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Junta-se agora a nós aqui na Rádio Observador, André Azevedo Alves. É professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, também colunista do Observador. Muito boa tarde, André Azevedo Alves. Marcelo Rebelo de Sousa vai agora ser obrigado a dar resposta a outros candidatos, respostas que até agora não era obrigado a dar, tendo em conta que ainda não era oficialmente candidato à Presidência da República.
Exatamente, e creio que passa por aí também a compreensão do anúncio muito tardio da candidatura. Ou seja, Marcelo quis expor-se o menos possível ao estatuto de candidato e prolongar o mais possível no tempo, quase até ao limite do possível e do concebível, o estatuto de presidente e não de candidato. E essa é uma das razões principais. Ou seja, para Marcelo Rebelo de Sousa, a campanha será tanto melhor quanto menos exista. Portanto, quanto mais minimalista, quanto mais o tema presidenciais passe relativamente fora do foco, melhores notícias serão para Marcelo, que parte claramente na liderança e parte claramente com vantagem. E, portanto, passa creio por aí a compreensão, quer do anúncio tardio, quer da forma do anúncio. Também a forma minimalista do anúncio.
À semelhança do que já tinha acontecido também durante a candidatura em 2015, 2016, início de 2016, essa eleição presidencial. Marcelo Rebelo de Sousa, na altura, fez uma corrida a Belém, também um pouco minimalista. Havia muitas dificuldades até de quem estava na campanha, quem acompanhava a campanha de Marcelo Rebelo de Sousa, por vezes, de perceber se havia todas as condições para acompanhar os discursos, condições técnicas, espaços por vezes mais reduzidos, alguma dificuldade em perceber com alguma antecedência a agenda, também. Na altura, Marcelo Rebelo de Sousa dava conta também de não ter uma grande entourage a acompanhá-lo nessa candidatura. Espera-se também que seja isso que possa acontecer agora também nas próximas semanas?
Sim, eu diria que até mais do que nas últimas presidenciais. Porque Marcelo Rebelo de Sousa tem, nestas presidenciais, mais ainda do que há cinco anos, o estatuto de claro favorito. Isso era verdade também há cinco anos, mas é mais ainda agora. E depois há a situação da pandemia. E a situação da pandemia, por um lado, favorece, porque justifica, por boas razões, uma campanha, por exemplo, com muito menos contacto, sem eventos de massas, etc, por razões óbvias. E, por outro lado, também fornece um tema muito saliente, muito relevante, que na perspectiva de Marcelo Rebelo de Sousa, é também favorável que esse tema seja o tema mais dominante ao longo deste período, e não propriamente o papel do presidente ou críticas ao presidente e ao exercício do primeiro mandato presidencial. Portanto, eu diria que estas são eleições em que, paradoxalmente, Marcelo Rebelo de Sousa vai para as eleições, primeiro, o mais tarde possível, e depois desejando que sejam o tema quase menos relevante possível. Quanto mais história houver nestas eleições, maior sinal de problemas isso poderá ser para Marcelo Rebelo de Sousa, sendo claro que parte com o estatuto claramente favorito.
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