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"Ideias Feitas" na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo. Boa tarde.
E hoje queres falar sobre o que pensa a escritora Inês Pedrosa sobre as eventuais causas do acidente ferroviário em Espanha.
Para já tenho aqui uma pequena lista, uma lista infeliz dos acidentes ferroviários em Espanha, acidentes graves desde novembro de 2018, acidentes que tenham provocado vítimas. Houve em novembro desse ano, 2018, um acidente com um morto e 44 feridos. Em fevereiro de 2019, houve um acidente com um morto e 95 feridos. Em junho de 2021, não houve mortos, mas uma série de feridos ligeiros. Dezembro de 2022, zero mortos e 155 feridos ligeiros. Janeiro deste ano, dois acidentes, um no início do ano com 46 mortos e 245 feridos e outro, não sei sinceramente em que mês, com um morto e 37 feridos, e o acidente de ontem com 69 mortos, pelo menos até a hora que eu vi, e mais de 180 feridos. Isto para dizer que estes anos dizem respeito aos governos do senhor Pedro Sánchez e nos acidentes ferroviários com vítimas, com mortos e feridos graves, registou-se um aumento superior a 200% nos anos desses governos do senhor Sánchez, quando comparados com o período anterior, com os oito anos anteriores, que na maioria foram governos do senhor Rajoy. E face a isto, é natural que haja, em Espanha, sobretudo, críticas à gestão do governo do senhor Sánchez, sobretudo por incompetência na gestão. Muitos acusam o governo e o Ministério dos Transportes de dar prioridade à propaganda e à disputa política, em vez de acompanhar tecnicamente as entidades responsáveis pelo transporte ferroviário em Espanha. Em simultâneo, o governo é acusado de desinvestimento, é acusado de falhas de segurança, e tanto os sindicatos como a oposição, não é só uma questão política, ou também é uma questão política, os sindicatos também são políticos, mas têm denunciado a degradação das infraestruturas e os cortes na manutenção. E perante o acidente de ontem, como fez após os acidentes anteriores, o governo do senhor Sánchez culpou, no caso de ontem, culpou um operador do centro de controle e eventualmente os maquinistas. Ou seja, voltou a atribuir o acidente a erro humano. É uma maneira de pôr as coisas e é também uma maneira de alijar, de descartar responsabilidades nas falhas dos sistemas de segurança ou, como se diz, nas redundâncias que garantem aquelas camadas de proteção para evitar que uma única falha resulte numa desgraça. Não é preciso ser especialista para ter uma noção de que, por exemplo, no caso dos comboios de alta velocidade ou da aviação comercial, há esse sistema de redundância que, em princípio, deveria impedir, e costuma impedir, que a decisão errada de uma pessoa ou de umas poucas pessoas provoque uma tragédia. Ou seja, a desculpa do senhor Sánchez, além de definir, mais uma vez, o caráter do indivíduo ao tentar safar-se à custa de caluniar uns pobres assalariados, que até podem ter errado, mas a culpa dificilmente será só deles. A desculpa dele é demasiado repetida e é demasiado esfarrapada para que alguém acredite nela, pelo menos alguém com dois neurónios. Agora, se estivermos a falar de gente sem sequer um neurónio, há desculpas ainda mais extravagantes ou explicações ainda mais extravagantes para o acidente. À revelia de todos os desmentidos, e foram desmentidos categóricos das forças de segurança, da comissão que investiga lá em Espanha os acidentes ferroviários, e passando até pelo próprio Ministério dos Transportes, que negaram qualquer interferência de sabotagem ou terrorismo. Mas mesmo assim, há quem espalhe a ideia de que o acidente ontem, e não só o acidente ontem, foi um atentado terrorista perpetrado para prejudicar o governo espanhol e um atentado, obviamente, a cargo da extrema-direita, não podia faltar, que, como se sabe, a extrema-direita é autora de tudo que é atentado pela Europa afora. Nas últimas horas, esta tese ganhou algum lastro nas redes sociais em Espanha e como alguns rios da península, já desagou em Portugal. E aí sim, temos a escritora Inês Pedrosa, ela pelo menos diz que é escritora, eu nunca a li, exceto pelo que ela escreveu ontem. E ela ontem escreveu no X, no antigo Twitter, o seguinte: "Tanto desastre em Espanha cheira muito a sabotagem. A extrema-direita é assassina em qualquer parte do mundo." Portanto, não é apenas o acidente ontem, são todos os acidentes ferroviários ocorridos nas legislaturas do senhor Sánchez, que, na opinião fundamentada da escritora Inês Pedrosa, são tramoia da extrema-direita. Sinceramente, não me ocorrem grandes comentários a isto, não sei muito bem o que dizer, a não ser admitir que deve ser muito mais fácil viver assim, com uma cabeça tão desocupada e tão singela, tão simples, e uma cabeça que perante qualquer evento negativo ou trágico, seja um acidente viário, seja uma mera reação alérgica ao marisco, responsabiliza-se a extrema-direita, que normalmente inclui toda a gente que discorda destes alucinados, e fica o caso resolvido. A escritora Inês Pedrosa deve escrever estas excentricidades e depois sentir-se maravilhada consigo mesma. Agora, por usar uma expressão horrível e em voga, a escritora Inês Pedrosa deve ser uma senhora completamente resolvida. E é de certeza um caso, infelizmente, pelo menos para ela, é um caso clínico.
Até amanhã, Alberto. Um abraço.
Até amanhã, Ricardo. Um abraço.