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E o Vencedor é especial para assinalar o momento da aprovação final global do Orçamento do Estado para 2026, hoje também mais cedo, porque temos final do Mundial de Futebol Sub17, Portugal-Áustria. Eu sou o Ricardo Conceição, comigo está a Judite França e o Nuno Gonçalo Poças. Arrancamos pela aprovação da proposta do Orçamento do Estado. Está aprovado, Nuno? Podemos ir tratar das compras de Natal? Está despachado?

Acho que sim, já estávamos mais ou menos à espera disso. Eu ia definir isto mais ou menos da seguinte maneira: é uma espécie, mais uma vez, de um orçamento pipi, um orçamento que aparece bem vestidinho, muito apresentadinho, mas que é só aparência. É muito betinho, parece que faz, mas não faz, apresenta objetivos, apresenta ideias, mas depois não concretiza nada.

Estás a citar que autor?

Luís Montenegro.

O próprio.

E concordas, Judite, que é um orçamento pipi?

É um orçamento, pelo menos, em que Luís Montenegro leva essas duas derrotas. A oposição conseguiu impor duas coisas: o reforço do orçamento para o Tribunal Constitucional e isenções de portagens em alguns troços da A2 e da A6. A sensação que dá com este debate do orçamento que ouvimos agora é que ninguém gosta do orçamento, mas o orçamento passa ainda assim. Depois tivemos alguns momentos interessantes do próprio debate. Foi muito aguerrido na reta final, o PSD respondeu à letra a André Ventura. Ventura também tinha sido muito duro na intervenção. E depois tivemos o PSD a tentar desmontar os argumentos de Ventura e de José Luís Carneiro, a quem agradeceram a passagem e a decisão em deixar passar o Orçamento do Estado, mas pelo meio ainda acusou o PS de taticismo ao abster-se. Só para terminar, o discurso final foi o anticlímax, porque foi o discurso do ministro da Reforma do Estado.

Gonçalo Matias.

Gonçalo Matias, que depois de intervenções tão duras e exaltadas, foi um discurso morno, em que tentou de alguma forma dar uma ajuda à ministra do Trabalho, dizendo que o mercado precisa de ser flexível, ninguém procura empregos para a vida agora, que os jovens procuram outro tipo de mercados. Enfim, foi aqui uma ajuda à ministra do Trabalho, mas não deve ter tido grande impacto nas centrais sindicais.

Temos uma nota?

Eu para este debate final do Orçamento do Estado, que não surpreende de forma alguma, dou um 12.

Nuno, tens nota?

Não é tanto para o debate, mas para o orçamento em si. Acho que diria que ele desce sofrível.

Desce. Olha, vamos aproveitar ainda os poucos minutos que nos restam para olhar um pouco também para o debate de ontem entre Jorge Pinto e Gouveia e Melo, que terminou com um incômodo.

Sim, eu vou confessar que ontem talvez aquilo que me tenha ficado um bocadinho mais do debate, e já tem sido uma conversa que tem sido levantada por muitos candidatos, esteja um bocadinho relacionada com o facto de tanto o Jorge Pinto como o Gouveia e Melo foram pelo menos duas dessas pessoas que assumem que, por acaso, se o Parlamento resolver avançar com uma revisão constitucional que não seja do agrado do presidente, resolvem dissolver o Parlamento. E eu acho que isto é um tema que merece ser um bocadinho mais questionado, porque o presidente não tem um papel sequer, quer dizer, tem um papel formal, quase que de carimbo, de validação das revisões constitucionais. Esse papel é todo do Parlamento e, portanto, ao presidente a única coisa que compete é fazer uma prolongação.

Até porque requer uma maioria muito forte.

E que neste momento existe de alguma maneira. Não sei se depois será concretizado ou não. E esse acho que é um ponto interessante de se começar a levantar e perguntar aos candidatos que o afirmam se têm noção mais ou menos daquilo que estão a pôr em cima da mesa. Depois houve aquele incômodo do Gouveia e Melo no final, mas eu acho que ontem o José Sócrates se calhar disse aquilo que António Costa disse numa entrevista que não podia dizer. E enfim, já toda a gente sabe que eu sou um bocado suspeito para dizer isto, mas eu acho que ontem o António José Seguro teve uma grande declaração de apoio.

Judite.

Eu, por acaso, acho que isto revela de Henrique Gouveia e Melo que não tem cabeça fria, ao contrário do que se podia pensar de um militar, porque não tinha que ter aquela reação.

Não está habituado a ser contrariado.

Pois, mas isso é uma das coisas que vai ter que aprender a ser contrariado, porque a vida de um presidente da República é contrariedades todos os dias. Portanto, considerar que aquela pergunta, quando José Sócrates tinha acabado de dizer que ia votar no almirante, considerar a pergunta provocatória e deslocada é uma coisa que não faz o mínimo sentido e acho que se notou que de facto o incomodou muito. Quando tinha a oportunidade de dizer uma coisa simples: todos os votos contam, todos os votos são úteis, as pessoas querem votar em mim, podem votar. Quer dizer, não precisava de ficar abespinhado daquela forma. E eu acho que isso marcou o tom do debate, que foi ameno, até ameno.

Até porque Sócrates fez questão de referir que não tinha nada a ver com o almirante.

Nem o conhecia de lado nenhum. Portanto, não havia ligação entre os dois.

Mas ainda o António Filipe deve ter respirado ontem de alívio. Ainda aparecia o António Filipe e de repente todo no suor Pereira Gomes. "Não! Mas afinal eu vou mesmo é votar no almirante." De repente há sítios onde as pessoas ficaram incomodadas, inclusive num estúdio de televisão.

Claramente.

E ainda temos dois minutos. Temos alguma nota para o debate de ontem?

O debate de ontem é um 10.

10.

É exatamente o mesmo 10 do orçamento.

Foi tão ameno.

É sofrível.

Não foi um debate sequer, foi uma cavaqueira, uma amena cavaqueira entre duas pessoas. E até concordaram a dada altura.

E que esteve a competir com Sporting 3, Club Brugge 0.

Sim, exato.

À mesma hora. Bom, e Nuno, tu ainda querias falar de uma matéria que sai do debate entre Marques Mendes e André Ventura sobre Luís Montenegro.

Sim, eu acho que é uma suspeita que, na verdade, toda a gente tem e é uma espécie de segredo mal guardado Há uma altura no debate do Ventura com o Marques Mendes em que o Marques Mendes está a falar do seu historial por causa dos autarcas que eram arguidos e que ele afastou na altura. Só este tema por si já seria bastante discutível. Não foi discutido no debate, mas já seria discutível. Mas em resposta, o André Ventura faz-lhe uma pergunta muito concreta, que é: o que é que Marques Mendes faria, sendo Presidente da República, relativamente a um primeiro-ministro que fosse constituído arguido? Tendo em conta esse histórico que acabou de enunciar. E essa pergunta ficou sem resposta. E eu estava a ouvir aquilo, e o que me parece mais ou menos evidente, e eu acho que já toda a gente percebeu, é que há, pelo menos, não vou dizer uma expectativa, porque parece que é um desejo, mas parece que toda a gente está mais ou menos à espera de que assim que nós tivermos um presidente da República novo, o Luís Montenegro venha a acabar por ser constituído arguido. É uma coisa que está toda a gente mais ou menos à espera, por causa de todos os contornos que a Spin livra teve, aquela coisa toda, que de repente ficou mais ou menos congelada.

Importava saber, não é?

Primeiro importava saber e depois há aqui outra nota que é: se de facto está tudo pronto, se há matéria para constituir arguido o primeiro-ministro, o Ministério Público não tem que estar a fazer contas ao calendário político. Ou há ou não há. Porque ao mesmo tempo, se há de facto grandes razões para constituir arguido e abrir um processo contra o Luís Montenegro.

Em teoria, não faz contas de calendário, por isso é que as coisas acontecem.

Era bom que não fizesse contas de calendário. E ao mesmo tempo a pergunta do André Ventura realmente é pertinente e é um bom tema para trazer para cima da mesa.

O "Vencedor É" foi servido em modo aperitivo.

Expresso.

Esteve um pouco, sim.

Um Negroni.

Não vamos confundir, não está cá a Eunice Lourenço hoje. Não fales em Expresso, que a Eunice Lourenço é que é campeã a falar em Expresso.

Não, mas só para dizer que foi curto.

Foi curto, mas foi intenso. E amanhã, às 08h30 da manhã, volta o "Vencedor É", sempre todos os dias depois das 08h30. Este episódio vai ficar disponível daqui a nada em podcast.