como candidato, outra coisa é, das duas uma, ou ele sair, ou definir-se como candidato. E isso pode mexer bastante com a votação do almirante. Não é só um achismo de que as 1,4 milhões de pessoas que votaram no Chega poderiam ter alguma simpatia pelo almirante, porque também é uma amostra que não é significativa, mas quando nós fazemos um trabalho com os militantes do Chega, podemos verificar isso, muito curioso, que era André, André, André, depois chegava a Belém e dizia André ou Henrique, André ou Henrique. E se não houver André, é sempre Henrique. Gouveia e Melo, diga-se. Isso pode baralhar bastante as contas, mas não deixa de ser um sinal de que em dois meses, eu vou dizer agora aqui curiosamente, porque acho que também não tem uma relação tão direta, que não tem, mas tem a ver com um conjunto de erros, que é quatro dias depois de apresentar Rui Rio, começou esta hecatombe. A primeira sondagem começa quando ele apresenta ali a 31 de maio, a primeira sondagem é negativa.

Não sei se haverá essa causalidade toda.

Não há.

Não sei se os eleitores se lembram disso.

E a questão de Henrique Gouveia e Melo é que em dois meses perdeu 15 pontos. Ora, 15 pontos é muito. É claro que fazendo esta junção, ele primeiro perde mais oito pontos, agora perde 6,7 e portanto estes 6,7 são face à última.

Claro.

Mas não deixa de ser relevante que ele tinha 35,6 das intenções numa sondagem que é feita da mesma forma e passa para 20,6.

Com a minha autoridade com analogias de futebol, que vocês reconhecem.

Pronto. Atentem no Paulo agora.

Exatamente. Nas primeiras duas ou três jornadas de campeonato, se a malta olhar para a classificação, as coisas podem parecer estranhas, não é?

Sim.

E depois ao longo da...

Estão todos à frente.

Exato. E há uns clubes menos vistosos que aparecem ali, porque tiveram sorte de calendário ou uma coisa qualquer. E depois a regularidade ao longo de todo o campeonato é que conta.

Há um problema que eu já tentei fazer esse paralelismo, que é em 2015 não houve muitas sondagens presenciais durante o ano, pelo seguinte: havia legislativas em outubro, então isso dominou as empresas de sondagens. Algures ali em março, que até creio que também é da Intercampus, de 2015, uma sondagem que dá 40% a Rui Rio, atenção, estou a elogiar Rui Rio, e 39,7 a Marcelo Rebelo de Sousa. E depois a partir daí, quando começam a aparecer sondagens, Marcelo tem 49%, 56%, 48%, 54%, 62%, 52%, 52%, 54%, 51%, 55%, 52%, 51%. Ou seja, Marcelo foi sempre maioritário. Henrique Couve e Melo nunca chegou a estes valores, depois já demorou muito tempo a chegar a um terço e depois a tendência tem sido de queda.

E começaram a aparecer candidatos, quer dizer, numa primeira fase as sondagens são feitas com hipotéticos candidatos que não estão assumidos.

Quando limpar, até é possível que Henrique Couve vá buscar mais, mas os outros também. E outra coisa que se fosse da candidatura, não sei se está bem, Luís, não sei se estou bem. Se calhar uma das coisas que o Luís tinha que ver é como é que António José Seguro e Luís Marques Mendes apanham o almirante. Isto parece, pelo menos nesta fase, não estou a dizer que depois, como é que é possível em apenas dois meses agora haver três candidatos favoritos? Eu continuo a achar que Henrique Couve e Melo é o favorito e a própria sondagem mostra isso.

Mas ainda nem começou a campanha e estamos muito longe disso. Ainda não começámos a discutir política a sério.

Falta muito tempo. Acho que este barómetro do Correio da Manhã é um bom indicador, mas acho que também devemos olhar para os números do barómetro, que estamos a falar de 600 entrevistas, com uma taxa de resposta de 58% e com uma margem de erro de 4%. Obviamente, é um indicador que devemos ter em conta e também temos a nossa perceção, há quem diga que as perceções não valem nada. Acho que valem, as perceções que vamos tendo. E isto torna muito interessante esta fase da corrida em que não só aparecem, para usar aqui uma expressão também popular, Rui Pedro, damos um pontapé numa pedra e aparece um candidato. Com o multiplicar do número de candidatos, com o início de uma discussão mais política sobre política, nota-se aqui uma tendência de descida nas intenções de voto no almirante Henrique Gouveia e Melo. Isto também pode ser um problema para o PS, como dizias, Rui, porque no centro-direita estão a aparecer muitos candidatos e à esquerda António José Seguro vai capitalizando cada vez mais e o tempo do PS também vai diminuindo e pode chegar a uma altura ou que se vê obrigado a apoiar António José Seguro, ou então diz que não apoia ninguém, até porque mudou a liderança, já não é Pedro Nuno Santos, é José Luís Carneiro, portanto, se calhar tem margem para fazer isso. Estes dados são muito curiosos.

Estes dados são muito curiosos e acho que aquilo que tu chamaste à atenção é absolutamente determinante, quer o tamanho da amostra, quer a taxa de resposta, a margem de erro é muito grande e a distância às eleições também é gigantesca. No entanto, há aqui um padrão dos últimos meses, que eu não sei se é um padrão que se vai repetir ou não. Isto faz-me lembrar uma outra eleição, muito diferente desta, talvez que tenha com esta um ponto em comum, teve segunda volta e esta também poderá ter segunda volta.

Deverá ter segunda volta. A avaliar, a olhar para isto, vamos ter segunda volta. A normalidade é não haver segunda volta.

Estou a falar da eleição de 1986, portanto a famosa eleição com a segunda volta entre Mário Soares e Freitas do Amaral. Mas nessa eleição, durante muito tempo, muitos meses, até já nascido, mas três meses, seis meses antes da eleição, havia um candidato, ou melhor, uma candidata que estava sempre à frente e depois ficou em último. Chamava-se Maria de Lourdes Pintasilgo.

José Manuel, dessa vez a pulverização de candidatos foi à esquerda. Era Mário Soares, Pintasilgo e Sá Carneiro.

Essa foi uma guerra fratricida à esquerda.

Historicamente tem sido a esquerda que se pulveriza.

Exatamente. Agora temos aqui, de facto, se Rui Moreira avançar e Cotrim Figueiredo também, temos aqui quatro candidatos.

O almirante é difícil colocá-lo.

À direita. Eu acho que é mais difícil colocá-lo à esquerda, se quiser.

Sim, é mais difícil, mas não podes colocá-lo à direita.

Mas a perceção talvez seja à direita.

Aquele eleitorado é que ele vai buscar votos. E as posições públicas que já assumiu nalguns pontos colocam-no muito à direita.

E qual é o eleitorado que de alguma forma está a contribuir para ele? Eu penso que esta semana há uma iniciativa, que eu não sei se é apenas para ter a televisão presente, que é apresentar o livro de Nuno Rogeiro.

Creio que é hoje.

Foi ontem.

Foi ontem.

Os livros são todos os dias apresentados, eu já perco a conta.

Podes ver o filme, José Manuel, não há problema.

Colocando Gouveia e Melo no campo da direita, porque eu acho que é aí que ele vai buscar o essencial dos votos que vier a obter, nós temos quatro candidatos e atenção, todos eles têm uma visibilidade e um potencial relativamente elevado. Não digo potencial para todos vencerem, mas João Cotrim de Figueiredo é bem capaz de obter os 10%, como o próprio diz.

Está com 6,8.

O Rui Moreira também, atenção.

Nessa sondagem não se sabia sequer da ponderação dele.

E atenção que este barómetro dá também 16,8% de indecisos, ou seja, há mais indecisos do que intenções de voto em António José Seguro, que tem 16,5. Há aqui uma diferença de 0,3.

Mas isso é olhar para as legislativas, que dois meses antes tinhas 30% de indecisos, não é assim tanto.

Agora aqui à direita, de facto, há uma corrida para saber. Enfim, não quem passa à segunda volta.

O Cotrim de Figueiredo já parece quase como o Garrett no "Faz João que te fazem barão, para onde se me fazem visconde", que ele também já é candidato a tudo, como alguns eram no Bloco de Esquerda e no PCP. Mas de facto, eu até acho que o João Cotrim de Figueiredo até pode roubar algum eleitorado ao almirante, mas o almirante é um catch-all, portanto, na verdade, todos podem roubar, ele pode roubar a todos. E Rui Moreira também aparece aqui, é mais uma novidade.

E António José Seguro descolou.

Sim, acho que é isso, acaba por descolar, porque não há as alternativas à esquerda.

São António Filipe.

António Filipe, assumido. E depois, aqui neste barómetro do Correio da Manhã, dão as hipóteses de António Sampaio da Nova e Mariana Mortágua, que claramente não cativam o eleitorado mais de centro-esquerda, e que António José Seguro pode continuar a capitalizar votos. E olhando para tudo isto, se passar à segunda volta, não sei.

Se a esquerda for inteligente e não apresentar mais candidatos, ainda corremos o risco, agora vou ironizar, obviamente, de termos uma segunda volta entre António José Seguro e António Filipe com a pulverização de votos à direita.

Eu agora estou muito preocupado, porque nós já vamos em quantos potenciais candidatos, Rui? São para aí 10.

Ó Ricardo, só daqueles que não precisam de legenda, são 11. Nós vamos fazer um trabalho sobre isso, que será publicado no Observador ou hoje ou amanhã. Excluindo estes que não precisam de legenda, quase nenhum precisa de legenda, são mais 11.

Portanto, vamos ter mesmo que abrir uma caixa de donativos, porque nós não temos redação para acompanhar tanta campanha eleitoral.

Acho que dois terços deles caem até lá.

Acho que não há redações no país que aguentem isto.

José Manuel, vamos já começar a dar notas, queres acrescentar alguma coisa à forma como estão a ser aqui lançadas as candidaturas ou as pré-candidaturas? Ou vai já dar alguma?

Acho que falta uma coisa importante nesta nossa conversa: qual de nós é que vai ser candidato?

Quem é que já tem o visto de trabalho?

José Manuel, se tu fores meu mandatário nacional, o Ricardo avança.

O Ricardo está a ponderar. Queres já dar nota?

Eu só quero dizer que esta é a primeira eleição presidencial que eu tenho idade para ser também eleito.

Pensei que era para votar.

Até agora só tinha idade para ser eleitor. Vai ser a primeira vez.

Rui, avança com confiança, tens aqui a tua gente.

Vamos dar notas. Quem começa? José Manuel, começa tu.

É impossível deixar de dar nota ao almirante e é uma nota de quem precisa se esforçar muito mais. Portanto, vai um oito. Eu tenho dado muitos setes, hoje vou dar um oito.

É o caso de ir à oral.

Apesar de tudo, ele está à frente. Apesar de tudo, ele continua à frente. É um empate técnico, mas é um empate técnico com um peito de avanço, digamos assim.

Mas ainda assim com um sabor amargo, com as sondagens que tínhamos antes. Ricardo, a tua nota.

Eu vou dar um 10 a Rui Moreira, porque se avança e se confirma esta intenção de avançar, acho sempre que é bom, é sempre saudável para a democracia ter candidatos, ter debate político, ter ideias em discussão. Pluralidade é sempre fundamental em democracia, acho isso bem. Vamos ver se tem unhas para tocar guitarra.

Rui Pedro.

Olha, eu tinha aqui o oito, mas vou mudar para o sete que o José Manuel não quis dar para o almirante. O Marcos Mendes deixa um bocadinho, o António José Seguro com esta sondagem, e até por António Vitorino não entrar na corrida, e aparentemente Sampaio da Nova está titubeante, isso até pode correr a favor de António José Seguro. Posiciona-se para poder ir à segunda volta se as coisas correrem muito bem, o que, sinceramente, há semanas pouca gente acreditaria.

Paulo, a tua nota vai para quem?

Eu dou mais à vitalidade democrática, porque eu acho que isto é bom, haver muitos candidatos. Dou um 12. E às casas de apostas. As plataformas de apostas já fazem apostas só em Portugal. Lá fora é um caos.

É capaz de haver uma ou outra casa de apostas que faça sim.

Eu acho que isto é o ideal para esse tipo de iniciativa.

Seguir as apostas nas casas de apostas às vezes dá melhor resultado do que seguir as sondagens.

Porque tens uma amostra muito maior.

Eu acho que o IVL continua com a odd mais baixa. Apesar de dar esta nota, eu acho que ele continua a ser ainda o mais bem posicionado. A tendência é que não é a melhor.

Quando o Rui fala em odd, é probabilidade.

Sim, nas apostas, quanto mais provável é o resultado acontecer, mais baixa é a odd, ou seja, a casa de apostas paga menos. Eu acho que mesmo assim é a mais baixa.

O raciocínio é entre o investimento e o retorno.

Já aprendi qualquer coisa hoje.

Ainda bem que não fui a única que me perdeu aqui nestas explicações. Vamos deixar o futuro para frente. No presente, o atual presidente, Rui Pedro, está hoje a receber partidos. O que o Marcelo está a fazer?

Na verdade, há ali uma espécie de umas audições mais, se quisermos, regimentais obrigatórias, mais no sentido de costuma ser assim, da praxe.

Com a nova liderança da Iniciativa Liberal.

Exato. Com Mariana Leitão, etc., e outros que tinham sido pedidos. Eu creio que a mais relevante tem a ver com o facto de André Ventura ter pedido, pela demora de uma promulgação de uma lei, no fundo, justificações ao presidente da República. Não é muito normal haver uma pressão de um partido ou uma tentativa de pressão de um partido para o presidente da República através de um pedido de uma audiência. André Ventura já o tinha feito de uma maneira ou de outra, mas é isso que vamos ter hoje. O que está a tardar uma reação de Marcelo. Ele às vezes demora a falar, por incrível que pareça, mas há de ter alguma resposta para André Ventura. Eu creio que ele estava à espera desta audiência para depois, eventualmente, responder. Efetivamente, ele tem dúvidas sobre aquela lei em específico. Ela teve um apoio maioritário do Parlamento. Acho que Marcelo também está, de alguma forma, mesmo sabendo que não pode contrariar, se ela for reconfirmada, a tentar defender o seu legado, que tem a ver com o legado humanista, da tal matriz cristã.

Aliás, o Expresso conta que ele vai ouvir representantes de imigrantes de várias origens. Fazer aquilo que o Parlamento optou por não fazer.

O presidente da República tem dito que a imigração é um problema, mas houve uma inversão nas últimas semanas. Eu estive fora um mês e quando voltei, as declarações sobre imigração, por exemplo, não é preciso ir muito longe, da própria AD já eram muito diferentes, porque mudou. Efetivamente, passou-se de uma coisa que era a imigração é um problema e tem que ser regulada, para algo de a imigração é uma emergência, temos que agir já e temos que agir com força. Isso mudou nas últimas semanas. O presidente da República disse que estava sempre tudo bem, quase, ao longo do mandato e portanto agora é dos poucos que subsiste a ser coerente nessa defesa, embora ele já tenha dito que há coisas que não estão bem. Não sei, eu acho que ele também está preocupado com o legado e quer ficar como alguém que defendeu os imigrantes de uma maneira ou de outra.

Paulo, ainda uma referência à questão de Moçambique, que creio que trouxeste também aqui hoje.

Ontem, sim. De facto, o silêncio ensurdecedor das autoridades portuguesas, a começar no presidente da República e no ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sobre o facto de Moçambique barrou a entrada a um português, é o silêncio. Portugal não se dá ao respeito neste tipo de relações. E eu acho que da prática do nacional porreirismo, que é típica, passamos agora para o internacional porreirismo. Isto é, aconteça o que acontecer, nós não nos queremos irritar. Ontem só a Iniciativa Liberal mesmo é que trouxe este assunto e que pediu explicações ao governo, que não apareceram. Portugal continua com muita dificuldade na gestão da sua relação com os países que foram colônias. Com Angola foi o que se viu durante muito tempo, com Moçambique é o que se vê, não conseguimos ter uma voz. Não nos dando ao respeito, também não seremos respeitados. E este tipo de casos podem parecer menores, mas não. No dia a dia, isto pesa e obviamente que há um registo que fica. Neste caso, Maputo e Moçambique farão de Portugal gato de sapato, porque as autoridades portuguesas ficam caladas quando não deviam.

E portanto, aqui um olhar outra vez para o silêncio ensurdecedor das autoridades portuguesas sobre este caso que envolve um português retido no aeroporto de Maputo. E o Vencedor É regressa mais logo, como sempre, na tarde política da Rádio Observador.