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Arranca mais um E O Vencedor É?, onde todos os dias pontuamos vencedores da atualidade de zero a 20. Hoje, para escolher os vencedores, temos Pedro Benevides, jornalista da TVI, CNN Portugal, e também António Costa, publisher do jornal Écom a moderação, como sempre, é do jornalista André Maia.
Pedro Benevides, António Costa, bem-vindos. Que bom é ter-vos por aqui nesta manhã de domingo de bom ano.
Bom dia.
É verdade.
Ainda podemos.
Ainda podemos.
Dia 21 eu não ia estar aqui.
Dia 21 já está ali no forno.
Acho que fevereiro é o limite.
O Ferrão disse que é até dia 21.
É verdade. Não ouviste o programa.
Eu ouvi.
Por acaso não estava a ouvir. Estava aqui a ler as minhas notas para o podcast.
Ele disse que até dia 21.
Em podcast, por pratos nunca dantes navegados com André Maia e também com Filipe Duarte, já agora, passo a dizer. Ora, vamos falar aqui de muitos temas, obviamente, e hoje ainda por cima temos a convenção da AD, mas gostava de começar por ti, Pedro Benevides, e por um nome que não era habitual na comunicação social, nos jornais, no dia a dia, Maló de Abreu, e de repente é a grande estrela desta semana. Primeiro disse que não, depois disse que sim. Afinal, ontem esclareceu e disse que não se alinha por muitas das convicções do CHEGA e também vai como independente. Tem de ir à máquina da verdade, Maló de Abreu, quanto a esta convicção e a este alinhar com o CHEGA, vai ser candidato, isso é certo, está nas listas.
Eu acho que tu colocaste a questão no tom certo. Não era muito habitual ouvir o nome dele e eu acho que aqui nós temos que ressalvar a modéstia, a humildade de Maló de Abreu, um homem que não está habituado aos holofotes, que claramente lidou mal com os holofotes quando eles se acenderam sobre ele. E eu acho que é uma lição para todos. Os políticos normalmente são arrogantes, são pessoas que gostam de se elogiar a si próprias e viu-se ali um exercício de modéstia como é raro acontecer na política em Portugal. Quando toda a gente soube que ele ia integrar as listas do CHEGA, ele negou três vezes, jurou três vezes que isso não era verdade.
Tal como fez Pedro com os nossos...
Exatamente. Uma referência bíblica, é domingo ainda por cima, eu acho que fica bem. Há canais que estão a transmitir missa neste momento.
Temos o televangelho no estúdio neste momento.
E ele fê-lo num exercício de exposição, despojamento, que eu acho que é de valer. Efetivamente, ninguém sabe quem é Maló de Abreu, a não ser alguma bolha mediática que está atenta aos assuntos da política com alguma profundidade. Eu diria que grande parte dos portugueses não faz ideia quem ele seja, apesar de ter estado 40 anos no PSD. Poderíamos dizer que ele era uma inexistência, mas de repente passou a ser a estrela do mercado de transferências de inverno, que é este em que o CHEGA foi contratar jogadores a outros clubes, porque as sondagens lhes estão a dar números que ele vai precisar.
Contrataram a custo zero, eram jogadores talvez já em final de contrato.
Eu diria que nem na Liga de Honra, aquilo era terceira liga, efetivamente, mas foi os nomes que ele foi buscar, porque ele precisa de encher aquela bancada se as sondagens se confirmarem no dia 10 de março. Ora, toda a gente já sabia isso, os jornais já sabiam isso, era o comentário por todo lado. Havia reações do próprio partido do PSD relativamente a isso e ele jurava que não. E depois ficámos a saber que afinal ele vai mesmo integrar as listas. Segundo ele, e eu não vou duvidar de Maló de Abreu, porque só na sexta-feira é que recebeu esse convite, efetivamente, e só nesta segunda-feira é que ficou desiludido com a forma como as listas do PSD estavam feitas. Claro, os mais cínicos vão dizer que ele percebeu que nas listas o nome dele não constava. Os mais cínicos dirão que ele foi um mentiroso, como também já não víamos há muito tempo na política e deu a cara por essa mentira, o que por si só, se fosse verdade, também merecia uma nota positiva por essa frontalidade. Mas eu vou preferir elogiar aqui a humildade de um homem que não acreditava até o fim que fosse o jogador mais desejado do partido que está a surpreender nestas eleições. Portanto, eu vou dar um 16 a Maló de Abreu.
16. António Costa.
Mas quem é Maló de Abreu?
Mas já descobriste.
Descobri no entretanto, eu que não estou nessa bolha mediática tão profunda.
E nos tempos do PS, atenção. Ele só teve existência nessa altura.
Devo acrescentar que se é isto o melhor que o CHEGA tem a apresentar para as transferências de mercado de inverno, é obviamente muito curto, porque não estamos a falar sequer de uma segunda linha. Eu nem sei se podemos falar de alguma linha nesta altura, mas fica a nota.
António Costa.
E já agora, André, só acrescentar aqui uma coisa. É de notar que o CHEGA, que é um partido que quer fazer uma limpeza, um partido que se diz antissistema, agora precisa de se reforçar, porque efetivamente vai precisar de pôr gente sentada naquelas cadeiras.
Vai buscar gente ao sistema.
Aos que estão há décadas nos partidos do sistema, o que é curioso.
António Costa, queres falar sobre Luís Montenegro e o programa económico? Até porque hoje temos convenção da Aliança Democrática e esperamos também algumas novidades em relação a isso.
Algumas medidas, algumas propostas. Devo dizer que as duas últimas semanas até estavam a correr bem a Luís Montenegro, não fosse este deslize de Nuno Melo, que também vamos aqui abordar. Mas estou a falar apenas de Luís Montenegro e não da AD. E por quê? Porque passou até relativamente despercebido nestes últimos dias as projeções económicas da AD, do PSD, mas da AD, obviamente, para os próximos anos. E que são, eu diria, no mínimo, ambiciosas e que exigem que o programa económico suporte essa ambição. O que o PSD nos diz? Que a economia portuguesa em 2028 estará a crescer 3,5%. Ora, por comparação, o programa de estabilidade do governo, portanto, do PS, para o mesmo período, não chega a 2028, mas quase chega, apontava no melhor dos cenários para menos de 2% de crescimento económico. Ora, um crescimento de menos de 2% económico é o que é previsto pelo governo. Veremos o que é que Pedro Santos vai trazer. Quando o PSD e Luís Montenegro apontam para um crescimento bastante mais ambicioso, não chega ao dobro, mas muito significativo, obviamente que isto tem que ser suportado em medidas muito concretas. O Luís Montenegro disse: redução de IRS, redução de IRC, e eu tendo em conta até a dimensão da nossa carga fiscal, mas não só, e o esforço fiscal medido em função do rendimento médio dos portugueses, que é muito elevado, arrisco dizer que uma redução fiscal estruturada, consistente com o tempo e previsível, é em si mesma uma reforma estrutural, desde que obviamente isso depois também não comprometa o que é o funcionamento do Estado e os serviços públicos e a prestação de serviços públicos. E portanto, esta projeção econômica com crescimento de 3,5% e sobretudo suportado no investimento público, é certo, mas também privado, é uma boa âncora para o que se pode esperar da alternativa que o PSD quer ser em relação ao PS.
E a estas coisas já pode mostrar isso também.
Vai ter que mostrar alguma coisa, seguramente. Ainda não há momento de programa eleitoral, creio que o programa eleitoral será divulgado nos próximos dias, na primeira semana de fevereiro, seguramente. Mas já vai trazer seguramente hoje na convenção algumas medidas mais fechadas. Quero sublinhar que, apesar de tudo, eu recordo-me que mérito António Costa juntou aqueles 12 magníficos, não sei se se recordam.
Sim.
Mário Centeno já pontificava, ainda não era conhecido do grande público, mas já liderava aquele grupo de 12 economistas, para se credibilizar depois de uma desgraça de gestão das finanças públicas e da economia dos governos PS anteriores. Agora Luís Montenegro junta 17 economistas, que são dos melhores que o país tem e que aceitaram dar a cara, aparecer, contribuir publicamente, portanto não se esconderam, não foi dentro dos gabinetes.
É um sinal positivo.
É um sinal obviamente muito positivo.
E a tua nota também é positiva?
Eu dou um 12 a Luís Montenegro. Vamos ver o que ele nos vai trazer do ponto de vista da proposta eleitoral, mas creio que efetivamente, por contraponto até Pedro Nuno Santos, estas duas semanas, salvaguardado este último deslize do Nuno Melo, correu particularmente bem a Luís Montenegro.
Ora, aqui Luís Montenegro com uma nota positiva. Pedro Benevides, queres falar do parceiro maior de Montenegro nesta altura, Nuno Melo, que neste momento acaba também de chegar ao Centro de Congressos do Estoril, já lá é.
Reparaste na agitação com que foi recebida a chegada dele, os jornalistas a rodearem-no, como eu acho que há muito tempo Nuno Melo não tinha uma sessão destas.
Sim, este protagonismo. Estamos a falar das declarações à CNN Portugal, em que Nuno Melo admitiu que poderia viabilizar um governo do Partido Socialista, sendo que entretanto já veio corrigir as declarações.
Sim, não digas isso de desmentir, porque senão parece que os políticos andam todos a mentir-nos agora por estes dias, é uma ala ou a outra. É o Nuno Melo. Vamos ser generosos, já sabes que eu gosto de sempre ver o lado positivo e o copo meio cheio.
Achas que apesar de desmentidos ou correções, Nuno Melo consegue apagar esta primeira mancha que fica na AD, ou pelo menos este passo em falso?
Vamos ver o que ele vai dizer. Estou com curiosidade para ouvir o que ele vai dizer no discurso dele, sendo que ele entra aqui um pouquinho fragilizado, precisamente porque não foi bem recebida a questão da declaração dele, que no fundo até era uma declaração que tinha alguma lógica do ponto de vista da coerência. Se o PSD e o CDS passaram anos a refilar com o PS por ter governado tendo perdido as eleições, teria alguma coerência manter essa lógica. Agora a questão é que essa não é a estratégia eleitoral, nem pode ser, sobretudo quando há um risco grande como o Chega. E portanto, o que aconteceu foi que Nuno Melo teve ali um deslize. Eu acho que ele passou muito tempo a falar sozinho, à espera que alguém lhe desse atenção, porque o CDS para todos os efeitos tinha desaparecido, estava completamente fora. E Nuno Melo, honra lhe seja feita, tentou sempre que pôde colocar o partido ou as suas declarações no espaço mediático. Desta vez, por generosidade do PSD e por estratégia do PSD, o CDS foi recuperado, dificilmente sobreviveria a estas eleições, imagino eu, mas foi recuperado. E portanto, Nuno Melo ganhou novamente o palco e eu acho que ele já estava destreinado para falar aos jornalistas.
E é um erro, sabes por quê? Porque Luís Montenegro já disse que se perder as eleições, vai-se embora.
Exatamente.
Mesmo que a direita venha a ter medos.
Exatamente.
Ora, o PSD sem Luís Montenegro, veremos o que é que fará. Mas não é claro, eu diria até pelo contrário, que esteja disponível com qualquer outro líder a viabilizar um governo minoritário do PS.
Eu tenho dúvidas também.
Nuno Melo a comprometer a AD nesta altura, é comprometer o PSD.
Ele não comprometeu a AD, ele disse: "Isto é o que eu penso". Ele tentou na altura até salvaguardar um pouquinho todo o espaço, mas na verdade ele fala como representante da AD e portanto compromete a AD. A questão, para mim, nem é tanto essa declaração que obviamente fugiu à estratégia da Aliança Democrática, para mim é o comunicado que ele lançou ontem à noite, onde de uma forma, eu diria, descarada, veio tentar dizer que não disse aquilo que estava a tentar dizer. E veio contradizer absolutamente aquilo que tinha dito numa entrevista. Quer dizer, quem quiser pode ir rever. É inacreditável. A única boa consequência que eu vejo disto é que Nuno Melo precisava de palco e voluntária ou involuntariamente conseguiu tê-lo. Aliás, esta chegada foi apoteótica.
Aquela de não há má publicidade, há apenas publicidade.
Pois vamos acreditar que isso é verdade mesmo em política, e portanto eu vou dar aqui um 14 a Nuno Melo, conseguiu reentrar de forma grande. Eu estou sempre generoso, António. Este programa chama-se o Vence do Areia. Este programa não se chama que nota vou ter eu, chama-se o Vence do Areia. Não se chama o reprovado da semana.
Há até uma doutrina Benevides.
Há uma doutrina Benevides, Eunice Lourenço. Eunice Lourenço seria tá do E.
Vamos fazer outro programa para o tá do E. Vamos mudar de tema e vamos falar também de outro protagonista, vamos falar de Pedro Nuno Santos. António Costa, queres falar de Pedro Nuno Santos e da TAP? O Pedro Benevides também vai falar sobre o líder do PS. É mais uma semana em que Pedro Nuno Santos tem de dar o corpo às balas e tem de vir dar explicações sobre a TAP.
Sim, para já é mais uma evidência de que a TAP deve ser privatizada o quanto antes, porque a TAP, de facto, é um calvário. E eu diria que é um calvário para Pedro Nuno Santos, como seria para o PSD se fosse ao contrário, porque de facto esta gestão política das empresas públicas é sempre muito difícil. Talvez fosse útil, por exemplo, como se fez na Caixa Geral de Depósitos, com a nomeação de um gestor que claramente impõe ali uma barreira e não entra ninguém e, portanto, obviamente também é um banco, o tema da supervisão europeia também ajuda nisto.
Mas rapidamente para os nossos ouvintes terem o contexto, em causa está a acumulação de cargos de Christine Meyer Zidner e do aval de Pedro Nuno Santos em relação a isso.
Estamos a falar de várias coisas, nomeadamente da TAP, para contestar um pedido de indemnização da gestora, destrói a gestão que Pedro Nuno Santos fez à frente da TAP, nomeadamente na contratação desta gestora. Eu questiono muito o O tipo de argumentação que foi utilizado. Creio que do ponto de vista jurídico, não é claro que até possa ter validade em processo de despedimento. Não é necessário que num processo de despedimento em tribunal, que os mesmos argumentos sejam utilizados para justificar a justa causa. Enfim, é um tema jurídico, vamos ver, os advogados das partes vão se entender. Para mim, do ponto de vista político, há aqui dois aspectos muito importantes. Obviamente que a TAP, creio que os advogados da TAP, obviamente com a validação do próprio CEO da TAP, Luís Rodrigues, enfim, acabaram por expor a grande confusão e trapalhada da gestão de Pedro Nuno Santos à frente da TAP. Eu creio que independentemente de ser legal ou ilegal a acumulação de funções, para mim é evidente que uma gestora que é contratada no contexto em que aquela gestora foi contratada a ganhar mais do que a média dos gestores públicos, porque têm essa exceção, e depois do Estado lá meter, isto os contribuintes, 3 bilhões, não poderia ter sido autorizada a acumular funções com outras quaisquer atividades que tivesse, porque a responsabilidade, a pressão, e talvez isso explique porque eu acho que a gestora, que eu acho que obviamente nem é o Horta Osório da aviação, mas também não é um jogador da terceira liga.
Exato. Não é o Manuel Abreu da aviação.
Pronto, obviamente que é adequada pela capacidade financeira da TAP de contratar a gestora, digamos, com o nível salarial possível para as condições da TAP. Portanto, os gestores internacionais nestas áreas, para terem uma ideia, vamos para a Lufthansa ou para a Air France e ganham cinco, seis, 10 milhões de euros por ano.
Isso pode explicar parte do problema.
A senhora vai ganhar 500 ou 600 mil euros, o que para a realidade portuguesa é muito, obviamente, mas está longe, obviamente, de ser um Horta Osório da aviação.
Consta, aliás, António, consta que houve gestores internacionais que foram contactados para dirigir a TAP e que achavam que a proposta que lhes estavam a fazer era mensal e não anual.
Sim, é verdade. Isso eu acompanhei à rato e confirmo.
E António Costa, tendo em conta isso, que nota é que te merece o Pedro Nuno Santos?
Olha, dou um oito a Pedro Nuno Santos, porque como te digo, não lhe está a correr bem. Eu até acho que ele tinha aparecido pouco e eu não sei se é uma estratégia do PS antes da campanha eleitoral. Enfim, para mim ainda não é muito claro, mas foi os CTT na semana anterior, é agora a TAP. O tema está a ser difícil e não está a conseguir, digamos assim, afirmar-se pelas suas propostas, que até as fez no Congresso, e o Congresso que até lhe correu nesse aspecto particularmente bem. Portanto, leva um oito este fim de semana.
Pedro Benedito, vais aumentar a parada para Pedro Nuno Santos?
Vou, claro.
Pelo menos uma nota positiva.
Claro que sim.
Então eu andei aqui a falar dos problemas de coerência dos políticos, que uma vez dizem uma coisa, uma semana depois dizem a outra, ou dizem uma coisa e depois fazem comunicados a dizer a outra. E agora Pedro Nuno Santos, o homem que está a ser atacado, que tem a própria TAP, basicamente com aquela argumentação jurídica, basicamente a TAP está a dizer-nos...
Está a dar lucro e diz Pedro Nuno Santos que não há problema nenhum.
Mas só por acaso.
Está a dar lucro só por acaso.
Mas a TAP basicamente diz que está a dar lucro porque tem a ver com a recuperação pós-pandemia e houve outras empresas que fizeram muito melhor do que a TAP, portanto isso foi tudo uma coisa fraquinha, uma trabalhadora que na verdade não trabalhava para a TAP, porque nem sequer contrato assinado teve. Portanto, eu acho que no momento em que a TAP está a dizer a gestão deste ministro, basicamente resultou numa bandalheira de contratação, que foi a desta senhora, que ainda por cima é incompetente para o cargo, eu diria que poderia causar aqui uma nódoa negra no ego de Pedro Nuno Santos, mas aparentemente aquilo que vemos é um homem que mantém a sua coerência. Ele deu a cara pela contratação, ele elogiou esta CEO, ele nunca a teria despedido e perante esta pancada que está a levar da empresa que ele próprio tutelava, ele mantém a sua coerência e continua a defender aquilo que para muitos seria já neste momento indefensável. Mas ele continua coerente a dar a cara, a dar o peito às balas. Vamos ver se o colete aguenta até às eleições de 10 de março.
Não foi ele que despediu a senhora e a senhora foi objetivamente mal despedida.
Sim.
Uma má fundamentação do despedimento, um processo em que a senhora nem foi ouvida antes de ser anunciado ao mundo e ao país que ela estava a ser despedida. E Pedro Nuno Santos, nesse aspecto, obviamente tem esse ponto positivo, que até já disse publicamente que não a teria despedido. E portanto, o que agrava ainda mais, como estamos aqui a conversar, esta contradição entre o que a TAP diz da forma como aquilo foi feito.
Que é uma coisa inacreditável. Quer dizer, a pessoa lê aquilo e não consegue acreditar, não é possível. É verdade que todo este processo, e o António estava aqui a recordar que efetivamente o despedimento de Christine Ourner foi assim uma coisa absurda. Na altura, ela foi despedida e depois os fundamentos para o despedimento só terão sido pensados no dia seguinte, depois de ter sido anunciado o despedimento da senhora.
Mas havia a parecer e não havia finalement parecer.
Havia o parecer e no final não havia parecer. Pelos vistos, esta é uma questão jurídica complicada, porque juridicamente também a senhora nunca devia ter sido contratada. Nada do que ela fez lá justifica o orgulho do ex-ministro nessa escolha. E portanto, eu diria que isto é tudo completamente absurdo e ainda por cima, como dizias e bem, não estamos a falar de uma coisinha pequena, estamos a falar de uma empresa onde os portugueses deixaram milhares de milhões de euros dos seus impostos para aquilo que cada vez mais parece um devaneio político do Partido Socialista na nacionalização, agora a reprivatização. Quer dizer, isto é absurdo. Ainda assim, eu vou manter aqui, vou dar um 14 também à coerência de Pedro Nuno Santos, que mesmo em alturas difíceis, o homem não desiste, não se verga.
Só um último argumento rápido.
Tem de ser muito rápido, que é para irmos ao último tema, António.
Estava-se a ver o que será dito pela TAP e pelo atual CEO da TAP, Luís Rodrigues Com os resultados apresentados. Se os resultados de lucros em 2022 não se deveram à gestão, os de 2023 também se calhar não se devem à gestão. Vamos ver o que é que vai dizer.
Se calhar agora já é.
Vamos ver qual será o argumento. Vamos terminar e temos apenas dois minutos, um minuto e meio para cada um. Pedro Benevides, começo por ti. Vamos falar de Duarte Cordeiro, que já sabemos não vai pertencer às listas de candidatos ao Parlamento pelo Partido Socialista, por opção própria. Diz que é por motivos pessoais, que a política neste momento é um lugar tóxico. Relembro que está envolvido em dois casos.
Eu não sei porque é que ele existe, tendo em conta o que nós andamos a falar aqui durante estes 29 minutos.
Falávamos muito de coerência há pouco, Pedro Nunes Santos, achas que é uma lógica coerente de Duarte Cordeiro afastar-se agora?
O que eu acho, e agora sem ironia, não sei se os ouvintes estão a achar que eu tenho sido irónico nestas notas que tenho dado.
Tem estado.
Mas agora quero esclarecer que não há qualquer pinga de ironia naquilo que eu vou dizer. Acho que apesar de tudo, com os exemplos que temos visto de eventuais estratégias para se alapar ao poder de algumas figuras menores da nossa vida política, que não dão uma imagem brilhante daquilo que são os políticos e daquilo que devem ser os políticos, eu acho que apesar de tudo, ter uma figura de primeira linha, como é o caso de Duarte Cordeiro, que foi apontado como uma das novas gerações do PS, obviamente já não está naquilo que se chama uma nova geração, mas é um valor consolidado do PS.
Tem sido um crónico número dois, Pedro Nunes Santos.
Diz.
Tem sido um crónico número dois, Pedro Nunes Santos.
Exatamente. Mas mesmo os número dois têm um papel fundamental e importante para o futuro de um partido político. O facto de ele se ter retirado e ter dito que não vai assumir nenhum cargo político numa altura em que há esta investigação do influencer e diz que tem direito ao seu bom nome e portanto se afasta de qualquer iniciativa de campanha como protagonista, naturalmente, que agora se avizinha, acho que tem duas vantagens. Vantagem para ele, para já, porque mostra algum desprendimento de uma pessoa que apesar de tudo fez toda uma carreira política.
E seria fácil continuar.
E seria muito fácil, e até para muitas pessoas com o percurso dele, necessário. Ele saiu, acho que é bom para ele e acho que também é bom para o Partido Socialista, porque evita ser ele próprio um elemento tóxico numa campanha que, como percebemos, já tem muitas gavetas que Pedro Nuno Santos tem de arrumar e ainda não conseguiu.
E que nota lhe dás?
Eu vou lhe dar um 18, porque isto não é uma atitude que nós vemos muito frequentemente.
O António Costa nunca será tão generoso como o Pedro, mas dou-lhe um 16, porque acho muito nobre de Duarte Cordeiro e clarificadora.
António Costa, terminamos contigo. Há congresso do jornalismo, o quinto congresso, sendo que está a decorrer nesta altura também. Nós não estamos lá porque estamos aqui também a fazer jornalismo. E é um congresso muito marcado também obviamente pela questão da Global Media.
Sim, obviamente, todos esperamos que todos os jornalistas, todos os leitores, todos que leem o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o Jogo, que ouvem a TSF, que o problema se ultrapasse tão rapidamente quanto possível e que encontrem um caminho. Eu queria olhar para o aspeto um pouco mais amplo. Por um lado, eu não quero ser um otimista irritante, o outro António Costa.
Mas o teu nome é ótimo.
Mas eu vou tentar, sem ser otimista irritante, tentar contrariar no minuto o que é este discurso de sobrevivência, que eu acho que não ajuda a nossa profissão, não ajuda a trazer investimento, põe-nos numa situação de grande fragilidade e de grande vulnerabilidade perante um ecossistema que eu acho que também devia ter estado no congresso de jornalistas. Eu não sei se foi convidado ou não, portanto faço esta salvaguarda, mas acho que as plataformas deveriam ter sido convidadas a estar presentes e a falar, e a serem ouvidas e a dizerem como é esta relação das plataformas com o jornalismo, porque nós sabemos, seria absolutamente ilusório achar que o futuro e a sustentabilidade das empresas como a Google, por exemplo. É a mais óbvia porque as outras diria até nem têm operações cá em Portugal. Acho que obviamente é importante olhar para perceber quem investe comercialmente nos meios de comunicação social como forma de chegar as marcas, como forma de chegar aos seus consumidores, também deveriam ser ouvidas. Afinal, por que investem menos hoje do que investiam há 10 anos ou há 15? Por que investem mais no Facebook? Como é que nos veem? Não é a qualidade jornalística da notícia, obviamente. É o veículo. Acho que obviamente devem ser ouvidos os acionistas. Eu quero recordar aqui que há três meses um grupo de acionistas pagou 90 milhões de euros para comprar a Cofina, a atual Media Livre. Ora, se pagou 90 milhões de euros para comprar a Cofina, e se há dois ou três anos um grupo de acionistas portugueses também pagou dezenas de milhões de euros para comprar a Media Capital, dona da TVI e da CNN.
E sabemos todos quem eles são.
E são todos. E quer na Cofina, quer na Media Capital, é capital que se conhece, são pessoas que se conhecem, são empresários. Se investiram, é porque acreditam que têm rentabilidade a tirar. E eu quero que assim seja, isto é, que o negócio seja sustentável e que atraia capital transparente, idôneo e que tenha um único objetivo: ganhar dinheiro.
António, para concluir.
E portanto, eu dou um 14 aos jornalistas pelo esforço que medramente têm feito neste contexto difícil, mas com o apelo de que nós temos que caldear um pouco este discurso de problemas que temos, que é evidente que temos, com uma perspectiva não é ilusória, mas positiva de que temos um papel a fazer, estamos a fazê-lo, estamos aqui agora, e que é um setor que não tem de ser uma fatalidade, nem dar prejuízo, nem viver de mão estendida com o Estado, que eu isso também recuso.
Sim, eu concordo. Deixe-me só dizer muito rapidamente, em 10 segundos, que o António eu compreendo perfeitamente. Acho que, apesar de tudo, é uma fatalidade para quem está há 50 e tal dias sem receber um salário, que eu acho que é uma coisa indecente, uma vergonha, uma coisa que eu não esperava ver em democracia e acho isto profundamente lamentável.
E vai daí um abraço para os nossos colegas também da Global Media. Fica por aqui o Vencedor. Pedro Benevides, António Costa, muito obrigado.
Bom dia.
Obrigado.
Até à próxima.