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Rádio Observador, Desporto.
Vamos seguir com este especial clássico aqui na Rádio Observador. Álvaro Magalhães, Eurico Gomes, boa tarde. Obrigado por esta disponibilidade em estarem aqui conosco. Nesta altura perdemos o Eurico, mas ele vai voltar. Álvaro, boa tarde.
Boa tarde.
Já estás a caminho do Estádio da Luz, imagino eu.
Estou a entrar agora no carro com tranquilidade para ir para o estádio, para não apanhar trânsito. Hoje não deve haver muito trânsito.
Quem está já a caminho é a equipa do Benfica, vai ali no autocarro a caminho da Luz, eles que saíram do Seixal. O Futebol Clube do Porto, que estava mais perto, já entrou no Estádio da Luz. Álvaro, tu tens acompanhado esta equipa do Benfica. Nesta altura, as Águias entram com essa vantagem de 10 pontos sobre o Futebol Clube do Porto. Vai ser um jogo mais descontraído para os da Luz ou nem por isso?
Nem por isso, disseste muito bem. Boa tarde e obrigado pela oportunidade de estar a falar para vocês. Vai ser um jogo com algum nervosismo, mais antes do jogo do que propriamente dentro do campo, mas o Benfica, pelas declarações do seu técnico, está realmente a fazer um bom trabalho, não só no aspecto técnico, tático e físico, mas principalmente na parte psicológica, que conseguiu mentalizar esta equipa do Benfica que este ano era a época do Benfica. Portanto, vai haver um certo nervosismo antes, mas dentro do campo os jogadores estão concentrados para ganhar. Mesmo com a distância que levam sobre o Futebol Clube do Porto, os jogadores do Benfica estão muito concentrados, porque é importante. O campeonato ainda não terminou, mas dificilmente o Benfica vai perder este campeonato. Eu tenho essa confiança. Os jogadores do Benfica estão concentrados, vão entrar em campo como se tivessem o ponto à frente do Futebol Clube do Porto. Vão continuar a ser humildes e com a ambição que fez com que o Benfica neste momento estivesse em primeiro lugar.
Álvaro, quais são as principais diferenças entre estes dois treinadores, entre o Roger Schmidt e o Sérgio Conceição? Têm visões diferentes do futebol. O Sérgio já está cá, acompanha o futebol português desde sempre, foi jogador, é treinador cá. O Roger Schmidt chegou este ano, esta época, e acabou por se adaptar bem ao futebol português e acabou por surpreender também com a forma como pôs o Benfica a jogar. Na tua análise, quais são as principais diferenças?
Sobre os treinadores, o Sérgio Conceição é um treinador que já é português, que conhece bem o futebol nacional e internacional. Duas personalidades diferentes, um mais irreverente do que o outro, mas isso faz parte da vida. São dois treinadores com duas personalidades diferentes em termos de feitio, até. São duas pessoas com uma personalidade vincada. Nós conhecemos bem os alemães, porque eu também tive a felicidade de ter um alemão, são muito frios. E o treinador do Benfica adaptou-se. Teve tempo para se adaptar, porque ele deve ter estudado bem a equipa do Benfica e veio para um clube cuja estrutura lhe deu todas as condições. Atenção, a estrutura deu todas as condições para que ele se sentisse bem, confortável, com tranquilidade, que pudesse trabalhar à vontade, pudesse escolher os jogadores que ele pretendia. Aliás, ele escolheu os jogadores que ele também já conhecia e de grande categoria, de grande qualidade. Isso é que há de realçar: uma estrutura que confia no seu treinador. Se a estrutura contrata um treinador, tem que o deixar escolher os seus jogadores. E fez uma preparação fantástica e preparou esta equipa para ganhar o campeonato. O Sérgio Conceição, com a sua irreverência, e ainda bem que tem essa irreverência, porque treinadores que são bonzinhos não são treinadores, nunca conseguiram nada no futebol, nem como jogadores, nem como treinadores. São treinadores com uma grande exigência. O Sérgio Conceição é um treinador exigente, é um treinador que gosta de ganhar, é mau de perder. Ainda bem, eu também sou assim, é mau de perder. E o Eurico também vai falar, também tinha mau de perder, porque era ambicioso, porque era um campeão. E os grandes campeões são difíceis de aturar e não é fácil, mas um jogador tem que aceitar a personalidade de um Sérgio Conceição, que é um campeão. E teve a felicidade de ter, volto a referir, um grande presidente, porque com outro presidente, se calhar, o Sérgio Conceição já não estava no Futebol Clube do Porto, porque há presidentes que pensam que ele tem mau feitio. Os grandes campeões têm mau feitio. E o Sérgio Conceição é um líder natural, é um treinador que está a fazer um belíssimo trabalho no Futebol Clube do Porto, mas este ano o Futebol Clube do Porto tem que se queixar de não ganhar este campeonato, perdeu o campeonato com equipas que não devia ter perdido pontos. E por isso o Benfica foi a equipa mais regular e isso é fundamental, e o Benfica está em primeiro lugar com todo o mérito.
Álvaro, tu estiveste em vários clássicos, alguns mais complicados do que outros. Estiveste em clássicos dentro de campo a jogar e estiveste em clássicos sentado no banco, também como adjunto, na altura do Trapattoni. É mais complicado estar cá fora do que estar lá dentro ou não?
É muito mais fácil estar dentro do que estar cá fora. Custa mais estar cá fora. O nervosismo é de tal forma que nós sentimos. É um nervosismo saudável, atenção, não é nervosismo doentio, é um nervosismo que nós gostamos, de estar vivos, a assistir, a sofrer. Mas dentro do campo, com a bola a rolar, a corrermos, a lutarmos, a saltarmos, a ir ao chão, levantarmo-nos, e penso com aquele apoio do público. Atenção, é uma alegria, as pessoas nem imaginam. Só um fraco treinador é que não aguenta aquela pressão. Só um fraco. Por isso é que grandes campeões é que conseguem vestir uma camisola do Benfica ou do Porto. Aquele público está lá fora a aplaudir a equipa, a apoiar a equipa, a gritar por nós, é uma alegria fantástica, nós dentro do campo a correr e a lutar pela vitória. O treinador sente realmente essa adrenalina, mas sofre de outra forma. Às vezes tem que estar mais tranquilo, tem que estar realmente atento e concentrado, mas ser jogador de futebol e estar dentro do campo é uma coisa que só quem viveu esses grandes momentos e esses grandes clássicos.
Álvaro, estamos aqui a falar do Trapattoni. Há alguma forma de o compararmos ao Roger Schmidt, ou não? Os plantéis eram bastante diferentes na altura, mas já agora, tu que estiveste ali muito próximo daquela raposa, como é que tu olhas nessa altura? No fundo, o Roger Schmidt também chegou aqui de pantufas e de repente acabou por surpreender tudo e todos.
É muito tranquilo. Porque durante a semana treinamos a equipa. E eu falo um pouco do Trapattoni pela sua tranquilidade. Depois tem os seus adjuntos que estão ali por perto também, estão a observar o jogo e se for necessário chamá-lo a atenção ou aconselhar ou falarem com ele também. Portanto, ele é muito tranquilo. O Trapattoni fazia isso também com os jogadores. Se vocês ouvissem uma palestra do Trapattoni, vocês tiravam pau ao ar. Se calhar há treinadores que estão lá uma hora a falar e não transmitem nada. Aliás, uma palestra não serve para mais de três minutos, porque esse trabalho é durante a semana. E ele pouco falava até antes dos jogos. Falava à equipa, porque durante a semana já tínhamos tudo feito, mas ele é esse treinador que transmite tranquilidade para os jogadores. Quando é necessário chamar a atenção, ele está atento, porque eu gosto de quando estou a assistir a um jogo, estou a olhar para os jogadores, mas também estou a olhar para os técnicos, porque gosto de ver a sua personalidade e a maneira como eles lideram dentro do campo. Há uns que nós até fechamos os olhos, mas dá gosto vê-lo transmitir aos jogadores essa tranquilidade para dentro do campo. Chama a atenção quando tem que chamar a atenção, e isso é muito bom para os jogadores, sentirem-se realmente confortáveis, tranquilos e que sentem que o treinador confia neles. Isso é muito importante, essa confiança que sai da parte do treinador para os jogadores.
Eu juntava agora aqui à nossa conversa o Eurico Gomes. Eurico, eu sei que estás cheio de trabalho aí no restaurante onde está, no seu restaurante. Já agora, perguntava-lhe aqui muito rapidamente.
Eu tive que calcular o tempo de atividade do restaurante para estar descansado e ver um clássico destes na televisão.
E diga-me uma coisa, como é que vai ser? Vai estar ali muita gente a assistir ao jogo ou não?
Não, eu tenho que estar sossegado. No estádio, a gente está envolto em milhares de pessoas e por isso não ouvimos nada. Mas ate digo que é fantástico, é maravilhoso ir a um estádio, um ex-jogador de futebol, e observar a relação e a reação dos adeptos a ver um jogo destes, não há dúvida nenhuma. Vêem-se gestos, vêem-se coisas que nós nunca podíamos imaginar quando estamos dentro do terreno.
O Eurico vestiu as três camisolas e vamos falar destas duas, a do Futebol Clube do Porto e a do Benfica. Falávamos de adeptos. É mais fácil lidar com os adeptos do Futebol Clube do Porto ou com os adeptos do Benfica, ou são ambos difíceis? Pelo que viviste na intensidade. Lidar na intensidade.
Sim, eu percebo. Não há adeptos difíceis, há adeptos exigentes e estamos a falar de duas grandes equipes, neste caso, dois grandes clubes, que têm, obviamente, uma multidão atrás e história. Benfica, Sporting, Porto. Estamos a falar quase de uma forma geral de um e falar do outro da mesma forma, porque aqui não há diferenças. Agora, as exigências deles é se a gente ganha ou se a gente perde. Não há outra forma. Eles não fazem por menos, vão aos estádios, vão aos jogos, é para a equipa deles ganhar. Agora, quem tem que fazer a diferença nisto será sempre a equipa a que eles pertencem.
Eurico, e para o jogador. Por muitos clássicos que se joguem, aquela ideia do nervosismo inicial quando se faz o primeiro, mas depois as coisas vão acalmando. Isso é verdade ou não? Ou continua aquele nervosismo?
Não, isso é verdade. Para quem começa, não é? Há sempre um primeiro jogo, há sempre um começo onde o jogador nunca tinha experimentado fazer um clássico, que é o primeiro clássico. Mas eu acho que isso já é da forma psicológica.
Mas isso é fácil de ultrapassar?
No primeiro jogo, não sendo impossível, temos pelo menos a capacidade de perceber que ali vai buscar uma experiência que será e serve, ou tem que servir, para o futuro. Eu fiz muitos clássicos, como sabem, e entre todos, dando ali um bocado o poço da morte, a roda andou a rodar ali. Poço da morte, isso é no circo. Mas andei a rodar vários clubes com vários clássicos. Até que, com muita confiança também naquilo que eu trabalhava, os jogadores têm que começar sempre por aí. Primeiro trabalharmos aquilo que devemos trabalhar para merecermos a opção do treinador, depois trabalharmos de forma a estarmos preparados para um confronto direto com o adversário. E isso já nos ocupa muito tempo. Depois, no fim, o resultado é da equipa, não é de A, de B, de C. Há uns que estão melhores que outros, mais preparados. No jogador de futebol, sinceramente, eu acho que pouco tempo depois, fazendo um, dois clássicos, já fica com uma capacidade de adaptação aos próximos que não joga. Depois aí a parte emocional é só um bocadinho diferente, porque é sempre um jogo especial, é só por isso. Na responsabilidade do profissional, é sempre igual.
Sempre igual. Para estas duas equipas que se vão encontrar às 18h, quais são as grandes diferenças desta época nas duas equipas? Numa análise também feita como antigo jogador e também como treinador.
Sim, certo. Claro que acompanho, eu sou futebol, não sou mais nada. A minha vida foi futebol, será futebol e morrer futebol. Porém, temos que também ocupar o tempo ou as oportunidades que não estão no futebol com outras situações, como é o meu caso. O que eu quero dizer é que os jogadores habituam-se com muita naturalidade a perceber que as diferenças que existem no confronto direto, acho que é sempre a voz de comando. É a voz de comando e a preparação para este jogo, porque estamos a falar de 90 minutos, mas que precisam de uma média de 12 a 14 horas de treino antes dos 90 minutos. Eu digo muitas vezes, e digo isso aos meus jogadores: “Vocês vão fazer um jogo de 90 minutos, mas não se esqueçam que trabalharam 14 horas. Ora bem, o que é mais importante? O que é mais difícil? Eu acho que é mais difícil as 14 horas do que os 90 minutos. E portanto, vocês só têm é que nos 90 minutos dar o litrinho todo que têm para dar, mais nada. O resto está tudo feito.” Porque afinal hoje olha-se muito para o jogo, mas não se olha muito para a semana antes de ver o jogo. Mas isso também é uma norma do futebol atual. No meu tempo, olhava-se muito para os treinos e para a preparação de um clássico. Hoje quem olha para isso são vocês que estão nesse meio, que são os media, serão as televisões, serão os jornais. E será, se calhar, também uma coisa que no meu tempo não havia muito, que era falar menos um bocadinho do que se fala hoje, de coisas que nada têm a ver com o jogo nem com o futebol, durante uma semana inteira. Isso é ridículo. Digo eu, assumo que isso é ridículo.
Álvaro.
É verdade. Diz, diz.
Estava a instruzir primeiro.
O Sr. Álvaro Magalhães é que vai falar agora.
O meu querido amigo Eurico, o meu campeão, o meu querido Eurico. O meu querido, que eu tive a felicidade de ter ao meu lado e que me ajudou também a assumir aquele corredor esquerdo no campeonato e na seleção.
Não, isso não é.
Sempre seguro.
Sabes o que é que te disse? Que és quase da minha terra, de Lamego.
Aí é que está. Eu costumo dizer que é de lá de cima do interior que aparecem os melhores jogadores. As pessoas não acreditam, mas na capital acho que é muito difícil. Mas no interior...
Em cada vilazinha há muito bons jogadores.
Sim, está certo, mas esquecem-se que o interior tem grandes jogadores.
Ó Álvaro, eu perguntava-te aqui e porque estou aqui junto de dois grandes jogadores que trilharam a seleção e os estádios portugueses. Que jogador pode resolver, ou jogadores podem resolver este clássico de hoje? E depois a mesma pergunta para o Eurico, claro.
Em primeiro lugar, o coletivo que tem que funcionar em pleno. Depois temos realmente na equipa jogadores que podem decidir um jogo. No Benfica, tem o Aarons que poderá decidir o jogo. É um fantástico jogador, médio de campo. É um jogador que vai levar realmente muita qualidade a este Benfica naquele setor. E depois temos o Gonçalo Ramos, que é um exímio matador. É o jogador que às vezes até pode andar ali, as coisas não estão a correr bem, mas aparece nas zonas de finalização com uma facilidade que só de um ponta de lança. Não sei quem inventou colocá-lo a jogar a médio organizador, mas pronto. Invenções que nós respeitamos e que nós não aceitamos, e depois nós damos a nossa opinião, ficam com azia e nós temos que andar para as pilhas dali. E, portanto, penso que é o jogador Gonçalo Ramos que poderá, o Aarons também poderá decidir. No Futebol do Porto, o Pepe, o Taremi, o Galeno, que eu tive o privilégio de o confrontar. Estava ele na equipa do Futebol do Porto e eu estava no Gil Vicente, portanto já iam aí demonstrado realmente muita qualidade. O Galeno é um jogador que pode decidir um jogo Mas dentro do futebol do Porto, repito, o Galeno, o Pepê, o Taremi, o Otávio também, principalmente estes jogadores que são fundamentais numa equipa de futebol e penso que eles podem decidir um jogo.
A mesma pergunta para si: quem é que destes jogadores dos dois plantéis pode de repente surpreender hoje, ser o jogador que vai resolver o jogo?
Estava a fazer a pergunta a mim?
Exatamente.
Eu estive a ouvir o Álvaro e a opinião do Álvaro é impossível estarmos a imitar, porque ele vai buscar jogadores-chaves que finalizam numa estratégia que está definida na equipa e onde pontifica também o posicionamento deles no jogo, no campo. Normalmente eu gostava que o meu querido Álvaro dissesse que um dos guarda-redes vai decidir o jogo. Isso é que eu gostava.
Sim.
Mas não dá.
Não dão pontos.
Só no nosso tempo é que tínhamos, eu tinha um que era um exímio ponta de lança quando subia à área, que era o Roberto Coelho. Ganhávamos jogos e ganhávamos campeonatos à custa do Roberto Coelho. Hoje já não se faz isso, mas também já não se trabalha dessa mesma forma. Eu não sou muito ligado a individualizar aquele que faz a diferença no jogo. Para mim será sempre a equipa. Isto já é crónico em mim.
Sim.
Já está aqui, não há possibilidades. Sabe que eu sou talvez a única pessoa que numa determinada época, eu ainda estava em estado de graça, na altura, convidado para ir votar o melhor jogador para a Bola de Ouro na FIFA. Eu disse: "Olha, não me vão convidar mais, porque nem nesta vez, que é a primeira, eu vou aceitar fazer isso. Isso é uma ofensa à carreira dos jogadores que foram mais brilhantes que aqueles que fazem gols". Agora, também estou naquele papel de que eu era defesa central e estava a puxar a brasa para a minha sardinha, mas não é verdade. Não é verdade, porque nós quando elegemos o melhor jogador ou melhor goleador. Eu votava, e foi assim que eu disse, e sou assim, e aí já vê a minha forma de estar. Eu votava sim no melhor 11 mundial. No melhor 11 mundial, ou seja, através de quem foi o melhor guarda-redes no ano, quem foi o melhor lateral direito, quem foi o melhor lateral esquerdo, melhor central, melhor médio. Agora, votando no melhor jogador que é sempre o avançado porque faz gols, mas quem trabalha para fazer gols são os outros que estão atrás dele.
Sim, sem dúvida. Por isso é que eu falei no coletivo.
Essa é uma pergunta que vocês muito simpaticamente gostam de fazer.
Nós gostamos de fazer.
Gostam muito de fazer. É verdade, sim, e têm toda a legitimidade. Mas depois nós deixamo-nos enrolar um bocadinho por uma suposta forma de que ignorem a equipa e passem a elogiar aquele que empurra a bola lá para dentro. É tão importante ter um ponta de lança como o Gonçalo Ramos, como neste caso o Rafa. Finalmente, o Rafa apareceu num patamar que eu já dizia que ele tinha condições para o fazer quando apanhasse um treinador que jogasse como equipa e essa equipa fosse adaptada ligeiramente àquele jogador que fazia a diferença em todo o movimento coletivo, que se chama Rafa. O Rafa hoje joga com o Smith, exatamente como nunca jogou, por exemplo, com o nosso querido amigo Nuno Luís Jorge Jesus. Porque uma coisa é nós potencializarmos o jogador para ser disciplinado a acompanhar certos defesas, que sobem, e o Álvaro sabe do que eu estou a dizer. Outra coisa é dizer assim, quando o defesa subir, o Álvaro sobe, tu cais nas costas e a bola tem que ir para ali e fazes a diferença. E realmente é verdade. Por isso é que eu digo que a estratégia nos jogos e sobretudo aquilo que se determina durante a semana antes de jogar o jogo, é fundamental. Agora, para mim, eu peço desculpa, desta vez não vou conseguir ir ao encontro da pergunta, exatamente porque eu não sou nada apologista de considerar um jogo, ou seja, um jogador.
Um jogador como o decisor.
O que decide um jogo. Não. Há um jogador que determina sob o seu posicionamento, porque isso também pode acontecer ao central que sobe ao canto, está zero a zero, no último minuto num canto, ele faz um grande gol. Vão elogiar muito esse jogador que é central, que fez um gol de canto e determinou. Mas depois já vão criticar os avançados porque durante 90 minutos não fizeram nada. Ninguém critica.
Muito bem. Está feito. Álvaro Magalhães, Eurico Gomes, obrigado por terem estado aqui conosco. Vamos agora assistir ao jogo. Daqui a uma hora arranca este clássico.
Um grande abraço. Eurico.
Obrigado, um grande abraço. Que seja um jogo com muitas emoções e com muitos gols.
Ó Álvaro.
Um grande abraço.
Vou levar-te a ponta de lança.
Termina assim este especial, para já, que vai continuar a seguir às notícias que vêm já a seguir aqui na Rádio Observador. Rádio Observador, Desporto.