Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Segunda parte de "E o Vencedor É..." hoje com a Judite de França, a Raquel Cassis e o Alexandre Borges. Vamos só conferir. Eu gosto sempre de vos ouvir, de tomar o pulso das vossas expectativas em relação aos debates do dia. O debate de mais logo entre António José Seguro e Cotrim Figueiredo, Raquel, merece alguma expectativa especial?
Tanto quanto os debates ainda nos vão merecendo alguma expectativa, até porque os temos que avaliar, eu vou ter que fazer isso. Sim, eu diria que dos duelos que estão em cima da mesa, é um duelo interessante, sobretudo, mais uma vez, vamos já falar da sondagem, porque nesta sondagem Cotrim Figueiredo aparece muito colado a António José Seguro. No eleitorado de António José Seguro poderá haver muitos potenciais eleitores de Cotrim Figueiredo a sim sejam conquistados esta noite no frente a frente entre os dois. Ou o contrário. Até porque há aqui um dado curioso: Cotrim Figueiredo tem como mandatário José Miguel Júdice, que já disse que se Seguro for a uma segunda volta, é em António José Seguro que vota. Portanto, há aqui uma possível transumância de eleitores de um lado pra outro, que pode ser curioso perceber como é que os dois vão orientar a sua estratégia e tentar roubar eleitores um ao outro.
Alexandre.
Tenho curiosidade, porque dentro deste campeonato dos debates, que de fato é um campeonato à parte para aqueles 10% de eleitores que os veem e que-
Dos quais nós fazemos parte
...dos quais nós fazemos parte, por várias razões. Mas será interessante ver como é que Cotrim, que tipicamente aprecia liderar os resultados cumulativos das prestações em debates até chegar àquele dia infeliz com Marques Mendes, ver como é que ele consegue ou não recuperar disto. E depois António José Seguro, que teve, pelo contrário, o seu melhor dia no frente a frente com o almirante e recuperou aí alguma coisa. De fato, pra quem vê e está atento a estas coisas, apareceu com outra imagem da qual depois falou durante alguns dias, inquirido sobre isso, dizendo: "Não, eu sou este, aqui estão a ver o verdadeiro eu". Portanto, vamos ver. Acho que será sempre um debate interessante. Apesar de tudo, estamos entre duas pessoas que parece garantido que não se vão atacar especialmente uma à outra e que são duas pessoas educadas e inteligentes, e espero que se consiga debater alguma ideia como deve ser.
Eu acho que disputam eleitorado. Acho que sim, acho que António José Seguro e Cotrim Figueiredo podem partilhar aqui uma franja de eleitorado, sobretudo Cotrim Figueiredo, que não está satisfeito com Marques Mendes e que oscila entre o centro e centro-esquerda. Eu acho que António José Seguro não vai ter vida fácil com Cotrim Figueiredo e as minhas expectativas pra António José Seguro são relativamente baixas, porque eu acho que Cotrim Figueiredo, tirando a pedra no sapato que foi Marques Mendes, culpa exclusiva de Cotrim Figueiredo, até porque já tinha criado a pedra antes disso, sai-se bem nos debates. Cotrim Figueiredo é fluente. E este era o debate, aliás, que devia ter sido e que não foi, porque António José Seguro estava doente e calha agora, e eu acho que António José Seguro tem que se preparar bem pra este.
Vamos olhar para as sondagens e podemos pegar no radar das sondagens que foi atualizado, porque ontem foi publicada uma nova sondagem feita pela Católica para a RTP Antena 1 e jornal Público, e aqui no Observador temos o radar das sondagens, que no fundo vai juntando os dados que vão saindo e que vão sendo publicados na comunicação social. E nessa altura temos André Ventura com 21,3% de intenções de voto, seguido por Marques Mendes com 20,4% e Gouveia e Melo com 18,3%. Estes três candidatos estão na pole position para passar a uma segunda volta. António José Seguro está na casa dos 15% e Cotrim Figueiredo na casa dos 13. Também eles aqui ainda podem almoçar, ainda há aqui uma hipótese matemática de passarem à segunda volta, tendo em conta estes resultados. Raquel, o que este radar das sondagens nos diz sobre o atual momento, mas sobretudo sobre o que se vai passar daqui pra frente? Depois do Natal e do Ano Novo, como é que isto vai ser?
Olha, eu acho que Marques Mendes tem vindo a fazer o seu trabalho de formiguinha e parece, com o evoluir das sondagens e também acompanhadas por estes debates, que está a conseguir convencer eleitorado que pode não estar muito entusiasmado, mas que olhando à volta, acha que ele tem mostrado maior competência pra função. Há muita gente a fazer esse comentário, que o mais bem preparado é Marques Mendes, mas talvez não seja o melhor candidato. Eu acho que ele está a conseguir fazer o seu caminho. E se me perguntassem há três meses ou quatro se Marques Mendes nesta troika tinha grandes probabilidades, eu acharia que não. E a verdade é que ele tem traçado minuciosamente a sua campanha, a sua argumentação e tudo isso. Não tem cometido erros, tem sabido aparecer nas alturas certas Com propostas, é o único candidato talvez que tem trazido propostas para todos os debates sobre os temas que estão em cima da atualidade. No último debate com Catarina Martins, trouxe aquela ideia de alargar esta negociação sobre o pacote laboral a outras matérias que possam servir de moeda de troca para a UGT e para se conseguir um acordo na concertação social, mas é apenas um exemplo. Ele tem feito isso em muitas outras matérias e parece-me, se eu tivesse que apostar neste momento, que ele está a consolidar a sua passagem à segunda volta e que Gouveia e Melo surpreendentemente foi caindo, e neste momento praticamente não há nenhuma sondagem que não o coloque em terceiro lugar. Vamos ver, eu acho que ainda falta muita campanha e muita estrada pra andar, como diz a música. Mas parece-me que o profissionalismo de Marques Mendes está a conseguir fazer o seu caminho.
Não tem cometido erros, Judite?
Marques Mendes não tem cometido erros, de facto, e por isso mesmo até me espanta nesta sondagem da Católica, que vai fazer uma coisa muito interessante, que é para onde os votos das legislativas estão a ir, e apenas 33% dos votantes na AD tencionam votar em Marques Mendes. O que eu acho curioso, acho pouco. Estaria a contar com mais. Aliás, na comparação também é interessante porque Seguro tem mais votantes do PS, consegue 39% das intenções de voto dos eleitores. E Seguro não tem o apoio maioritário do Partido Socialista, mas ainda assim consegue mais do que Marques Mendes. Era interessante saber se consegue mais da esquerda, mas esse dado não está na sondagem. Era interessante para esta leitura saber isso. Agora, eu concordo com a Raquel, Marques Mendes tem andado devagarinho, e devagarinho nas sondagens também, mas agora chegou a um ponto em que todas as sondagens lhe dão a vitória à segunda volta, seja qual for o seu oponente.
E a passagem à segunda volta.
E a passagem à segunda volta. E portanto eu acho que Marques Mendes está muito satisfeito e agora não pode cometer erros. No resto da campanha não pode cometer erros. Falta-lhe algum debate.
Falta-lhe o último debate com o almirante Gouveia e Melo.
E depois falta-lhe o debate com todos.
Sim.
Mas eu acho que não pode.
Na televisão e na rádio.
E na rádio. E acho que não pode cometer nenhum erro.
Alexandre, também a tua leitura sobre isso.
Sim, particularmente observando a sondagem da Católica, que realmente tem dados muito interessantes. Para já, a evidência de que é tudo ainda muito incerto, a questão de estarem dentro da margem de erro. Entre o resultado mínimo possível para Marques Mendes e o máximo para Cotrim é 1% de diferença, o que é interessante, e eles disputam eleitorados muito em comum.
E há muitos indecisos.
Muitos indecisos, é isso mesmo. Não há nenhuma dúvida de que a sondagem é ótima para Ventura, talvez ainda melhor para Marques Mendes por tudo isto que dizem. Realmente estranha, confirmando a queda do almirante, em que o almirante não ganha em nenhum cenário. Seguro ganha num cenário Seguro-Almirante na segunda volta, mas o almirante perde sempre, portanto perde contra ele, perde contra Marques Mendes.
Ganha contra a Ventura.
Exatamente. Ganha contra Ventura.
Ganha contra a Ventura e daí também a discussão que tivemos anteriormente.
Verdade, tal e qual. Tem isso, sim.
Por isso é que eu acho que o Ventura tem um lugar.
O Ventura que perde com todos.
O Ventura que perde com todos.
Tem uma porcentagem de rejeição elevadíssima.
Exato. Marques Mendes ganha com todos. Agora, dois ou três pormenores que de facto gostava de assinalar. Um era, pegando exatamente o que a Judite dizia, é estranha, é surpreendente perante tudo o que se diz com Seguro, a dispersão de votos na AD, que já agora ainda por cima junta o CDS. De facto, 33%, só um terço, estão 17% aparentemente com Cotrim de Figueiredo, 15% com Gouveia e Melo, ou seja, a dispersão é maior, 5% é André Ventura, 4% é António José Seguro, mesmo assim há aqui mais de um quarto dos votos da AD perdidos, 26%, que não se sabe onde é que estão. Outro pormenor é o confirmar da hecatombe total da esquerda. Isto vai de facto confirmando o que vamos vendo noutras sondagens, mas 2% de Jorge Pinto, 3% de António Filipe, 3% de Catarina Martins, 16% de António José Seguro, é 24% do eleitorado. Nas legislativas foi uma desgraça e foram 30%, a esquerda junta. Há realmente uma reflexão gigante que a esquerda tem que fazer, porque eles nem sequer estão a perder. Como é que a esquerda em Portugal caiu de facto de uma maioria absoluta, e atenção que de uma maioria absoluta já estou a considerar a geringonça, não foi só a última de António Costa.
E em tão pouco tempo.
Em tão pouco tempo. Isto não é Pedro Nuno Santos. Pedro Nuno Santos é culpado de muita coisa. Podemos culpá-lo de muita coisa no PS, mas olha-se de facto para o LIVRE, olha-se para o Bloco, olha-se para o PC, olha-se para qualquer espécie de outro movimento de esquerda que pudesse ter nascido como nasceram à direita novos partidos, e é esta desolação total no panorama. Ou está tudo com Manuel João Vieira ou não sei onde é que é.
E com a agravante que apesar de tudo havia uma força à esquerda que tinha conseguido ganhar nas últimas eleições e que aqui mostra uma estratégia completamente errada, esta de apresentarem Jorge Pinto à presidência da República.
Exatamente, e gostava de sublinhar isso, que é: André Ventura tem a maior taxa de rejeição Realmente não tem. Ele tem 71%, tem a maior entre os grandes candidatos. A maior é de Jorge Pinto, 91%. Depois são 80 e tal% também de rejeição.
Catarina Martins também tem mais.
Exato, 87 para António Filipe, 81 para Catarina Martins. É rejeição total.
E como diz André Ventura ontem, a segunda volta será uma eleição completamente diferente.
Completamente diferente.
Será do zero.
Será do zero, é isso mesmo. E aí vamos ver depois o que é que acontece nesse duelo e até onde é que chega a capacidade de demolição de André Ventura de um candidato adversário.
Sim, mas mesmo assim, a esquerda ou pensa uma primeira volta como se fosse uma segunda, ou então não consegue nada. Não consegue chegar a lado nenhum.
Mas já não vai a tempo.
Também me parece que já não vai a tempo. E fica só isto, desculpa, Ricardo, só dizer isto, que realmente há uma coisa um pouco preocupante nisto. De facto, quem quer que ganhe, vai ter uma grande dificuldade em ser consensual no país. Como vamos vendo a dispersão, e se vê neste estudo como mesmo Marques Mendes, é o que tem menor taxa de rejeição, são 52%. Ou seja, mais de metade das pessoas diz: "Eu nunca votaria neste indivíduo."
Mas vamos ter uma certeza, que o vencedor da segunda volta terá pelo menos 50% mais um.
Vai ter de ter.
Vai ter de ter. E Raquel, ainda querias dar um toque no caso desta tarde do ministro Fernando Alexandre, de uma declaração que ouvimos há pouco pela primeira vez, e à primeira vista, infeliz.
É uma declaração completamente infeliz, ainda por cima proferida num contexto que lhe seria favorável. Fernando Alexandre estava a anunciar um conjunto de medidas para melhorar a ação social nas universidades e para evitar que haja alunos do ensino superior a abandonarem o ensino superior porque não têm recursos financeiros. Só para termos aqui uma ideia, ele anuncia mais cinco milhões de apoio extra para os estudantes universitários com necessidade de bolsas e de apoios do Estado, mais 1045 € por ano para cada aluno que necessite de apoio do Estado. E portanto, estava a fazer um bom anúncio, uma coisa boa para ele, para o setor da educação e para o governo, e depois enreda-se a propósito de obras que são necessárias fazer nas residências universitárias e da preferência que deve ser dada a estes alunos para irem para as residências universitárias, enreda-se numas declarações que são completamente infelizes.
Diz que os alunos mais carenciados destroem ou degradam as instalações universitárias.
Exatamente, porque são mais desfavorecidos, degradam mais as residências universitárias e, portanto, isso é um problema como em todos os outros equipamentos públicos. Eu acho que ninguém está livre de fazer as declarações erradas no momento errado. Acho que isto ofusca aquilo que ele veio anunciar. Está a oposição toda e em particular o Partido Socialista a pedir a demissão ou a retratação das declarações que fez.
E o PCP vai chamá-lo ao Parlamento.
Sim, eu acho que o que seria mais razoável era o ministro Fernando Alexandre vir corrigir aquilo que disse, porque, de facto, não faz sentido, não vem a propósito, ninguém percebe porque é que isto caiu do céu aos trambolhões e era bom que ele viesse esclarecer aquilo que quis dizer e corrigir aquilo que disse.
E amanhã há mais, e o Vencedor é regressa de manhã, depois das 08h30 nas manhãs 360.