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E o Vencedor é na Rádio Observador e em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador, com a Judite França, o Nuno Gonçalo Poças e o Alexandre Borges. Hoje vamos falar sobre a atribuição do número de Segurança Social a imigrantes, da condenação do irmão de Pedro Sánchez, em Espanha, também em Espanha, dos 3 milhões de imigrantes legalizados e ainda do fim da gratuidade nos museus, uma medida que acaba pelo governo que a criou. Mas começamos por uma notícia, por uma ideia que diversas fontes do PSD e do governo classificam como obtusa, uma ideia que Miguel Relvas apresentou ontem na CNN, que falava da hipótese de discussões internas para a possibilidade de ser apresentada uma moção de confiança ao governo. Alexandre, é uma notícia típica da época?
Sim, acho que a conclusão é essa. Não é bem uma notícia. É um comentário de Miguel Relvas. A frase até é muito difícil, porque é: "É possível o país cair numa situação em que há vozes na área governamental que defendem que o governo apresente uma moção de confiança." Eu não entendo. O que ele está a dizer? Aparentemente, isto não existe. Ele está a dizer que é possível que o país caia numa situação em que isto aconteça. Está para lá, é uma hipótese de protonotícia.
Também é possível que não caia.
Também é possível que não caia. E, de qualquer modo, a notícia seria que houvesse alguém no governo que defendesse. É tudo um bocadinho vago. Acho que é uma tentativa de criar um factóide político. Parece-me que é isso e que mesmo para padrões do PSD, bate recordes de nível de impulso suicida, porque tendo em conta as sondagens, já agora, em que em várias delas o PSD até aparece ou a AD, que é pior ainda, juntamente com o que quer que o CDS represente eleitoralmente hoje, chega a ser terceiro, com as crises em curso no Ministério da Educação e com o caso do ministro da Administração Interna, arriscava-se o PSD a fazer aqui um berreiro. E já agora, a ser o PSD a procurar a instabilidade, ou seja, que em princípio será aquilo que garantirá a hipotética longevidade deste governo. É um governo minoritário, em que à partida nenhum dos dois grandes partidos da oposição quererá ficar com o ônus de derrubar para não ficar com o ônus de criar uma crise política. Se fosse o próprio governo a suscitar uma crise política, acho que arriscava-se, de facto, a ter o pior resultado de sempre nas próximas eleições.
Nuno, mas a nível da manobra política?
Eu pensei imenso sobre isto e devo dizer que eu não tenho opinião.
Não? Se calhar foi isso, eu não pensei muito. Acho que Miguel Relvas também não.
Acho que Miguel Relvas pensa muito mais do que nós todos nesta sala sobre estas coisas.
É lá!
Acho eu, sabe muito mais disto do que nós.
Sem dúvida.
Não digo isto sequer do ponto de vista conspirativo, ou seja lá o que for. Acho que é inegável. Pode ser só alguma vontade de acelerar as coisas, pode ser só alguém que sabe alguma coisa que nós não sabemos. Mas ao mesmo tempo, também é verdade que vai um bocadinho ao encontro de uma ideia que eu acho que também é do primeiro-ministro e do governo. E uma das fontes também acaba por explicar isso, que é: "Mas por que nós íamos fazer isso agora? Estão os ministros todos na Berlinde e não sei o quê, e isto tudo a correr mal. Vamos é esperar para fazer isso numa altura melhor."
Exato.
Não é bem assim.
Mas é quase. O que se tira dali é aquilo, claro, toda a gente está à espera disso. A questão é se há uns que estão com a expectativa de que depois o AD possa tirar bom proveito eleitoral disso e tentar fazer com que seja o outro a forçar a queda, para depois ninguém ir com o ônus. Eu não tenho opinião sobre isto, porque isto aborrece-me imenso.
Judite.
Gosto quando dizes isso, porque é uma franqueza muito refrescante. Dizer: "Não tenho opinião sobre o assunto."
Ricardo, cancela isto. Põe uma música.
Posso fazer isso até às 19h.
Exato.
Deixa cá ver o que eu tenho aqui nestas cassetes. Tenho aqui uma música bonita do Phil Collins.
A Gunstalot. Põe a Gunstalot.
Não é o caso, porque eu penso alguma coisa sobre o assunto e acho, de facto, que Miguel Relvas pensa muito em Pedro Passos Coelho e vê onde os outros veem uma crise, Miguel Relvas vê uma solução para o PSD.
Eu percebo o ponto.
Pois, e eu acho que é esse o ponto.
Eu também. Eu não discordo.
Também não pensei demasiado como o Alexandre.
Eu não discordo dele. Mas a forma como a coisa é colocada é que pode haver membros do governo, não sei o quê.
É conspirativa da forma como é posta.
Faz um bocado aquelas notícias do: "Amanhã pode chover." Mas também pode não chover. E então?
Aí é mais fácil.
Ou chove ou não chove. Isso aí agora que é o assumir que interessa, que é: há, de facto, membros do governo que estão interessados em que isto caia ou não?
São das fontes que foram ouvidas. Não, pelo contrário, é um delírio absurdo e ideia obtusa.
Sim, e na peça do Rui Pedro Antunes, também diz que hoje em dia Relvas representará pouco no aparelho do PSD e que só haverá um ministro
Com quem ele tem contacto.
Fica também a dúvida.
Se alguém no seio deste PSD acha que uma ideia, qualquer uma, é um delírio, é provável que ela seja verdade.
A ver vamos. Vamos tomar boa nota desta notícia e ficar a refletir um pouco sobre ela, até aproveitar o verão agora também para refletir. Judite, tu também queres refletir sobre a saída de 60 militantes do Bloco de Esquerda.
Entre eles, um dos fundadores.
Um fundador major, Mário Tomé.
Exatamente, um histórico da UDP. E Pedro Soares, que foi um dos críticos mais ativos nos últimos tempos.
Eu não sei se não era fundador também. Claro que não era o líder do partido.
Mas foi um rosto dos críticos.
Exatamente. Ele era da UDP também.
Também era da UDP. Dos chamados críticos da convergência, que é uma espécie de fação dentro do partido.
Que também é uma coisa ótima. A convergência diverge. Eu não consegui entender. As nomenclaturas à esquerda são muito difíceis. Eu acho tudo isto fascinante.
O homem das palavras teria que arranjar aqui um...
A convergência divergente.
Divergente. Mas vê-se que há de tudo nesta lista, há membros ligados à fundação do partido, há ex-deputadas, há autarcas, há dirigentes nacionais. E aquilo que vieram dizer não é muito diferente daquilo que muitos pensam sobre a estratégia do Bloco de Esquerda nos últimos anos e a forma como isso arrastou o Bloco de Esquerda para a quase insignificância com um deputado apenas. É óbvio que aqui as críticas vão diretas para a direção de Catarina Martins e de Mariana Mortágua, por se terem iludido com o Partido Socialista, é a expressão. E depois arrasam a estratégia toda de Francisco Louçã, que Mário Tomé diz que andou a orientar o partido nos últimos anos, mesmo não estando na direção. Aliás, chama-lhe Deus ex machina.
Francisco Louçã, que vinha do PSR.
Que vinha do PSR, sim, é a fusão da UDP, do PSR e da Política XXI, na altura Bloco de Esquerda. Mas eu acho piada chamar ao Louçã o dono disto tudo no Bloco. Acho que tem alguma graça. Enfim, a questão da geringonça é o facto de o Bloco ter perdido autonomia, de se ter confundido com o governo e portanto perdeu as suas causas, deixou de falar no SNS, na crise da habitação, etc. E depois critica o facto de achar que a estratégia de uma esquerda grande, portanto o Bloco não deveria ser grande e muito menos participar no governo, o facto de terem aparecido nomes de ministriáveis, Mariana Mortágua, ministra das Finanças, etc. E depois há uma outra crítica que é corrente, que é o facto de não haver internamente espaço para a crítica, para a discussão e, portanto, que se gerou uma desmotivação e isso leva ao abandono de militantes.
Queres dar uma nota?
Deixa-me só concluir que esta fação critica o apoio a Kiev e acusa a direção de fazer o contrário com medo de perder votos. E o comunicado do Bloco de Esquerda, que além de dizer que isto são saídas programadas e projetadas na comunicação social, dá a entender que tem sido uma forma de desgastar o Bloco de Esquerda, também aponta a questão da Ucrânia como a principal razão da saída dos 60 militantes. E eu acho que isto tem a ver com o facto de termos 60 militantes que pensam mais como a PCP do que outra coisa. E portanto, para a saída destes militantes, eu vou dar um 12, porque eu acho que quem não está bem, deve sair.
Nuno?
Saíram estes 60, o Bloco de Esquerda agora ainda tem militantes?
Tem.
O major Mário Tomé é alguém que já não é muito conhecido do imaginário coletivo, porque os anos vão passando, mas é uma daquelas pessoas, como imagino eu quase toda a gente do Bloco de Esquerda, acha que o único período de democracia que nós vivemos nos últimos quase 100 anos foi entre 74 e 76, ou 75. Isto não me diz grande coisa, porque mais uma vez estou aqui numa posição difícil.
Hoje, Nuno Gonçalo, foste-me difícil.
Este comentador está-se a fazer difícil.
Não. É uma daquelas coisas que a gente vê se saíram 60 militantes do Bloco de Esquerda. Está bem. E então? É um partido que tem neste momento um deputado, que ficou reduzido a uma insignificância eleitoral muito grande. Embora eu não concorde com a ideia de que o Bloco nos últimos anos abandonou as bandeiras, não sei o quê.
No tempo da geringonça?
Não sei se abandonou, mas ganhou muitas guerras. O governo de António Costa fez-lhe muitas vontades, houve muitas vitórias. Perdeu eleitoralmente com isso, também é certo.
Perdeu.
Mas ganhou em domínio de linguagem, em medidas políticas.
Tornou-se mais ou menos indiferente votar no PS ou votar no Bloco de Esquerda.
Pois, mas isso se calhar diz mais do PS do que do Bloco de Esquerda. E se calhar esse é que era o ponto. Podiam ter lá ficado, que se calhar podiam ter ajudado.
E não é objetivo de um partido ter poder, Alexandre?
Do Bloco, não, nunca foi.
É isso.
É isso que o Nuno disse. Ou seja, nem todos os partidos querem ser poder, esse é um problema. Não é um problema, é um problema com que alguns se deparam quando confundem uma coisa com outra. Eu penso que é um problema com que o LIVRE se poderá deparar. Tem falado disso aqui nos últimos tempos.
O LIVRE quer ser governo.
Exato. Há aqui algumas similitudes, mas de que é que servirá o LIVRE no dia em que for governo?
O LIVRE quer ser Bloco de Esquerda.
Mas lá está, quer ser o Bloco sem cafeína. Quer ser uma coisa mais simpática.
Mais verde.
E mais europeísta e fala na reindustrialização verde, que eu respeito e acho um conceito super bonito, não sei exatamente como é que funciona. Mas quer conjugar isso, que eventualmente pode ou não ser a quadratura do círculo. Mas de facto, o LIVRE tem 12 anos. Quanto a mim, ainda não apresentou de todo os resultados que o Bloco apresentou em 12 anos. O Bloco, apesar de tudo, foi um fenómeno de popularidade e que tinha um conjunto de bandeiras. Há uma parte da queda do Bloco que é consequência do seu próprio sucesso, como de resto muita gente lhe apontou desde o início. No dia em que as causas fraturantes estivessem todas reconquistadas, eles perdiam toda a razão de ser. E de facto, conquistadas aquelas três, quatro grandes bandeiras que tinham do aborto, do casamento homossexual, da liberalização das drogas leves, que são talvez as três que me ocorrem imediatamente, fim dos anos 90 e início do século XXI, com que andaram, o que lhes restou nos últimos anos foi impostos, foi falar de taxar os ricos. Era isto que o Bloco conseguia.
Mas conseguiram imensa coisa. Voltámos outra vez a congelamentos de rendas. Não era uma política do Bloco?
Sim.
Sim, mas o PS aproveitou.
Sim, mas lá está, isso diz mais do PS do que do Bloco. Umas coisitas assim, mas que eram essas ideias que basicamente, do ponto de vista económico, as questões sociais foram-se um bocado, ficaram ideias económicas de Mariana Mortágua, que normalmente consistiam nisto. Coisas sem nenhum histórico de bom resultado económico, se quiseres. E esta fação que sai aqui, acho que se prende com uma coisa com que sempre se prendeu. A gente vê há um ponto em que eles demoram bocado, que é falar dos direitos laborais, da luta sindical, que é uma coisa da qual o Bloco se afastou totalmente. Eles dão exemplos concretos da luta dos motoristas de matérias perigosas, da luta dos estivadores pelo seu contrato coletivo, da própria resistência à requisição civil durante a pandemia, questões que realmente para alguém como Mário Tomé ou para a UDP, representam muito e que efetivamente o Bloco, enquanto muleta de um PS poder, abdicou disso totalmente. Depois há outra coisa que estes dissidentes apontam, que de facto é uma coisa também muito apontada ao LIVRE, que é a concentração naquelas figuras. O Bloco teve gente que nunca mais acabava. A gente vai ver a quantidade de dissidentes do Bloco ao longo da sua história, do Daniel Oliveira, da Ana Drago, da Joana Amaral Dias, do próprio Rui Tavares. E depois ficou sempre aquele núcleo devedor, descendente do Francisco Louçã, que se refletiu nas últimas legislativas. Eu já quase que me ia esquecendo disto, mas de repente voltou-me a imagem. Nas últimas legislativas, o Bloco que já estava em crise, apresenta-se com três cabeças de lista nalguns dos maiores distritos do país: Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas, em Leiria, Aveiro e Braga, mais ou menos isso.
É giro como um partido do proletariado consegue ser tão burguês e tão aristocrático ao mesmo tempo.
E sobretudo, fresco.
E é com esta animação que vamos para a síntese das 18h30. Vocês não deram nota.
Ainda não demos.
Querem dar agora ou reservar para a segunda parte?
Podemos dar.
Então vá, façam-me lá esse favor. Vocês estão insuportáveis.
Eu dou um um, que é o número de deputados que o Bloco tem hoje e diria que de facto aqui o vencedor é o PCP. Acho que o PCP vence sempre, é capaz de ganhar aqui uns novos militantes.
Dou um 10 ao Mário Tomé.
Um 10 ao Mário Tomé.
E eu vou dar um 12 ao Mário Tomé.
E já voltamos. Segunda parte de "E o Vencedor é", com a Judite França, Nuno Gonçalves Poças e Alexandre Borges.
Já te estás a rir antes de qualquer coisa.
Já me estou a rir. Nem sei por onde seguir, mas acho que é um tema fascinante que o Alexandre Borges elegeu para discutir às 18h30. Eu estou a imaginar, as pessoas estão a regressar a casa, outras estão a sair da praia nesta altura.
O que é que elas querem ouvir falar?
E a pensar: "De certeza o que me apetecia mesmo agora era a atribuição do número de Segurança Social."
Era isto ou a dívida do subsetor Estado que estou a falar.
É com gelo ou sem gelo, Alexandre?
Neste caso, acho uma notícia refrescante, devo-te dizer isto assim muito rapidamente. A notícia era adiantada hoje pelo Público, já fica confirmada por outros meios, que a atribuição do número de Segurança Social vai passar a ser automática para imigrantes.
Bravo!
E de onde é que vem o meu empolgamento com isto? Porque de repente alguém, por fim, teve a ideia, neste caso partiu do Instituto de Informática da Segurança Social, de fazer comunicar os sistemas da AIMA e da Segurança Social. E portanto, esta coisa que parece lá paliciana é, na verdade, mais ou menos revolucionária, entra em vigor no fim de junho e portanto, evidentemente, os imigrantes ao chegarem ou irem à AIMA tratar da sua regularização, do seu processo de entrada no país Recebem o número da Segurança Social.
E um dia talvez recebam também o número de contribuinte.
Eventualmente. Exato. Até hoje, eles não só tinham de ir, nas horas e nas filas que nós vemos, para a Segurança Social, uma vez como duas. Tinham que ir duas vezes à Segurança Social para conseguirem, presumo que uma vez para iniciarem o processo e outra talvez para levantar o número. Só no ano passado foram 250 mil pessoas que tiveram de fazer isto. E isto faz parte de um processo em curso de transformação digital da Segurança Social e que vai envolver outras medidas, como poderem contactá-la por WhatsApp e, perante a autorização dada pelo cidadão, cruzar documentos entre serviços públicos, que é uma coisa que começa agora também a acontecer nalgumas plataformas, que é a gente autorizar: "Sim, senhor, o IMT pode ir buscar a fotografia que está no nosso BI a outro lado, se precisas de renovar a carta de condução ou outra coisa qualquer." Coisas simples como estas.
Ainda vamos chegar a um momento em que as Finanças vão comunicar com a Segurança Social.
Exato. Vai haver o dia em que algo assim acontece.
É um sonho.
Como isso acontece. E de repente isto dá esperança. Vamos ver.
Então vamos lá à tua nota.
Vamos ver se isto acontece. Eu dou um 15, só não dou um 20, porque quero ver se isto realmente acontece. Isto está dito que vai começar a funcionar no fim de julho, vamos ver. Mas se isto acontecer, é uma esperança para que este país talvez possa funcionar. O controle biométrico nos aeroportos, a correção digital dos exames, extravagâncias desse género.
Já que estamos a falar de imigração, agora vamos olhar também para a situação em Espanha, Nuno, três milhões de imigrantes legalizados em Espanha.
Sim.
Que também vai obrigar a refazer contas.
Sim, várias e em vários níveis. Isto parte de mais ou menos 1,2 milhões de pedidos de-
Regularização
...de regularização, que com os reagrupamentos familiares, as estimativas rondarão à volta dos três milhões de pessoas que de repente passarão a ser residentes em Espanha.
E respetivas famílias.
Respetivas famílias. E aquilo que se levanta e o debate em Espanha é muito aceso há muito tempo por causa disso, por causa da questão do direito de voto. E eu tinha aqui três notas sobre isto. A primeira, que é um debate que se tem feito pela Europa toda, aqui em Portugal também, e eu dividi isto aqui em três perspetivas: uma perspetiva institucional, uma perspetiva social e depois talvez uma perspetiva mais política da coisa, se quiserem. O impacto institucional, e eu lembrei-me muito daquilo que aconteceu no resultado do Brexit em 2016, que tem a ver com o facto de sucessivamente substituírem as regras de entrada por regularizações extraordinárias. Ou seja, nós vivemos mais ou menos, ou estamos a habituar a viver num mecanismo em que não há regras muito claras para quem entra, há uma espécie de porta aberta, em Espanha mantém-se, e depois regulariza extraordinariamente um bocadinho em função dos interesses político-eleitorais de quem está a mandar. E portanto, também leva a uma situação em que a fronteira entre imigração legal e imigração ilegal se torna cada vez mais ténue, o que depois leva, e aí sim, entra na questão britânica, é que os próprios imigrantes que entraram regularmente, que fizeram o esforço de integração, que têm a sua vida instalada, etc., são eles próprios também quem rejeita a nova imigração. E esse é um ponto que me parece importante.
Isto já vemos acontecer nos Estados Unidos.
Exatamente. Depois há um ponto social, que é também outra coisa que nós discutimos aqui imenso, que é a capacidade que um Estado, um país tem, para acolher tantas pessoas de repente. Na saúde, na educação, nas polícias, na habitação, etc. E depois há uma leitura política, e depois daquilo que nós vamos ouvindo de formas mais tímidas, outras menos tímidas, como Irene Montero, salvo erro, chegou mesmo a dizer: "Nós temos que substituir os eleitores fascistas que cá estão por novos tipos de eleitores que venham para cá votar em nós." E portanto, é legítimo perguntar por que é que nós estamos a fazer isto, por que é que estamos a criar mecanismos que eles próprios são um grande incentivo à imigração ilegal, ao tráfico de pessoas, e os números têm crescido imenso, sobretudo nos países e nos momentos em que as regras e a regulação não foi tão clara. Nós, no limite, estamos até a prejudicar as próprias pessoas que procuram nos países europeus uma vida melhor, a troco de quê? Do sucesso eleitoral de quem está? Para o Pedro Sánchez é sempre zero, cada vez que se fala de Pedro Sánchez, a partir de agora.
Já que estamos a falar de Pedro Sánchez, Alexandre, o irmão de Pedro Sánchez foi condenado.
Pronto, faltava o irmão.
Ainda faltam mais uns.
Falta o próprio Pedro Sánchez.
Não, até ver, não fez nada, não passa nada, é um azar. É uma perseguição. Parece uma península, está rodeado de mar de todos os lados, menos por um.
É verdade, parece uma península. O homem é uma península. Sim, David Sánchez foi condenado a nove anos de inibição de cargos públicos por prevaricação. São 11 condenados, basicamente. 10 foram condenados a nove anos. Há um que é condenado a 18, que era o líder Miguel Ángel Gallardo, que era o líder do PSOE na região da Estremadura. Basicamente, o que diz o tribunal, o que diz a juíza é que Se concluiu que foi criado um cargo especial para David Sánchez, o irmão do primeiro-ministro espanhol, como responsável cultural, diretor de artes cênicas do governo provincial de Badajoz, que era liderado à época pelo PSOE.
Com morada em Elvas.
Exatamente. Ou seja, não só foi criado um cargo que não existia, aparentemente de propósito para esta pessoa, como essa pessoa não o exerceu sequer. Não estava lá, vivia em Portugal, vivia em Elvas, num palacete, aparentemente para ter uma situação fiscal mais vantajosa, o que também não deixa de ser cômico. O Sánchez, neste caso o irmão, vai recorrer ainda, mas a única coisa que eu posso dizer diretamente sobre esta sentença é que também não faz muita falta. Vão inibi-lo nove anos de exercer funções públicas, que é uma coisa que ele pelos vistos já se tinha inibido de fazer.
Mas agora não lhe podem pagar.
Agora não lhe podem é pagar. E a reação do governo espanhol foi aquela que tem tido aos outros casos, à acusação que envolve a mulher de Sánchez, aos outros que já condenaram em rigor Ábalos, o antigo braço direito de Sánchez, e o seu assessor, e que envolvem o antigo secretário do partido também, que é sempre dizer que isto é uma conspiração da direita. Portanto, neste caso, mesmo com uma sentença, a porta-voz do governo espanhol diz: "O processo tem um único objetivo: prejudicar o presidente do governo através do seu círculo familiar. Respeitamos a sentença." Esta frase parece contradizer a que disseram imediatamente antes, "mas obviamente não concordamos com ela. Confiamos na justiça e nas instâncias superiores que vão confirmar esta decisão, que é aquilo em que acreditamos." Com o que nós ficamos aqui do lado de cá? É mais um passo naquela que é a grande referência moral da esquerda em Portugal, da esquerda democrática, do PS, que tudo recomendaria que se fosse demarcando um pouquinho disto, mas ainda nunca o ouvimos fazer. E portanto, dou já uma nota, se quiseres, do ouvinte, a Churchill e às voltas que deve dar no túmulo de cada vez que ouve certas coisas. Judite.
Eu nisto não me surpreendo. Acho que faz parte até deste modus operandi, fazerem um cargo à medida para pôr, pelos vistos, o irmão de Pedro Sánchez, que não tinha um trabalho regular. E portanto, era preciso arranjar-lhe um trabalho regular ou pelo menos um cargo regular. E Espanha não tem brincado com isto, não tem brincado com estes casos.
Como dizia o Assis Simões: "Dar empregos a prostitutas não é corrupção nem tráfico de influências, é solidariedade."
Ele dizia isso?
Disse isso na televisão alguma vez.
No caso, Espanha.
Ah, bom. Também pegam por tudo.
É isso.
Bom, eu independentemente disso, continuo a achar incrível como Sánchez não pede demissão, continua agarrado ao poder, apesar de todos os casos que o envolvem. E as declarações da porta-voz do governo têm até alguma graça, porque diz: "O governo faz da estabilidade a ferramenta fundamental para conseguir em oito anos a quantidade de marcos que estão a fazer avançar o nosso país." A quantidade de marcos que estão a fazer avançar a justiça de um país como Espanha.
Espanha, peço desculpa pela ignorância, está sem orçamento ainda, não está?
Não, não consegue aprovar um orçamento há dois anos. Acho que vamos para o terceiro, acho que é isso.
Sem orçamento está.
Sim.
Queres dar alguma nota a isto?
Sanchismo é zero.
É sempre zero?
É zero.
Não dás uma oportunidade.
Não.
Pronto, fica por aqui. E o vencedor é, desta terça-feira, amanhã há mais, e o vencedor é na manhã, depois das 08h30. Filomena Martins junta-se ao Bruno Vieira Amaral, ao José Manuel Fernandes e ao Luís Rosa. Amanhã não estás cá, pois não, Alexandre?
Amanhã acho que é o único dia em que não estou.
Estava com sede muito de falar sobre o déficit do subsetor Estado.
Guarda para quinta.
Não, quinta é o debate do Estado da Nação.
Está bem.
Pronto.
Se calhar vão ouvir o ministro da Educação na FM 7.
Achas que podemos prometer-
Podemos fazer um especial.
É isso. Eu acho que os ouvintes pedem.
É isso.
Então, vamos combinar. Déficit, subsetor Estado, vencedor é especial.