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Viva João Cotrim Figueiredo, como está?
Olá, boa noite, Miguel.
Cansado? Décimo dia de campanha.
Um bocadinho já pesa, sim. Muitos quilómetros, muitos discursos, muitos eventos.
Precisamente. Por coincidência, ao início do dia de hoje conversamos e disse-me que não estava particularmente satisfeito com os seus discursos. Hoje foi seguramente, arrisco-me a dizer, o seu discurso mais aplaudido. Ficou satisfeito?
Fiquei. E a razão é simples: hoje consegui ter duas horas e meia para o preparar como deve ser. Os discursos não são só uma questão de mensagem, têm uma música, têm um ritmo, e acho que funcionou. Já até tenho ali três ou quatro situações que ainda podem ser melhoradas, portanto provavelmente em Lisboa amanhã terá uma versão mais afinada.
Falou em ritmo. A história desta campanha começou por ser sobre a necessidade que a IL tinha de eleger um eurodeputado, o objetivo a alcançar, de repente passou a ser sobre a hipótese de elegerem dois eurodeputados. Como é que isto aconteceu?
Eu acho que foi de boa campanha, é para isso que elas servem, para explicar ao que vimos e atrair pessoas. E acho que é inegável que temos atraído cada vez mais pessoas. Eu sempre disse que não teria pejo em assumir objetivos superiores se começasse a ter indicações nesse sentido. E de facto, elas tiveram a aparecer. Muito satisfeito, até porque fizemos uma campanha muito focada naquilo que são as nossas bandeiras e estou muito contente com a recetividade que tivemos. O Miguel Santos Carrapato teve a oportunidade de nos acompanhar em muitos eventos e pode confirmar que a receção é sempre muito calorosa.
Há sempre a pergunta ingrata nestas ocasiões: se pudesse fazer alguma coisa diferente nesta campanha, o que é que teria feito exatamente? Agora que já estamos na reta final da corrida eleitoral.
É uma boa pergunta, o que significa que ainda não pensei numa boa resposta. Não sei, como há pouco falávamos dos discursos poderem ser mais empolgantes eventualmente, talvez tivesse de reservar mais tempo entre alguns eventos para poder preparar como deve ser. Eu não consigo fazer discursos que não tenha sido eu próprio a escrever ou pelo menos substancialmente a ditar o ritmo. É uma coisa muito pessoal, portanto, faço aqui um apelo aos ouvintes do Observador se alguém conhecer um bom speechwriter que encaixe no meu estilo, estou a contratar.
Noite eleitoral, estamos quase aí. Já pensou no que vai dizer quando chegar o momento certo?
Não, acho que vamos ter que aguardar pelos resultados, porque o tom e mesmo as perspetivas futuras relativamente ao que a IL pode fazer no Parlamento Europeu, podem variar em função desse resultado. Já tenho alguns esquiços daquilo que quero dizer, mas só no próprio domingo é que vou terminá-los.
Mas terá dois discursos preparados ou só escreverá na altura?
Eu penso que serão mesmo três.
Posso perguntar quais exatamente ou para que cenários?
Não. Neste momento não posso revelar.
Olhe, então uma pergunta mais simples antes de nos pedirmos. Presumo que vá descansar. Terá mais um dia de campanha pela frente. Dois dias de campanha pela frente. No dia de reflexão, arrumada a caravana, mala desfeita, o que é que pensa fazer nesse dia de reflexão?
Tenho uma dívida grande de tempo com a minha família mais próxima, que vou tentar saldar na parte da manhã, incluindo almoço, que ainda não está bem definido, ainda vou ver se consigo combinar isso amanhã, como é que se vai fazer. Gostaria que fosse em casa com vários membros da família a cozinhar. Na parte da tarde, tenho reuniões importantes, porque na terça de manhã tenho que estar em Bruxelas em reuniões do Partido Liberal Europeu importantes, que não vou ter tempo para preparar no domingo nem na segunda, portanto, terá que ser feito no sábado. Não é um dia de reflexão particularmente doido ou relaxado, mas o ritmo de quem está na vida política é mesmo este.
Não resisto à provocação, até porque disse que ia aproveitar o domingo para preparar reuniões que terá mais tarde em Bruxelas. Não lhe passa pela cabeça não ser eleito nesta altura do campeonato?
Nesta altura já não passa. Para ser completamente honesto, já não passa.
João Cotrim Figueiredo, muito obrigado por esta conversa.
Eu é que agradeço. Uma boa noite e muito obrigado pela vossa cobertura da campanha, que tem sido bastante útil. Muito obrigado.
E boa sorte para o que falta da campanha.
Agradeço. Muito obrigado, um abraço.
Boa noite, um abraço.
Boa noite.