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Juventude na Rádio Observador, com a Judite França, a Helena Garrido e o Alexandre Borges. O dia acordou com o artigo de Gouveia e Melo a pedir a demissão da Ministra da Administração Interna e ainda no setor dos ex-candidatos presidenciais, há um que avança, sem medos, para comentador televisivo. E temos também um novo estudo da Transparência Internacional sobre a percepção da corrupção. Mas, Helena Garrido, se calhar podemos começar pela Ministra do Ambiente, que prevê redirecionar fundos europeus para acudir à recuperação depois da tempestade. É uma medida acertada, Helena?

É. Nós aqui já falámos, até foi a Judite que referiu isso da Ministra do Ambiente como a agradável surpresa no meio de tanta falta de jeito para lidar e liderar com esta tragédia. E a ministra hoje anunciou que podem vir a ser reorientados alguns fundos europeus para a recuperação das zonas afetadas. É muito importante ter dinheiro, obviamente, bem, o dinheiro não dá felicidade, mas o dinheiro não resolve todos os problemas. O que é que é muito importante que aconteça? A par dos recursos financeiros, é preciso rapidez, porque os danos provocados por esta tempestade, aquela zona afetada pela tempestade representa 20% da produção nacional. E só a estimativa dos custos associados está em 4 mil milhões de euros, que é um pouco mais de 1% do PIB. Há empregos em risco.

São quatro Pontos Vasco da Gama aparecem à altura.

Exatamente. E como vemos, o impacto é muito grande e a reação tem que ser muito rápida para as empresas não perderem fornecedores, e clientes.

E clientes. Ouvimos aqui esta tarde na Rádio Observador, precisamente esse ponto, que é o risco de vir a perder clientes, porque os clientes se não têm peças aqui, vão buscá-las-

Têm de encontrar noutro sítio

...têm que ir buscá-las a outro lado, não é?

Têm de encontrar noutro sítio. Há uma empresa que tem aparecido várias vezes em várias reportagens, que é fornecedora da Porsche, que uma equipa da Porsche foi logo cá e em princípio mantém o fornecimento, mas já temos também indústria automóvel interna a queixar-se. Temos também os alertas que também foram feitos aqui de manhã pelo presidente da estrutura de missão de uma série de empresas ligadas ao setor da construção, que não condicionam apenas a atividade ali, condicionam também a atividade no país inteiro e, portanto, a palavra de ordem tem de ser rapidez na reação, rapidez nos apoios para que as pessoas não deixem de fazer a sua recuperação e a sua reconstrução por falta de dinheiro, que não seja por restrições financeiras que deixam de fazer essa recuperação. Esse é o ponto essencial para que isto não provoque danos que podem, de facto, refletir-se na produção.

Deixa-me ouvir também o que é que acha a Judite desta ideia.

Acho uma belíssima ideia da Ministra do Ambiente e aliás, era exatamente aquilo que falávamos. A Ministra do Ambiente tem uma capacidade que não temos visto noutros ministros. Já tínhamos falado desta questão dos fundos europeus, mas objetivamente é a Ministra do Ambiente, Maria Graça Carvalho, que avança com esta ideia e que a quer concretizar. Ajuda, com certeza, o trabalho que teve no Parlamento Europeu, foi eurodeputada durante muitos anos e, portanto, conhece com certeza os meandros, como é mais fácil trabalhar com os fundos europeus e trabalhar com a burocracia europeia e, portanto, eu acho que esta é uma belíssima ideia. Dito isto, é preciso, de facto, redirecionar as prioridades e financiar as obras urgentes. Nós temos visto estradas partidas ao meio, parece um puzzle.

É a Rota dos Vinhos, é impressionante aquelas imagens.

E isso são obras urgentes que o governo pode redirecionar para as autarquias, mas as autarquias precisam de dinheiro, porque são obras de enorme monta, não são obras pequenas.

A maior parte daquelas estradas são municipais.

Sim, claro.

Sim, nem sei bem por que ponto é que vou pegar naquelas estradas que ficadas ali por meio. Alexandre, bem-vindo.

Obrigado. Tem a ver com o mau tempo.

Ninguém percebeu. Agora vamos ter que explicar que chegaste tarde.

Não, o trânsito, pronto, é isso. Mas para quem não está em vídeo percebeu que eu cheguei atrasado. Só teria a acrescentar que além da urgência, depois há as questões estruturais em que temos de pensar. Ontem a WWF citava um estudo que diz que Portugal vai ter que multiplicar por 10 o seu investimento em questões climáticas, isto é, no investimento em infraestruturas para lidar com as alterações climáticas previsíveis. Portanto, esse é só mais um dos desafios que temos pela frente nos próximos anos para o presidente da URB, de quem a Helena escrevia hoje na sua crônica, falava dos seus desafios futuros, e que são os dele, são naturalmente os da governação. Mas além do enorme investimento em defesa que vamos ter de fazer nos próximos anos Também temos de pensar muito seriamente neste que aqui vai acontecer.

E avançar mais nas prioridades de adaptação, não é?

Pois, exatamente.

E menos na mitigação.

Tal e qual, e menos na resposta, porque de facto, o que a gente vê, por exemplo, nas imagens da Rua dos Vinhos, é difícil de pensar que a Rua dos Vinhos tenha uma circunstância geográfica qualquer especial que fez com que aquilo que tivesse acontecido ali não possa acontecer em muitíssimos outros lugares do país.

E resta saber se, estou aqui a falar de cor, se fará sentido fazer uma estrada em cima daquelas que ficaram todas partidas, mas essa é outra questão. Helena, tens uma nota?

Tenho uma nota para a ministra do Ambiente, um 16 para a ministra do Ambiente e para os cidadãos em geral que estão a enfrentar estes desafios e os empresários, um 18 pela sua resistência e empenho em recuperar, que temos visto em diversas reportagens com grande preocupação, no caso de alguns empresários, com os seus trabalhadores e os seus colaboradores.

E o dia acordou com um artigo de um cidadão, julgo eu.

Um cidadão. Anônimo?

O cidadão Gouveia Melo, não, o cidadão Gouveia Melo, a pedir a demissão da ministra da Administração Interna.

O Gouveia e Melo veio por o governo em sentido. Senti isso. Ao ler aquela crônica, senti que o governo estaria em sentido a ouvir aquele atestado de incompetência que Gouveia e Melo passou ao governo do Luís Montenegro, sobretudo na parte de abrir a porta da rua para a ministra da Administração Interna, da qual diz especificamente que não tem condições para ficar no cargo e deve ser a própria a pedir a exoneração. Achei algo curioso que assina o artigo como ex-candidato, que não sabia que era posto, mas aparentemente é posto ex-candidato presidencial. E depois tece críticas muito duras ao governo, apontando falhas de liderança, de planeamento e de coordenação na gestão da intempérie. Diz que o Estado falhou também nos avisos à população, na comunicação do risco e na prontidão da resposta. Eu não tenho dúvidas de muitas destas críticas, não tenho dúvidas de que o Gouveia e Melo fala com conhecimento de causa, não tenho dúvida de nada disso. Depois fala também no artigo da remodelação da Proteção Civil, que ele diz que tem que ser remodelada de alto a baixo. Também não contesto que seja preciso fazer uma reorganização daquilo que chamam normalmente as quintas da Proteção Civil, dos bombeiros, etc. Eu não percebo dessa organização, confesso. Não sou especialista na organização da Proteção Civil e que já nos entusiasmo muito.

Amanhã vais ter um bom programa.

Vou ter um bom programa contra corrente.

Posso já anunciar que contra corrente é o programa sobre este tema.

Exatamente. Porque pra mim é um mistério. É um mistério como é que estas organizações se articulam, quem articula o quê com quem e quem manda no final.

Se calhar não se articulam.

Se calhar não se articulam. Nomeadamente este problema entre os militares e a Proteção Civil, que aparentemente têm barbas e não gostam uns dos outros.

O caso mais ilustrativo é terem solicitado apenas a ajuda de quatro militares no dia 28, não é?

Sim, e só terem ido para o terreno vários dias depois, quase uma semana depois, é que houve de facto um pedido, um desastre desta dimensão.

A esta hora está a decorrer uma conferência de imprensa das Förças do Estado-Maior General das Forças Armadas. Não sei o que é que os militares estão a explicar ou não, mas possivelmente às 19h, se calhar já vamos ter algumas respostas para estas suas dúvidas.

Deixa-me só dizer que depois dá a ideia de criar uma task force ou uma estrutura de missão. Chegou tarde, já há.

Pois é. Será que ele não reparou?

Não reparou.

Ou é outra task force.

Cria outra? Não, eu acho que não.

Mais uma? Não.

Não, eu acho que era aquela. Quer dizer, era aquela.

Ele esteve entretanto nas eleições, não reparou.

O texto já podia estar pronto.

Antes da estrutura de missão? Pois, se calhar. Eu acho que isto é o ex-candidato a andar por aí. É mais ou menos uma expressão que foi cunhada por, na altura, foi por Santana Lopes, e que isto vai acontecer. Afinal de contas, teve 700 mil votos, chegou a pensar criar um partido, aparentemente não era essa a ideia, mas não quer deixar de ter preponderância. E atenção, não contesto a capacidade, e talvez a capacidade de Gouveia e Melo em organização e logística não deva ser desperdiçada. Não nos podemos esquecer da experiência da vacinação, que com certeza ela correu muito bem. Não é o único a perceber de organização.

E de logística.

E de logística. E nem é o salvador da pátria com que se apresenta neste artigo.

Alexandre, leste o artigo? Ou só viste o filme?

Por acaso, posso dizer isto, não é? Não sou assinante do Público, com pena, gostaria de poder assinar todos os jornais diários, mas li depois os destaques feitos pela restante imprensa. Li o que pude ler, o que está aberto, e depois li os destaques feitos pela restante imprensa. Portanto, penso que consigo ter uma ideia bastante genérica do assunto. O que eu acho mais interessante no caso, antes de mais gostava de lançar aqui a ideia de nem toda a gente que faz um bom trabalho precisa de ser candidato a presidente da República. Podem, por exemplo, ir dirigir o SIRESP É uma ideia de boas hipóteses para servir a pátria.

Ou a proteção civil.

Ou a proteção civil, exatamente, enquanto se cria o movimento.

Já não tem no comando um militar, salvo erro.

Sim, atualmente não tem. Exato. Mas são boas ideias para servir a pátria.

Vou confirmar.

Por favor. São boas ideias para servir a pátria enquanto não passam cinco anos e a gente decide se quer candidatar ou não outra vez. Agora, acho interessante, apesar de tudo, que ele assine como ex-candidato à presidência, porque houve um tempo muito remoto em que os comentadores, muito diretamente envolvidos com sua atividade, vinham do futebol. No futebol é que normalmente temos o antigo jogador comentador ou o treinador momentaneamente desempregado, momentaneamente entre projetos. Mas depois foi uma mudança em geral, acho que não só causada pela enorme amplificação.

Afluência.

Exatamente, a enorme abertura de canais e de plataformas de comentário, mas também uma própria mudança do zeitgeist, da forma como nós pensamos o tempo, em que de um modo geral, começou a haver uma certa irritação com os teóricos e se passou a querer um conhecimento prático nas coisas. Isto acontece desde o nível escolar até à crítica, por exemplo. Os críticos de cinema foram todos mandados quase sem uma boia para longe. E depois chegou também à política. Apesar de tudo, respeitando muito o conhecimento prático nas situações e sabendo que ninguém fica obviamente limitado no seu direito a expressar-se e a opinar, era o que faltava, por ter sido candidato a alguma coisa, acho que devia haver uma forma de distinguir estas pessoas das outras, ou seja, os candidatos comentadores realmente, ou têm ali um oráculo permanente a dizer isso, ex-candidato a, ou pessoa que pensa fundar um movimento político, pessoa que não descarta assumidamente a hipótese de se candidatar em 2031.

Já vamos falar sobre o Cotrim na segunda parte.

Deixamos então, pronto. Fica aqui o gancho. Já não consigo fazer a minha última piada, mas senhor ouvinte, volto, por favor, daqui a duas.

Não, eu vou te explicar, porque a esta hora, tanto na Grande Lisboa como no Grande Porto, há uns milhares de pessoas que estão presas num trânsito que está infernal, tanto em Lisboa como no Porto, aqui é democrático. Portanto, nós vamos proporcionar mais uma grande parte, um grande momento de rádio na segunda parte do "E o Vencedor É?" para ajudar a enfrentar este-

Se isto não é serviço público.

Eu também não sei o que é.

Esperem aí todas lá em cima.

Voltamos já a seguir. Segunda parte de "E o Vencedor É?", com Judite França, Alexandre Borges e Helena Garrido. Já estivemos a falar de ex-candidatos presidenciais no final da primeira parte. Vamos continuar a falar de ex-candidatos presidenciais agora na segunda parte, porque há um, Alexandre, tu há pouco ficaste um bocadinho pendurado. Há um que avança para comentador televisivo. Achas que Cotrim Figueiredo leu aquele documento que diz como se candidatar à Presidência da República em 10 pontos? Fazer comentário na televisão.

Que realmente não é uma garantia.

Não é garantido.

Exato. Devida marcas e pontos, etc. Mas é, por exemplo, o candidato que nós comentamos isso aqui, até com uma certa surpresa. Temos essa legitimidade de dizer que no dia em que Cotrim de Figueiredo apresentou a sua candidatura, aqui assinalamos a estranheza de o ver queixar-se da comunicação social e do sistema. No dia em que lançou a sua candidatura. Queixava-se que tinha muito pouca cobertura, muito pouco tempo de antena, que a comunicação social só falava de dois ou três. E acabou, vale a pena recordar, a sua campanha a queixar-se de todos os jornalistas e mais alguns, e que lhe faziam perguntas que não deviam fazer, que não lhe davam tempo para pensar nas respostas, quando, na verdade, ao que sabemos, até deram 12 minutos, para esclarecer, para não deixar isto no ar. O Observador foi escrevendo isso repetidamente, que no primeiro dia em que a questão lhe foi colocada, ele teve 12 minutos com o seu assessor e só depois recrustou com o papel na mão.

Já o sabíamos.

Exatamente.

Conseguimos provar.

Portanto, aparentemente, não havia um problema, afinal, assim tão grande com a comunicação social, ou então vai ser resolvido agora. E como dizia há pouco, não há nenhum mal, era o que faltava, que uma pessoa por ter sido candidata a qualquer coisa, não pudesse opinar, não pudesse trabalhar no que quiser, em princípio, mas parece-me que isso tem que ser destacado, tem que ser colocado um pouco à margem. Isto é, Cotrim de Figueiredo vai ter um programa de comentário na SIC Notícias, que se vai chamar, já agora, "Visto Assim". Parece-me um nome engraçado. Acho mesmo que é uma casualidade, mas já agora, a crônica do Sá Carneiro no Expresso, original, chamava-se Visto. Eram os Vistos, que era uma provocação à censura, que, de resto, foi muito alvo de censura. Agora, o "Visto Assim" de Cotrim de Figueiredo, visto assim, também já o vimos na noite das eleições, no domingo, que o programa ainda não começou, mas ele já foi convidado a comentar. E eu quando o ouço comentar, dizer: "O discurso de Seguro já estava escrito há dias e foi uma chatice." Eu não chego ao ponto em que vou concordar ou não, achar que ele tem razão. Não, o que eu penso é que está aqui uma pessoa que há 15 dias estava a candidatar contra seguro e que pretende candidatar-se em 2031.

Visto assim é estranho.

Visto assim é estranho, visto assim é esquisito.

Mas visto assim toda a gente sabe.

Visto assim toda a gente sabe, mas se calhar deve lá estar sempre. É isto, realmente. Eu sugiro, exatamente, em vez de estar como comentador, sic, ou o que irá aparecer, eu digo ex-candidato, criador de um proto movimento chamado Portugal 2031 ou algo deste género.

Sabes que isso não cabe no oráculo, não é?

Então tenho outra sugestão. É o genérico do comentário entrar assim: com tempo de antena, o tempo de antena que segue é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes.

O que vai acontecer é que só vamos ver a testa do Cotrim Figueiredo, porque depois tens uma série de avisos por baixo. Vai ser como aqueles treinadores de futebol que estão atrás de uma série de-

E não esquecer que é eurodeputado

E não esquecer que é eurodeputado, exatamente.

Por isso é que é de manhã à noite, que é pra na segunda-feira poder ir num avião das 7:00 da manhã, que é aquele avião clássico dos eurodeputados.

Não sei, antigamente havia um nome pra isto, era tempo de antena.

Helena, tu pensas alguma coisa sobre isto?

Eu acho que o Alexandre e a Judite já disseram tudo. Isto, de facto, o Henrique Gouveia e Melo faz um artigo em que resolveu entrar na batalha político-partidária, como se a demissão de uma ministra resolvesse algum problema. E nós aqui já falámos bastante da ministra da Administração Interna também. Claro que estamos todos de acordo que não é o génio da comunicação, mas ver um ex-candidato que vê a si próprio como um estadista, a pedir a demissão da ministra e com um artigo relativamente pobre quando nós comparamos com outros sobre o que falhou e o que é que deve ser feito, na prática começamos a ver que Henrique Gouveia e Melo é, de facto, um especialista em logística. E quanto a Cotrim Figueiredo, era de esperar que isto acontecesse. Ele tem notoriedade, ele não pode é queixar-se da comunicação social, porque ele até devia agradecer, porque a comunicação social até tem sido bastante benévola com ele e com tudo o que se passou com ele, sobretudo no fim da campanha. Bastante benévola. Esperemos que o tempo venha a investigar e a mostrar aquilo que se passou no fim da campanha.

Judite, também achas que Cotrim Figueiredo devia vir acompanhado de aviso?

Eu acho que sim, eu acho que o aviso é importante.

Nós temos a bolinha vermelha. Podemos arranjar um outro símbolo.

Eu acho que o aviso é importante. Estamos a brincar com isto do aviso, porque as pessoas não precisam de ser avisadas pra saberem bem que há 15 dias era candidato presidencial.

Olha, Gouveia e Melo vai esta noite à SIC Notícias, estou agora a ver.

Se calhar também vai ser contratado.

É uma coisa que acontece muito, candidatos, ex-candidatos.

Candidatos a candidatos.

Candidatos a candidatos, ex-dirigentes políticos que não estão bem no ativo, serem comentadores. Isso acontece. Em princípio, não vem nenhum mal ao mundo por causa disso. Eu acho que é uma passagem muito súbita. Podia haver ali um período de nojo. Um chamado período de nojo. Haver ali um período de alguma reclusão e depois então, pode não fazer grande diferença, mas eu acho que do ponto de vista até da imagem que dá, acho que faz diferença. Portanto, acho que se devia recolher um pouco, mas estamos a falar da pessoa que lança o movimento, ainda a segunda volta não tinha acontecido. E portanto, se aquilo que Cotrim Figueiredo não quer fazer é recolher-se, claramente.

Vamos ainda olhar para o Índice de Perceção da Corrupção, Alexandre, que hoje foi conhecido e que coloca Portugal de novo numa posição pouco recomendável.

Pouco recomendável. Há duas partes pra este assunto. De facto, acho que esta é a primeira. O Índice de Perceção da Corrupção é publicado por uma organização não governamental chamada Transparência Internacional. Já o publica há uma série de anos. Este ano Portugal volta a cair, cai apenas um ponto, mas é o suficiente pra descer três lugares, para 46º em 182 países, que são quase todos os países do mundo. Mas sendo que no ano passado já tinha caído quatro, este índice é naturalmente sempre relativo ao ano que terminou. Este é relativo ao ano de 2025, o anterior tinha sido relativo ao ano de 2024 e portanto, supostamente, castigava sobretudo a operação influencer, a eclosão da operação influencer e o ambiente causado por ela. Portanto, já tínhamos caído quatro nesse ano e estamos basicamente a cair em contínuo, isto talvez seja o dado, no fim de tudo, mais significativo, diria, desde 2015, em que ocupávamos o 28º lugar e portanto já vamos em 46º. Já há vários anos atrás, por exemplo, Cabo Verde é o país que lidera na altura, porque com uma certa surpresa aconteceu essa notícia que Cabo Verde estava à nossa frente no índice como o melhor país da CPLP na perceção da corrupção. Atualmente já não causa estranheza nenhuma, devido à consistência da votação. Estamos empatados com Granada, que eu tive de ir ver no mapa onde era, porque não podemos estar a falar da região espanhola, ainda não deve contar como país. Não, país do Caribe. Estamos empatados com Granada e Costa Rica, atrás da Arábia Saudita, Ruanda, Qatar, Botsuana, Santa Lúcia, Dominica, Cabo Verde já disse, Bahamas, Brunei, Seicheles, Barbados, Butão, Uruguai, Emirados Árabes e de São Vicente e Granadinas, que como também se percebe, também é ali ao pé de Granada.

Das Caraíbas.

Mas estamos à frente de Espanha e de Itália, portanto podemos ao menos ir daqui com essa alegria. Os nossos vizinhos não se ficam a rir de nós. Penso que queres também abrir a discussão sobre esse tema. Também há algumas dúvidas sobre a transparência da própria Entidade para a Transparência.

A transparência da Transparência Internacional e deste estudo, Helena. É um estudo sobre a percepção e ele também é um bocadinho feito de percepções.

Completamente. Estes estudos, quando os começamos a ver à lupa, têm sempre muitos problemas. Lembro-me de ter analisado à lupa um estudo do World Economic Forum sobre a competitividade e depois de ter analisado aquilo à lupa e um trabalho mais para a área da academia, porque nós nos jornais raramente temos tempo para analisar coisas à lupa, e quando se analisa à lupa, aquilo tem imensas fragilidades. Neste caso concreto, obviamente que uma percepção é uma percepção, mas eu nem percebo por que eles chamam a isto percepção, porque eles usam informações de muitas fontes e não é propriamente uma espécie de perguntas que vão relacionar-se com a percepção. Inclusivamente, há um trabalho do Observador, que o Ricardo fez o favor de partilhar connosco, que passa a pente fino a metodologia e há perguntas que nos causam perplexidade. Por que perguntas sobre a sustentabilidade e sobre a diversidade, equidade e inclusão estão incluídas numa avaliação da percepção de corrupção? Dito isto, e sublinhando a ironia de uma instituição que se chama Transparência Internacional ser tão pouco transparente, obviamente que as coisas são importantes porque nós lhes damos importância. E neste caso concreto, se este índice tiver peso nas decisões das pessoas, obviamente que é um índice importante e é um índice para o qual nós temos de olhar.

E tens alguma nota, Alexandre?

Realmente é complicado saber o que classificar aqui, mas talvez todos nós enquanto país e compreendendo que nós às vezes pesamos coisas como aquele artigo do Economist que dizia que éramos a melhor economia do ano. O Economist é uma das entidades consultadas aqui. A unidade de informação do Economist, o Banco Mundial. Algumas não são de todo nossas conhecidas ou não gozam dessa reputação cá, mas está aqui o Fórum Económico Mundial. Está aqui o Banco Mundial. Agora há, por exemplo, grandes contradições com os representantes desta entidade em Portugal, em que eles dizem: "Não, aqui não há opinião, isto são só estudos de especialistas." E, na verdade, depois compreende-se que há duas entidades de sondagens, pelo menos aqui, o YouGov e a Intercampus em Portugal, portanto, também conta aqui a opinião, que faz sentido, porque estamos a falar de percepção.

É percepção da população. Até contaria mais.

É difícil ter um número muito objetivo sobre corrupção, porque assim que conseguimos contar o número, alguém vai preso.

Já agora.

Pelo menos é o que se espera.

É o que se espera de um 46º lugar.

E depois, a partir do momento que se descobre um processo de corrupção, se calhar não é por estarmos pior, é por estarmos melhor, por a investigação ser mais eficiente. Isto é um daqueles casos em que o que aconteceu no ano passado, de eles terem nos degradado por causa da Operação Influencer, faz pouco sentido, porque isto funciona ao contrário.

É, tem esse lado muito paradoxal. Mas diria isto: se pensarmos que, apesar de tudo, só aqui entre nós, ninguém nos ouve lá na Alemanha, onde dirigem esta organização. Se pensarmos na Operação Marquês ou numa coisa chamada Entidade para a Transparência, que foi criada em 2019.

Um MENAC. Chama-se MENAC.

Chama.

Só porque eu acho piada.

Não assistes. Parece que estás a chamar alguém à secção MENAC. Parece que estás no hipermercado. E demoraram cinco anos. Chamaram e demoraram cinco anos a chegar. Quanto eu me lembro, a entidade foi criada em 2019 e foi em 2024 que foi realmente criada e colocada no ar a plataforma. Portanto, acho que este tipo de questão faz-nos perceber que talvez possamos não ser percepcionados como o melhor país do mundo no combate à corrupção. Portanto, nesse sentido, acho que merecemos um 9.

Um 9. Helena, tu tens uma nota?

Um 8.

Um 8. Ok.

E não vamos pontuar o almirante?

Vamos.

Estávamos a guardar isto para o fim.

Desculpa, tens razão, esqueci-me.

Uma pessoa tem aqui a possibilidade de pontuar.

Pontua.

Um almirante.

Oh, dra. Judite, por favor, pontua.

Eu vou dar agora, mais a sério, vou dar um 10, porque percebendo a necessidade, talvez um pouco, não queria dizer egocêntrica, mas é um pouco. No final de contas, temos um candidato que conseguiu 700 mil votos, que não veio dos partidos, etc. E portanto, percebo alguma necessidade de protagonismo, mas acho que o tom foi um tom muitíssimo exagerado. Portanto, é um 10.

Alguém mais tem notas?

Eu daria também nota.

Este moderador deixa-me muito a desejar.

Estamos a pontuar o moderador?

Não.

Para os candidatos comentadores e a falta, pelo menos desse período negro de que falava a Judite, acho que é um 9 também.

Eu vou mais longe, mais baixo, um 7 para os dois.

E a quem está preso no trânsito, um 20. Tem aqui a nossa solidariedade, o nosso apoio. Esperamos ter proporcionado um bom momento para enfrentar a fila e o carro da frente que não anda e está a olhar para o Instagram. Um abraço a todos.