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E o vencedor é na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador, hoje com a Raquel Cassis, a Filomena Martins e o Ricardo Ferreira Reis. Vamos falar sobre exames nacionais. Hoje foram afixadas as notas da segunda fase, aparentemente num ambiente menos inflamado do que tivemos na primeira fase, mas também temos mais e novos episódios que envolvem o ministro Luís Neves, hoje com o PS a endosser o discurso. Há aqui uma mudança, Ricardo, na forma como o PS tem estado em toda esta matéria. Tinha estado também muito sereno e hoje vem abrir a porta a um pedido de demissão do ministro.
Sim, o PS juntou-se tarde à onda, mas está finalmente a cavalgar a onda que tem sido puxada por outros partidos. Agora temos a investigação e auditoria às contas da Polícia Judiciária. O ministro diz que está de consciência tranquila e satisfeito com o que fez enquanto era diretor nacional. Se perspectivar, como aparentemente pela posição do PS, parece indiciar que há ali qualquer coisa mais do que aquilo que o PS achava que havia anteriormente, estou apenas a olhar para a posição relativa do PS e nada mais, então o ministro ficará numa situação bastante comprometida. Eu acho que há aqui, no caso do Luís Neves, uma gradação que começa em algo semelhante ao que aconteceu com o Miguel Macedo, ou seja, demitiu-se, foi a tribunal, foi ilibado.
Absolvido? Sim. Mas aí Miguel Macedo rapidamente se demitiu.
Sim, quase que preventivamente demitiu-se, foi ilibado e depois não voltou. Ninguém pediu desculpa ao senhor, ninguém pôs o senhor outra vez a dizer: "Olha, afinal não era nada." Não houve uma reciclagem daquilo que aconteceu. Esse é o cenário mais favorável ao que poderia acontecer a Luís Neves. Penso que esse comboio já terá partido, mas vamos ver o que vai acontecer até ao cenário que a oposição está claramente a traçar de que Luís Neves cometeu um conjunto de irregularidades e de ilegalidades e que será penalizado por isso. É um cenário inverso ao de Miguel Macedo, demitiu-se sem se dever ter demitido e Luís Neves, nesse cenário, já se devia ter demitido e ainda não se demitiu. Eu acho que a verdade vai estar mais ou menos a meio disto e é uma daquelas verdades que vai desiludir toda a gente. Nem a coisa vai ser tão flagrante quanto estão a dizer, nem vai ser tão inocente quanto isso. E à boa maneira portuguesa, vai-se perceber que houve coisas que o senhor não devia ter feito, mas que fez. Houve coisas que lhe fizeram e que ele deixou que lhe fizessem, houve coisas que aconteceram e que ele não sabia que lhe tinha acontecido, tipo uma piscina aparecer e coisas do gênero. Vai haver ali coisas que vão ficar a meio deste leque de alternativas.
Provavelmente há coisas a mais, não é?
Já há muito ruído em torno disto. Nós estamos a ter uma sorte enorme, apesar dos incêndios que vão acontecendo pontualmente e infelizmente, mas que são também consequência disso.
Nós estamos a ter uma época particularmente severa.
Mas não estamos a ter uma época particularmente severa. Podem ir ao Pontal porque este ano parece que a coisa não vai ser
E as obras na praia até já estão concluídas.
Exatamente. Não é a mesma coisa que foi, por exemplo, no ano passado. Não está havendo necessidade de haver uma comissão de avaliação, um relatório de inquérito ao que aconteceu nos incêndios de 26, até ver, até agora. Pode ser que as coisas piorem daqui pra frente. A necessidade que eu vejo em manter Luís Neves era precisamente não mudar de ministro da Administração Interna numa altura em que fosse crítico para o país. No meio da guerra, não se mudam os generais. Acho que é mais ou menos por aí que a manutenção do senhor está a ser feita. Agora, só o tempo, os incêndios, a floresta e os bombeiros dirão se a opção foi correta, isso até setembro, e depois de setembro são os inquéritos, as auditorias que dirão se haveria motivo para ir mais além.
Vamos ver se ainda chega lá. Filomena, como é que vês esta viragem ou este ajustar de rumo por parte do Partido Socialista?
Eu acho que era impossível que o PS mantivesse aquela posição do faz de conta. De uma posição em que tinha medo do assunto. É verdade que ainda não chegou ao ponto de pedir demissão e o PS já chegou a pedir demissão por tudo e por nada.
Mas diz que chegou ao limite.
Sim, foi levado pelos acontecimentos. Todos os dias, o ministro e a oposição acordam com mais uma coisa qualquer. E eu acho que já não havia hipótese de não dizer alguma coisa mais grave. Sendo que este ministro não pode estar concentrado também na história dos incêndios. É impossível estar concentrado na história dos incêndios como devia de estar. Ele está ali sentado e todos os dias tem uma Está a perceber o que vai dizer, como é que vai sobreviver, até onde isto vai.
Qual é a notícia do dia.
Sim, e como é que vai responder a essa notícia. "Estou de consciência tranquila e está tudo bem, isto vai se perceber." Não é propriamente uma notícia que tranquilize ninguém, nem o deve tranquilizar a ele, porque deve estar todos os dias a perceber: "Mostra-me lá os jornais, o que trazem hoje?" Se a gente se conseguir lembrar das últimas semanas de políticas de Luís Neves, ponto por ponto, são coisas que nunca mais acabam. Primeiro foram as obras na propriedade privada pelo empreiteiro amigo, que durante anos em que Luís Neves dirigiu a PJ, recebeu contratos. Depois apareceu o atrelado, apreendido na operação de combate ao narcotráfico, tinha 12 mil e 400 litros de produtos químicos que davam para produzir droga e que foi depois guardado nas instalações.
Seguiu para Barcelos.
Foi para Barcelos, lá do amigo. Agora sabe-se que o mesmo empreiteiro terá feito obras na casa de Álvaro Pires, o diretor financeiro da PJ.
Entretanto, já veio desmentir.
Sim, mas este homem, logo por acaso, uma coincidência extraordinária, era o que tinha sugerido a entrega do atrelado ao empreiteiro. E durante mais de 15 dias, perante cada notícia, e cada notícia era uma má notícia, Luís Neves repetia sempre o mesmo mantra: "A seu tempo, quando for a altura, esclarecerei tudo, ponto por ponto."
Deixa-me ouvir também a Raquel. Há aqui uma mudança no Partido Socialista, é uma das principais novidades desta semana, Raquel, nesta crise que perdura, não é?
Eu arriscaria uma previsão e dizer que a principal notícia não é a mudança do Partido Socialista, é a mudança do governo, porque no dia em que uma ministra abre uma inspeção ao seu colega que está sentado ao seu lado no Conselho de Ministros, não o fez seguramente sem autorização do primeiro-ministro. E portanto, eu acho que isso indicia que o próprio governo, o próprio primeiro-ministro, está a preparar o terreno para uma coisa que ele começa a perceber que é inevitável.
E até o PS já percebeu isso.
Até o PS já percebeu. Mas apesar de tudo, o primeiro-ministro ainda conseguiu perceber antes do PS, porque a decisão da Ministra da Justiça é de ontem e estas declarações do PS vão começando a ouvir-se agora de forma muito ainda ligeira, etc. Eu acho que esta questão não vai de férias, até porque é a única questão. Eu esta semana vim cá todos os dias, menos ontem, e todos os dias este foi o tema.
É verdade.
E não estamos a falar da mesma coisa, ou seja, todos os dias, já não estou a falar de semanas, todos os dias temos tido tema diferente para falar sobre Luís Neves.
O primeiro-ministro conseguiu ir de férias, os problemas do Luís Neves é que ficaram.
E portanto, esta trama vai se adensar até o ministro cair. Eu acho que isso já é mais ou menos claro, que é o que se está a passar e acho que já toda mundo percebeu isso. Parece-me a mim que talvez o próprio ministro já tenha começado a perceber isso. O que eu acho, em relação ao que o Ricardo estava a dizer, é que há dois temas. Quer dizer, nestas histórias todas há dois temas verdadeiramente graves, que ficaram claros na conferência de imprensa e que esses, sim, são intoleráveis para um ministro da Administração Interna. Um é a questão das declarações. A questão das declarações para um diretor da Polícia Judiciária, ministro da Administração Interna, jurista, zelador do cumprimento da lei, vir dizer que não sabia, como se isso fosse justificação.
O desconhecimento da lei nunca iliba.
Não há nenhum português que possa aceitar isso, até porque a maior parte dos portugueses que quiseram invocar essa condição não deixaram de ter multas e outros prejuízos na sua vida pessoal porque desconheciam a lei. Essa é uma questão grave e intransponível. A segunda questão grave e intransponível tem a ver com o atrelado, não tanto na questão de deslocação do atrelado daqui para Barcelos, etc., mas porque Luís Neves, que tem a obrigação de cumprir a lei, de cumprir as ordens do tribunal, não cumpriu a ordem do tribunal e não deu disso conta, que se saiba, ao tribunal. Portanto, isto também é intransponível.
Não mandou destruir o material.
O tribunal mandou destruir. Se ele achava que era caro e que não ia destruir, o mínimo que tinha que ter feito era informar o tribunal que não podia cumprir aquela ordem porque não tinha dinheiro, enfim, pelo que fosse. Isso não aconteceu. E estas duas coisas, todas as outras são risórias ao lado desta, são historinhas.
A das declarações financeiras que ele não entregou também é grave.
Das declarações financeiras?
Que ele tinha que entregar ao Tribunal Constitucional.
Não, isso que estou a dizer é as declarações. Portanto, as duas grandes questões são as declarações e o incumprimento.
Também estava a achar que estavas a falar das declarações.
Pensei agora outras declarações. Não. Estas duas são suficientes, mas o ministro achou que podia Até porque se fala muito pouco do incumprimento da ordem do tribunal, achou que aquela conferência de imprensa bastava. Tudo aquilo que está a surgir agora são coisas, como dizia o Ricardo, que se calhar tudo aquilo espremido, não se tirará nada de substancial dali, mas há duas questões prévias e essas duas questões são intransponíveis.
Deixamos mais uma nota para o senhor ministro?
Eu deixo uma nota de expectativa para saber quando é que vai ser tomada a decisão, se ele chega ao fim de agosto ou não chega ao fim de agosto.
Ricardo, há alguma nota?
Para já, dizer à Raquel que nós ontem não falamos do Luís Neves.
Não, ontem não falámos.
Não estava cá eu para animar isto.
Falamos de baratas, falamos de gordinhos, não falamos do Luís Neves.
É verdade.
Desculpe, Raquel.
Não massacraram o senhor ontem.
Estávamos à tua espera.
Mas dou uma nota ao ministro da Justiça. Acho que é uma positiva, uma nota boa, um 13, 14, 15, por aí, média de 14.
Filomena?
Sim, eu acho que o sinal político mais forte chegou agora. A ministra da Justiça mandou auditar a Polícia Judiciária, mandou auditar os anos que um colega seu de governo dirigiu aquela instituição. Ou seja, temos um governo com uma ministra a ordenar uma auditoria à gestão passada de outro ministro.
E que nota é que dás?
Para o Luís Neves ou para a ministra?
Para quem tu quiseres, quem classifica é a menina. A menina é que classifica.
A menina diz que o Luís Neves tem de estar aqui muito baixinho. Um.
Um para o Luís Neves. Já voltamos para a segunda parte do "Iuvenstoria". Segunda parte de "Iuvenstoria", na Rádio Observador e também em vídeo, no YouTube e nas redes sociais. E agora temos de falar sobre os exames nacionais. Hoje foram afixadas as notas da segunda fase. E Raquel, hoje foi tudo muito mais sereno. Está tudo arrumado em relação aos exames?
Está tudo tranquilo. Lembras-te de uma música que se cantava aqui há uns anos, que era: "As gravuras não sabem nadar, ió. Os exames sabem nadar, ió."
Portanto, está tudo resolvido.
Está tudo resolvido. Este foi um processo que começou coxo, como às vezes acontece, numa questão que era bicuda, porque mexe com as vidas de milhares de pessoas. Mas a verdade é que este ministro foi capaz de provar que diante de uma crise, o que faz sentido não é demitir o ministro, é o ministro assumir as responsabilidades e resolver os problemas. E eu acho que a grande lição do dia de hoje é que Fernando Alexandre, do meu ponto de vista, já o defendi aqui várias vezes, não desiludiu. E acho que a muitas pessoas não desiludiu e conseguiu enfrentar o problema. O problema era complicado, teve muitas idas e vindas, mas ele, de facto, conseguiu resolver o problema e à segunda tentativa, ou seja, nos alunos que foram à segunda chamada, tudo correu com tranquilidade e as notas estão aí, estão a ser publicadas e não há incidentes de maior. E do ponto de vista político, vai sobrar para o PS e para o Chega o ministro da Administração Interna, porque este, apesar de tudo, foi à segunda fase e passou no exame. Vejo algumas viúvas deste processo. Há bocado estava ali a olhar para a televisão e a ver a desfaçatez do antecessor deste ministro.
João Costa.
Chama João Costa e que foi o homem que mais mal fez ao sistema de educação nos últimos 30 ou 40 anos em Portugal, porque já não estou a falar dos anos quentes do pós 25 de abril e que veio, não se sabe como, fazer um balanço trágico sobre esta segunda fase dos exames e a publicação dos exames e que o ministro devia ser não só demitido, mas talvez até condenado à prisão. E eu acho que ainda bem que ele veio dizer isso e que isso está a aparecer na comunicação social, porque eu acho que os portugueses que não são tontos sabem bem fazer a diferença.
Filomena, está resolvido?
Eu acho que estava resolvido. Este era o teste do ministro. Era aqui que o Fernando Alexandre tinha de passar, era nesta segunda fase. E temos uma grande diferença aqui entre o Fernando Alexandre e o Luís Neves. Não há comparação. E esta distinção eu considero essencial, porque ambos desgastaram e desgastam o governo. Mas uma coisa são problemas de natureza ética, comportamentos que suscitam dúvidas sobre a forma como se exerce o poder e até sobre o caráter de quem o exerce. Provavelmente até algumas falhas que podem ser jurídicas e podem levar até a crime. Fernando Alexandre é um outro caso. Ele errou, errou mesmo, aquilo tem uma série de erros ali, mas ele assumiu os erros. Aliás, foi humilde, pediu desculpa logo e procurou corrigir. Claro que isto não apaga o que aconteceu naquela primeira época, que foi caótica, com um sistema que não estava manifestamente devidamente preparado e testado, mas também conta quando julgamos politicamente um governante. E se esta época agora Correu bem e parece estar a correr tudo bem. Claro que ainda faltam as correções e depois a candidatura às faculdades, tudo isso.
Filomena, só dar aqui um tópico que também não dei. Ainda só estamos na primeira fase e já temos mais candidaturas feitas à universidade do que havia o ano passado.
Exatamente.
Na primeira fase.
E Fernando Alexandre apareceu pela primeira vez a sorrir nas televisões, não sei se viste.
Sim.
Não sei se finalmente conseguiu dormir uma noite em condições.
Eu acho que ele poderá recuperar politicamente, aprender com o que correu mal, continuar no governo. Luís Neves é de outro campeonato. Eu acho que os pontos aqui ficaram muito claros. Fernando Alexandre tem caminho, Luís Neves já não tem. E eu acho que parece estar aqui o Fernando Alexandre a ganhar a sua batalha, insistiu nesta classificação digital, conseguiu da melhor forma, foi humilde. Acho que tem todos os motivos para sobreviver e arrisco dizer que vai sobreviver politicamente.
Ricardo.
Foi voluntarista, mas é alguém que quer mudar.
O ministro Estrela safou-se?
Safou-se. Claramente safou-se, isto correu bem. Para mim nunca foi óbvio que o processo estivesse caótico desde o princípio. E aqui, agora sim, as declarações à comunicação social proferidas foram muito infelizes no princípio, mas há uma enorme diferença em relação a todos os outros casos. O ministro foi, se não me engano, três, se não mesmo quatro vezes ao Parlamento.
Das quatro vezes pediu desculpa.
E se for preciso ir uma quinta, seguramente que estará lá na próxima semana, desta vez com gosto e a sorrir, se tudo continuar a correr como tudo indica que está a correr. Atenção que isto ainda não acabou, mas estamos mesmo no final. Num processo que envolve perto de 80 mil ou mais alunos, é fácil encontrar umas dezenas onde houve problemas. E essas dezenas são casos dramáticos e não retiro a angústia dos jovens que são candidatos e têm todo o direito a que as coisas lhes corram tão bem como aos outros milhares de pessoas e, portanto, não interpretem isto como retirar a angústia a quem as coisas correram mal, porque não merecem que as coisas lhes corram mal. Mas é muito fácil à comunicação social, ou alguma comunicação social, pegar nesse caso e mostrar o caos que está a acontecer. Assim como provavelmente ainda há meia dúzia de casos daqui pra frente. Agora, o que acontece? Este processo é incrivelmente mais transparente do que os processos anteriores. Portanto, estas meia dúzia de casos a dezenas de casos são muito mais visíveis do que eram anteriormente.
Sempre houveram.
Sempre houveram. E uma coisa importante nisto: isto era conhecido, era sabido. A transparência era uma coisa que sabíamos que ia acontecer. Ora, perante isso, as declarações deviam ter sido moldadas para estas situações poderem acontecer, nomeadamente pra acalmar as pessoas a quem as coisas iam correr pior, que incluíam candidatos, incluíam classificadores que pela primeira vez estavam a fazer isto desta maneira. Havia um conjunto de coisas que se sabia que iam acontecer e que não foram antecipadas. Por exemplo, até hoje, nós não sabemos a verdadeira dimensão dessas dezenas de casos. Sabemos que aconteceram porque nos foram chamadas à atenção, mas não sabemos a verdadeira dimensão dessa situação. Houve um conjunto de coisas.
Temos que esperar pela auditoria.
Exatamente. E o respectivo relatório, já agora. Houve uma coisa que aconteceu, porque é visível, que triplicou o número de pedidos de revisão de prova em relação àquilo que é normal na primeira fase. Ora, isso é consequência. Devo dizer que ainda bem que isso aconteceu, porque é importante que as pessoas com esta transparência toda se façam à estrada para ver as provas, coisa que antigamente não podiam fazer com esta facilidade, e que percebendo que havia algum equívoco ou antecipando que houvesse algum equívoco, e pelos vistos voltou a dar números muito semelhantes ao habitual, cerca de 70% a 80% de casos de melhoria de nota, dados de meio da semana e não do final da semana, viram essa situação corrigida. Isso é muito importante que tenha acontecido. Uma das coisas que eu temo, na ausência de notícias sobre a segunda fase, é que as pessoas não entendam a mesma necessidade de fazerem esta revisão de provas. Deixo aqui um apelo às famílias e aos candidatos que fizeram exames na segunda fase, que usem os mesmos mecanismos que estão ao vosso dispor, que foram usados na primeira fase, outra vez, agora na segunda fase. Mas tenho uma aposta pra fazer convosco, que é ver se vai triplicar o número de pedidos de revisão de prova em relação àquilo que aconteceu em anos anteriores, agora na segunda fase. Eu antecipo que não, porque esta acalmia faz baixar isto e é pena que não haja a tal triplicação das revisões de prova. São mecanismos de proteção do sistema. Portanto, há aqui um conjunto de coisas que ainda podem correr mal, mas será pra muito pouca gente. E desde já, que corra tudo bem com essas pessoas. As indicações que temos, já que estamos a basear-nos em histórias, anedotas no sentido inglês do termo, portanto, episódios. Na Católica, nós temos um processo de candidatura que é anterior ao processo nacional das universidades estatais e, portanto, está em curso Tem uma primeira fase, habitualmente, que é agora. As fichas N da segunda fase e de revisões, por volta das 14h, 15h, quando eu falei com eles, já estavam a ser entregues. Quer dizer que o sistema já estava a entrar em recursos. Uma das coisas que eu fiquei a saber, que não sabia, é que os A-Levels, que são o sistema internacional britânico, que é aplicado em muitas escolas aqui em Portugal, ou colégios, também já estão a dar as notas, o que é uma antecipação do habitual. Aparentemente, os A-Levels são posteriores aos exames nacionais, o que eu não sabia. Pensava que eram anteriores. Alguma coisa nos deve orgulhar de fazer antes dos outros, que era isto. E conseguimos, mesmo com estes adiamentos todos, ainda estar à frente dos A-Levels, mesmo na segunda fase. O número já de matrículas é bastante elevado para os padrões habituais, mas a universidade fez uma coisa que eu acho que o ministro ventilou que podia ser feito nas outras universidades, embora eu não percebi muito bem que poder é que o ministro tem pra fazer isso, que é aumentar o número de vagas. E isso é uma coisa que, de fato, pode vir a ser necessário e este aumento do número de vagas não precisa de ser de facilitismo. Para acomodar situações que nós nunca vamos identificar de alunos que são beneficiados por este processo, porque os há, sempre houve e desta vez vai haver de novo, mas que estamos a falar de dois ou três alunos num curso com muita procura, nas medicinas e nas aeronáuticas da vida. Não é preciso aumentar enormemente o número de vagas para dar este sinal, mas se calhar era importante, e o ministro falou aparentemente dessa possibilidade ao bastonário da Ordem dos Advogados. Abriria essa possibilidade disso estar em aberto e a mim parece-me que seria uma medida que, de uma vez por todas, mataria este processo, nomeadamente vagas pra segunda fase, que é onde vão aparecer os alunos que terão sido prejudicados na primeira fase.
Deixa-me só regressar aqui rapidamente também à Raquel, a um pormenor do debate desta semana no Parlamento, a quarta vez que o ministro vai ao Parlamento, em que, nomeadamente o Chega, demorou muito tempo a falar de Luís Neves e pouco dos exames, precisamente antecipando que politicamente este assunto poderia não queimar tanto o governo como Luís Neves.
Sim, eu acho que sim. Era um dos meus pontos. Eu acho que quem apostou, e houve uma altura em que se apostou muito alto, sobretudo no Chega, na demissão deste ministro e na diminuição da sua qualidade, chega ao dia de hoje e deixa de ter assunto. Ou estes dias, até ao final da próxima semana e deixa de ter assunto. André Ventura é rápido a perceber essas coisas e percebeu e intuiu logo naquela altura que, até pela falta de notícias que havia sobre as correções dos exames da segunda fase, porque a notícia não é só de hoje, nós tivemos todo este processo de correção de exames da segunda fase sem notícias dissidentes de percurso, daqueles relatos que tivemos na primeira fase e indiciando que os grandes problemas estavam corrigidos. E André Ventura percebeu isso claramente e mudou a agulha como se nada fosse.
Queres deixar uma nota?
Mais azar, já agora, deixa-me só dizer, tem o Partido Socialista, que apostou as fichas todas na demissão do ministro da Educação e hoje não tem discurso a não ser o João Costa.
E já virou pro Luís Neves. Queres deixar uma nota?
Eu dou um 18 à Fernanda Alexandre.
Filomena?
Eu sou sempre a mais moderada, portanto fica o 14.
14 para Fernanda Alexandre.
Eu tinha dado 14 no início da semana e agora subo pra 16.
Há uma melhoria de nota?
Há uma melhoria de nota, vamos ver. O processo ainda não acabou pra chegar ao 18, vamos ver na segunda-feira se concretiza.
Vocês tiveram professores ótimos.
Deixem-me só dizer uma coisa que era importante, e dou 20 valores aos classificadores e a todos os professores que aguentaram, quer na primeira fase, sobretudo na primeira fase, mas também agora na segunda fase, acabaram por conseguir cumprir prazos com processos ultra apertados, muito difíceis de fazer, pondo o interesse dos alunos acima de tudo neste contexto.
E amanhã há mais "O Vencedor" nas manhãs 360 de fim de semana, um pouco mais tarde, às 10h30 da manhã. Amanhã o Ricardo Ferreira Reis vai regressar ao "Vencedor" da manhã, acompanhado do João Goudinho.