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Começa agora mais uma edição do Juventude das manhãs 360. Nos próximos minutos damos notas aos principais protagonistas da atualidade e para isso junta-se a nós e a Helena Mato, a Sara Antunes de Oliveira.

E eis que o tema do aborto volta ao debate político, o bullying também, mas voltamos aos incêndios. E Sara, vamos começar por ti. A tua nota vai para os bombeiros ou vai para os apoios aos bombeiros? Alô, Sara?

Acho que me ouvem agora.

Agora sim, agora já te ouvimos.

Estava a dizer que para tudo isso, o apoio aos bombeiros durante todo o ano e também nestas alturas de crise, não sei se ainda acontece, mas há uns anos via frequentemente bombeiros junto a semáforos a pedir dinheiro para as respetivas associações. Eu não sei se viam isso acontecer. Eu via sobretudo em Matosinhos, onde vivia e ali à volta, não sei se isso era comum aqui mais a sul.

Confirmo.

E aquilo sempre me fez muita impressão, confesso, porque era difícil para mim ver bombeiros a sujeitar-se àquela situação.

Sara, Lisboa, Avenida de Roma.

Pronto. Eu confesso que aqui nunca vi, mas via isto frequentemente a norte. E fazia-me impressão estar a ver bombeiros a mendigar apoios no meio da rua. Nunca percebi muito bem como é que aquilo era possível. E depois sempre que há uma crise de incêndios, como temos vivido estes dias, vemos apelos a doações de água, de comida, de produtos de higiene, enfim. E eu, como é evidente, não estou contra esses apoios. Atenção, se é necessário, claro, todos os que puderem devem ajudar. A minha questão tem a ver com precisamente essa necessidade do apoio, por não haver uma estrutura logística ou capacidade financeira para garantir que isso existe, que existe de forma regular durante todo o ano, que existe de forma profissional e que nestas alturas de crise também existe. E nestes dias, ainda para mais temos ouvido muitos bombeiros ou pessoas que conhecem bem a realidade das corporações, dizer que durante o ano ainda são mais esquecidos nos apoios, por exemplo, às famílias dos que ficam feridos, ou pior, às famílias dos que morrem nos incêndios. E enfim, eu acho que agora que o tempo aparentemente está a ajudar e os fogos vão abrandar, nós vamos começar a debater outra vez, com mais intensidade, a reforma da floresta, as medidas estruturais que já foram ou que ainda não foram tomadas. Mas eu acho que é preciso também olhar, não sei se para uma reforma, mas para a estrutura dos bombeiros, sobretudo tendo em conta que fenômenos meteorológicos atípicos como aquele que aconteceu nestes dias vão ser cada vez mais frequentes. E que por isso nós precisamos de uma estrutura profissional muito bem formada, muito capaz, muito apoiada com os meios de que necessita e que é preciso mais incentivos para os bombeiros voluntários, que aparentemente são cada vez menos, porque nestes momentos nós vamos precisar que tudo funcione. Porque mesmo que nós tenhamos uma ótima reforma das florestas e uma floresta muito bem cuidada, coisa que nós sabemos que dificilmente alguma vez vai acontecer em toda a sua extensão e que mesmo que aconteça vai demorar muito tempo, nós vamos ter esse tipo de fenômenos para os quais faixas de contenção, três metros ao lado das estradas, todas as coisas que são necessárias não vão ser suficientes. Precisamos de uma estrutura capaz, apoiada, com os meios de que necessita. Estarmos a ver, todos os verões, pessoas a chegarem à porta de quartéis de bombeiros com garrafas de água e com litros de leite e com comida, ou bombeiros a pedir no meio da rua, confesso que não me entra na cabeça, não consigo perceber como é que isto é possível.

Não cola com o papel que eles estão a ter e têm.

Exato. Nós vemos depois nas redes sociais, as pessoas todas partilham as imagens horríveis do cansaço dos bombeiros, do sofrimento dos bombeiros nestes momentos. E sabemos que há sempre muitas críticas aos bombeiros das pessoas que gostavam que tivesse uma corporação inteira à volta da sua casa e viram os seus bens desaparecerem. Há muitas críticas que os bombeiros estavam aqui, deviam estar ali, não estavam aqui. Claro, tudo isso acontece nestas alturas. Não é possível é que tudo isto pareça uma coisa muito voluntarista, mais do que profissional, uma coisa um bocadinho amadora. Não pode ser. Porque depois acontecem as desgraças que nós sabemos que acontecem. E portanto, ainda assim, eu queria dar um vinte aos bombeiros que se prestam a trabalhar nestas condições e um vinte às pessoas que nestes momentos não viram a cara, enchem os quartéis com comida e tudo o que é preciso, só para não dar a nota a quem ainda não percebeu que é preciso olhar para esta situação e criar uma estrutura de bombeiros como deve ser.

Inquietações que, pelo menos para já, Bruno, não podem ser colocadas à ministra da Administração Interna.

Sim, Margarida Blanco apareceu ontem no funeral, esteve presente no de um bombeiro, e bem, acho que fez bem. Também percebo que não fosse aquele o momento para prestar declarações e percebo que não o tenha feito no final do funeral, mas então devia ter falado já noutro momento, numa ocasião escolhida, controlada Para prestar declarações, para dizer alguma coisa, para se mostrar aos portugueses, para assumir a responsabilidade. Nós falámos aqui na semana passada da questão da ministra da Justiça, se tinha feito bem ou não, se tinha os dados, toda a informação para poder falar, se fez bem em adiar a sua intervenção. Eu creio que num primeiro momento Rita Alarcão Júdice não esteve bem, devia ter falado. Podia ter dito.

Não precisava dizer nada de substancial.

Estamos a recolher informações, fazer um ponto de situação, porque os ministros devem intervir, os responsáveis políticos, em momentos de crise. Nos momentos de crise não podem desaparecer.

Mas o primeiro-ministro tem aparecido, não é o mesmo?

Por isso é que, para mim, isto não é uma responsabilidade que se possa atribuir à ministra. Parece-me uma estratégia política comunicacional do governo. Isto cheira uma coisa de assessoria de comunicação, quer dizer, para não desgastar os ministros quando há uma crise, eles desaparecem de cena, porque não pode ser por acaso. Estas coisas não acontecem por acaso. Da mesma forma que não foi por acaso que Luís Montenegro apareceu nas buscas quando o helicóptero caiu. Portanto, há aqui uma estratégia. A questão é saber se é correta e se é em benefício da autoridade política dos ministros. Não parece que seja. Parece-me que talvez aqui a ideia seja de, em momentos de crise, aparece o primeiro-ministro, reforça a sua autoridade, diz que quem manda aqui é Luís Montenegro, que é o grande sossegador, tranquilizador das populações, do povo português, mas isto diminui os seus ministros. Eu acho que tem esse efeito colateral. Não é uma ministra que vai perseguir os fugitivos à justiça e que fugiram da cadeia. Não é uma ministra que vai apagar fogos, mas também não é o primeiro-ministro. Se fôssemos por aí, então não aparecia ninguém nesta altura. E dizer como ontem disse Margarida Blasco, depois há estas coisas, treina-se umas coisas, treinou-se o desaparecimento, depois não se treinam outras. Dizer como disse: "Vamos esperar pelo fim da tragédia." Aquilo soou mal, para dizer o mínimo. Não estava preparada para responder. Aliás, tanto que depois os jornalistas insistem e Margarida Blasco já não responde. Mas dizer: "Vamos esperar pelo fim da tragédia." Quando? As coisas estão a acontecer agora. Quando é que vai ser o fim da tragédia? Pareceu-me um momento infeliz da ministra, mas que é resultado de uma estratégia política, uma estratégia que, quanto a mim, não está a correr bem, diminui politicamente os ministros que se veem nestas situações, porque não aparecem. A questão é sempre: o que é que eles vão fazer? O que é que vão fazer? Vão assumir a sua responsabilidade política, que é aparecer e dizer alguma coisa nestes momentos. Obviamente, não vão andar com mangueiras a apagar fogos.

Nem devem sequer ir para o palco das operações.

Exatamente.

Não precisam de o fazer para fazer declarações.

Para fazer declarações e mostrar que estão lá, estão no seu posto, estão onde devem estar. Porque senão parece que foram arrumados para não serem prejudicados. Ia dizer outra frase.

Sim, mas acho que percebemos. A nota é para a estratégia ou para a ministra?

A nota é para esta estratégia. Por acaso foram duas ministras, sofrem os danos colaterais desta estratégia, que me parece errada. Eu estou a ver onde é que o governo quer chegar. O governo Passos Coelho foi muito acusado de não saber comunicar, de não comunicar bem. E este aqui parece que quer comunicar bem.

Quer corrigir e não está.

Quer compensar e quer comunicar bem demais e acaba por prejudicar politicamente os ministros. Vou dar um exemplo.

Mas ainda não encontrou o tempo certo, nem o modo certo. Claramente.

Está a apalpar terreno.

Será que uma das estratégias deste governo é também criar PowerPoints e grupos de trabalho?

Esse é um ponto, porque por oposição a este silêncio mais do que prolongar, temos dois casos já, o da fuga de Vale de Deus e agora o dos incêndios. Depois a outra tentação dos governos é reagir logo, quando acontece alguma coisa, e anunciar logo qualquer coisa. Vamos já fazer qualquer coisa. O que nós, na sequência deste caso da escola de Azambuja, do esfaqueamento de uma criança de 12 anos que atacou colegas com uma faca. O governo ontem já veio, neste caso pela ministra Margarida Balseiro Lopes, anunciar a criação de um grupo de trabalho para combater o bullying nas escolas. Já, um grupo de trabalho. E mais uma vez, eu já nem sei como é que hei de dizer isto ou como é que o país há de lidar com isto. Já existe esse grupo de trabalho, já existe essa comissão, já existe o plano. É do governo anterior, mas o Estado é o mesmo, os recursos são os mesmos, o problema é o mesmo.

A realidade é a mesma.

A realidade é a mesma, os contribuintes que pagam isto são os mesmos. Eu acho que estes fenómenos, obviamente, devem ser estudados, devem ser combatidos, mas vamos lá ver. O governo ontem mudou de governo, vai mais um grupo de trabalho. Vamos aqui só a uma coisa rápida. No dia 21/09/2019, daqui a dois dias faz cinco anos, o Ministério da Educação lança plano de combate ao bullying e ao cyberbullying. É o Estado português. O governo era outro, mas o Estado é o mesmo. E então anunciava-se aqui que o Ministério da Educação, apostando na sensibilização, na prevenção e na definição de mecanismos de intervenção no meio escolar, com o envolvimento de vários serviços, e anunciava-se então a criação deste plano associado à campanha Escola sem Bullying, Escola sem Violência. Há um site com este título e tudo, oficial, a ir lá ver. Portanto, isto foi há cinco anos, faz daqui a dois dias Primeira pergunta: que balanço é que já se fez deste plano? É suposto os planos terem um calendário, terem objetivos para apresentar resultados ou não. Pode haver planos que não apresentam resultados, temos que admitir o falhanço, mas então que se faça esse balanço. Já há resultados? Eu não sei se há resultados ou não, porque nunca mais vi nada sobre isto, mas sei que dois anos ou um ano e meio depois, no dia 14/03/2021, ainda o governo socialista, depois de ter lançado o plano de combate ao bullying e ao cyberbullying, criou a Comissão de Acompanhamento do Combate ao Bullying e ao Cyberbullying nas escolas. Nós temos um plano, depois do plano criamos uma comissão de acompanhamento e o resultado desta comissão de acompanhamento. Isto foi em março de 2021, há três anos e meio. E mais uma vez a mesma coisa, sabendo da importância e da necessidade de continuar a apostar na erradicação da violência em contexto escolar, em particular o bullying e o cyberbullying, o Ministério da Educação criou uma comissão de acompanhamento do combate ao bullying e ao cyberbullying nas escolas, com várias missões, desenhar estratégias, impulsionar, promover, estou a ler os verbos, cá estão. Promover e monitorizar a existência de situações e depois apresentar no final de cada ano letivo propostas de atuação. Se isto foi cumprido, lá no Ministério da Educação deve haver uma gaveta qualquer em que estão estes relatórios com propostas de atuação no final de cada ano letivo. Já passamos no final do ano letivo de 2021, 2022, 2023. Portanto Há três relatórios. No mínimo, há três relatórios lá para consultar. Será que o Ministério da Educação foi consultar esses relatórios? Mais uma vez, não me interessa nada que isto tenha sido proposto e avançado pelo governo anterior mesmo. Se não aconteceu nada, se foi só um comunicado do governo para acalmar espíritos, eu nem fui ver, mas cada coisa dessas deve estar associada a um caso que tenha acontecido na escola.

Esse é que é o problema. Até porque estas comissões não podem ser avaliadas, porque depois acontece um caso, seja em que área for. Por exemplo, temos uma fuga de uma prisão. Pode haver relatórios, pode haver estudos e pode haver um conhecimento profundo do estado das prisões, de como é que funcionam. Não é um caso de uma fuga, de um problema que houve, da morte de alguém, que põe em causa essa análise. Mas cá parece, é quando acontece alguma coisa que se faz uma comissão ou que se põe em causa o conhecimento que se tem sobre as diferentes situações. O bullying. Agora há uma situação de bullying. Parece que está tudo a funcionar mal. E então a resposta, a reação imediata é anunciar mais uma comissão.

É completamente reativo, para acalmar a opinião pública, só, para adormecer. Isto são absolutamente anestésicos. Que é para as pessoas pensarem: "Ok, mas já estão a fazer alguma coisa. Aconteceu aquilo, mas já estão a fazer alguma coisa." O fazer alguma coisa é não fazer nada, é tomar decisões, comunicar decisões, fazer comunicados dos governos e a coisa morre aí. Eu sei que o governo mudou, que o governo anterior, este ainda não sabemos, mas o governo anterior já sabemos, foram oito anos, era perito neste tipo de coisas. Vamos anunciar e depois a malta esquece, o país esquece, deixa de aparecer nas notícias e o assunto morreu até voltar a aparecer. Quem sou eu para dar conselhos, mas enquanto contribuinte, já agora, o governo mudou, mas o Estado é o mesmo. E os contribuintes que pagam estas coisas e as estruturas que se criam e o tempo que se perde nestas coisas são os mesmos. E portanto, antes de anunciar grupos de trabalho, que se vá ver o trabalho já feito. Se não foi feito trabalho nenhum, que se denuncie. Dizer: "Isto foi criado, foi anunciado, zero de trabalho produzido. Estamos no ponto zero. E então agora vamos criar uma coisa à séria que dentro de X tempo vai produzir resultados." Ou então que nos digam: "Já houve esse trabalho, vamos ver o que está feito."

Respondam com informação do que está a acontecer.

Parece rigorosamente a mesma coisa. Um plano, uma comissão de acompanhamento e agora vem aí um grupo de trabalho. Começa a não haver nomes para distinguir umas coisas das outras.

Task force.

Vamos à task force, vamos ao grupo de peritos, depois vem um livro branco. À sério?

E no final há uma carta aberta.

Não, e depois é assim, isto são duplicações de estruturas. É suposto haver muitas estruturas no Estado, regulares, nos ministérios da Educação e por aí fora. Com essas funções. Com estas funções. O problema do bullying. Está bem, o nome é novo, é uma expressão relativamente nova, mas violência nas escolas já não é nova.

Olha, então belo trabalho pra nossa reforma, de nós os dois. A tua chegará certamente depois da minha.

Não sei. Vamos fazer o grupo de trabalho duplo.

Exatamente, vamos ler todos os livros brancos, tudo aquilo que estes grupos de trabalho produziram e depois nós os dois aparecemos, quer dizer, certamente já com idade muito provecta, porque temos imenso pra ler, mas a apresentar, à parte de tudo. Helena, não te metas nisso. Todos os grupos de trabalho, tu não sabes o que estás a dizer.

Não sais daqui.

Mas eu não quero morrer cedo. Portanto, a minha ideia é que também não posso, eu tenho que continuar.

Eu só diria, neste caso, à ministra Margarida Manoel Sérgio Lopes, que informe o país do trabalho que está feito já ou não está feito nesta matéria no Estado. Não é no governo, é no Estado. Uma nota, eu dou um seis enquanto não tiver informação sobre isto, precisamente por causa deste tic reativo. Mais um grupo de trabalho em cima dos três ou quatro anteriores que foram feitos sobre a mesma matéria, sem resultados. Já o Partido Socialista, Helena Matos, quer voltar a colocar na discussão

A lei do aborto, com novas propostas, alargamento do tempo.

Olha, mas só antes de irmos lá, o Ricardo Conceição acabou de colocar aqui no grupo do WhatsApp do Vencedor, um vídeo em que se viu o então presidente da República Ramalho Eanes a combater um incêndio. De fato, dá um salto monumental, ele salta um valado, tinha uma forma física espantosa. E isso não aconteceu apenas em fogos florestais. Quando ardeu a Faculdade de Ciências, aqui em Lisboa, na rua da Escola Politécnica, ele foi acordado à meia-noite dizendo que a faculdade estava ardendo. Ele foi para o local de imediato e foi ele que deu a ordem de destruição de uma parte do portão que dava acesso, porque os carros de bombeiros não passavam e não conseguiam passar.

E foi o presidente da República que deu a ordem.

Foi o presidente da República que deu a ordem, ele era um militar, deu a ordem.

Por favor, não vamos dar ideias.

Desculpa . Realmente, olha, por acaso, há dias em que uma pessoa mais valia estar calada, mas a culpa foi do Ricardo Conceição .

Estou aqui a recordar estas imagens de 1980. Vamos então, temos quatro minutos.

Já sei, muito pouco tempo.

Menos, menos. Três.

É exatamente a mesma questão de tempo que se coloca aqui em relação à questão da interrupção voluntária da gravidez, e que é esta proposta do Partido Socialista, não é apenas a questão da alteração do prazo das 10 para as 12 semanas. Note-se que nós hoje temos, na verdade, são 10 semanas e seis dias, é assim que conta. E até agora, as mulheres portuguesas interrompem as suas gravidezes antes. Estamos a falar, em geral, interrompem pelas sete semanas. É claro que há exceções, mas é mais ou menos pelas sete semanas. E eu, que participei na campanha pela descriminalização do aborto, fico muito feliz com isso, porque a ideia foi sempre quanto mais cedo for, melhor, até porque existem impactos na saúde física e psicológica das mulheres, para lá de todas as questões éticas que se colocam em relação ao feto. Portanto, quanto mais cedo, melhor. Se nós vamos alargar este prazo, a única coisa que estamos a fazer é a dar mais tempo aos hospitais para eles funcionarem pior, porque em 10 semanas há mais que tempo. É claro, depois sabemos que o prazo pode ser muito prolongado por outras razões. Aliás, pode chegar até o fim da gravidez. Há razões que levam a isso. Agora, as 10 semanas, nós estamos a progredir nos métodos até detecção da gravidez. Há a pílula do dia seguinte, não se pode escolher aquilo que é mais fácil para os serviços de saúde. E depois temos aqui uma expressão que eu acho extraordinária, que é que os hospitais tenham sempre médicos disponíveis. Pois é, também nós queríamos e para tudo. Portanto, eu acho que há coisas para discutir nesta matéria. Por exemplo, a dificuldade de acesso de mulheres, nomeadamente provenientes dos PALOP, que estão cá e que se percebe pelo crescente número de interrupções, por exemplo, não devem ter acesso a consultas de planejamento familiar. Mais, temos de discutir também, por exemplo, se faz sentido termos, até porque temos as questões da objeção de consciência, e não só, nós temos falta de obstetras e também para partos. Portanto, se faz sentido, tal como estamos a falar para os partos, que se está a pensar centralizar partos em alguns hospitais, se no caso das interrupções voluntárias de gravidez, não faz ainda mais sentido, porque à falta de médicos, junta-se a questão da objeção de consciência. Portanto, eu acho que há muita coisa para discutir nesta matéria.

Achas que está desfocada a proposta do Partido Socialista?

O aborto está para o Partido Socialista como a imigração está para o CHEGA. Queremos ter aqui uma causa fraturante, queremos que falem de nós e, portanto, vamos avançar. Eu também acho que há muita coisa para discutir na imigração. Agora, se calhar, fazer um referendo é bem aquilo que nós precisamos. E portanto, eu acho que há muita coisa para discutir. Nós já, aliás, fizemos aqui "Contra-Corrente" uma ou duas vezes sobre o assunto e percebe-se claramente que há coisas que falham e que podem ser melhoradas. Agora, o prolongar do prazo é uma regressão, no sentido que a gente sempre pensou que quanto mais cedo esta interrupção possa ser feita, melhor. Portanto, nós não vamos pagar as mulheres com a sua saúde e com práticas mais agressivas, o fato do SNS, em alguns casos, mas que não serão assim tantos, estar a não conseguir responder no tempo. E sim, temos a questão do protocolo com os privados, que deve, sim, ser também ele mesmo incentivado. Embora aí também tenhamos uma coisa, as interrupções no privado são medicalizadas, portanto, com intervenção cirúrgica, ao passo que em geral no SNS são através de comprimidos. Portanto, temos imensa matéria para discutir, agora começar por aqui.

E também não temos tempo para prolongar.

Não vamos padecer do problema do venturismo. Portanto, eu acho que vou dar ao PS um sete, porque eu quero que o PS explique isto melhor.

Um sete, então. Amanhã há mais vencedores e outros assim, assim. Até amanhã.