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Esta é a última chamada da Rádio Observador. Desafiamos os oito cabeças de lista às europeias de partidos com assento parlamentar em Portugal ou no Parlamento Europeu a atender uma última chamada, uma última conversa conosco depois de um longo dia de campanha. O que vamos ouvir é uma versão editada das conversas para poderem passar na rádio. As conversas na íntegra estão disponíveis em podcast. Organizamos estas entrevistas do menos para o mais votado nas últimas legislativas. Sebastião Bugalho, o cabeça de lista da AD, foi o único dos oito que não teve agenda para nos atender o telefone. Começamos por Pedro Fidalgo Marques, o candidato do PAN que tenta manter o partido em Bruxelas. A conversa com o jornalista José Carlos Duarte foi gravada na terça-feira, dia quatro.

Estou sim.

Olá, Pedro. Tudo bem?

Olá, José. Como está? Tudo bem.

Sim. Está no carro, certo?

Estou no carro, já a regressar para casa desde a última ação.

Sim. E como é que foi este dia de campanha? Sei que teve um dia muito preenchido. Esteve de manhã na TVI, depois esteve em Fátima, certo? Como é que correu este dia?

Hoje foi um dia bastante proveitoso, em que conseguimos visitar várias temáticas dentro das prioridades do PAN e por isso são sempre dias interessantes para dar bastante alento para estes últimos dias de campanha. Em Fátima, estivemos num restaurante vegetariano em que estivemos a demonstrar a importância também de termos uma alimentação mais à base vegetal. Seria bom tanto para a parte da saúde humana, como também para a saúde do planeta, para a redução de emissões. Depois fomos ao Mourol, ali no Rio Tejo, para falar também da problemática dos nossos rios, como temos que preservar os nossos rios, como é a importância de mantermos o caudal, até pelo nosso bem-estar, pela questão da água, de podermos ter água para beber ou para necessidades básicas. E terminamos agora o dia num canil no Bombarral, pela questão da problemática da proteção e bem-estar animal.

Sim, e como é que neste tempo de campanha mais agitado, como é que gere os animais? Como é que consegue tomar conta deles, ter tempo para eles? Como é que faz essa gestão?

Eu tenho tido a sorte, nesta questão da campanha, de não ter tido muitos dias fora de Lisboa. Quando assim é, peço sempre a alguém da família para ir lá a casa poder tratar dos gatos, garantir que tenha água, que tem comida. Apesar de eu gostar muito de ter a casa toda com tecnologia automatizada, tem o comedouro automático, tem a fonte de água, mas para garantir que está tudo bem, vai sempre alguém ver. E depois, sempre que eu posso, sempre que tenho a oportunidade, que é o caso de hoje que estou a regressar, para ir e para estar um bocado com os gatos, que também são sempre parte da família e por isso são os meus gatos, são parte integrante. Eu gosto de estar com eles para poder também dar-lhes alguns mimos e eles distribuírem também com bastante amor.

Sim, e como é que eles se chamam?

A mais velha é a Cookie, que vem de uma série explicando, que é a Cookie Lyon, que era a série "Empire". Depois tenho a Sansa, que era a Sansa Stark, do "Game of Thrones". E depois os outros dois, os mais novos, já são bailarinos, que é o Nijinsky, que era um bailarino russo início do século XX, e a Isadora, que era da Isadora Duncan, que era também uma bailarina americana, neste caso, também do início do século XX.

Sim, e em Portugal há outro partido, neste caso o LIVRE, que também faz parte dos Verdes Europeus, tal como o PAN. O que os distingue no Parlamento Europeu e com o que os eleitores podem contar no PAN?

Há aqui algumas divergências, por exemplo, como já tivemos em relação ao aeroporto de Lisboa, porque a voz realmente ambientalista tem sido a do PAN, que foi o único que se opôs ao aeroporto offshore, na ótica que é a nossa maior reserva de água doce. Estamos a falar de poder não ter água para beber daqui a uns anos, ou mesmo quando falamos em combater as alterações climáticas, temos que falar também da reconversão da pecuária, ou seja, na redução do consumo de carne, e hoje a ação de almoço foi nesse sentido. E eu reforço, como tenho reforçado, que não queremos proibir ninguém de comer carne, não é esse o foco, é mesmo a questão de saúde humana, mas também quando falamos de combater alterações climáticas, para podermos ter um real combate às alterações climáticas, temos que reduzir o consumo de carne, e isso é algo que apenas o PAN tem trazido de forma ativa para a discussão política.

Sim. Já referiu ao longo desta conversa que o PAN já elegeu em 2019, mas depois o eurodeputado do PAN tornou-se independente no Parlamento Europeu. O que o PAN tem a dizer sobre isto? Como é que o PAN viu esse momento do partido e assinou algum compromisso com o partido? O que pretende fazer quando chegar a Bruxelas?

Eu estou fortemente comprometido com as causas do PAN. Eu respiro estas causas que eu represento. Sempre fui ativista, já o era antes de estar no PAN, continuo a ser, continuarei a ser e tenho afirmado já publicamente em várias entrevistas, e faço aqui também com o Observador para que fique claro, até porque mais do que um compromisso assinado, ficam declarações públicas neste sentido, que se por algum motivo, que não o vejo acontecer, mas se saísse do PAN, eu entregaria o mandato ao partido, que é o que faz todo sentido, porque é o que as pessoas estão a confiar e a votar.

Sim, agora vai para casa, certo? Está a caminho de casa.

Agora vou chegar a casa, estar com os meus gatos, jantar e descansar um bocadinho, que amanhã temos também um debate em Setúbal e depois na quinta-feira ainda vamos também a Faro e a Beja, terminando depois sexta em Lisboa. Por isso temos aqui uns três dias de campanha longos para continuar a divulgar as propostas do PAN e poder contar com a sua votação.

Ok, muito obrigado. Não lhe vou pedir mais.

Nada, obrigado. Bom trabalho. Nada, obrigado. Boa tarde.

Pedro Fidalgo Marques, o cabeça de lista do PAN, numa conversa com o jornalista José Carlos Duarte. E Francisco Paupério falou com Rui Pedro Antunes também na terça-feira, dia 4, e revelou que levou para a sede do LIVRE, o partido que representa, o Rui Tavares em cartão, que lhe foi oferecido por Ricardo Araújo Pereira.

Olá, boa tarde.

Olá, Francisco, tudo bem? É o Rui Pedro do Observador. Tudo bem?

Prazer.

Francisco, estava lhe a ligar aqui para a chamada final do dia. Queria perceber se hoje já terminou o dia de campanha e como é que foi este dia.

Ainda não terminamos, estamos quase a terminar, mas foi um dia longo. Começamos logo de manhã com uma entrevista com a Cristina Ferreira e o Cláudio Ramos para a televisão. Depois, logo a seguir, tivemos que gravar uns vídeos para as redes sociais, para fazer conteúdo digital nesta última fase de campanha, para apelar ao voto no domingo. E depois pusemo-nos na estrada de Lisboa para Castelo Branco, em que fomos conhecer uma associação local que trabalha na integração de migrantes, na proteção de vítimas de violência doméstica, também na integração de comunidades marginalizadas. E neste momento já terminamos há cerca de uma hora essa sessão e estamos outra vez de caminho a Lisboa, porque amanhã pegamos cedo em Setúbal, então estamos em viagem para Lisboa, a voltar de Castelo Branco.

E como é que têm sido as ações? Têm tido tempo ou têm sido especialmente cansativas?

Têm sido intensas. O período de campanha acaba por ser curto para uma campanha nacional, mas temos tentado ir a todo o país, de norte a sul, ao interior e litoral, e hoje viemos aqui a Castelo Branco também e a partir de amanhã estaremos mais no litoral e mais virado para o mar também.

No programa do Ricardo Araújo Pereira, ele ofereceu-lhe um Rui Tavares. Não sei se levou para casa o cartão. Levou para casa?

Levamos, exatamente. Levamos para a sede do LIVRE e assim temos sempre o Rui em todo lado. E vamos ter dois Ruis na campanha, portanto, estamos felizes por contar com mais um Rui Tavares.

Mas ele vai voltar ainda à campanha, não?

Sim, é o candidato de amanhã.

Quando foi o frente a frente aqui na Rádio Observador, o Francisco, quando estavam a falar da Palestina, disse que o Hamas devia fazer parte das negociações para uma solução de paz. Não teme ser mal interpretado e estar a defender que os terroristas se sentem à mesa?

Não, isso foi mal contextualizado, foi a resposta a uma pergunta sobre a independência da Palestina e que nós no LIVRE cremos que tem que ser com a autoridade palestiniana, que reconhecemos à autoridade palestiniana essa responsabilidade. Temos é que perceber que há uma guerra em jogo também entre o Hamas e Israel e que tem que ser posto em cima da mesa tudo o que devemos fazer para chegar a essa paz. E é nesse sentido que foi dito e não no sentido da guerra e não no sentido da negociação com o Hamas.

É incontornável falar com o Hamas para essa solução de paz.

Sim, para haver a paz tem que ser não só entre o Hamas, mas também entre o governo de Israel. Mas o que eu estava a referir nessa tal entrevista tinha a ver com a independência da Palestina, que é isso que o LIVRE quer reconhecido neste momento.

Posso lhe perguntar se ao longo desta campanha outros candidatos lhe têm enviado mensagens?

Por acaso não recebi mensagens, mas eu também não tenho o contacto pessoal da maioria deles, portanto não trocamos mensagens nesta campanha.

De nenhum deles, nenhum lhe enviou nenhuma mensagem em nenhum momento?

Não.

Francisco, quando o Rui Tavares foi eurodeputado, abdicou de uma parte do salário para dar bolsas de estudo. Está disposto a fazer alguma coisa desse género?

Sim, e mais do que o salário, até com a questão do IRS Jovem, que consideramos ser pouco justo para os jovens deste país e portanto se acontecer de ser eleito e se este IRS Jovem avançar, também pensarei em formas semelhantes a essa de utilizar este financiamento.

Francisco, para terminar, ia-lhe só perguntar, creio que confessou no podcast, no programa do Guilherme Geirinhas, que era do Sporting, eu não sei se era relativamente do sentido comum. Ia-lhe perguntar, se for para Bruxelas, como é que vai conseguir ver os jogos? Se vai ver de forma pirata ou se vai comprar algum sistema que lhe permita ver os jogos.

Não, na verdade, eu vou poucas vezes ao estádio, porque era do Porto, Porto cidade, mas eu quero ver é junto da comunidade portuguesa. De certeza que vou arranjar cafés e associações em que possa ver os jogos.

Francisco, antes de desligar, queria só perceber onde é que está neste momento. Está no carro? Vem de uma ação?

Estamos no carro, em Abrantes, a caminho de Lisboa. Viemos de Castelo Branco. Portanto, ainda temos uma horinha de viagem.

E o que é que vai fazer no carro até chegar a Lisboa?

Olhe, neste momento até vamos a conversar sobre política, porque tem aqui mais gente no carro que faz parte da campanha. Tem aqui um deputado também, o Jorge Pinto, e vamos falando de política e se calhar a seguir colocamos uma música para tentar não adormecer, que isto fica cansativo de andar pelo país.

Muito obrigado, Francisco. Um abraço e um bom resto da viagem e boa viagem até Lisboa.

Muito obrigado. Com certeza.

Francisco Paupério, cabeça de lista do LIVRE às europeias, entrevistado por Rui Pedro Antunes. E ainda na esquerda, o jornalista Vasco Maldonado Correia ligou a João Oliveira. Na terça-feira, dia 4, o cabeça de lista da CDU tem saudades de casa, mas a luta assim o exige.

Estou?

Estou, João Oliveira, como está?

Viva, tudo bem.

Vasco Maldonado Correia do Observador. Está já a caminho do Porto?

Ainda não, estamos a caminho do jantar.

E onde é que vão jantar?

Em Montemor. Vamos parar aqui em Montemor para jantar.

E está a voltar agora de Évora, a sua cidade natal.

Exatamente.

Era uma passagem obrigatória?

Exatamente. Era uma paragem obrigatória.

O João Oliveira já confessou estar muito cansado. Tem agora o jantar, mas depois vai ter mais uma longa viagem pela frente. O que eu lhe pergunto primeiro é onde é que vive com a sua família e se nestes últimos dias em que estivemos muito perto de Lisboa, conseguiu dormir em casa.

Sim, eu vivo em Aveiro. Agora nos últimos dias foi possível ter algum tempo mais em casa com a família, ainda assim com horários que não são propriamente os horários desejáveis para a vida familiar como ela se quer.

Vamos então falar mais concretamente sobre a campanha. Tem tido a companhia de Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP, praticamente todos os dias. É uma ajuda importante?

É claro que é uma ajuda importante. A presença do secretário-geral na campanha é sempre um elemento de qualificação da campanha que estamos a fazer, das ações que estamos a fazer e isso é um contributo muito importante e é um espaço de intervenção que naturalmente acrescenta muito àquilo que vamos fazendo nas outras circunstâncias.

E vai-lhe pedindo conselhos ao longo da campanha?

Sim, vamos trocando opiniões, vamos falando muito um com o outro em função até das circunstâncias com que vamos lidando a partir de iniciativas em que nós estamos os dois presentes. Ainda hoje de manhã tive uma conversa com ele depois de ele ter participado numa ação de campanha em Loures, em que estivemos a conversar precisamente sobre alguns dos contactos que ele fez, algumas das conversas que teve naquela ação de campanha, alguns aspetos que acabam por aparecer mais como elementos de preocupação na vida das pessoas e que justificam também uma abordagem mais concentrada depois nas outras iniciativas. Esse diálogo é absolutamente essencial.

O João Oliveira tem sempre fugido a dar objetivos concretos para a campanha, mas eu vou arriscar voltar a perguntar o que é que seria um bom resultado no dia nove.

Eu de facto tenho evitado estender-me na abordagem a esses objetivos e a essa quantificação, porque de facto já no momento anterior já me pus fora de pé a fazer palpite sobre isso. E eu sinceramente não quero arriscar-me a isso outra vez. Eu acho que verdadeiramente estamos em condições de ter um bom resultado eleitoral e termos um reforço em termos da nossa votação e eventualmente da percentagem que temos. Veremos se isso é possível também em termos de mandatos, mas eu diria que temos condições para construir esse resultado eleitoral. Estamos a construí-lo a pulso com contactos de norte a sul do país, com muita gente diferente com quem vamos falando, com surpresas muito boas de gente que assumiu que vai votar na CDU pela primeira vez. Ainda hoje tive uma mensagem de uma camarada minha de Cascais, a propósito de uma amiga que votará pela primeira vez na CDU e sobretudo porque acha que é muito importante a mensagem que temos afirmado na campanha eleitoral em defesa da paz e isso é um elemento muito importante.

Mas se por acaso não conseguir eleger, não sente essa responsabilidade também a nível pessoal?

Olha, eu naturalmente estou a dar o contributo que posso e naturalmente hei de ter a minha quota parte da responsabilidade nesse trabalho coletivo que se faz com o contributo individual de cada um. O trabalho coletivo resulta do contributo individual que cada um dá para isso. E eu naturalmente com as responsabilidades que tenho como primeiro candidato da CDU, estou a procurar dar o contributo da forma melhor que sei e posso e da forma mais empenhada e determinada que posso. Mas eu estou convencido que verdadeiramente havemos de ter condições de reforço do resultado da CDU e isso não há de ser resultado apenas da intervenção do cabeça de lista, há de ser intervenção do conjunto dos milhares de ativistas da CDU que contribuíram para que isso assim fosse.

João Oliveira, eu não o chateio mais, até porque ainda tem uma longa viagem pela frente. Muito obrigado e bom descanso. Até amanhã.

Não me chateia nada. Bom trabalho. Obrigado.

João Oliveira entrevistado por Vasco Maldonado Correia. Estamos na última chamada da Rádio Observador em que desafiámos os cabeças de lista à europeias para uma última conversa, já no regresso a casa ou já no hotel. Catarina Martins está muito habituada a campanhas eleitorais e na terça-feira a cabeça de lista do Bloco de Esquerda até confessou ao jornalista João Francisco Gomes que já viveu campanhas mais duras.

Estou sim?

Está sim, viva, boa noite, Catarina Martins.

Olá, boa noite.

É o João Francisco Gomes do Observador. Imagino que nesta altura já vá no carro a caminho de Lisboa depois do comício que teve esta noite no Porto, não é verdade?

Sim, já estamos a ir para Lisboa. Tenho que estar lá amanhã bem cedo.

Já vai a caminho do décimo dia de campanha amanhã. O cansaço já se faz notar? Como é que está em estado?

Não, estou bem. Na verdade, já tive campanhas mais cansativas, até porque com mais responsabilidades é mais cansativo do que ser cabeça de lista. Sempre é uma responsabilidade grande, mas é diferente ser coordenadora e cabeça de lista. E portanto, talvez tenha como comparar.

O que é que tem sentido nas ruas? Sente que as pessoas reconhecem o seu trabalho do tempo de coordenadora do Bloco de Esquerda? Estão mobilizadas para votar em si?

Eu não me posso queixar da falta de simpatia e de reconhecimento popular. Isso julgo que felizmente existe e existe muito carinho e acho que isso é muito importante. A simpatia não se compra, as pessoas percebem que isso, mas acho que isso também tem que ser tido, esse carinho e esse reconhecimento.

Nós sabemos que as europeias, disse no início que as europeias têm habitualmente uma abstenção muito elevada. Tenho reparado que durante as várias iniciativas de campanha, a Catarina tem procurado explicar o que é que se pode fazer a partir do Parlamento Europeu para contribuir para cada tema. Acredita, pelo que tem percebido nas conversas com quem vai falando, que a mensagem está a passar ou acha que a Europa ainda é uma língua estrangeira para muita gente?

Eu acho que por razões boas e más, há uma maior percepção. Boas, por exemplo, ter-se percebido que ainda bem que houve uma estratégia europeia para a vacinação contra a Covid. Independentemente dos problemas que houve com as farmacêuticas, etc. Mas enfim, a ideia do esforço coletivo, as pessoas perceberam que isso é importante e é o que tem existido. Más, como as pessoas olham para a prestação da casa, que sabem o que é o Ibor e percebem que as decisões do Banco Central Europeu podem determinar as suas condições de vida de formas muito radicais. Há pessoas que viram a prestação da casa duplicar. E portanto, acho que essa percepção também existe. Como digo, é preciso, no entanto, na campanha fazer também essa pedagogia, tenho tentado fazê-la.

Claro. Continuam a sair sondagens, só para terminar a nossa conversa, continuam a sair sondagens que têm apontado todas mais ou menos no mesmo sentido, para a possibilidade do Bloco eleger só uma eurodeputada. Tem falado sobre isso na caravana, o José Gusmão tem estado permanentemente ao seu lado nesta campanha. Tem falado sobre a possibilidade de ele não vir a ser eleito.

Claro, pois já vi contagens para todos os gostos. E com isto eu não quero atacar o trabalho de quem faz sondagens, mas é cada vez mais difícil ter ideia clara do que vai acontecer. E portanto, enfim, temos de fazer o nosso trabalho, fazer a campanha, tentar que ela seja a mais esclarecedora possível, mobilizar, teremos os votos que merecermos.

Catarina, vou deixá-la fazer, tem mais de 300 quilómetros ainda para fazer nesta noite. Pergunto-lhe só como é que aproveita estas viagens de carro, estas muitas viagens de carro para descansar ou para trabalhar nas suas intervenções.

É um bocadinho de tudo, depende do dia, depende da hora, depende do tempo. Agora não pretendo, neste momento, até chegar a Lisboa, não vou preparar nenhuma intervenção para amanhã. Já estou cansada. Tenho depois tempo amanhã para o fazer.

Obrigado, Catarina Martins. Olhe, boa noite e boa viagem.

Obrigada, boa noite.

Catarina Martins, cabeça de lista do Bloco de Esquerda, entrevistada por João Francisco Gomes. Mudamos de área política e ouvimos agora João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, que depois de um jantar na Afurada, na quinta-feira dia 6, atendeu o telefone a Miguel Santos Carrapatoso.

Viva João Cotrim Figueiredo, como está?

Olá, boa noite, Miguel.

Cansado? Décimo dia de campanha.

Um bocadinho já pesa sim, muitos quilómetros, muitos discursos, eventos.

Precisamente. Por coincidência, ao início do dia de hoje conversamos e disse-me que não estava particularmente satisfeito com os seus discursos. Hoje foi seguramente, arrisco-me a dizer, o seu discurso mais aplaudido. Ficou satisfeito?

Fiquei. E a razão é simples, hoje consegui ter duas horas e meia para o preparar como deve ser. Os discursos não são só uma questão de mensagem, tem uma música, tem um ritmo e acho que funcionou. Já até tenho ali três ou quatro situações que ainda pode ser melhorado, portanto provavelmente em Lisboa amanhã terá uma versão mais afinada.

Falou em ritmo. A história desta campanha, melhor dizendo, começou por ser sobre a necessidade que a IL tinha de eleger um eurodeputado, o objetivo a alcançar. De repente, passou a ser sobre a hipótese de elegerem dois eurodeputados. Como é que isto aconteceu?

Eu acho que foi de boa campanha, é para isso que ela serve, para explicar ao que vimos e atrair pessoas. E acho que é inegável que temos atraído cada vez mais pessoas. Portanto, eu sempre disse que não teria paisagem assumir objetivos superiores se começasse a ter indicações nesse sentido. E de facto, elas tiveram a aparecer. Muito satisfeito, até porque fizemos uma campanha muito focada naquilo que são as nossas bandeiras e estou muito contente com a recetividade que tivemos. O Miguel Santos Carrapatoso teve a oportunidade de nos acompanhar em muitos eventos e pode confirmar que a receção é sempre muito calorosa.

Há sempre a pergunta ingrata nestas ocasiões. Se pudesse fazer alguma coisa diferente nesta campanha, o que é que teria feito exatamente, agora que já estamos na reta final da corrida eleitoral?

É uma boa pergunta, o que significa que ainda não pensei numa boa resposta. Não sei, como há pouco falávamos dos discursos poderem ser mais empolgantes eventualmente, talvez eu tivesse reservado mais tempo entre alguns eventos para poder preparar como deve ser. Eu não consigo fazer discursos que não tenha sido eu próprio a escrever ou pelo menos substancialmente a ditar o ritmo. É uma coisa muito pessoal, portanto, faço aqui um apelo aos ouvintes do Observador se alguém conhecer um bom speechwriter que encaixe o meu estilo, estou a contratar.

Noite eleitoral, estamos quase aí

Já pensou no que vai dizer quando chegar o momento certo?

Não, acho que vamos ter que aguardar pelos resultados, porque o tom e mesmo as perspetivas futuras relativamente ao que a EL pode fazer no Parlamento Europeu podem variar em função desse resultado. Já tenho alguns esquiços daquilo que quero dizer, mas só no próprio domingo é que vou terminá-los.

Mas terá dois discursos preparados ou só escreverá na altura?

Serão mesmo três.

Posso perguntar quais exatamente ou para que cenários?

Não, neste momento não posso revelar.

Uma pergunta mais simples antes de nos pedirmos. Presumo que vá descansar. Terá mais dois dias de campanha pela frente. No dia de reflexão, arrumada a caravana, mala desfeita, o que é que pensa fazer nesse dia de reflexão?

Tenho uma dívida grande de tempo com a minha família mais próxima, que vou tentar saldar na parte da manhã, incluindo almoço, que ainda não está bem definido. Ver se consigo combinar isso amanhã, como é que se vai fazer. Gostaria que fosse em casa com vários membros da família a cozinhar. Na parte da tarde, tenho reuniões importantes, porque na terça de manhã tenho que estar em Bruxelas em reuniões do Partido Liberal Europeu importantes, que não vou ter tempo para preparar no domingo nem na segunda, portanto, terá que ser feito no sábado. Não é um dia de reflexão particularmente dodil ou relaxado, mas o ritmo de quem está na vida política é mesmo este.

Não resisto à provocação, até porque disse que ia aproveitar o domingo para preparar reuniões que terá mais tarde em Bruxelas. Não lhe passa pela cabeça não ser eleito nesta altura do campeonato?

Nesta altura, já não passa. Se for para ser completamente honesto, já não passa.

João Cotrim Figueiredo, muito obrigado por esta conversa.

Uma boa noite para si. Obrigado pela vossa cobertura da campanha, tem sido bastante útil. Muito obrigado.

E boa sorte para o que falta da campanha.

Agradeço. Muito obrigado. Um abraço.

Boa noite. Um abraço. João Cotrim Figueiredo, entrevistado por Miguel Santos Carrapatoso. Agora ouvimos Tánjer Correia, o cabeça de lista do Chega, que explica à jornalista Inês André Figueiredo que as campanhas de hoje são muito diferentes das de ontem e quanto a campanhas está satisfeito. Mais em breve. Não, obrigado.

Estou?

Estou. Olá, boa noite, António Tánjer Correia.

Olá, boa noite.

A campanha está na reta final. O cansaço já aperta?

Claro. Tem sido um ritmo bastante elevado, portanto, é evidente que dia após dia já começa a moer.

Tem dito nos últimos tempos que nos tempos em que fez campanha as coisas não eram como são hoje. O que é que viu diferente desta vez?

Tudo. O papel da comunicação social não é o mesmo. Obviamente, a tecnologia evoluiu. Antigamente não havia diretos, havia vagamente uns relatos feitos pelos jornalistas que acompanhavam a campanha, mas era uma coisa feita em diferido, obviamente. Portanto, era completamente diferente. E o nível também de participação nas campanhas também era diferente. Não havia tantos ataques, tanta criminalização.

É muita energia, é isso?

Como?

Demasiada energia.

Não, eu acho é que a energia mal veiculada muitas vezes. E em vez de procurar tirar o lado positivo, muitas vezes tira-se o lado negativo. Isso eu acho que não é positivo, mas enfim, é o que há, é assim que as coisas são.

Por outro lado, também já o ouvi dizer que mais 15 dias e ficava um profissional. Se for preciso fazer campanha daqui a uns meses, aceita?

Eu fazer campanha? Agora faço mais campanhas. Agora vou pegar na malita, vou viver em Bruxelas e vou fazer o meu trabalho.

Está à espera desse dia?

Estou, sim senhora.

Já agora, há quanto tempo é que está à espera desse dia?

Como assim? De ser eleito?

Se era um sonho antigo, se isso é uma coisa que aconteceu recentemente.

Da tua. Aconteceu recentemente, foi meramente uma questão de estar no lugar certo, digamos assim. O André entendeu que eu seria o... porque eu nunca quis ser deputado na Assembleia da República. Isso aí nem pensar nisso. Fui dar um elemento à direção, tenho experiência internacional, 40 anos de diplomacia e achou o André, achou eu, achou toda a gente, quer digamos-

Já agora que o disse, por que nunca quis ser deputado na Assembleia da República?

Não faz parte da minha maneira de ser. Para já não me apetece ser político. Vou para Bruxelas não para ser político, mas para estudar, defender, trabalhar em dossiers e em assuntos, que é isso que eu gosto, é isso que eu faço.

Tem sido acusado por alguns adversários de alinhar em teorias da conspiração e até de contribuir para elas.

Não vamos deixar para aí no final da campanha, não.

Não, eu gostava só de perguntar.

A conspiração são vocês que chamam teorias da conspiração.

Pois, mas era exatamente isso que eu gostava de lhe perguntar, porque na RTP disse até que quem faz as teorias da conspiração são os governos e as grandes empresas e que também já as chegou a fazer. Não acha que isto é dar argumentos a quem lhe faz esse tipo de acusações?

Não, porque de facto as coisas são como são, as informações circulam. Estou habituado a lidar com informações classificadas e com informações confidenciais e até secretas E que muitas vezes, eu não divulguei nenhuma delas, se passado para o grande público, seria um choque e viriam logo teorias disto e aquilo daquilo outro, que de facto não são.

Então é aceitável que existam teorias da conspiração?

Não são teorias da conspiração. Teorias da conspiração são os senhores da comunicação social que chamam.

Deixe-me só fazer-lhe uma última pergunta. Se no dia a seguir às eleições, António Tanja Correia fosse o único com poder na mão, o que escolheria para o Chega? Ou o que escolheria para as famílias europeias da direita radical e da extrema-direita?

A extrema-direita não existe, como eu já expliquei, que a extrema-direita e as organizações neofascistas são fundamentalmente originais na esquerda. Essa narrativa é bom que acabe, porque é errada. Se eu tivesse poder, fazia exatamente aquilo que eu lhe disse antes. Via as cartas que estavam em cima da mesa e decidia. Mas como não vou fazer isso sozinho, faço com o André e com os meus colegas de partido, é isso que vai acontecer.

Vai esperar para ver.

Exatamente.

Mas não acha, como disse há uns dias, que estão a assistir de bancada?

Estamos, claro. Estamos à espera que ponham as cartas em cima da mesa.

E à espera para decidir o melhor.

Claro.

Muito obrigada, António Tanja Correia.

De nada. Prazer em ouvi-la.

Boa sorte e boa continuação.

Muito obrigado.

Tanja Correia, entrevistado por Inês André Figueiredo na quarta-feira, dia cinco. Terminamos esta ronda da Última Chamada com Marta Temido, que já no hotel em Bragança, no dia quatro, atendeu o telefone a Mariana Lima Cunha. A cabeça de lista do PS diz, enquanto come uns frutos secos, que se sente bem no contacto com as pessoas.

Alô?

Sim, boa noite.

Sim. Mariana?

Olá, é a Mariana. Chegou agora a Bragança, não é?

Acabado de chegar ao hotel em Bragança. Confirmo. Depois de um dia que começou há alguns quilómetros atrás, em Viana do Castelo, e que já tive umas quantas paragens.

É verdade. Estamos aqui já nesta segunda semana de campanha. O cansaço já está a pesar ou nem por isso?

Sim, agora sim. Agora começa a tornar-se mais exigente e há momentos do dia em que às vezes parece que faltam um bocadinho as forças, mas temos que continuar. Depois há outros também em que a gente pensa que é preciso continuar a caminhar, é preciso continuar a mostrar a nossa energia e a nossa mensagem, e portanto, vamos em frente.

Dizem-me que come muito pouco na estrada.

Estou quase a comer uns frutos secos, mas estou neste momento a comer uns frutos secos. E hoje já almocei, o que foi ótimo.

Já é um progresso. Tem rotinas que consiga manter quando está na estrada?

Rotinas que eu consiga man-

Ou tem vivido do avesso?

Tenho vivido um bocadinho do avesso. Tenho vivido metida dentro de uma mochila. Na verdade, não é de uma mala, é mesmo de uma mochila. Mas há alguns aspetos que se conseguem manter. Tomar pequeno-almoço, por exemplo, beber alguns cafés, que vão sendo cada vez mais de dia para dia. E o que mais? Pouco mais.

Tem tido uma agenda particularmente frenética, não é? Até em comparação com outras campanhas. Acha que isso está a compensar? Sim, pelo menos comparando a agenda com outras campanhas. Por exemplo, há muito contacto de rua. É uma aposta que gosta de fazer, que faz questão de fazer?

Eu não consigo imaginar uma campanha sem ter muito trabalho e sem ter muito contacto de rua. Se nós queremos passar uma mensagem e acreditamos nela, a única forma de passar, além de comícios e da comunicação social, que obviamente é de massas e portanto chega a mais pessoas, mas é estar na rua e tentar ocupar todos os espaços para fazer passar a nossa mensagem.

Acha que são um bocadinho o seu forte em campanha? Esses contactos.

Não sei se é o meu forte. É uma coisa que eu gosto muito de fazer. Como eu tenho dito, eu antes de vir para a política, tenho 20 anos de profissão numa área em que lido muito com as pessoas, porque os administradores hospitalares e nos hospitais, nós nos serviços de saúde lidamos muito com as pessoas. E portanto, se calhar, talvez por isso, as pessoas fiquem até um bocadinho admiradas por essa dimensão. Mas ela é muito natural e tem muito a ver com esse percurso profissional de muitos anos.

Ia também fazer uma pergunta em relação ao comício de hoje, porque tivemos Carlos César a pedir paciência sobre estas eleições, enfim, naquele sentido de estas eleições não significarem, se correrem bem ao PS, por exemplo, que há efeitos para o governo. Acha que o partido está com pressa ou nem por isso, o PS?

Nós somos um partido democrático e como um partido democrático de democratas, nós respeitamos os resultados eleitorais. Não andamos em campanha para outra coisa que não seja para estas eleições e com os objetivos concretos de afirmar o nosso projeto europeu.

Sente assim uma responsabilidade grande aos ombros?

Claro, e acho que o presidente do partido disse isso, e disse isso de uma forma muito clara, muito objetiva, numa grande intervenção, como é seu timbre, e destacando aquilo que no fundo é a visão e a orientação para o partido e também para fora do partido, que é para ser claro, por acaso por aí quem tenha dito que o PS cria instabilidade. Não cria instabilidade nenhuma. Nós somos respeitadores muito os resultados democráticos e, portanto, quer o presidente do partido, quer o secretário-geral, foram muito claros. Nós podemos não gostar ou achar que teria sido melhor para os portugueses ter sido feito outro caminho. Nós respeitamos os resultados eleitorais. Sabemos que há um tempo para governar e há um tempo para ser oposição. Agora, como disse o secretário-geral, neste momento somos oposição e portanto queremos ser respeitados enquanto oposição. Isso também me parece bastante evidente. A oposição tem o seu espaço, não é uma não existência.

Certo.

E todos os democratas têm de perceber isso.

Muito obrigada.

Obrigada. Um beijinho e até amanhã.

Obrigada. Até amanhã.

Marta Temido, cabeça de lista do PS, às europeias entrevistada por Mariana Lima Cunha. Sebastião Bugalho não teve agenda para nos atender na Última Chamada da Rádio Observador. As conversas que agora ouvimos foram editadas para passar neste compacto na rádio. As conversas na íntegra estão disponíveis em podcast na Última Chamada da Rádio Observador.