O bairro de Neubau, no centro da cidade de Viena, na Áustria, lançou esta semana uma campanha dirigida aos moradores com regras que devem ser seguidas quando os habitantes passeiam com cães. Entre essas regras está o uso de água para lavar a urina dos cães e, dessa forma, proteger as árvores consideradas vulneráveis, avança o The Guardian.
A campanha, chamada ‘Schönes Gassi’ (um bom passeio com o cão, em português) tem como objetivo minimizar o impacto que os cerca de 600 cães que vivem naquele bairro têm na vegetação, e sobretudo nas cerca de 250 árvores plantadas na última década para ajudar a mitigar os efeitos da crise climática.
Sob o slogan ‘Das Flascherl zum Sackerl’ (a garrafa que acompanha o saco), a campanha alerta que a urina animal corrói a casca das árvores, enfraquecendo a camada protetora e potencialmente permitindo que patogénios e fungos corrosivos penetrem no tronco. “Embora marcar território seja uma forma de comunicação para os cães, isso causa stress para as árvores urbanas”, defende o Grätzllabor, um grupo comunitário, que alerta que tal prática “resulta em apodrecimento e, no pior dos casos, em comprometimento da estabilidade” das árvores.
A iniciativa também pede aos donos que levem sacos plásticos para recolher os dejetos dos animais de estimação.
Os donos podem recolher gratuitamente uma garrafa de água de 270 ml na Câmara Municipal de Viena para lavar as áreas utilizadas pelos seus cães. A urina de cão é altamente solúvel em água e a diluição reduz significativamente a concentração de amónio e outras substâncias nocivas que se infiltram no solo, além de atenuar o odor. O programa voluntário poderá depois ser expandido para outros distritos da cidade.
O bairro de Neubau, densamente povoado e repleto de cafés e galerias, é uma das zonas mais procuradas de Viena.
A campanha agora implementada em Viena assemelha-se a outras iniciativas adotadas no Japão, em Itália, na Suíça e em Espanha. Também Berlim, na Alemanha, tem procurado limitar os danos causados pela urina dos animais: em algumas zonas, as autoridades deixaram de plantar falsas-acácias, árvores particularmente sensíveis à urina. O bairro de Charlottenburg-Wilmersdorf começou mesmo a instalar ‘pedras de urina’ destinadas a servir de alvo aos cães, evitando que estes se aproximem das árvores.