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E o "Vencedor" é na Rádio Observador, hoje com a Judite França, o Pedro Benevides e o António Costa, e agora também em vídeo. Estamos em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Só em vídeo vai ser possível perceber que há uma pessoa de gravata neste estúdio. Não vou dizer quem, desafio os ouvintes a experimentarem o vídeo para tentarem descobrir quem é que está de gravata neste estúdio. Vamos falar hoje sobre as tentativas de se encontrar um plano de paz para a Ucrânia e da forma como a Europa e a União Europeia podem ficar à margem de tudo, de uma proposta da comissária europeia Maria Luísa Albuquerque para as pensões. Na política doméstica, temos o clima tenso entre Marques Mendes e Cotrim Figueiredo e, claro, o debate de ontem entre Catarina Martins e Gouveia e Melo. Vamos precisamente começar pelos debates e hoje temos a estreia de Jorge Pinto, é o último dos candidatos a entrar em cena. Será frente a Cotrim Figueiredo. Judite França, alguma expectativa para o debate de hoje?

Ela é curta.

É curta a expectativa?

É curta a expectativa. Confesso que quero saber como é que se sai Jorge Pinto. Ainda não o vi em ação e acho que vai ser muito interessante perceber se Jorge Pinto tem aquele killer instinct num debate. Não me parece. Mas às vezes as pessoas surpreendem neste modelo.

Justamente, devias pôr uma nota, porque tu estás a dar tudo para revelar interesse neste debate. "Estou curiosa para ver se Jorge Pinto tem aquele killer instinct, porque algo me diz que ele terá."

Não se sabe, as pessoas surpreendem.

É verdade. Já moderei um debate em que esteve Jorge Pinto.

Já? E que tal?

Foi marcante.

Estás a ver?

Para ti ou para mim? Para mim, claro. Foi entre cabeças de lista pelo Porto, algumas legislativas. E que tal? E tinha killer instinct ou não ficaste com essa sensação? Então, não. Tinha? Todos tinham. Não vou agora cometer essa deselegância.

Mas dito isto...

Amanhã estaremos todos aqui.

Estaremos todos aqui a comentar.

Viram? Fez sangue, metaforicamente. Jorge Pinto agarrou e não largou.

Eu, por acaso, acho que há ali uma franja de eleitorado que tanto pode votar Livre como pode votar Iniciativa Liberal. E eu acho que Jorge Pinto não irá descontraído para este debate, sabendo que há ali eleitorado que pode ser ganho.

Agora fora de brincadeiras, eu acho que é de facto um grande teste para Jorge Pinto e para o Livre, porque efetivamente o Livre tem sido um caso de sucesso nas últimas eleições, muito à custa do Rui Tavares. E quando tudo indicava que ele seria o candidato natural do Livre para estas eleições, eles vão e apostam numa figura que, apesar de tudo, é muito desconhecida. Não conhecemos ainda exatamente quais são as características dele em termos de performance de debates, vão ser importantes para que ele se dê a conhecer ao eleitorado. Para já, eu acho que o Livre cometeu aqui, de facto, um erro. Acho que se devia ter posicionado um bocadinho na escola André Ventura e Chega, que basicamente durante um tempo foi o partido de uma só pessoa, para depois crescer e a partir daí começar a criar outros nomes. Talvez seja cedo para o Livre estar a criar outros nomes, até porque já fez algumas experiências de outras personalidades e a coisa não lhes correu bem. E depois, aquilo que eu vejo, já se vê cartazes "Jorge Pinto, um presidente presente", que é um slogan que não diz grande coisa. Em princípio, o presidente há de estar presente e quando não estiver presente é porque está em viagens ao estrangeiro. Como é que faz parte da função.

António, vamos à tua expectativa.

Por causa do que dizia a Judite. De facto há debates onde há alguma coisa a ganhar ou a perder entre os dois, entre quem debate. E este é um daqueles casos em que potencialmente há eleitorado que pode fluir entre o Livre e a Iniciativa Liberal. Eu acompanhei obviamente as entrevistas de Jorge Pinto, e Jorge Pinto pareceu-me mais à vontade, com capacidade de resposta, enfim, com a visão que tem, mas com uma capacidade de resposta e uma capacidade de comunicação, que não era óbvia para quem não o conhecia. Tendo em conta que é uma novidade para a maioria dos eleitores e vai bater com uma espécie de estrela da companhia por estes dias. Que anda a capitalizar na sua capacidade de comunicação, na sua forma de trazer alguns temas.

O debate é na RTP às 9 da noite.

E acho que vai ser interessante. Há a dúvida sobre a capacidade de Jorge Pinto e do Livre de manterem o caminho que têm vindo a fazer em algumas das últimas eleições. Também está esta dinâmica de Cotrim Figueiredo, que cria tanta dinâmica, agora também tem um desafio, que é mantê-la.

E levou a fasquia.

E levou muito a fasquia.

Entretanto, foi só confirmar que o debate que moderei em que esteve Jorge Pinto, que foi no Porto, foi em 2022, nas legislativas.

Ficou tão tatuado na memória do Ricardo que ele teve que ir ali ao Google ver quando é que foi o debate.

Mas isso não foi por responsabilidade de Jorge Pinto, seguramente.

Não. Foi um debate com todos os cabeças de lista do Porto. Foi muito interessante esse debate, por acaso.

Nunca mais te esqueceste dele.

Não, guardo esse debate com alguma saudade.

Nota-se. Até deves ter nos teus arquivos.

Fui ver umas fotografias esse dia. Vamos voltar ao debate de ontem entre Catarina Martins e Gouveia e Melo. Há notas, há apreciações, Judite França. Então vamos a elas.

Gouveia e Melo foi melhor do que com o Cotrim de Figueiredo, isso pareceu-me evidente, mas foi pior do que Catarina Martins. E há momentos em que parece que Gouveia e Melo não conhece os dossiês a fundo. Há ali um comentário que fica pela rama e talvez seja dificuldade em expressar-se melhor, mais do que desconhecimento. Mas o facto de não ter retórica política dá-lhe aquela aparência de pouca consistência. E por seu turno, Catarina Martins tem tudo na ponta da língua. Debita por segundo com muita facilidade. E a dada altura parecia que era a entrevistadora, porque estava cheia de vontade de pôr Gouveia e Melo em situações em que tivesse que decidir, em que tivesse que escolher um lado, em que dissesse sim ou não, ou sou a favor ou sou contra. E portanto, esteve ali a picar muitas vezes Gouveia e Melo. Eu acho que está um bocado estafada a ideia de Gouveia e Melo de apontar sempre a mesma coisa, a falta de independência dos outros. Não pode ser a única coisa que está dependurado. Tem que variar, porque ao quarto debate isto já vai parecer demais. Ao terceiro debate já parece demais. E Catarina Martins teve uma frase boa em que disse a dada altura que ninguém a diminui por ter sido eleita. E é verdade, ninguém a diminui por ter sido eleita. Quando a acusou de ter um pé em Bruxelas e ter outro cá na candidatura. E em compensação, teve que ouvir sobre o almoço de André Ventura, que é sempre uma coisa que não deve querer recordar com muito carinho.

O magnata.

Ao contrário do teu debate, não deve recordar o almoço com muito carinho, com o almirante e com o magnata. Depois teve ali um momento em que Catarina Martins decidiu falar em Jorge Sampaio.

Sim, duas vezes.

Até acho que foram três.

Uma vez em Mário Soares, pelo menos.

Mário Soares isso falou.

E duas em Jorge Sampaio. Três, sim.

É uma tentativa de chegar ao eleitorado de centro-esquerda, socialista, faz sentido e portanto acho que faz bem em tentar alargar o espectro político, como todos tentam fazê-lo. Depois eu acho que a parte melhor para Gouveia e Melo é sempre quando se fala de defesa. Aí é que o Gouveia e Melo está à vontade e acusou Catarina Martins de ser daquelas que sempre quis menos investimento na defesa.

E sempre quis.

E sempre quis.

E é verdade.

E agora está a saber.

Pedro.

E agora não diz exatamente a mesma coisa.

Agora não diz a mesma coisa.

Eu concordo basicamente com a análise da Judite e acho que Gouveia e Melo teve aqui um efeito. Talvez seja por isso que ontem quando eu estava a ler, eu gosto de ler depois as interpretações que são feitas dos debates, que eu também vejo pra ver se está tudo mais ou menos alinhado, e ontem surpreendeu-me aqui, por exemplo, no Observador, havia uma espécie de consenso quase de que era o almirante, tirando tu, Ricardo.

Tirando eu.

Estiveste bem, também tens os teus momentos. E de facto dava a ideia.

Concorda contigo.

O Ricardo concorda comigo. Quando ele concorda comigo é quando ele está bem.

Eu percebi. Eu e o Pedro temos grande sintonia.

É isso. Às vezes não, mas isso também faz parte da vida. É assim esta vida.

É o picante da vida.

Exatamente. E de facto, eu não vi que Gouveia e Melo tivesse ganho aquele debate, porque era muito difícil fazê-lo, tendo em conta a falta de experiência, precisamente estes traquejos políticos e esta experiência em debates, era muito difícil frente a uma adversária que tem uma longa experiência neste tipo de coisas e que estava notoriamente bem preparada e fazia com grande à vontade aquele exercício, que eu imagino que seja difícil porque os candidatos estão sob grande pressão. Dito isto, eu acho que ele acabou por surpreender pela positiva, porque ele esteve francamente melhor do que no debate com o Cotrim de Figueiredo. Do ponto de vista formal, se quisermos ir ao ponto dos óculos, até ao ponto de vista do conteúdo, estava melhor. Continuo a achar que aquilo parece tudo uma camada à superfície, depois se a pessoa for escavar, não dá a ideia de que tenha grande conteúdo para fazer mais do que o debate que tem meia hora. E portanto, não consigo identificá-lo como vencedor, mas acho que houve aqui um caminho feito e se ele continuar a fazer este caminho, talvez comece a recuperar um bocadinho a imagem que teve no início desta campanha.

António. Esse é o meu ponto. Sendo um dos debates em que não há disputa de eleitorado direito, Gouveia e Melo começou particularmente mal com aquela pergunta: "Indique-me lá um fator na área do trabalho que tem que ser protegido", e não conseguiu, teve ali dificuldade porque percebe-se que vai com a lição seguramente bem estudada.

Ele entrou com o ataque.

Sim, logo no início, mas depois confrontado com aquela primeira pergunta, a Clara de Sousa insistiu e ele não conseguiu citar um exemplo. Dizia, aliás: "É o que viola as leis que estão em vigor." Ora, o projeto que está em cima da mesa é pra mudar o que está em vigor. Não é pra violar nada, é pra mudar o que está em vigor.

Mas esse é um problema que ele ainda não conseguiu ultrapassar, que é dizer ao que vem.

Ele leva algumas coisas bem estudadas. Quando aquilo sai do guião, tem mais dificuldade e depois não tem a capacidade de comunicação, obviamente, que a Catarina Martins. Ainda assim, diria que serviu mais a Gouveia e Melo aquele debate do que a Catarina Martins. Por quê? Porque o primeiro debate correu de facto mal, nomeadamente face às expectativas, e eu creio que muitos eleitores, mais ou menos próximos, daqueles já decididos ou daqueles que estão na dúvida e que viram o primeiro debate, terão ficado assustados com o desempenho do primeiro debate.

Mas terá sido suficiente para acalmar esses que se assustaram?

Suficiente, não sei se terá sido Para acalmar, para tranquilizar. Aquilo foi como aqueles jogadores de bola que têm um mau dia e, se calhar, a exibição voltou a ser aquela que se estava à espera. Acho que, nesse sentido, o debate serviu. Foi o debate necessário, com o adversário é necessário, porque tem a experiência que tem, não estou a diminuir, pelo contrário, para se preparar para aqueles debates que vão ser mesmo decisivos.

Vamos deixar só para agarrar os ouvintes para a segunda parte. Vamos deixar as notas deste debate para a segunda parte. Os ouvintes vão ficar aqui agarrados, porque importa atualizar as notícias às 18h30. E voltamos já a seguir para a segunda parte de "E o Vence, Doré?" Ainda temos que falar também do frisson entre Cotrim Figueiredo e Marques Mendes. Voltamos já. Segunda parte de "E o Vence, Doré?" hoje com Judite França, Pedro Benevides e António Costa. Estamos agora também em vídeo no YouTube e nas redes sociais d'O Observador e quem nos vê em vídeo durante a síntese ficamos sem som. Ora, a explicação para isso é simples: é porque não podemos passar a mesma publicidade que passamos na rádio no YouTube, daí retirarmos o som. Portanto, quem nos está a ver no YouTube e quem vê depois este episódio do "E o Vence, Doré?" fica aqui com um momento de silêncio, que pode preencher com uma peça musical, se quiser, mas isso é uma questão mesmo contratual.

Uma reflexão, mesmo.

Não há volta a dar. Bom, ficou aqui pendurado para o arranque da segunda parte as notas do debate, Judite.

Ora, eu vou dar um 13 à Catarina Martins e um 11 a Gouveia e Melo.

Muito bem, Pedro?

Eu vou só dar a nota a Gouveia e Melo, vou lhe dar um 15, porque ele não ficou estagnado, soube evoluir do primeiro debate para o segundo e isto é um incentivo. Almirante, continue que tem um caminho pela frente.

Sou, se calhar, mais exigente. Diz a tradição, eu dou um 14 a Rui Gouveia e Melo.

Pronto. Agora vamos dar uma ajuda aos pais que estão nos carros, sobretudo com adolescentes que estão a dizer: "Muda lá o rádio, estão essas pessoas a falar outra vez." Porque agora vamos falar de um bife entre Cotrim Figueiredo e Marques Mendes. Pedro, ajuda-me aqui. Cotrim e Marques Mendes estão a protagonizar um bife, porque Cotrim diz que foi pressionado por pessoas da candidatura de Marques Mendes a desistir. Marques Mendes diz que não, já chamou isto tudo de baixa política e já foi mesmo desafiado. Houve um desafio a Cotrim para dizer afinal quem é que lhe pediu.

Lhe pediu para desistir em nome de Marques Mendes.

Vamos a isto.

Cotrim de Figueiredo entrou muito bem nos debates e uma das frases que eu acho que ficou foi logo aquela frase inicial quando ele se vira para Gouveia e Melo e lhe disse: "Diga-me nos meus olhos que eu sou um cavalo de Troia do meu partido para ir para Belém." Mostrou uma frontalidade, uma coragem e uma abertura para o desafio que eu achei que do ponto de vista televisivo e do ponto de vista político aquilo funcionou, tanto é que o adversário reagiu mal àquele desafio. E eu estava com a expectativa de que essa fosse a atitude sempre de Cotrim de Figueiredo. Ora, aquilo que se passou foi que ele deixou entender nessa entrevista ao Expresso que havia alguém a querer condicioná-lo e a pedir-lhe para desistir a favor de Marques Mendes, só que ele não concretiza. Isto parece um bocadinho aquela política de antigamente, que supostamente Cotrim de Figueiredo não está a representar nesta campanha. Eu estou a aguardar com muita ansiedade, a mesma ansiedade com que estou a aguardar o debate de Jorge Pinto com Cotrim de Figueiredo, precisamente, que ele clarifique quem é que são essas pessoas que lhe pediram, em nome de quem é que agiam, quem eram, se eram membros da campanha, se não eram. A campanha de Marques Mendes tem feito esse apelo, não tem deixado cair o tema e eu acho que fazem muito bem.

E queres deixar uma nota para isso, já?

Quero deixar uma nota para Duarte Marques, que é o responsável pela campanha e que tem estado a dar a cara por isso, porque acho que está a fazer bem. Estas coisas têm de se dizer e dizer na cara, olhos nos olhos.

Judite.

Concordo plenamente. Acho que está na altura, de facto, de Cotrim de Figueiredo dizer quem é que falou, quem é que o tentou convencer a desistir, porque isto é uma atoarda lançada sobre outra candidatura e agora a outra candidatura não se pode defender. Acho que isto não faz sentido e também acho que a minha nota também vai ser positiva, porque vai ser para o Duarte Marques, que não tem deixado cair o tema.

Gosto muito da palavra atoarda. Acho que fica sempre bem.

Fica bem.

António, tu queres-

Escreve aí pra pôr nos teus arquivos.

Sim, vou pôr aqui pra usar amanhã

Enquanto o António fala, pra quem estiver a ver em vídeo, já que estamos a explicar, eu agora vou me baixar, eu vou apanhar a caneta com que eu escrevo aqui no iPad.

Aquele barulho que ouvimos há pouco.

António, tu não te desconcentres e para todos os que estiverem a ver isto nas redes sociais, também não.

Grandes momentos de vídeo, não de televisão. António, tu queres falar de um problema menor, que são as pensões.

É, isso é uma coisa pouca.

Uma coisa leve. E uma sugestão que veio de Bruxelas.

Sim, eu acho que, por exemplo, nesta campanha, verdade seja dita, só ouvi Cotrim Figueiredo a falar neste tema. E era uma coisa importante, por exemplo, para um presidente da República, quando toda a gente diz que é preciso olhar pra estrutura, e é preciso pensar no país do futuro. A Comissão Europeia e a comissária portuguesa, Maria Luísa Albuquerque, apresentaram há poucos dias uma proposta que tem várias virtudes. Eu não vou deter exatamente nos detalhes técnicos da proposta, isso justificaria só Provavelmente era só para isso. Mas por duas virtudes que são importantes. Apresentou uma proposta em registo, em formato de recomendação aos Estados-membros para avançarem com um novo modelo complementar às pensões que os países europeus, e em Portugal também existem, de poupança reforma. Enfim, não são exatamente os PPRs que nós hoje conhecemos, têm outros formatos, têm contribuições e pressupõem contribuição do trabalhador e contribuição do empregador. Pressupõem que o trabalhador quando começa a trabalhar é automaticamente inscrito nesse regime complementar e pode sair se quiser, e não o contrário. Isto faz toda a diferença. Isto é, não tem que ser uma decisão do trabalhador ou da empresa a inscrever ou a decidir, mas ele já está inscrito.

É logo de raiz, sim.

O modelo, como eu dizia, é de recomendação. Há países que já têm estes modelos. No fundo, isto responde a dois problemas. Um problema particular da sociedade em geral, e um problema da União Europeia e da necessidade de investimento massivo que tem nos vários projetos, reformas, desde a defesa à energia e todos esses projetos. Por um lado, nós sabemos que com a natalidade, com a demografia que temos, os estudos estão aí, hoje em um report da OCDE aponta para que a prazo de 20, 25 anos, nós tenhamos 40 a 50% do valor da reforma face ao último salário líquido, o que é um corte absolutamente trágico e num país com os níveis salariais que tem, ainda mais trágico. Portanto, estamos no fundo a cavar, sem fazer grande coisa, o risco de que pessoas que trabalham e são pobres, vão ser reformados ainda mais pobres e com mais dificuldades. Esse é um tema crítico e que se tem que fazer alguma coisa e de facto é difícil no contexto em que, no caso em Portugal, se pendendo do Estado, qualquer coisa que cheira a privado, lá vem a ameaça: ai que tal rei, que querem privatizar a Segurança Social, não se consegue fazer nada e vamos andando e rindo. Eu devo dizer que este governo, quanto a mim, mal atirou para uma próxima legislatura qualquer alteração à Segurança Social, eu acho que mal. Eu percebo o ponto, e não é por boas razões, é porque ainda está a recuperar o mercado eleitor dos pensionistas e não quer agora estar a fazer discussões.

Ainda tem aquele fantasma do corte das pensões.

Depois tem custos. Quem é que paga? São os reformados atuais que vão receber menos? Somos nós que estamos a descontar que vamos receber menos no futuro? Como é que se faz esta repartição? Porque, na verdade, somos nós, os portugueses, que temos que pagar, ninguém vai pagar por nós. Este modelo é um bocadinho diferente, porque é complementar e não pressupõe a alteração do sistema atual. Ponto um. Ponto dois, muito importante também. As taxas de poupança em Portugal e na Europa são relativamente elevadas, e em Portugal então, são relativamente elevadas e basicamente em depósitos a prazo que não rendem nada. O dinheiro está parado, não há capacidade de investimento. E o que se ouve? Decisores políticos, o Draghi disse-o, por exemplo, no relatório, é: os Estados Unidos têm um mercado de capitais, um mercado muito forte e com capacidade para fazer investimentos.

E apetência pelo risco.

E na Europa, e em Portugal ainda menos. E portanto, este é um tipo de produto que vem também incentivar esse tipo de resposta. Ora, eu dou um 16 a Maria Luís Albuquerque, porque o diabo está nos detalhes e obviamente sabemos, mas é importante que se discuta que temos um problema com a Segurança Social a prazo e nós que nos queixamos sempre, nós majestático, que a Europa é responsável por tanta coisa de mal que nos acontece. A Europa está a lançar uma discussão. Quem quiser, que a apanhe. Eu acho que nós, portugueses, a devíamos apanhar.

Devíamos apanhar. Avançamos para outro tema, para fechar este, e o vencedor é o do plano de paz para a Ucrânia. Pedro Benevides, há aqui uma forte possibilidade da Europa e da União Europeia ficarem muito à margem de uma decisão, de um plano que começou de uma forma, que entretanto já foi alterado. Não sabemos bem o que é que vai sair daqui, e fica sempre esta pergunta por responder: será desta?

Eu tenho muitas dúvidas, até porque os sinais que chegam da Rússia é de que isto não tem condições para avançar. O que em princípio teria condições para avançar foi aquele documento inicial que consta que até chegou a ser escrito a partir de Moscovo. Tal era a generosidade com que as propostas ali apresentadas olhavam para a posição da Rússia numa situação de paz. Houve aqui dois sinais importantes. Houve um sinal que foi a voz da União Europeia fez-se ouvir. Eu acho que isso foi muito importante. Normalmente, e eu acho que a Europa está lentamente, infelizmente, à velocidade europeia, que é aquela velocidade que não acompanha o desenrolar dos dias de hoje. A Europa normalmente fazia sempre com a conversa diplomática do costume, a manifestar a preocupação, a manifestar a consternação, a manifestar a inquietação, mas não havia vozes fortes a fazerem-se ouvir verdadeiramente. Aquilo que estava em cima da mesa, na versão original, consta que agora já há muito pouco resta dessa versão, mas aquilo que estava em cima da mesa eram coisas tão simples como quem entrava, quem saía, quem garantia a defesa da União Europeia, a decisão sobre mecanismos de defesa de países da União Europeia, estavam a ser decididos Oficialmente pelos Estados Unidos, sem sequer consultar a Europa. Portanto, isto era uma situação inaceitável e acho que a Europa fez bem em ouvir a sua voz e acho que a contraproposta que entretanto foi feita dos países europeus não teve grande aceitação do lado da Rússia. Mas isto é um ponto, eu acho que a Europa não deixou de fazer ouvir a sua voz, foi relegada para o canto, porque é essa, neste momento, a atitude de um aliado, que oficialmente ainda o é, que é os Estados Unidos. Agora, há outro ponto desta questão que tem a ver com aquilo que estava em cima da mesa era uma coisa verdadeiramente inaceitável e mais do que inaceitável, era uma coisa verdadeiramente assustadora, porque assustava ver, e assusta muitas vezes ver, como é que os Estados Unidos, volta não volta, se tornam uma espécie de boneco que tem um ventríloquo, exatamente, que é um senhor russo. Isto é que para mim me faz imensa impressão. Até no Partido Republicano, um partido que historicamente teve uma relação tensa e difícil com a Rússia de décadas, teve uma Guerra Fria que venceu, como é que agora os Estados Unidos se tornam neste país que basicamente se torna porta-voz do Kremlin? É uma coisa que a mim me assusta verdadeiramente.

É quase um sinal de desembaraçamos do problema, não interessa bem como.

Não, há aquela teoria ontem avançada pelo presidente português de que o que está aqui em causa é uma divisão do mundo em partes e que há sinais disso. Ou seja, os Estados Unidos entregavam a Ucrânia para a Rússia.

O ativo russo foi Trump.

Exatamente. É verdade, naquela sua voz forte, enfim, do ponto de vista diplomático, um bocadinho desastrada naquela altura.

Mas surpreendentemente com muita certeza.

Ele ontem desenvolvia essa teoria, que é o que está ali em causa é uma divisão do mundo em esferas de influência. E portanto, a Ucrânia, aquela zona da Europa, passa para a influência russa e a América Latina, a Rússia, onde tem interesses, começa a sair de lá, que é para isso ficar nas mãos dos americanos. Felizmente, ao longo desse dia, houve desenvolvimentos positivos. Marco Rubio, logo perto das 20h, deu aquela conferência de imprensa onde deu sinais um bocadinho mais positivos e encorajadores para nós. E portanto, eu surpreendentemente estou a dar, no meio deste processo todo, no meio da loucura que é a Casa Branca neste momento, eu estou a dar aqui um 15 a Marco Rubio, porque curiosamente parece uma voz sensata no meio desta loucura toda que estamos a viver.

Obrigado, Pedro.

De nada, Ricardo.

E o "Vencedor" regressa amanhã de manhã, às 08h30 da manhã, pela fresca, na sua versão matutina. A versão vespertina será amanhã um pouco mais cedo, ali depois das 17h10, porque temos Liga dos Campeões, jogo entre o Ajax e o Benfica, que vamos transmitir em direto.

Não podia esperar. Também não precisamos dessas coisas, sinceramente. Pensava que a Liga dos Campeões éramos nós, mas tudo bem.

São a Liga dos Campeões do documentário. Até amanhã.

Até amanhã.