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Gilvence Loré na Rádio Observador e também no YouTube, em vídeo e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Raquel Cassiso, António Costa, Nuno Gonçalo Poças. Vamos falar sobre a entrevista de Sebastião Bugalho na RTP. Vamos também falar da chamada Taxa Temu. Temu ou Tému? Também nunca sei bem.

Temu.

Como nós quisermos.

É como ao Natal, não é? Quando nós quisermos.

Lá em casa diz Temu.

Lá em casa diz Temu. Mas arrancamos, Raquel, para falar sobre a prevenção de calor e fogos. Tu queres comentar o quê?

Quero comentar aquilo a que estamos a assistir nestes dias, onde percebemos, e tu acabaste de fazer uma entrevista a um dos responsáveis políticos pela gestão desta situação, independentemente de estarmos a iniciar uma fase complicada e portanto nenhum de nós sabe, neste momento, o que é que vai acontecer e se vamos ter novas tragédias ou não, mas pelo menos acho que nesta altura vale a pena sublinhar que do ponto de vista do aviso à população, da comunicação com a população e da visibilidade da preocupação com que os principais responsáveis estão a acompanhar esta situação, acho que o governo aprendeu alguma coisa com as tragédias dos últimos tempos. Isso vai ser suficiente? Não sabemos. Por muito que se faça, estas condições climáticas e a confirmar-se a previsão de que isto vá durar muitos dias seguidos, com pouca diferença de temperatura entre o dia e a noite e com o vento, por muito esforço que se faça, eu acho que toda a gente percebe que é praticamente impossível evitar ou fazer com que nada aconteça. Aliás, alguns fogos estão já neste momento a decorrer, ainda não com dimensões dramáticas, mas já há notícias de avanço do fogo em Vouzela, penso eu, a chegar a populações e a chegar a casas, etc. Isso é mais ou menos inevitável. Infelizmente, é a história a que assistimos todos os anos, e não é só aqui, é em muitas partes do mundo. Mas a questão é até que ponto aquilo que se pode fazer e os cuidados que todos nós devemos ter, e a explicação desses mesmos cuidados, é dada de forma pedagógica e atempada, e eu acho que isso está a ser feito. Eu acho que isso não é alheio ao novo ministro da Administração Interna, que quando aceitou estas funções, percebeu no primeiro momento que o seu primeiro grande teste seria esta época de verão, ainda sem saber das ondas de calor que aí viriam, mas imaginando que vinham seguramente, mais tarde ou mais cedo. E eu tenho notado que, quase desde o início, essa é a sua grande preocupação e as suas intervenções públicas vão sempre muito no sentido de dizer que está a preparar-se o melhor possível para enfrentar esta situação. Acho que também as não notícias têm alguma importância e a informação de que já foram presas mais de 150 pessoas por tentativa de ignições também demonstra alguma coisa, porque isto ainda agora está a começar e de fato já lá vão 150 pessoas, portanto, provavelmente 150 fogos que não aconteceram.

Tivemos duas ignições às 3h da manhã, disse aqui o secretário de Estado.

E portanto, eu acho que nós estamos sempre aqui a dar pancada nos responsáveis políticos e acho que até este momento nota-se a diferença. As pessoas estão alertas. Há bocado, microfones fechados, estava aqui o Nuno a perguntar se não estávamos já todos fartos da conversa do calor. É verdade, estamos todos fartos, mas também é verdade que mais vale as pessoas estarem preparadas a mais do que preparadas a menos, terem excesso de informação e terem excesso de cuidados do que não terem cuidado nenhum.

Tens uma nota positiva?

Tenho. Para já, tenho 15 para a forma como isto está aparentemente a ser preparado.

Calor ou incêndios?

Tu quiseres. Meu amigo.

Do calor já estás farto.

Não, eu quis dizer...

Podes passar a bola. Hoje estamos em dia de jogo, posso dizer isso.

Posso passar, mas vou tentar ser muito rápido. Porque eu consigo dividir isto aqui em dois segmentos, em dois grandes blocos. Um deles é esta coisa habitual da época de incêndios. A Raquel usou essa expressão, eu acho que é mesmo certeira, que é inevitável que haja incêndios. Nós já chegamos a esse ponto de sabedoria coletiva em que se eliminou uma conversa de muitos anos também, que é o incêndio zero, não pode arder nada. É bom que arda e os incêndios são naturais e fazem parte. A questão é que eu acho que nós, de alguma maneira, temos aprendido e o Estado tem melhorado nalguns aspetos a gestão dessa política. Acho que não em termos suficientes, mas as coisas melhoraram alguma coisa. A tendência natural é falar-se de bombeiros, de proteção civil e de administração interna, etc.

E de SIRESP.

E de SIRESP. E eu continuo a achar que quando se fala de incêndios, deve-se falar do ordenamento do território, de política florestal e de política econômica das zonas rurais, que é uma coisa que deixou de existir.

Economia da floresta também.

Economia da floresta, exatamente. Que é uma conversa para ter entre setembro e junho, e normalmente nós falamos destas coisas entre junho e setembro.

Mas é que os políticos, quando se fala disso, adoram andar a falar do eucalipto.

É, do eucalipto e dos helicópteros, e de quanto é que se gastou.

Que é certo que as florestas de eucalipto, na maior parte das coisas, são as únicas que têm gestão económica e que são bem geridas.

Outra coisa diferente, e a Dri era disso que eu estava farto, e estou bastante farto, é desta coisa: nós antigamente, algumas pessoas queixavam-se bastante do Estado pai. A mim, agora começa a me incomodar esta coisa do Estado e da comunicação social, mas não só, muita gente no espaço público, que já não é só pai, mas também é vozinha.

Não te esqueças de pôr o creme.

Como se nós não soubéssemos. Qualquer dia estão nos ensinar como é que se bebe água. A Graça Freitas tentou uma vez. Parem com isto. Eu estou farto do alarme, nós vamos todos morrer. Já sabemos disso.

Posso confirmar isso.

Sim.

Estou em condições de confirmar.

Mas parece que se tornou uma coisa que ninguém sabia.

Mas podemos evitar morrer já.

Podemos, mas sempre houve calor e sempre houve frio. E há muita gente no inverno que morre de frio. Há mais gente que morre de frio do que as pessoas que morrem com o calor.

Por acaso eu hoje ouvi uns números ao contrário.

Isso não sei.

Devem ser números recentes.

Não me vou atravessar por isso.

No pico do inverno, morre mesmo muita gente. E não há uma alma, não há um ministro, não há um tipo da Proteção Civil, um bombeiro que venha à televisão e diga: "Não se esqueça de seu agasalho".

Estás enganado. Por acaso há recomendações para vestir por camadas, com muitas camadas para se manter quente.

Eu estou muito cansado disto.

Percebo. Estás um pouco indignado também, Antônio.

Deixa a nota para ele respirar fundo.

Por favor, indigna-te.

Arrefece aquilo um bocadinho.

Não posso arrefecer muito, porque eu percebo que estejamos cansados desta conversa de muito calor, mas de facto estamos a viver picos de calor.

E picos de frio?

Não. No inverno temos picos de frio.

Exato.

Mas isto tem consequências mesmo econômicas e eu gostava de dar aqui dois ou três enquadramentos importantes. Por um lado, produtividade. É que a produtividade sai mesmo afetada destes picos que nós temos, que são muito rápidos, são de grande intensidade e muito concentrados. Chamo a atenção para a construção, para a agricultura, para a recolha de resíduos, para a organização urbana, para a logística da última milha, para a segurança privada, para os eventos, para as obras públicas. A produção baixa mesmo. O que é natural, tendo em conta a natureza dos picos de calor que estamos a ter. O segundo ponto é a energia. Há muito consumo de energia, nomeadamente, nós estamos aqui muito confortáveis, com ar-condicionado.

E o número de casas com ar-condicionado é muito reduzido.

É muito reduzido. Mas sobretudo, há um pico de energia, eu gostava de trazer mais informação útil. A produção solar dá-se obviamente durante o dia, obviamente, com este calor, a produção solar permite responder aos picos de consumo de energia. À noite nós não temos isso, naturalmente, o que obriga a um consumo de energia, e nomeadamente veremos, já vamos ver nos próximos dias, um aumento muito significativo de importação de energia portuguesa para suprir, não só nossa, mas Espanha também há regiões que estão a viver isto, mas com custos, porque obviamente importar energia tem custos, porque nós não estamos a ser capazes, por esta altura, de produzir energia para responder a tanta procura. Já falamos dos incêndios, há um lado, apesar de tudo, positivo, que estes invernos têm chovido bastante, as bacias estão cheias d'água, e isso, apesar de tudo, é um amortecedor para este ponto que eu estava a trazer do consumo de energia, que é a produção hidroelétrica, que está a responder com bacias acima de 80%, portanto, com capacidade de resposta ao consumo. Mas dito isto, nós normalmente analisamos estes efeitos do ponto de vista social, isto é, da nossa vida comum, andamos aqui, da saúde pública, que é obviamente muito importante, dos incêndios. Eu gostava de trazer o tema da economia das florestas e da economia, neste caso. E de facto, analisa-se pouco o que são os efeitos econômicos, quer dos picos de frio, que também há, obviamente, quer destes picos de calor, apesar de tudo, final de junho, início de julho, que não são muito comuns para o que é histórico. E isso tem efeitos econômicos que não são despicientes, nomeadamente estes picos de calor, por exemplo, este ano, num quadro econômico, apesar de tudo, até demais difícil, com outros fatores externos, se prolongar no tempo.

E tu queres dar alguma nota a alguém?

Não. Raquel, espero que o governo perceba os teus pontos, mas a preocupação de resposta do ministro eu acho que tem sido particularmente sensível, percebendo que há uma sessão de ministros que caíram precisamente por causa dos incêndios. E, portanto, pelo menos está avisado. Mas não, para já, não.

Nuno, falta a tua nota, não sei se queres dar alguma nota.

Não, vou dar um 40 ao calor. Mas deixa-me só dizer uma coisa, porque eu fiz aqui uma pesquisa rápida e vi no site do Instituto. De acordo com os estudos anteriores, a Europa tem 10 mortes relacionadas com o frio por cada uma morte relacionada com o calor.

Portanto, o frio mata mais que o calor Fica a resposta aqui.

Sai um fact check. Tem de ser nas cinco notícias. Mas é fact check ou é uma notícia? Porque se não for fact check, vocês podem fazer aqui um fact check.

Vamos fazer fact checking às cinco notícias.

Só para percebermos bem a tua posição no meio disto tudo. Tu quando eras miúdo jogavas a bola com 40 graus.

Com 45, 46. Tinha uma tia-avó que me dizia: "Ao menos põe um boné."

Ora aí está.

Mas o meu avô arrancava milho às 16h com essa temperatura. Há pessoas que são feitas de outra cepa.

Raquel Cassis, António Costa e Nuno Gonçalo Poças, a quem vou servir agora um refresco, porque o Nuno está cheio de calor. Um refresco chamado Bugalho. Sim, numa entrevista à RTP?

Sim, por acaso é uma boa.

Um cocktail de assinatura?

Um bom título, um refresco chamado Bugalho.

Olha, por acaso sim.

Dá um bom título.

Tu vês que eu sou genial mesmo quando não quero.

Sim. Mas não sei se queria.

Imagina quando queres.

Não sei que adjetivos é que tu lhe davas.

Não, até sei. Por acaso, até ia começar por dizer isso, que eu vou arriscar fazer uma coisa que normalmente não faço, que é ser bastante elogioso. Está a gostar, até. Não me está a gostar especialmente, mas está-me a gostar por uma razão: porque eu, por princípio.

Porque amanhã pode sair mal.

Acho que um dia me pode correr mal. Mas hoje, para aquilo que vale hoje, acho que o elogio é bastante merecido. A entrevista do Sebastião Bugalho à RTP3, ao Vítor Gonçalves, também na sequência daquela declaração que ele tinha feito na segunda-feira, já na sua estreia como porta-voz do PSD. Acho que a entrevista foi muito bem conseguida por parte do entrevistado. Acho que foi muito pedagógico, foi bastante claro na explicação de praticamente todos os temas que foram abordados. Conseguiu explicar com grande detalhe a política seguida na questão da imigração. Conseguiu expor, não que isso revele especiais méritos, mas conseguiu expor esta patetice do José Luís Carneiro, de que nós já tínhamos falado aqui esta semana sobre aquela questão das casas. E agora acho que é aqui que me vou esticar um bocado, mas acho que é merecido e veremos se consegue manter o registo ou não, mas eu acho que sim. Por um lado, depois de ver aquela entrevista, aquilo que me saltou um bocadinho à cabeça foi: isto foi uma boa aposta de Luís Montenegro, porque acaba por proteger bem o governo, é um bom lugar de porta-voz, está aqui uma pedagogia em cima disto, há um lado combativo importante com as oposições. E talvez em primeira análise, nós possamos olhar para esta escolha como boa para o governo e para os membros da AD em geral, para os membros do governo e até para a bancada parlamentar e para a sua liderança. Mas depois pensei no reverso da medalha disto. Eu já tinha mais ou menos essa sensação, mas acho que depois dessa entrevista e destes primeiros passos nesta qualidade, acho que isso fica, ou se não fica já, para mim ficou, mas tenho quase a certeza que acaba por ficar muito evidente, de que o Sebastião Bugalho tem qualidades que a gente no fundo olha para aquilo e percebe que se calhar este é melhor que os outros.

É o senhor que segue.

Não sei se é o senhor que segue ou não. Nem sequer sei como o Carlos Moedas também dizia isso. "O Sebastião Bugalho é o melhor político da sua geração." Eu não sei se há muitos políticos da geração do Sebastião Bugalho, mas haverá talvez muitos que o ambicionam. Ele é o político da geração dele neste momento. Tem muitos anos à sua frente. Pode ser ou não o senhor que segue, muitas coisas acontecem, pode ter um desastre brutal algures na sua vida, mas pelo menos tem qualidades para isso e tem condições para isso. Essa foi talvez a conclusão que eu queria deixar, que era, de facto, ele está a muitas léguas dos outros. Eu até vou arriscar que até do primeiro-ministro.

E queres deixar alguma nota?

Vou dar um 15 ao Sebastião.

António, tu queres?

Não. Aquilo é algo que vi de passagem.

Vou ver, depois desta descrição, vou ver com bastante interesse.

Os títulos mais importantes.

Ora, 18h39 de dia 2 de julho de 2026, Nuno Gonçalo Poças deu um 15 a Sebastião Bugalho. E tu querias, António, falar da taxa Temu.

Taxa Temu. Falamos aqui há dias da nova taxa.

Parece um nome chinês. Taxa Temu.

É vida, produtos chineses, que é uma taxa que foi decidida pela Comissão Europeia, pela União Europeia, para a importação de produtos.

Quem encomenda menos de 150 € vai ter que pagar 3 € mais IVA por categoria. Ou seja, se encomendares uns sapatos e uma T-shirt, pagas 3 € dos sapatos mais 3 € da T-shirt.

A Comissão Europeia creio mesmo que hoje fez um vídeo que tenta ser pedagógico, dizendo: "Consumidores europeus, vocês não se preocupem, não são vocês que pagam a taxa. Quem paga a taxa é quem vende." Ora isso, na teoria, é muito verdade. Mas na prática, a taxa jurídica é paga supostamente por quem nos vende os produtos, nomeadamente a Temu, a Shein e companhias assim. Obviamente, isto é uma grande falácia, é um grande engano, porque quem vai pagar a taxa somos nós, no final do produto. Eu percebo a ideia da taxa de resposta a condições desiguais de produção entre os direitos e deveres de produção na China, nomeadamente na China e na Europa, e à necessidade de corrigir, por via de uma taxa, o que é concorrência desleal via de preço, que destrói a nossa economia. Quando se fixa um destes objetivos, aparentemente parecia: "Bem, a União Europeia faz aqui uma taxa que é para ir buscar umas massas, buscar uns impostos." Não, a taxa não foi criada para isso. A taxa foi criada para tentar travar as vendas tão baratas de quem produz abaixo do preço de custo e em condições que nós realmente não sabemos as que têm e, nessa medida, para ajudar os produtores europeus, que obviamente, se os consumidores europeus compram menos alguns tipos de produtos à China, potencialmente poderão comprar em alternativa produtos europeus, porque a diferença de preço não é tão relevante. Mas dito isto, é preciso saber lidar com as consequências e não enganar os consumidores europeus dizendo que não vamos ser nós que vamos pagar a taxa. Aliás, há economistas que antecipam que vamos ter a inflação Temu, e não só a taxa Temu, porque obviamente os preços vão aumentar, porque mesmo assim continuam muito mais baratos do que os preços europeus, porque de facto são muito baratos.

Já não consegues comprar uma estante por €1,50.

Exato.

São ótimas.

São ótimas. Não se desmancham logo. Mas na verdade, a União Europeia, coletivamente, decidiu corrigir uma distorção, mas isto tem impactos, nomeadamente no nosso bolso.

É até uma medida protecionista.

É uma medida protecionista. Vamos lá ver, a distorção é tão grande que percebe-se o ponto. Não se podem enganar os consumidores dizendo que são os outros que vão pagar. Não, somos nós.

Tu achas que os consumidores ainda são enganados com isso?

Acho que são, porque há, de facto, uma perceção de taxa jurídica, que é quem vende, da taxa econômica, que nós pagamos depois no final. O tira-teimas vai se fazer dentro de um ano, seis meses, um ano e meio, dois anos, um tempo suficiente para se perceber se temos uma inflação Temu ou se, de facto, a importação de produtos com estas características vai diminuir muito a entrada de produtos europeus, e, por consequência, as pessoas, admitindo que continuam a comprar, compram mais europeu. Agora, é preciso ter a noção de que é uma tentativa de corrigir uma distorção, que vai ter que ser paga por todos nós, que somos consumidores europeus. Eu tenho um oito à taxa Temu, aliás, este é outro tema que tem muito a ver com isto. Eu não gosto destas tentativas de intervenção no mercado que, regra geral, não dão muito bom resultado.

Raquel, ainda queres ir à saga da correção dos exames também? Quero. Faço uma declaração de interesse de início, porque quem me está a ouvir e me conhece sabe que eu tenho uma filha a ser corrigida neste momento e, portanto, este é um tema que me preocupa particularmente. Para dizer o seguinte: eu tenho elogiado aqui muitas vezes o ministro Fernando Alexandre, que acho até que pode estar ao nível do Sebastião Rosalho. Tem competência técnica. Exato, ele e toda a sua equipa, e que tem, dentro das circunstâncias, feito uma boa gestão do seu setor, e não é fácil, e sabemos todos que não é fácil. Mas temo que se as coisas não correrem bem com esta correção de exames, e não correrem bem é que a data de 10 de julho para terminar a correção dos exames e 14 de julho para que as notas sejam publicadas, se isto não correr bem, eu acho que isso pode colocar em causa o lugar do ministro da Educação, se calhar até por iniciativa própria. Portanto, espero que isso não venha a acontecer, para bem de todos, mas de facto as notícias que têm saído, nomeadamente uma que o Observador hoje publicou, é muito inquietante. Já agora, acho que vale a pena dar uma informação útil, que eu pelo menos não sabia e não ouvi, nem vi em lado nenhum, porque me tentei informar sobre este assunto ao longo do dia, e garantem a quem está nestas circunstâncias, que este método de correção é um método novo, que está a ser iniciado, que tem as suas questões e que teria sempre. O ministro tem repetido muitas vezes que isso não coloca em causa a valia, nenhum aluno será prejudicado. Mas era importante perceber por quê, sobretudo quem lê uma notícia como a que o Observador hoje publicou, de professores que recebem exames com caligrafias diferentes e que recebem o exame da disciplina errada, enfim, uma série de circunstâncias que têm vindo a público. E a razão, e eu acho que vale a pena dizê-lo, é porque as provas físicas estão lá, estão guardadas e, portanto, em caso de alguma dúvida, essa dúvida pode ser sempre esclarecida pela prova física que se mantém. Tudo isto para dizer que Acho que pela primeira vez vejo alguma trapalhada vinda do Ministério da Educação. Não estão a conseguir comunicar esta informação. Por exemplo, eu que sou uma pessoa interessada, não a sabia, tive que andar à procura dela.

Nem a prevenir estes episódios. Dizem que são episódios.

Mas se calhar eram mais ou menos inevitáveis. Eu quero acreditar que se calhar eram mais ou menos inevitáveis, porque um método novo cria sempre este tipo de problemas e que há algum empolamento por parte daquelas forças conservadoras que nunca gostam de evoluções e, portanto, fazem tudo para também injetar um pouco de contrainformação nos meios de comunicação social, nas redes sociais, etc.

Os exames, as respostas são manuscritas nas folhas, essas folhas depois são digitalizadas.

Certo.

E o que chega aos professores não é o papel.

Mas o papel está lá pra eliminar qualquer dúvida. Portanto, vamos esperar. Faltam aqui alguns dias. Eu pra já dou um 10 ao ministro Fernando Alexandre, esperando que ele venha a ter uma positiva bastante mais elevada no dia 14 de julho.

E eu ainda dou um minuto ao António Costa para falar mal dos benefícios fiscais.

Sim, porque temos muitos benefícios fiscais, benefícios fiscais a mais.

Eram 600, não é?

Eram 600.

Olha, eu não tenho quase nada.

Era um ponto em que sucessivamente os governos prometem-nos que vão rever os benefícios fiscais e acabar com benefícios fiscais, que são distorções, obviamente. O Tribunal de Contas publicou um relatório, precisamente hoje. A despesa com benefícios fiscais disparou para 23,5 mil milhões de euros. O IVA representa quase 60%, mas verdadeiramente, em 2016, o peso dos benefícios fiscais valia qualquer coisa como 5,9% do Produto Interno Bruto, da riqueza criada, hoje vale 7,2%. Portanto, em vez de darem benefícios fiscais, os sucessivos ministros de Finanças, ainda por cima, seguramente de forma bondosa, querem, de facto, acabar com estas distorções dos benefícios fiscais, têm que ter justificação muito particular, têm que ter um período de vida definido, nascem num dado período, acabam noutro período. Têm é que, em vez de dar benefícios fiscais, descer os impostos. A política não deve ser sucessivas formas arbitrárias de exceções, porque às tantas exceções são a regra, e os benefícios fiscais são tantos.

E confusos.

Confusos e obviamente deixam sempre por fora, por exemplo, a Raquel, que tem poucos benefícios fiscais, como acabou de nos dizer, enfim, e deixam injustamente de fora tanta gente.

Nem sei se tenho algum.

Tanta gente. Isso não é transparente, não é claro para os contribuintes e sobretudo acaba por eles próprios distorcerem aquilo que querem corrigir.

Amanhã há mais, e o vencedor é: a Alexandra Machado junta-se nas manhãs 360, no Vencedor da Manhã, junta-se ao José Manuel Fernandes, ao Bruno Vieira Amaral e ao Paulo Ferreira.