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Ao Observador, Adriano Moreira chegou a fazer um balanço à vida que teve até ali.
Dou graças a Deus, porque foi uma vida feliz.
Esta frase é de 2019. Entretanto, Adriano Moreira chegou aos 100 anos. Nascido em Bragança, veio estudar Direito para Lisboa e nesta entrevista ao Observador lembra como tudo começou.
Se me perguntar como é que decidi escolher o Direito, é muito difícil explicar, porque o meio onde eu vivia não dava grandes inspirações, porque era um meio de gente, de trabalhos manuais, de empregos precários, etc.
Começou a exercer advocacia e o envolvimento que teve num processo contra o então ministro da Guerra fez com que fosse preso. É no Aljube que conhece Mário Soares e foi libertado cerca de dois meses depois. Chega à política ainda durante a ditadura. Foi ministro do Ultramar no Estado Novo de 1961 a 1963. Aquando do convite para fazer parte do governo, Salazar chegou mesmo a dizer-lhe que Adriano era muito crítico do regime e da administração das colónias.
Isto não é difícil saber. Eu escrevo as lições sempre. Ele disse-me o seguinte: "Eu concordo que há reformas que não podem deixar de se fazer, mas preciso que quem saiba as faça. Queria convidá-lo para as fazer."
Quando Salazar diz a Adriano Moreira que tem razões para recusar o convite, o futuro político responde-lhe.
E eu disse, e isto é histórico: "O senhor presidente não é a única pessoa no país que pode pôr os interesses nacionais acima das divergências."
Quando deixou esse governo em 1963, tinha conseguido revogar o Estatuto do Indigenato, que impedia os africanos das colónias de acederem à cidadania portuguesa. Após o 25 de Abril, foi saneado das funções oficiais e esteve exilado no Brasil, onde foi professor. Volta então ao ensino, casa-se, tem seis filhos. Em 1980, regressa à política ativa como candidato a deputado nas listas da Aliança Democrática, filia-se no CDS e acabaria por ser presidente deste partido por dois anos, de 1986 a 1988. Continuou deputado até 1995 e por altura do centésimo aniversário, Marcelo Rebelo de Sousa disse que o advogado e político tinha lugar na história de Portugal.